PANDEMIA - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência anunciam medidas de combate ao coronavírus 20200505

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PANDEMIA - Coletiva - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência anunciam medidas de combate ao coronavírus

Local: Capital - Data: Maio 05/05/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde a todos. Estamos iniciando, agora são 12h32, a coletiva de hoje. Muito obrigado pela presença de vocês, muito obrigado pelo papel que vocês exercem, no sentido de difundir todas as nossas comunicações aqui. A questão, principalmente, do 'fique em casa', que é extremamente importante, e m anter essa taxa entre 50% e 60%, mais perto de 60% o possível e idealmente acima disso. Nós estamos aqui hoje com o Dr. David Uip, presidente do... coordenador do Centro de Contingência, e o Dr. Carlos Carvalho, pneumologista, professor no Hospital das Clínicas, especificamente no Incor. Então, vou passar a palavra para o Dr. David, para iniciar aqui a apresentação.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito boa tarde a todos, muito obrigado pela presença, e nós vamos continuar a sistemática de mostrar para vocês como funciona o Centro de Contingência aqui do Governo do Estado de São Paulo. Como ele se reúne, como ele discute 24 horas por dia todos os dias e como essas discussões geram informações para o secretário de Estado, para os demais secretários e para o governador do estado. Então, nós vamos iniciar hoje pela apresentação do professor Ca rlos, que, além de ser responsável pelas UTIs do Hospital das Clínicas, é professor titular da Pneumologia da [ininteligível] do Hospital das Clínicas, a Faculdade de Medicina da USP, e ele, obviamente, no Centro, ele nos ajuda muito, todo o fluxo de doente grave do Estado de São Paulo, do momento que ele entra no hospital até o momento que ele tem alta do hospital. Então, o professor Carlos vai nos informar como isso está sendo feito, a disponibilidade de leitos, a participação extremamente moderna da telemedicina, no sentido de ajudar as outras UTIs do Estado de São Paulo a trabalhar de uma forma protocolar. Nós já aprendemos que esta doença depende muito, primeiro, da assistência. Segundo, de hospitais bem preparados. Terceiro, leitos suficientes de enfermaria, fundamentalmente de leitos de UTI. Então, toda esta gestão de leitos está l igada a protocolos de atendimento desses pacientes. Está claríssimo para nós que esses pacientes, quando atendidos de uma forma sistemática, eles têm maiores opções de tratamento e de cura de um ambiente de UTI. Então, eu peço ao professor Carlos que exponha toda esta sua participação.

CARLOS CARVALHO, PNEUMOLOGISTA: Boa tarde, boa tarde, José Henrique, boa tarde, David, boa tarde a todos vocês. Então, como o David comentou, a nossa atuação dentro desse Centro de Contingência foi no sentido de, com outros colegas, de outras universidades que fazem parte, montarmos uma linha de cuidados desses pacientes. Desde o momento que ele está em casa, ele é recomendado a ir para o hospital. No hospital, ele é submetido a uma série de exames clínicos e exames laboratoriais, como medida de oxigenação no sangue, um exame de image m e determina-se a gravidade desse paciente. Se ele for um paciente simples, ele é orientado para retornar em casa e vai sendo monitorado. Se ele for um paciente mais grave, ele vai para um sistema de regulação de leitos, que é o sistema Cross, ele é registrado ali, e se ele for um paciente menos grave, ele vai para um leito isolado, se ele for um paciente mais grave, ele vai para a UTI. Da UTI, ele melhorando, ele vai para esse leito, que nós chamamos intermediário e, se ele estiver nesse leito intermediário e ele piorar, ele volta ou vai para a UTI inicialmente. E a partir daí, ele tem dois caminhos. Ele estando no hospital, ele pode melhorar e receber alta, e aí ele vai para um acompanhamento ambulatorial, para nós sabermos se essa doença deixa alguma sequela no pulmão ou sequela no organismo. Como uma doença nova, nós não sabemos. Então, esse indiv&iacut e;duo é acompanhado durante um ano. E aqueles que, infelizmente, falecem, estando dentro de um protocolo, ele é submetido a uma necrópsia minimamente invasiva, o corpo não é mais aberto, é só feito punções, como se fossem para retirada de partes dos tecidos mais importantes, para nós podermos entender essa doença, uma vez que esse vírus deve ficar circulando, a partir de agora, nos próximos anos também. Então, para que nós possamos atuar. Falando especificamente dessa parte do doente grave, do doente que precisa ser internado ou que vai para a UTI, tem sido comentado sempre com vocês a necessidade de novos leitos de UTI e de equipamentos para que esses pacientes sejam adequadamente tratados, e essa insuficiência respiratória, essa dificuldade de oxigenar o sangue, seja contrabalançada. Então, a falta de ventiladores mecânicos é uma coisa que nós vimos na China, nós vimos na Itália, nós vimos na Espanha, vimos nos Estados Unidos. Ou seja, todos os países onde