PANDEMIA - Coronavírus já mata 1 a cada 30 minutos em São Paulo 20201604

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PANDEMIA - Coronavírus já mata 1 a cada 30 minutos em São Paulo

Local: Capital - Data: Abril 16/04/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Estamos aqui, mais uma vez, nesta coletiva, aqui na Secretaria da Saúde, em função da epidemia do Covid-19, e eu gostaria de agradecer a presença de todos, e o intuito e o nosso objetivo é esclarecer cada vez mais para que vocês tenham, tanto vocês, quanto os seus objetivos, que são seus leitores, ouvintes, enfim, possam entender do nosso quadro, o que está acontecendo no estado, como também no Brasil, né? A gente tem essa preocupação aqui com o Estado de São Paulo, por uma questão de ofício, mas não é diferente do que está acontecendo no restante do país, com algumas diferenças em alguns lugares. Eu vou... Nós temos uma apresentação, eu vou pedir pro Dr. Luiz Carlos, que está aqui comigo, ele é o diretor do Hospital Emílio Ribas, e o Dr. Paulo Menezes, que é o coordenador da área de controle de doenças, é o coordenador do programa anti-Covid, no sentido de que eles, ele vai apresentar e ele faz alguns comentários, como eu também. Muito obrigado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Boa tarde a todas, boa tarde a todos, prazer tê-los aqui, é importantíssimo esse espaço que é aberto, pra gente atualizar, todos os dias, qual é a dinâmica e o curso da epidemia aqui no Estado de São Paulo. Se alguém puder passar o próximo, então, dados atuais, nós temos somados 11.568 casos, sendo 853 óbitos, de ontem pra hoje nós tivemos 525 novos casos no total, sendo que, destes, 75 novos óbitos, infelizmente. Nesses dois meses, na verdade, nós estamos completando aqui três pra quatro semanas, nós temos uma taxa de mortalidade de 52% acima do H1N1, a pandemia de 2009. Pode passar o próximo. Na capital, falando de volta aqui em coronavírus, na capital os óbitos somam 603, os municípios com casos chegamos em 199, dos 645 municípios, municípios com óbitos são 83. Óbitos por faixa etária, essa curva está mantida, felizmente, são 26% dos óbitos estão abaixo de 60 anos, e estes que estão abaixo dos 60 anos, a maioria está associada a comorbidades. Quais são? As comorbidades são cardiopatia prevalece, diabetes [ininteligível] em segundo, pneumopatia, algumas doenças neurológicas, doenças renais, etc. As internações dos casos suspeitos, em enfermaria, somam 2.393, em UTI temos 1.421, casos suspeitos em UTI, casos confirmados em enfermaria 1.264, e casos confirmados em UTI 1.115. Portanto, um número próximo entre casos em UTI e casos em enfermaria, isso é um dado importante pra nós definirmos a estratégia de por onde, qual é o serviço que a gente deve investir mais e ampliar mais, né, um detalhe é que a tendência vai ser que a gente migre dos casos suspeitos para os casos confirmados, uma vez que agora nós vamos começar a contar com um número bem maior de confirmação por PCR, que está chegando agora no Butantan. Essa é a taxa de ocupação, que foi falada ontem com bastante ênfase pelo Dr. David, essa taxa de ocupação, também o destaque dela é que ela é oscilar, de acordo com o dia, então, por exemplo, ontem nós tivemos um óbito e tivemos duas altas, a partir desse momento, o quarto é preparado e essas vagas são oferecidas pra central de regulação de serviços de saúde, que é a CROSS, a CROSS identifica, portanto, da sua demanda de solicitações e dimensiona por proximidade, direciona os casos pra ocupar esses três leitos, e às vezes isso leva horas, eventualmente 12 horas pra que esse leito seja ocupado, a nossa tendência agora tá sendo que esse movimento seja mais rápido, em função dessa reorganização dos serviços, por isso que a gente oscila de 93 a 100%, pode ser que agora, no final de tarde, a gente já esteja de novo com a ocupação de 100%. Bom, são esses os dados, então.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Paulo, por favor.

