PANDEMIA - Estado envia mais 62 respiradores para cidades do interior e Grande São Paulo 20202306

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PANDEMIA - Estado envia mais 62 respiradores para cidades do interior e Grande São Paulo

Local: Capital - Data: Junho 23/06/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito boa tarde. Estamos aqui pra 76ª coletiva de imprensa, faremos aqui, hoje, no salão do Palácio dos Bandeirantes. Estão aqui, ao meu lado, a secretária Patrícia Ellen, do desenvolvimento econômico. Secretário Vinholi, do desenvolvimento regional. O Dr. Carlos Carvalho, que é o coordenador do centro de contingência. Dr. João Gabardo, que é o coordenador executivo do centro de contingência do Estado de São Paulo. Dr. Paulo Menezes, mem bro do centro e coordenador do controle de doenças da secretaria. E a Dra. Rosana Richtmann, convidada de hoje, aqui para ajudar no esclarecimento das dúvidas que a gente possa ter, e pra fazer o seu depoimento, principalmente a respeito da própria patologia e do andamento da epidemia aqui no Estado de São Paulo, como também a questão de vacinas e eu digo porquê, a Dra. Rosana, ela é doutora em medicina pela Universidade Freiburg, da Alemanha, e é coordenadora do comitê de imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia, e médica infectologista do Hospital Emílio Ribas. Bom, vamos iniciar com os números de hoje, por favor, isso, para o Brasil 1.106.470 casos confirmados, com 51.271 óbitos. Para o Estado de São Paulo 229.475 casos confirmados e 13.068 óbitos. O número de casos cresceu 3,2% e o número de óbitos 3,3% de ontem pra ho je. Temos como taxa de ocupação dos nossos leitos de UTI no Estado de São Paulo 65,7%, e na grande São Paulo 68%, como estava ontem também. Internados no sistema, nós temos, em UTI, 5.659 pacientes e, em enfermaria, 8.295 pacientes, que são pacientes suspeitos ou confirmados. No nosso sistema de atendimento nós já tivemos 39.227 altas dos pacientes internados, altas hospitalares. Seguinte, por favor. Nós estamos mostrando aqui pra vocês a curva de crescimento do número de casos positivos, e agora com 229.475, que tá dentro das nossas projeções até o final do mês de julho, este crescimento próximo, nós temos aqui o número de óbitos, 13.068 acumulado, que está aí na borda inferior da nossa projeção para o mês de junho. Nesse sentido, eu gostaria agora dos comentários do Dr. Carlos Carvalho, por favor, coordenador do centro de contingência do Estado de São Paulo.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário, boa tarde a todos. Então, depois desses números, que sempre impactam de uma forma até triste de estarmos convivendo com essa pandemia já há vários meses. Bom, as pesquisas pra essa doença nova vêm trazendo alguns resultados positivos e eu vou comentar um deles aqui, ontem foi, finalmente, apresentado os dados de um estudo que a Universidade de Oxford já havia feito um pré release na semana passada, e agora nós temos mais dados e deu pra t er uma noção melhor do que foi feito. Então, baseado no tipo de lesão, no tipo de inflamação que esse vírus causa quando ele entra no nosso organismo, ele entra pelas vias respiratórias, ele causa uma grande resposta de inflamação no nosso corpo, principalmente nos pulmões, ele entra na corrente sanguínea e essa resposta inflamatória acontece nos diferentes órgãos que esse vírus vai atuar, vai agir, vai infectar. Então, desde o início, se imaginava que alguns medicamentos com propriedades anti-inflamatórias poderiam ser benéficos, não no tratamento da virose, porque pra isso precisamos de drogas contra o vírus, ou o uso da vacina, que estimularia uma resposta do nosso organismo pra combater o vírus com a produção de anticorpos, enquanto isso não tem, nós temos que tratar as consequên cias do vírus e uma delas seria a inflamação, uma vez que essa inflamação, ela é perigosa, porque ela é exagerada em alguns órgãos, em algumas situações. No início, baseado em alguns estudos que vieram da China e alguns estudos com paralelo, com uma outra pneumonia viral, que era pelo Influenza H1N1, tinha-se a impressão de que o uso do corticosteroide não foi benéfico na atuação contra o coronavírus, porém, posteriormente, principalmente baseado em alguns dados da Europa, se viu que em algumas situações clínicas esses medicamentos poderiam ser benéficos, e alguns estudos começaram a ser delineados, tanto no exterior, quanto aqui no Brasil, aqui no