essa pandemia foi mais intensa, acometeu um maior número de casos, principalmente num prazo curto, acabou estourando o sistema de saúde, não tinha capacidade de absorver tantos casos assim. Então, aqui em São Paulo na capital, por onde o vírus entrou, os primeiros casos, e no interior, agora, com a disseminação, nós temos preparado esse... A Secretaria da Saúde, junto com as pessoas do Comitê, junto principalmente com o Hospital Emília Ribas e o Hospital das Clínicas, temos discutido um protocolo de assistência ventilatória, para oferecer, baseado nos melhores conhecimentos sobre ventilação mecânica, que já existiam previamente, e que nós discutimos com os colegas da China, da Espanha, da Itália, para não repetir aqui algumas dificuldades, alguns problemas que eles tiveram lá. E com isso, nesse momento, nós temos obtido uma taxa, uma taxa de mortalidade nos nossos pacientes, no ambiente de UTI, por exemplo, menor do que está sendo observado em Nova Iorque. Então, os nossos cuidados aqui estão adequados. Mas, pra isso, nós precisamos ter leitos de UTI. Por enquanto, no Estado de São Paulo, temos alguma folga, na faixa aí dos 30% de leitos não ocupados no interior do estado. Mas na capital, nós já estamos entre 85% e 90% de ocupação. Então sempre a Secretaria da Saúde vem promovendo a abertura de novos leitos, para tentar trabalhar essa demanda. Outra coisa que estamos trabalhando é com as equipes de inovação, principalmente da Universidade de São Paulo e de outras universidades e de outros pes quisadores, é a construção de novos ventiladores mecânicos. Então, tem uma série de projetos que estão na Anvisa, para serem aprovados, projetos que esperamos, num futuro próximo, possam ser produzidos ventiladores nacionais, mais simples, mas que vão ser fundamentais para atender a nossa população. Uma outra situação que nós aprendemos com o pessoal da Itália é que, quando tem essa sobrecarga de ventiladores mecânicos para o doente entubado, existe a possibilidade, desde que tenhamos equipamentos adequados, que possamos fazer uma ventilação não invasiva, sem usar o tubo. O paciente fica dentro de um capacete e esse capacete é pressurizado. Como não temos esse capacete aqui no Brasil, essas empresas, esses pesquisadores estão desenvolvendo capacetes nacionais, para ser mais uma forma de desafogar as nossas terapia inte nsivas, para que possamos postergar ou mesmo nem chegar a necessidade de intubação, uma vez que, como ainda não temos medicamentos 100% eficientes, eficazes pra eliminar o vírus, nós precisamos que o doente tenha uma, duas semanas de tempo, que ele tem que ser mantido vivo, pra que ele consiga produzir os anticorpos e aí neutralizar esse vírus. Então, precisamos dessa janela de tempo, e a ventilação mecânica, invasiva, ou essa agora, ventilação mecânica não invasiva, numa condição especial, adaptada pra nossa realidade, que nós possamos obter um sucesso em tratar essa população, como tem sido conseguido aqui em São Paulo até agora. São Paulo iniciou, foi onde iniciou o coronavírus, e até agora temos conseguido manusear bem, manipular bem essa infecção, apesar do enorme número de casos que observamos, e a mensagem, sem dúvida nenhuma, é fique em casa.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, professor Carlos, eu vou só adicionar os conhecimentos que nós estamos tendo agora dos casos brasileiros, as necrópsias minimamente invasivas estão oferecendo dados que são muito importantes, então, é uma doença muito visceral, que muitas vezes, eu me refiro aos doentes graves, que muitas vezes começa pela insuficiência respiratória, e pode atingir diversos órgãos, coração, rins, nós temos um número de pacientes em di álise, que é um número importante, isto é de um conhecimento fundamental, porque você retarda a alta dele da UTI, nós temos o acometimento da pele, do sistema de coagulação, do sistema nervoso central. Então, aquilo que o professor Carlos falou é fundamental, o primeiro sintoma do doente grave é, muitas vezes, a insuficiência respiratória, mas esse vírus, ele é muito visceral. Outro fato muito importante, que você tem a infecção viral, ela promove uma resposta inflamatória que é individual, ela pode ser mais ou menos intensa, depois da resposta inflamatória, existem fenômenos tromboembólicos, êmbolos, que podem ir pra qualquer lugar, e na sequência você tem a infecção bacteriana, então, são multi fases de uma mesma doença, que com esses conhecimentos, você come&c cedil;a catálogos, previamente, a partir do momento que ele é encaminhado para o hospital. Um outro fato importante é o que o secretário da saúde municipal, ele acaba de relatar, é que mudou o protocolo do município de São Paulo, o protocolo que era entender esses hospitais de campanha para os doentes já em estado intermediário de doença, hoje esses hospitais de campanha atendem os doentes com sintomas, pra evitar que ele já chegue no hospital de alta complexidade, sem o diagnóstico já adequado da insuficiência respiratória. Então, são protocolos que estão em andamento, que são muito importantes. É