PAULO: Eu gostaria de comentar, só realçando a questão de que se fala muito do achatamento da curva, mas o achatamento da curva significa a redução da velocidade com que os casos vão acontecendo, mas a gente continua vendo a progressão e se não houvesse as medidas de redução de contato social, que tem sido tomadas, nós teríamos, hoje, uma situação muito pior, com um número de casos muito acima do que a gente está observando nesse momento. Outro comentário que eu quero fazer é que se mostrou os dados de cidades do interior com casos confirmados, né, é importante ressaltar que a maioria dessas cidades são cidades de porte grande ou médio, são centros de referência pra cada região, são cidades com capacidade pra fazer a disseminação do vírus naquela região. Então, praticamente todo o Estado de São Paulo, hoje, tem esses centros de difusão do vírus já estabelecido.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Queria aproveitar aqui a presença do doutor [ininteligível], que é do Hospital Emílio Ribas, ele tem muita experiência no assunto, é um conhecimento que ele pode agregar pra vocês, através do próprio conhecimento dele e da experiência que ele tem tido no atendimento, ele faz atendimento de paciente no tete a tete, vamos dizer assim, e com isso, eu acho que ele tem algumas informações e tirar, inclusive, depois, algumas dúvidas que vocês possam ter nesse sentido. Obrigado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Agradeço ao secretário, boa tarde a todos, então, só reforçando algumas coisas, nós que estamos vendo os pacientes no dia a dia, né, cabe ainda o reforço que a grande maioria dos pacientes que estão procurando o serviço de saúde, não estão sendo internados, a maioria são casos leves ou relativamente moderados, mas que conseguem ficar em casa, conseguem ficar sendo monitorados, e só uma parcela desses pacientes é que, realmente, estão necessitando de internação, ou nas enfermarias, que são unidades de internação, que a gente chama, ou nas unidades de terapia intensiva, onde o tratamento intensivo se faz necessário, às vezes, pela necessidade de ter que ajudar o paciente a respirar. Então, lembrando, que ainda não se conhece totalmente como o vírus funciona dentro do corpo, depois que há a infecção, mas há uma tendência que ele entra pela via respiratória alta, e vá até os pulmões e, em alguns pacientes, por algum determinado gatilho, que ainda não está bem estabelecido, ele faz aquela pneumonia mais importante, fazendo com que o paciente não consiga, às vezes, manter um nível de oxigenação, ou uma capacidade de respiração sozinho, por isso que se fala, então, da necessidade, então, da ajuda da ventilação, que é feito com aparelho respirador. Então, não é todo mundo que necessita disso, mas a gente vê que há uma grande quantidade de pacientes, hoje, já ocupando esses leitos de UTI, estamos também com boas notícias, que estamos conseguindo, né, dar alta da UTI a uma grande maioria de pacientes também, isso é uma boa notícia, mas esse paciente fica internado por algum tempo. Então, assim, todo mecanismo de doença e de tratamento ainda precisa, carece de mais pesquisas, mas o que a gente sabe hoje é que a forma de prevenção, através aí do isolamento social, tentando achatar a curva e o tratamento dos que precisam, isso faz com que a gente reduza os danos relacionados à infecção. Então, lembrando que a grande maioria dos pacientes não vão ter sintomas, ou vão ser pouco sintomáticos, é isso que se chamam dos oligo sintomáticos, esses são termos médicos que, pra quem está escutando, é mais difícil, e a pessoa que não tem sintoma, que é assintomática, ela não deve procurar o serviço pra tentar fazer o exame, porque isso não vai causar nenhum benefício do ponto de vista epidemiológico, nesse momento, e vai sobrecarregar ainda mais o serviço de saúde. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GUERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Eu queria fazer mais um informe aqui pra vocês a respeito do número de testes, né? Na data de hoje foram recebidos 1.741 novos testes, novas amostras, vamos dizer assim, e foram processadas 1.589. Estão em análise 12.958. O número de amostras que aguardam análise nesta semana caiu 24%. E desde 1º de março, nós estamos fazendo, já fizemos 17.500 casos, testes relacionados ao Covid-19. Podemos abrir pra perguntas.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A primeira pergunta presencial, TV Gazeta, Osmar Garraffa.

OSMAR GARRAFA, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Secretário, a gente observou em algumas capitais, em algumas cidades importantes do país a obrigatoriedade do uso da máscara. A cidade de São Paulo pensa em adotar essa medida também?