Brasil tem estudos sendo feitos pra avaliar medicamentos do tipo corticosteroides na Covid-19. Mas esse estudo da Universidade de Oxford, esse estudo do Reino Unido , que acompanhou por um mês, por 28 dias, mais de 6.400 pacientes, uma parte deles, pouco mais de 2.100 pacientes, utilizaram um tipo de corticosteroide chamado Dexametasona, e mais de 6.400 pacientes receberam o tratamento padrão igual ao do outro grupo, mas sem utilizar a Dexametasona, e o resultado final foi que, naqueles casos mais graves, nos pacientes mais críticos, que precisavam de ventilação mecânica, quando comparado com o grupo que não utilizou a Dexametasona, a mortalidade reduziu em um terço. Naqueles pacientes que precisavam de algum suporte ventilatório, tipo oxigênio, a mortalidade reduziu em um quinto, mas naqueles pacientes mais leves, que não precisavam desse suporte ventilatório, nem de oxigênio, nem de ventilação mecânica, não teve nenhuma vantagem usar o corticosteroide, não teve vantagem, e lembrando que o corticosteroide, no caso a Dexametasona, tá associada a uma série de efeitos colaterais. Aqui, então, a grande mensagem é: O corticosteroide pode ser benéfico nos pacientes de gravidade maior, agora se está estudando pra perceber quais, dentro dos mais graves, se beneficiariam mais, se ele serviria pra todos que, em princípio, está sendo aplicado a todos, ou se eles seriam melhores num subgrupo de pacientes. Mas o principal é não utilizar o corticosteroide nas fases mais leves, por exemplo, o indivíduo em casa, como aconteceu com a Cloroquina, um monte de gente foi comprar a Cloroquina pra tomar, vale a pena comprar Dexametasona e tomar? Não. Não vale a pena, porque, inclusive, pode ocorrer efeitos colaterais, ele não serve nessa fase, ele não previne a doença, ele atua nos casos graves, é um medicamento pra uso hospitalar e não pra uso domiciliar. Então, estamos &agrave ; frente de algumas opções de tratamento que vão surgindo, essa é uma excelente opção, mas ajuda o tratamento médico pros casos graves, internados em hospitais, principalmente aqueles internados em terapia intensiva. Então, essa medicação não deve ser usada fora do ambiente hospitalar, fora da prescrição por um médico, mas é uma boa opção e vai nos ajudar a diminuir a mortalidade dos pacientes com essa Covid-19 na sua forma mais grave, com insuficiência respiratória. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ainda dentro da questão do tratamento, eu queria dar um informe a vocês a respeito dos respiradores, nós recebemos, até hoje, 2.789 respiradores, e já entregamos pra rede, já foi distribuído 2.178 respiradores. E agora pro dia de hoje temos também uma nova entrega, isso é todos os dias, a gente tem entregado respiradores pra rede, hoje seria pra Santa Casa de Taquarituba, na região da Baixada, Hospital Santa Bárbara, Hospital Santa Casa de Piracaia, Hosp ital Santa Casa de Itatiba, Pronto Atendimento de Pinhalzinho e prefeitura de Vinhedo, na região de Campinas. Estaremos entregando também na região de Sorocaba, para o hospital de campanha de Itu. Região de Piracicaba, Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba. E na região de Marília, pra Santa Casa de Marília e pra Santa Casa de Assis. Mais na grande São Paulo, Hospital Antônio Gilio, e o Hospital de Campanha Barradas, nossa Ame Barradas, ali em Heliópolis. Totalizando 62 equipamentos na data de hoje a serem distribuídos. Dr. Gabbardo, por favor, queria dar continuidade.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DE SÃO PAULO: Boa tarde. Boa tarde, secretário, boa tarde aos presentes. Fazendo uma análise dos dados que o secretário apresentou, o que mais chama atenção de todos nós é o número de óbitos registrado nas últimas 24 horas, um número de 434, é o maior número de óbitos registrados neste período, em 24 horas, obviamente que isso entristece a todos, nem tanto pelo número, mas pelo que isso representa pras pessoas, pros familiares, pr os amigos, pelo fato de termos esse número de registros. Agora, esse número, ele ocorre basicamente, e por isso o gráfico apresentado pelo secretário mostrou que está dentro daquela previsão de cenário que a gente tem até o dia 30 do mês, ocorre porque o interior do estado, na sua grande maioria das regiões, estão numa curva ascendente, uma curva de crescimento de casos. Isso faz com que, mesmo com a redução que a gente tenha na capital, na região metropolitana, o compito geral, ele continua