fundamental que você tenha assistência primária, secundária e terciária, o município de São Paulo e os municípios do Estado de São Paulo conseguem sustentar essa situaç& atilde;o até o momento de controle, porque eles têm uma atenção primária muito bem feita, que naquele local, eles conseguem entender qual é o paciente que pode voltar pra casa, ou aquele que deve ser encaminhado pra atenção secundária. Entendam como exemplo atenção secundária esses hospitais de campanha da área aqui da cidade de São Paulo, e vai pro hospital de alta complexidade, justamente aqueles pacientes que necessitam iminentemente do ambiente de UTI. O dado do Hospital das Clínicas é muito reflexivo, o Hospital das Clínicas tem uma possibilidade de leitos, através do seu instituto central, de mais de 700 leitos, hoje ele tem 200 leitos praticamente ocupados, e num prazo rápido e médio, o Hospital das Clínicas terá mais 300 leitos, e nós estamos no aguardo que possamos, o secretário vai se referir a isto d e um aumento de leitos de UTI não só na área metropolitana, mas em todos os hospitais do estado. Então, isto é a progressão da doença e isso que nós estamos entendendo. O secretário vai apresentar agora os dados, e eu acho muito importante depois o secretário comentar, e nós comentarmos, o que esses dados nos mostram do ponto de vista já de uma forma de pressão sobre o sistema de saúde, que não se limita só a área metropolitana de São Paulo, por favor, secretário.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito bom. Vamos aos dados de hoje, nós temos, no Estado de São Paulo, 34.053 casos confirmados, 2.851 óbitos, esse número de óbitos já aproximadamente 8% com relação ao número total de casos. E o Brasil tem 105, passou a barreira dos 100 mil casos, né, 105 mil 222 casos, 7.228 óbitos, né? Aqui em São Paulo, desses 34, nós tivemos novos casos, de ontem pra hoje, 1.866 casos, e dos óbitos, de 2.851, novos óbitos, 197, o que dá, aproximadamente, cerca de 5%. As nossas taxas de ocupação, no Estado de São Paulo, e pra grande São Paulo, pra UTI, está com 68.9 no interior, aliás, para o estado como um todo, e 86.9 na grande São Paulo, vocês observaram ontem, estava em 88, e na quinta-feira nós estávamos com 89 ponto... Quase 90. Enfim, 90%. Então, nós colocamos novos leitos, em toda a rede da região metropolitana, da grande São Paulo, por isso que essa taxa de ocupação diminuiu um pouco. Isso nos mostra que ainda precisamos mais leitos, então, temos para abertura de leitos, em todo o estado, ainda cerca de 1.800 leitos, que faremos tão logo isto seja necessário, que todos os recursos estejam aqui, principalmente a questão do respirador. Os respiradores devem estar sendo entregues quinta-feira. Então, acredito que entre sexta-feira e o final de s emana, a gente consiga ir abastecendo aquelas regiões da grande São Paulo, em primeiro lugar, para baixar ainda mais essa porcentagem de ocupação, com os leitos novos, que passam a integrar o sistema. Nós temos 8.800 pacientes internados, em todos os hospitais, sejam pacientes confirmados, ou sejam pacientes suspeitos, este é o que nós chamamos do censo, né, que a gente trabalha com relação ao Covid, ou a Covid no Estado de São Paulo.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Uma notícia, agora, extremamente preocupante, a média de isolamento do município de São Paulo no dia 04/05 foi de 48%, a média do Estado de São Paulo, 47%, não é possível trabalhar com esse número, o número mínimo de 50%, constantemente não vem sendo atingido, nós precisamos melhorar isto todos os dias, e nós teremos enormes dificuldades, no prazo de um mês, se este número não for superior a esses 50%, eu me refiro a leitos di sponíveis em toda rede, especialmente os leitos de UTI. É claro que o isolamento é muito chato, todos nós estamos vivendo isso, é muito difícil, nós sempre agradecemos muito a população, mas a população precisa estar convencida que esta é a única forma de nós darmos conta da assistência aos pacientes do Estado de São Paulo, eu quero voltar a falar o que o secretário tem falado, nós vamos ter dificuldades com os municípios que fazem divisa com o Estado de São Paulo, isto é histórico no Estado de São Paulo, é histórico, sempre aconteceu, num momento de pressão, seguramente vai acontecer mais. O Pacto Federativo, o SUS, faz que todos atendam a todos, mas nós vamos ter dificuldades crescentes do ponto de vista de dar suporte aos pacientes do Estado de São Paulo e aos pacientes de outros estados. Então, eu reitero a gravidade do momento, onde nós estamos vendo seguidamente a diminuição do isolamento. Final de semana melhora um pouquinho, como melhorou, mas os dias de semana, esse número não é possível. Eu quero reafirmar que nós teremos problemas sérios de assistência num espaço não superior a um mês. Então, essas eram as considerações iniciais. Eu quero agora agradecer, na presença de todos os jornalistas, tanto a presença aqui ao vivo como as perguntas que foram feitas, e eu vou abrir às perguntas. A primeira pergunta é presencial, da TV Globo, William Cury.