JOSÉ HENRIQUE GUERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Saiu o informe, acho que da Prefeitura de São Paulo também nesse sentido do uso da máscara. Existe sim, nós estamos soltando um protocolo do uso de máscaras, tem que ser máscaras de pano e tem a forma correta de utilização, vamos... ela não é uma obrigatoriedade, mas nós vamos fazer uma forte sugestão a respeito do uso de máscaras. Ela tem um problema que eu diria que é a falsa segurança, porque pode... os pacientes achando que então se eu estou usando máscara eu estou imune. Isso não é verdade, entendeu? Pode ter essa sensação, nós temos que frisar bastante isso no nosso informe. Mas existem alguns, em algumas capitais, inclusive, fora do país a existência do uso de máscara como algo adjuvante que pode melhorar a questão do isolamento. Paulo, quer comentar?

PAULO: Não, acho que o secretário cobriu muito bem. A questão das máscaras é mais um recurso e não o recurso. Acho que essa é uma coisa fundamental. O isolamento social continua sendo a principal medida pra redução da transmissão do vírus de uma pessoa pra outra.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E também em relação às máscaras, o que é importante é que a gente tem frisado internamente, assim que houver a recomendação do uso de máscaras é também a gente ensinar essas pessoas usarem as máscaras. Nós estamos vendo aí um aumento gradativo de uso de máscaras nas ruas, mas a gente vê que as pessoas ainda não têm um cuidado que deveriam ter. então assim, você não pode estar de máscara e ficar tocando na máscara toda hora, tem que haver uma técnica pra pôr, uma técnica pra tirar. Higienizar as mãos, ter onde guardar essa máscara. O que às vezes a gente vê são pessoas que estão com a máscara, colocam a máscara aqui no pescoço, e comem, e voltam. E a partir do momento que você fica pegando nessa máscara no ambiente, ou você pode se contaminar nesse ato, ou se você for um daqueles que está positivo e que está protegendo as outras pessoas, você acaba contaminando ainda mais o ambiente. Então a recomendação acho que teremos que frisar e contar com a colaboração de todos vocês de ensinar as pessoas a como utilizar a máscara no dia a dia. Através da cartilha que a gente tem... que será distribuída pra vocês.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Próxima pergunta é uma pergunta on-line. Beatriz Mafredini, da Jovem Pan. Com os leitos de UTI e enfermaria dos hospitais quase cheios já há um protocolo sobre o que vai acontecer com os pacientes que chegarem a esses locais e não encontrarem vagas? Eles serão encaminhados a outro hospital? Serão encaminhados pra casa? Como o Estado planeja fazer a gestão desses leitos?

JOSÉ HENRIQUE GUERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Isto já existe e é assim que nós fazemos para outras patologias também. O CROS que é o Centro de Regulação, ele tem esse papel. Ele não inventa vaga, nem fecha hospital, e nem fecha leito, ele procura onde existe um leito pra determinado paciente, observada algumas questões clínicas. E aí, obviamente, tem aqueles pra UTI e aqueles pra enfermaria. Então, o CROS recebe uma solicitação e aí ele encaminha para aquilo que for mais conveniente. É um sistema que já existe há bastante tempo aqui na secretaria, existe uma organização social que é quem opera esse sistema. Enfim, ele cumpre este papel de realocar, ou, aliás, alocar pacientes em diferentes hospitais de acordo com o grau de gravidade, procedência, assim por diante. Isso tem ocorrido e estamos trabalhando junto com a causa desde o primeiro dia.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Próxima pergunta é presencial. Do UOL, Felipe Pereira.

FELIPE PEREIRA, REPÓRTER: Boa tarde a todos. Secretário, mais uma vez o índice de isolamento social fechou em 50%, o terceiro dia seguido. O senhor ainda acredita que os 70% são... é uma meta possível?