REPÓRTER: Boa tarde, tudo bem? Queria saber, a gente tem falado de taxa de isolamento, agora a obrigatoriedade do uso de máscaras, a partir da quinta-feira, em todo o Estado de São Paulo, mas a gente sempre flagra aglomerações pela cidade de São Paulo. Hoje, ali nas proximidades da Galeria Pajé. O que pode ser feito para resolver isso e o que isso tem provocado de prejuízo já nos números que observamos aqui na cidade de São Paulo, e também no estado como um todo? Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Bom, há uma preocupação crescente. Tanto é verdade que hoje, em várias avenidas e ruas de São Paulo tem todo um bloqueio. Esse bloqueio é para tentar diminuir a circulação de pessoas. Eu, como vocês, também estou vendo aglomerações, quer dizer, isso é inaceitável. Além da aglomeração, que não é permitida, o não uso de máscaras. Hoje, um outro veículo de comunicação me perguntou: Mas h á um mês atrás vocês falavam de máscaras de uma forma diferente. O conceito de máscara não mudou, o que mudou é emergência sanitária. Então, a máscara acresce, em muito, a proteção dos cidadãos. Então, isto é fundamental. A despeito de tudo que nós estamos falando, é verdade, sai pelas ruas o aumento do número de carro, aglomerações, pessoas sem máscara. Aí é um direito individual, mas é uma obrigação com a sociedade usar máscaras. Pelo que eu vi do decreto do governador, as medidas cabem aos municípios, e é assim que tem que ser. Os municípios vão tomar as decisões que entenderem como adequadas para o não cumprimento das regras, que estão claramente estabelecidas. Próxima pergunta, desculpe, da Regiane Soares, do Jornal Agora. Eu formulo? Eu formulo. Qual é a orientação do Comitê de Contingência do novo Corona Vírus para a comemoração do Dia das Mães no próximo domingo, dia 10 de maio? Na Páscoa, a recomendação foi não viajar. E agora?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Regiane e todos. A orientação continua sendo a mesma, tanto para agora, no Dia das Mães, todos gostariam de comemorar de uma forma bastante efusiva, com seus entes queridos, para aqueles que têm mãe é extremamente importante este convívio desse dia, esse dia tem um significado muito especial, tanto quanto a Páscoa, enfim, todos os outros feriados. Mas agora, nós estamos vivendo num regime de guerra, nós estamos vivendo numa situação totalmente an&o circ;mala dos demais dias das mães que nós tivemos até agora. Nunca tivemos desta maneira, então desta vez nós não vamos poder comemorar da forma que sempre comemoramos. Acredito na criatividade das pessoas, no sentido de, ficando em casa, se salvando em casa, poder ainda comemorar o Dia das Mães, de uma forma que seja o suficiente para demonstrar seu amor, e assim por diante. Então, nenhuma orientação nova com relação ao Dia das Mães.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado pela pergunta, obrigado, secretário. Agora uma pergunta online, TV Record de Rio Preto, Vítor Moretti, o Flavio fala a pergunta.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Araçatuba está com o índice de 44% de isolamento social e confirmou 67 casos positivos de Corona Vírus e duas mortes. Diante desses dados, é possível se pensar em qualquer flexibilização a partir do dia 11?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Qualquer discussão deste tema cabe ao governador, que fará o seu pronunciamento no dia 8. A nós, do Comitê, representados por nós três, Helena Sato aqui também, cabe traçar os cenários e sugerir ao governador, que é quem tomará a decisão e que comunicará à sociedade. Agora, este índice é inaceitável. As pessoas continuam a não acreditar no vírus e é isso que nós estamos vendo: 44% de isolamento, 67 casos positivo s e com um número de mortes totalmente indesejável. Infelizmente, nós teremos mortes, mas cada vida conseguida é um avanço. Então, por favor, atente ao que nós estamos falando diariamente. Agora uma pergunta presencial da Jovem Pan, Nicole Fosco.

REPÓRTER: Olá, boa tarde a todos. Vocês falaram a respeito dos capacetes, que podem ser como ventiladores não invasivos. Eu queria saber se já estão sendo produzidos, qual é a quantidade, se há aí alguma expectativa de eles de fato chegarem já aos hospitais. Obrigada.

CARLOS CARVALHO, PNEUMOLOGISTA: Essa é uma tecnologia que, como o Brasil não produzia e o consumo desse equipamento foi muito grande na Europa, depois da crise da Itália, então não foi também possível importar. Então, as empresas, algumas empresas brasileiras, alguns pesquisadores, estão desenvolvendo e desenvolveram capacetes nacionais, que já estão em fase de teste e com resultados positivos. E as empresas já estão prontas para começar a produzir. A minha expectativa, que ligo quase todos os dias para os pesquisadores &eacu te;: quando vão entregar, quando vão entregar? Porque estamos precisando e isso vai ser um desafogo muito grande para a nossa situação. Data é uma coisa difícil, mas a última vez me prometeram que até sexta-feira eles vão me entregar no Hospital das Clínicas os primeiros protótipos, para nós fazermos um teste e, a partir daí, liberar para o restante da Secretaria.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Entendendo que a palavra final sempre é da Anvisa, não é isso, Carlos? Eles precisam aprovar. Então, tem a fase, esta fase... Por favor. Agora uma pergunta online, Jornal Agora, Regiane Soares. O Flavio fará a leitura.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Essa foi a que você acabou lendo no começo, David, eu vou pedir para passar para a próxima, presencial, do SBT, Fábio Diamante.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Fábio Diamante.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde a todos. Dr. David, eu queria fazer uma pergunta para o senhor. São duas perguntas, na verdade. O senhor vem batendo muito na questão do isolamento social, a gente vê que isso é um problema gravíssimo. Se fosse hoje, se a quarentena estivesse acabando hoje, qual seria a orientação dos senhores para o governador, a partir de amanhã? Como São Paulo teria que seguir? E eu queria fazer uma segunda pergunta: duas associações médicas criaram o protocolo de internação em UTIs, principalmente para os estados que estão tendo que fazer aquela escolha cruel de quem deve ser internado. São Paulo tem esse protocolo? Já trabalha com essa possibilidade? Recebeu esse protocolo ou tem um protocolo próprio? Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: É, agora eu vou chamar a prerrogativa de um coordenador de um Centro, sem cargo e sem remuneração. Então, isto, o Centro que eu coordeno, e todos os 15 trabalham da mesma forma que eu, tem como responsabilidade criar cenários e sugerir ao governador. E uma outra coisa que eu sou, pra mim é contundente, tem a obrigação de não antecipar. Nós temos que trabalhar, dia a dia, estamos trabalhando 24 horas por dia, para que, na sexta-feira, nós consigamos mostrar o cenário para o governador e a decisão sempre é do governador. Então, o governador apresentará, no dia que ele se comprometeu, os cenários e a sua decisão. Eu quero que o professor Carlos me ajude na sua segunda pergunta, não tem nada mais constrangedor para um médico de linha de frente, e nós somos médicos de linha de frente, escolhas: quem vai e quem não vai, se vai para uma UTI ou se não vai, quem tem direito ao aparelho, quem não. Isto é extremamente doído, não para nós médicos, para todos os profissionais da área de saúde. Então, o estado de São Paulo trabalha muito fortemente para que os seus profissionais da área de saúde, em nenhum momento, tenham que fazer essa opção. Mas eu reforço a minha posição, isso tem duas responsabilidades, uma é do estado e outra da sociedade. Por m ais que o secretário, tanto do estado como os secretários municipais, criem leitos, importem respiradores, inovasse com capacetes, se não houver esta preocupação também, e responsabilidade da população, isto vai ficar muito difícil. Então, de novo, um apelo para a sociedade: isto precisa do apoio de toda a sociedade. Eu entendo, como um indivíduo que assessora o governo, que o estado e todos os municípios estão fazendo o melhor possível, eu espero, eu, como médico de linha de frente, professor Carlos a mesma coisa, e todos que vivem nessa situação de enfrentamento da epidemia, não tenhamos que fazer escolhas deste tipo no futuro. Professor Carlos.