JOSÉ HENRIQUE GUERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu diria pra você que ela é a meta ideal, né? Nós nunca atingimos 70%, nós conseguimos atingir 60% poucas vezes, porém, alguns municípios, fora de São Paulo atinge. Eles... nós temos uma relação que mostra esse, esse, essa distribuição e também nenhum chegou a 70% que eu saiba, mas a 66% tem e foi divulgado hoje até pelo governador, né? Então, isto é uma média do estado, obviamente, tem municípios que têm menos, e nós trabalhamos no sentido de aumentar cada vez mais para que a gente possa... pelo enfrentamento aí da crise do Covid, dentro de parâmetros favoráveis para a questão de disseminação da doença. Favoráveis pra nós quanto a disseminação da... distribuição da doença.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Próxima é uma pergunta da Folha de São Paulo, uma pergunta on-line da Patrícia Pasquini. Ainda sobre leitos, né, hospitalares. Outro hospital alcançou 100% de ocupação, de UTI e enfermaria? Qual é a situação do HC e do Emília Ribas hoje? Acho que já foi dito aí na apresentação. E por fim. Procede a informação de que hospitais de referência estão negando cerca de cem leitos por dia?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É bom que a gente entenda essa dinâmica, né? Eu não sei qual é a origem dessa informação, mas a Central de Regulação de Leitos ela recebe as demandas que é as demandas que nós temos aí em vários serviços, como o Dr. Hausem (F) pontuou, são demandas Covid, não Covid, e aí essa demanda é distribuída para todos os serviços e elas passam de um dia pro outro, elas vão sendo absorvidas à medida que vão sendo abertas vagas nos hospitais. Então a informação de que foram negadas cem porque o hospital já atingiu 100% da sua capacidade não procede. Só pra deixar bem claro que é uma informação geral esse número de demanda de solicitações.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Próxima pergunta presencial, TV Cultura, Jerônimo Moraes.

JERÔNIMO MORAES, REPÓRTER: Secretário, boa tarde. O governador anunciou agora há pouco a AME Heliópolis virando um hospital de campanha pra atender os moradores da região. Existe a possibilidade de outros, outras unidades serem adaptadas para atenderem outras regiões, principalmente a leste e a norte?

JOSÉ HENRIQUE GUERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Olha, nós já estamos então com três hospitais de campanha, sendo que o Heliópolis deve ficar pronto daqui uns 15 dias. É uma AME, né, é o maior AME do estado hoje que se chama AME Dr. Barradas. Tem todo um serviço de diagnóstico e tem como suporte o Hospital Heliópolis que é um hospital bastante complexo, né? A ideia é justamente colocar isso ao lado de uma área de grande adensamento, junto ali do... que é Heliópolis, né, e é junto da AME. E a AME tem esse papel de fazer como se fosse o hospital de campanha com 170 leitos para o atendimento a esses pacientes que moram ali nas redondezas. Obviamente que se eles estiverem graves eles vão precisar ser transferidos e aí tem o Hospital de Heliópolis que é ali do lado. A AME Campinas que vai ser a maior do estado, assim que ela for inaugurada, que estava prevista agora pra abril como uma unidade ambulatorial, AME, né, de especialidades que fica na cidade de Campinas, nós transformamos também eu vou chamar aqui o hospital de campanha, e vamos procurar aumentar gradativamente essa unidade. E se existirem outras necessidades, nós também iremos atrás, e esse é um modelo que nós podemos adotar, onde nós tivermos ali de porte, que elas estão fechadas, AMEs de porte, que a gente possa então transformá-las em hospital para dar suporte à epidemia do COVID-19. Temos um hospital de campanha do Ibirapuera também, agora deve ficar pronto e operando a partir de 1 de maio.