CARLOS CARVALHO, PNEUMOLOGISTA: Bom, sem dúvida nenhuma, esse tipo de escolha é uma das situações mais difíceis para a equipe médica e para o médico que vai dar a palavra final. Então, tem dois fatos que eu queria comentar, primeiro, é que essa é uma situação associada ao colapso mental do profissional, são situações associadas a 'burnout', coisa que tem tirado alguns profissionais da linha de frente. Isso é muito traumatizante para o médico, é muito traumatizante para a equipe que apoia es se médico quando ele tem que chegar nessa decisão. E num ambiente como esse tem sido trazido para a frente, para a linha de frente das terapias intensivas, uma série de profissionais que não eram propriamente da terapia intensiva, eles estão sendo capacitados, estão sendo treinados para fazer esse tipo de atendimento. Na terapia intensiva, e vou falar do Hospital das Clínicas que é onde eu milito desde o século passado, no Hospital das Clínicas nós desenvolvemos um protocolo para essas situações, para situações como as que nós estamos vivendo de pletora do sistema de saúde e existe uma categorização para escolha, para a definição dessas situações. Isso foi apresentado para o Conselho Regional de Medicina que referendo esse tipo de abordagem. Felizmente, como o David falou, não precisamos ainda, aqui em S&atild e;o Paulo não chegamos a esse ponto e esperamos nunca chegar, porque é uma situação muito, muito desgastante para todos que estiverem envolvidos nessa situação.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Só para terminar essa pergunta, eu quero dizer que nós estamos vivendo também um grande desconforto de ver os nossos colegas da área de saúde empenados em ambiente de UTI, isso também é muito difícil e isso desgasta muito a equipe de saúde. É o técnico de enfermagem, é a enfermeira, é o médico, é o indivíduo da recepção, então, isto tudo é muito difícil para essa equipe de saúde que atende esses paciente s. Então, nós temos que pensar no global dos fatos e ter isso em mente, que quando você toma as providências de prevenção, você também está ajudando esses profissionais da área de saúde. Hoje existe, por exemplo, protocolos de anestesia que protegem o profissional, diferente do que existiam, até forma de intubação diferentes, até a decisão de assistência ventilatória menos ou mais invasiva. Mas isso é uma preocupação do dia a dia de todos nós. Obrigado Fábio Diamante. Agora eu vou passar para a pergunta do Bruno Ribeiro do Estadão. O Flávio fará a leitura.

BRUNO RIBEIRO, JORNALISTA DO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO: O estado já observou um aumento de demanda em regiões de fronteira de pacientes que não são de São Paulo e procuram atendimento por causa de uma eventual lotação em seus estados ou de falta de leito em seus estados?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Veja, nós não temos observado isso ainda, o que ocorre é que em estados vizinhos que possam entrar num programa de calamidade acima das suas possibilidades de recursos para atendimento dos pacientes, isso acaba acontecendo. É nesse momento que tem que ter a ajuda cada vez maior do governo federal. É ele enquanto... por meio do Ministério da Saúde, a entidade máxima de atendimento e de ditar políticas nesse sentido, mas também, de acolher os estados, de acolher cada estado que esteja numa situação como nós já vimos no Amazonas e provavelmente no Rio de Janeiro e no Pará. Das nossas fronteiras, nós não temos observado nenhum tipo de paciente, Da onde eles viriam? Eles viriam da fronteira Leste e da fronteira Norte, talvez. Da fronteira Sul, com o Norte do Paraná e Leste, com o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, acho menos provável, acho menos provável porque as condições da epidemia nesses estados estão mais controladas, então, fica mais difícil, então, dos pacientes se dirigirem para o estado de São Paulo. Mesmo porque, eles têm que ser transportados por via terrestre e isso numa situação de insuficiência respiratória, que é muito difícil de ser trabalhado, vamos dizer assim, precisa de uma estrutura, talvez das mais importantes, em transporte de pacientes graves.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou dar um exemplo agora dos hospitais privados em São Paulo. Está havendo uma chegada muito importante de paciente de outros estados, então, os hospitais que nós trabalhamos estão vendo isso [ininteligível] claramente, os sistemas em outros estados esgotados e esses pacientes vindo para o estado de São Paulo. Um outro fato é a migração interna dentro do estado de São Paulo. As pessoas que moram em municípios com menor número de habitantes, consequentemente tem u m recurso menor do ponto de vista de infraestrutura, procurando os hospitais mais regionais. Eu vou passar agora à pergunta presencial da TV Cultura, a Maria Manso.

MARIA MANSO, JORNALISTA DA TV CULTURA: Boa tarde. Ouvindo o relato de cada um de vocês eu fiquei pensando o é para vocês, Carlos, José, David, ter que se dividir nesse cotidiano de tomada de decisões divididos entre o pragmatismo dos números, das incidências, das mortes e a sensibilidade das vidas humanas que também estão nas mãos das decisões de cada um de vocês. Então, de verdade, eu queria tentar saber o que é que cada um de vocês pensa, primeiro quando acorda, sabendo que tem mais um dia como esse, na frente desse comba te que a gente está acompanhando?

CARLOS CARVALHO, PNEUMOLOGISTA: Com certeza é um exercício complexo, porque numa situação de pandemia você vive a doença. Eu já tive um Covid para chamar de meu, passei para a minha esposa, fiquei duas semanas afastado, voltei para a ativa, estou na ativa e todo dia é segunda-feira, não tem diferença. Eu chego cedo no hospital, saio depois que escurece, vou para casa, janto e respondo uma porção de e-mails, uma porção de WhatsApp como o David falou. Tem pacientes espalhados por aí que pedem orientações. Mu itos colegas médicos têm problemas e pedem orientações, então, envio imagens, envio exames de sangue, o que é que você acha, quer saber a sua opinião, então, o envolvimento emocional, e alguns são amigos próximos. Quando eu estava afastado, na mesma época o David estava afastado e tinha outros colegas afastados, volta e meia a gente estava conversando. Então, é uma situação que você está isolado, tem poucas pessoas da família e sua forma de comunicação, no máximo, é um FaceTime, no máximo é um Skype, alguma coisa assim. Esse isolamento é muito difícil, mas a pressão de cuidar dessa quantidade grande de pacientes, tanto na clínica privada quanto as centenas de pacientes hoje no Hospital das Clínicas... Eu coordeno as UTIs, tem mais de 200 pacientes internados na UTI. Na UT I que eu sou diretamente responsável, que é a UTI respiratória, que tem 14 leitos, três desses leitos é um enfermeiro, que trabalhava no Incor, e dois médicos, um do Incor e um da Neurologia. E tem todos os amigos deles, todos os conhecidos deles cobrando o que está acontecendo, está melhorando, não está melhorando. Então, são pessoas próximas que começam a ficar doentes, uns mais graves, outros menos graves, e isso é difícil. Mas se você parar e ficar só pensando nessa, no lado negativo da coisa, é melhor continuar dormindo, é melhor não levantar de manhã. Então, você tem que estar sempre pensando o que você pode fazer para ajudar, para melhorar, para resolver os problemas. É isso que vai movendo o dia a dia, todas as segundas-feiras que a gente vai vivendo. Espero que elas acabem logo. E fique em c asa.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Maria, pela pergunta, e a todos. O médico, pela sua própria formação, inclusive muito solitária, ele se vê várias vezes com esta situação pela frente. Não numa situação de epidemia, mas na situação de relacionamento do trabalho dele com os seus pacientes. Mas antes de tudo, é um grande exercício de esperança. Quando você tem uma situação como a de agora, onde você tem recu rsos, que você tem que gerenciar, pressões de toda ordem e o desconhecido a respeito de como a doença pode vir a trabalhar. Mas mesmo assim, nada é mais ofensivo do que a morte. A morte termina com tudo, então, por isso que nós, enquanto profissionais de saúde, temos que ter a esperança na mão, para trabalhar junto com ela, com as questões técnicas, e ir em frente para vencer uma guerra dessa.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Só para terminar a tua pergunta, que eu achei muito adequada, nós três somos indivíduos com muitas cicatrizes. Nós somos das décadas anteriores, e vivemos muitas situações extremamente graves. Esta não é a primeira de nenhum de nós três. Eu já falei da Aids, 1981, 1982, o quanto isso nos marcou. Então, o que o secretário falou é absolutamente correto, nós vivemos do dia a dia e da esperança. E de algo que eu acho fundamental, que s&a tilde;o os indivíduos que estão saindo vivos, que, graças a Deus, são a maioria em relação àqueles que não. Então, nós não perdemos a esperança. Isto move o profissional da área de saúde. E nós entendemos, como todos os profissionais da área de saúde, que nós estamos em missões. Não tem outro jeito de pensar. Muito obrigado. Agora presencial, da TV Gazeta, Marcelo. Marcelo, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Na semana passada, o Dr. David Uip comentou sobre a necessidade da habilitação de novos leitos de UTI, e até contava com a verba repassada do Ministério da Saúde para poder agilizar todo esse processo, mas também a compra de respiradores, insumos, EPIs, enfim. Eu gostaria de saber em que patamar está isso, de habilitar novos leitos, se essa ampliação dos leitos de UTI do Hospital das Clínicas de fato está prestes a acontecer, e se o apoio, o suporte do Ministério da Saúde, conforme vocês sol icitaram na semana passada, está acontecendo, em relação a repasse de verbas e recebimento de insumos, EPIs, enfim. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Marcelo e todos. Veja bem, a nossa saga diária é justamente oferecer as condições para que os hospitais possam ter, dar conta do seu recado, de atendimento dos pacientes. Ontem fizeram uma pergunta aqui que foi a seguinte, o que era mais difícil: montar um leito de UTI ou colocar um respirador num leito de UTI já montado. Uma peça só e o restante. É uma comparação interessante, e eu respondi, e continuo respondendo, que, nos dias de hoje, aqui e agora, n as condições que nós estamos trabalhando, colocar um respirador é mais difícil do que você montar um leito. O Hospital das Clínicas, que tem 600, 200 leitos de UTI já em funcionamento e mais 700 leitos em enfermaria, que possam ser transformados, uma boa parte deles, em terapia intensiva, ele tem já esta habilitação. Então, nesse sentido, nós não temos nenhum problema. O nosso problema hoje para que o Hospital das Clínicas tenha mais leitos é colocar mais respiradores. E os respiradores estão vindo, acredito que já passou pela fase do sequestro, acredito eu, mas sempre pode resistir, e algumas empresas que fizeram importações receberam, e nós estamos aguardando então 3.000 respiradores, que vão chegar gradativamente, a partir de agora, 500, 500, 500, 500. Entendeu?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Secretário, acho que é uma pergunta a respeito da solicitação do Estado ao Ministério da Saúde.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ela é parcial. Aquilo que a gente... Algumas coisas que nós solicitamos vieram, mas uma boa parte também não foi possível de eles oferecerem. Nós temos um bom relacionamento com o Ministério da Saúde, nós temos o Conas, que nos representa junto ao Ministério da Saúde também, e o Ministério se divide em vários departamentos. E um deles, que é destacado do Ministério da Saúde, porque é uma agência, &ea cute; a Anvisa, que a gente depende muito dela. Então, são dois organismos da área da Saúde, no Governo Federal, no âmbito federal, que nós estamos ligados quase que todo dia necessitando de alguma informação, de algum insumo, enfim, alguma norma, alguma habilitação de leito. Sempre existe esse constante relacionamento para uma coisa ou outra.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Carlos.