REPÓRTER: Para o doutor [Ininteligível], pode ser, uma rapidinha, doutor? Ontem a gente estava aqui, e o David Uip informou a gente da questão do 100% ontem, da UTI, Valdemir Ribas. Não é nem uma pergunta, é mais um depoimento. Como é que é estar em uma UTI lotada durante uma pandemia? Deve ser inédito até para o senhor, né? Fala um pouquinho como é que é estar nessa situação?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Agradeço a pergunta. Então só reforçando também, que o Emílio Ribas, ele foi elencado pela Secretaria de Saúde como um dos hospitais de referência para atendimento dos casos da COVID-19. Então assim, além da ampliação de leitos que já foi feita, há então a programação de abertura de mais leitos, agradecendo todo o apoio que a secretaria tem nos dado. Então é natural também que nós em uma cidade de mais de 12 milhões de pessoas só aqui, e mais a grande São Paulo que também todas estão no Cross, muito natural que todos os casos sejam direcionados para a gente, que a gente tem a UTI cheia por esse motivo. Te digo que é um desafio imenso, faz 15 anos que eu lido com doenças infecciosas, depois que eu me formei, o doutor Luiz, diretor do Emílio Ribas, também está aqui, um trabalho incansável, porque nós temos que além de realizar todo o planejamento dos leitos de EPI, não podemos deixar faltar nada, temos que fazer um esforço enorme para que as quebras de barreira e as contaminações não aconteçam. Nós estamos analisando os nossos números ainda, mas nós estamos com números incomparados com outros serviços extremamente baixos, e de pessoas infectadas do nosso instituto. Então eu te digo que é um grande desafio, e aproveito a tua pergunta em um momento para fazer aí um agradecimento tanto do ponto de vista de todos os gestores que estão trabalhando arduamente nisso, mas também para todos aqueles que estão na linha de frente. Então assim, a gente tem, todos, médicos, enfermeiros ou até o profissional que fica na recepção ali, o profissional da limpeza que acaba entrando em um leito de COVID-19 para limpar depois do uso. Porque lidar com medos, lidar com situações familiares em casa, muitas das pessoas não veem mais suas famílias. Eu estava comentando agora pouco que isso dá uma matéria também, que nós viramos, entre aspas, uma arma biológica, porque as pessoas têm medo de falar com a gente, porque acham que cuidando de pacientes com COVID-19 a gente pode estar com COVID-19. Então além de isolamento social recomendado, as pessoas também não querem vir falar, algumas pessoas não querem entrar em contato com a gente. Então tem todo esse lado humano que é realmente difícil, mas realmente queria te dizer que é uma experiência ímpar, se você quiser conhecer nossos serviços, está aberto, porque é um serviço que tem funcionando de maneira muito boa. E agradeço realmente o apoio de todos os profissionais da área da saúde, da CSS, é onde o Emílio está locado hoje em dia, da CSS representando todos na secretaria, de todos os serviços, porque é extremamente desafiador esse momento para a gente.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Quero também aproveitar, se me permite, secretário? Para colocar como diretor da unidade, o doutor [Ininteligível] é diretor da divisão médica toda, como diretor da unidade, e há 30 anos na instituição. Quando nós fizemos um grande exercício de planejamento que se destaca como nossa primeira missão, talvez porque também completamos 140 anos esse ano, de existência, é o que se destaca como primeira missão é a prontidão no atendimento das epidemias. Então a maneira como que em apenas três semanas o hospital foi transformado, e com a dedicação de todos os profissionais, é de a gente se orgulhar disso, de cada um deles que estão lá dentro, são 1.300 funcionários, a gente tomou cuidado com todos eles tirando da frente o que teria um pouco mais de risco, descontaminar. A gente reorganizou o hospital como um todo, e daqui a pouco, nós temos poucos leitos que não são COVID-19 ainda, mas em dez dias, eu acredito que a gente vá ser um hospital 100% de COVID-19. Com uma outra vantagem, a coordenaria dos serviços de saúde, coordenada pelo doutor Antônio Pires Barbosa e sua equipe técnica, estão nos ajudando muito. Então se nós podemos dizer que há o atendimento, e a totalidade aí da ocupação da UTI é quase máxima, é porque a gente teve apoio não só da secretaria, da coordenadoria do serviço de saúde, mas que coordena todos os outros hospitais, são 42 serviços de saúde que se organizou priorizando leitos para COVID-19, cobrindo as regiões dessa forma oferecendo para o serviço de regulação leitos também de UTI, de enfermaria, são parceiros nossos. Então essa grande rede de hospital recebeu os testes na semana passada, e nós já temos as condições desde a semana passada, de saber exatamente quem é positivo, quem é negativo, e dessa forma a gente racionaliza o uso dos EPIs. Eu não posso entrar em um quatro e no outro quatro do lado, se eu não sei se ele tem ou não, se é uma síndrome gripal, uma pneumonia. Agora dessa maneira, não, a gente sabe que nós temos alas que são só de COVID-19. Então facilita o trabalho da equipe toda. Então eu acho que essa rede de hospitais que se apoiam, e nós temos um contato com eles diário e frequente com todos os diretores dos hospitais, facilita demais essa dinâmica de serviços e de apoio, e aí a gente é muito grato também, a esse nível gerencial dessa equipe que nos ajuda muito. Resumindo, nós achamos que estamos indo muito bem, a equipe apoia, deu resposta pronta, e esse sucesso ele não é só graças a esse universo nosso, ele é graças também a todo o apoio que a gente tem da Secretaria de Saúde, e de todos os outros hospitais da rede. Então eu gostaria de aproveitar a oportunidade para fazer esse agradecimento público a eles todos.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Próxima pergunta é do Estadão, Bruno Ribeiro.