CARLOS CARVALHO, PNEUMOLOGISTA: Só queria fazer um comentário, já que foi a respeito de aumentar o número de leitos e o Hospital das Clínicas. Se você imaginar que, há cinco semanas atrás, o Hospital das Clínicas, no seu instituto central, ele possuía somente 100 leitos de terapia intensiva para pacientes adultos. O esforço para transformar 100 leitos em 200 não é só multiplicar as coisas por dois. Você tem que treinar, capacitar equipes de enfermagem, de fisioterapia, equipes médicas para atender isso, ent&atilde ;o você tem que captar profissional no mercado, fazer o treinamento, que não é simples. Segunda coisa, você precisa de ter todos esses equipamentos, que também a Secretaria da Saúde veio disponibilizando, veio correndo atrás, foi atrás do Ministério da Saúde, e... Entre profissionais, para cada 10 leitos de UTI, você precisa, entre médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, de 50 a 60 profissionais, para abrir 10 leitos de terapia intensiva. Então, você tem uma ideia, não é uma extrapolação, não é uma regra de multiplicar por 10, vezes 10, dá 100, mas você tem uma ideia da quantidade de pessoas que têm que ser absorvidas e preparadas para isso. Agora, nós estamos chegando nos primeiros 210 leitos, caminhando para 220, à medida que a demanda vem ocorrendo e que a Secretaria da Sa&ua cute;de vem favorecendo essa disponibilização, e vamos tentar, nas próximas três semanas, chegar em 300 leitos de terapia intensiva. Isso exige um esforço tremendo, exige uma necessidade de adaptação, de arquitetura hospitalar, de gases, de eletricidade, toda uma infraestrutura que não é simples. Então, o trabalho que a Secretaria da Saúde vem fazendo, junto com a administração do hospital, tem sido extremamente louvável nesse período.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: É preciso reiterar o apelo que nós fizemos na reunião do Governo, do governador com o Ministério da Saúde. Eu vou reiterar o apelo, e nós precisamos urgentemente ser atendidos. Então, o Estado de São Paulo é, a cidade especialmente, o epicentro desta pandemia. Então, nós temos que ser atendidos nas solicitações que o secretário fez, ele formulou uma série de solicitações e, além de atendidos, rapidamente. Não adianta n&oacut e;s termos aparelhos respiradores para agosto. É agora. Então, eu reitero, seguramente em nome do governador e do secretário, a necessidade do Ministério da Saúde ajudar efetiva e rapidamente o Estado de São Paulo.

Eu vou para a última pergunta, agora presencial, da UOL. O Felipe Pereira, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, senhores. O Centro de Contingência traça cenários, que são avaliados pelo governador para tomar a decisão, como o Dr. David Uip explicou. Caso haja um relaxamento do isolamento social, caso a quarentena seja flexibilizada, qual cenário o Centro de Contingência mostrará para o governador se essa medida for tomada? Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: É assim, nós somos em 16 indivíduos, pesquisadores, cientistas, epidemiologistas, infecto, pneumologistas. Nós representamos cinco universidades aqui do Estado de São Paulo. Representamos alguns dos principais hospitais, e a Secretaria de Estado e seus institutos. Uma das situações que, para mim, é absolutamente crucial, é não trabalhar com hipóteses distantes. No começo, nós criávamos cenários em cima das experiências de outros países. Ho je, nós trabalhamos com números do Brasil, do Estado de São Paulo, números absolutamente reais. Claro que todos nós, o professor Carlos, ele não falou sobre isso, boa parte desse tempo nós investimos em estudar, inclusive todos os trabalhos que são publicados. Então, esse é um investimento que ajuda a formular as hipóteses, que vão criar uma situação de decisão para o governador. Então nós, neste momento, temos que ser os mais exatos, em cima de ciência, técnica e experiência. É assim que nós trabalhamos. Nós trabalhamos no dia a dia para oferecer ao secretário, ao governador, as informações mais precisas. Mas a decisão sempre é do governador, para isso ele foi eleito. Muito obrigado, uma boa tarde a todos.