BRUNO RIBEIRO, REPÓRTER: Boa tarde. Secretário, na coletiva da parte da manhã, o senhor mencionou que havia a possibilidade na rede Cross, nas transferências, de se encaminhar pacientes aqui da capital da grande São Paulo, até para o interior, se fosse o caso, dependendo da ocupação aqui, que já está enorme. Dá para o senhor detalhar um pouco mais como poderia ser feito isso? Existe alguma cidade que seria referência, porque tem uma estrutura melhor? Isso variaria de caso a caso? Como é que isso se dá na prática?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Então, isso se dá, de novo, pelo sistema da Cross, é ela que tem um dado momento, e isso é muito dinâmico, muda de um dia para o outro, essas vagas em todas as regiões do estado. Então hoje na hora que chega uma solicitação para Cross, um paciente que está em um PS para ser internado, então é ela que, independente da patologia, é ela que vai distribuir no estado como um todo, este paciente. Óbvio que ela analisa questões relacionadas à gravidade, proximidade, enfim, características da patologia da pessoa, e características do hospital que ela está enviando. Paulo.

PAULO: Eu acrescentaria que como a pandemia ela ocorre com velocidade de casos distinta, no estado de São Paulo, começando com o município grande São Paulo, e principais regiões metropolitanas, principalmente. Nós temos leitos em outras regiões que devem ser usados para acudir aquelas regiões aonde a ocorrência de casos está mais intensa. E depois provavelmente vai acontecer o inverso, outras regiões podem ter uma velocidade de casos mais alta do que a sua capacidade, e ter que recorrer às regiões que já passaram por aquela fazer, aquele período.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Próxima é uma pergunta online, da Record News. Sobre vacinação contra a gripe. Vou pedir para o coordenador de controle de doenças responder: "Pacientes asmáticos e com doenças controladas estão relatando dificuldade para tomar vacina contra a gripe, isso porque não estão tomando remédios, e por isso não tem receituário nem laudo atual. A informação dos agentes de saúde é que essas pessoas voltem ao médico e peçam a receita. A orientação é que pacientes do SUS e pertencentes ou não ao grupo de risco vão ao pronto-atendimento, correndo risco de contaminação, ou devem aguardar o agendamento com médico das UBSs, que pode levar até um certo tempo?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Essa exigência é uma exigência normatizada pelo Ministério da Saúde, pelo Programa Nacional de Imunização, para a campanha de vacinação contra a Influenza, que vem ocorrendo ao longo dos anos. Então, ela é rígida. Hoje mesmo, de manhã, houve uma reunião liderada pela divisão de imunização da Secretaria, pra poder justamente flexibilizar aquilo que pode mostrar que o indivíduo tem a condição crônica, portanto ser prioridade nesse momento da campanha de vacinação. Está sendo elaborada uma nota agora, que vai ser distribuída até amanhã para as regiões e para os municípios, permitindo essa flexibilização.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Perfeito. A última pergunta é uma pergunta presencial, TV Globo, Laura Cassano.

REPÓRTER: Secretário, a minha pergunta também vai na mesma linha do colega, em relação a preocupação com as partes mais periféricas da cidade, porque os leitos, como a gente viu, tanto das enfermarias quanto das UTIs, estão bastante estressados, digamos assim, e a situação do Emílio Ribas acabou acendendo um sinal de alerta também muito grande, assim como de outros hospitais de referência. O senhor mencionou agora há pouco que agora já são três hospitais de campanha e que esse é um modelo que podemos adotar. Não seria o caso de já ter um plano pra hospitais de campanha, sobretudo na Zona Leste, extremo da Zona Sul também, se antecipando aos casos? Porque quando esses casos vão pras regiões mais periféricas, o sistema Cross, claro, mesmo funcionando, para levar para a região central, acaba dependendo mais. Então, um foco maior sobre essa questão nas periferias. E também, se o senhor me permite, um comentário sobre uma possível mudança no Ministério da Saúde, se isso de alguma forma preocupa o Governo do Estado aqui em São Paulo e se dificulta qualquer tipo de trabalho em parceria, muda algum tipo de orientação. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Começando pela primeira, veja bem, tem duas situações diferentes aí. Com relação ao interior do estado, vamos chamar assim, o governador fez uma emissão de recursos para cidades com mais de 100 mil habitantes e cidades com menos de 100 mil habitantes, dois valores diferentes que ele colocou para todos os municípios do Estado de São Paulo. Esse recurso, seja em consórcio entre eles ou municípios separados, é justamente para fazer... É exclusivamente para fazer enfrente à epidemia, e aí o hospital de campanha entra na mesma situação para os municípios do interior. Quanto aos municípios da Zona Leste que você colocou, isto é uma questão da prefeitura municipal. Nós estamos todo dia conversando e apoiando as ações da Prefeitura Municipal de São Paulo, com o mesmo intuito, no sentido de diminuir o impacto da epidemia nas regiões menos favorecidas daqui da cidade. E aí, uma dessas questões foi Heliópolis, exatamente, onde, numa parceria com a Prefeitura, nós assumimos a transformação do AME Barradas para esse hospital, que eu estou chamando de campanha aqui porque ele é um hospital que tem começo, meio e fim, tempo definido. Então, nesse sentido, esta integração entre a própria prefeitura, e conversando hoje com a Secretaria Municipal, as áreas da Zona Leste são mais estressadas, do ponto de vista de procura de leitos, e a Zona Sul tem uma certa... Um outro tipo de procura de leitos, e está um pouco mais tranquilo para a prefeitura. Então, a gente tem também hospitais estaduais e apoia os hospitais municipais.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Por fim, a última pergunta da TV Record, [ininteligível].

REPÓRTER: Olá.

[Falas sobrepostas]

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Então, nós, desde o começo do nosso mandato, nós temos um relacionamento com o Ministério da Saúde, bastante próximo. Nos integramos, nós temos obrigatoriamente que ter um bom relacionamento com o Ministério da Saúde. Existe uma série de interligações entre a Secretaria de Estado e o Ministério da Saúde, e assim nós fizemos e cumprimos. Do ponto de vista de colaboração e de integração, o Ministério, por sua vez, também teve bastante, muita colaboração conosco, no sentido de resolver os problemas que colocamos ao longo do tempo. Tivemos sempre uma atividade amistosa, nos reunimos oficialmente uma vez por mês, através de uma reunião que se chama tripartite, que é justamente Ministério, estado e município. Existe uma associação que representa os municípios e existe uma associação dos secretários de Saúde. Como são poucos, então vão todos, né? Não existe... Como são muitos municípios, vai uma representação. Então, esta reunião ocorre uma vez por mês e o Ministério ouve as necessidades que possam ser colocadas ali, como também dá respostas. E isso sempre foi dentro de um sentido bastante produtivo. E eu lamento uma troca de ministro num momento como este, estrategicamente não é interessante, você está no meio de uma epidemia. Mas isto não nos compete estabelecer se deve ou não deve trocar tal ministro do Governo Federal ou não. Mas, do ponto de vista de opinião, posso dizer para vocês que é uma perda pra todos nós.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Agora sim, TV Record, encerrando aqui as nossas perguntas.

REPÓRTER: Olá, tudo bem? Secretário, me diz uma coisa, em relação aos hospitais particulares, como que está a situação dos leitos? Hoje teve um decreto do município que tem que informar todos os dias a situação dos leitos. Como estão esses leitos nos hospitais particulares, na capital e no estado?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Ok. Os hospitais particulares estão menos estressados, vamos dizer assim, com relação à busca de leitos para os seus pacientes. Com isto, nós estamos em conversações, no sentido de ter uma colaboração entre a iniciativa privada e os hospitais, e a Secretaria de Estado, com o objetivo de trazer hospitais privados para a rede de hospitais públicos também. Eu gostaria de ressaltar que nós já tivemos inúmeros programas público-privados, onde existe também aqui um relacionamento bastante profícuo com os hospitais privados e seus representantes, como a Associação Nacional de Hospitais, como o Sindhosp, enfim. Todos eles, nós temos conversado com muita frequência e vamos criar um sistema de colaboração, para que possa nos ajudar e a gente ajudá-los também. É isso que eu enxergo como colaboração, é isso que eu enxergo como integração e entendo que estamos num caminho de mãos dadas. Ok, gostaria de agradecer. Estaremos aqui amanhã de novo, com outras informações e respostas para vocês. Estaremos sempre às ordens, muito obrigado. Muito obrigado ao Luiz Carlos, ao Paulo, ao...