sendo negativo para aquilo que nós esperamos, para aquilo que nós desejamos, que é a redução desse número de óbitos a nível estadual. E no obstante esse aumento ocorrido, que estava dentro dos cenários previstos pelo centro de contingência, é importante destacar que isso não tem pressionado os leitos de UTI, n& oacute;s continuamos com uma utilização em torno de 65, entre 65 e 66% dos leitos, que significa que nós temos de 33 a 34% dos leitos disponíveis pra população, que é o que, neste momento, mais importa, pra quando as pessoas estiverem necessitando de atendimento hospitalar, por apresentar dificuldade respiratória, que tenhamos capacidade de atendimento, com equipe, com respiradores, com pessoal treinado, com pessoas que possam efetivamente reduzir a mortalidade destes pacientes. Então, esse é o ponto que eu acho que vocês todos devem estar preocupados, e vão perguntar mais adiante sobre este número, então, nós já queríamos fazer esse comentário em cima da apresentação feita pelo secretário José Henrique. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Gabbardo. Por favor, Dr. Paulo Menezes.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CONTROLE DE DOENÇAS DA SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, secretário, boa tarde. Eu queria acrescentar que em relação ao número de casos novos confirmados de ontem para hoje tivemos um aumento de 3, 4. Eu queria chamar atenção para colaboração, como eu tenho feito em outras ocasiões, dos testes rápidos, de confirmações obtidas através de aplicação de testes rápidos. Nesses números de casos de ontem para hoje, eles representam 38% do total desse d ia. Então, a gente vê como nós já tínhamos chamado à atenção um aumento progressivo do número de testes rápidos na confirmação de casos de um dia para outro. Por que isso é importante? Porque o que realmente mede a transmissão do vírus, é a confirmação de casos agudos através do pcr. O aumento de ontem para hoje, em casos confirmados por pcr foi de 2, 6%. A gente vê um aumento médio de 3, 4% mas pcr 2, 6%. Mas mais uma vez mostrando que a velocidade de transmissão e a ocorrência de quadros agudos é menor do que a confirmação de casos pelo teste rápido. Também queria fazer um breve comentário sobre os óbitos. Os óbitos eles são o resultado, o pior que a gente pode ter, o mais triste d e transmissão e infecção que ocorreu em média um mês atrás pelo menos. Então, o que a população faz num determinado momento resulta em óbitos lá para frente. Porque tem a transmissão, infecção, o período de incubação, início de sintomas, internação, ida para UTI, e eventualmente esse resultado é muito triste, que é o óbito. Então, acho que quando a gente vê o número de óbitos hoje, nós estamos vendo às consequências do contato social e da transmissão de cerca de um mês atrás. É importante, e por isso que nos indicadores do Plano São Paulo óbitos têm um peso menor do interna&cc edil;ões de casos novos para avaliar e evolução da epidemia. Então, esses seriam meus comentários, muito obrigado secretário.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Paulo Menezes. Eu gostaria agora Dra. Rosana de ouvir os seus comentários. A Dra. Rosana tem sido uma voz ímpar dentro do nosso combate aqui da epidemia, com objetivo de esclarecer as pessoas. Isso ela faz muito didaticamente. E gostaria, então, que ela nos trouxesse agora o seu depoimento. E muito obrigado, por ter aceito o convite de estar aqui conosco.

DRA. ROSANA, COORDENADORA DO COMITÊ DE IMUNIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA: Eu que agradeço. É um prazer estar aqui. Eu acho que a minha função sem dúvida é representar o instituto de infectologia Emílio Ribas. E passar um pouco da experiência de quem está vivenciando alguns meses o dia a dia dos hospitais. Como vocês sabem o Emílio Ribas a gente começou o ano com 18 leitos de terapia intensiva, que é uma coisa que sempre tivemos, e hoje nós estamos com 50 leitos de terapia intensiva, e o hosp ital todo, que até então era especial em referência para os pacientes HIV e Aids, hoje ele vira um hospital exclusivo para tratamento da Covid. Então, muito aprendizado nos últimos meses. Aprendizado à beira do leito. Aprendizado lendo toda a literatura. Nós médicos a gente realmente está completamente debruçado em tudo que sai. Então, o dado da dexametasona que agora foi publicado, para nós, eu não diria para vocês que é uma novidade em termos de prescrição. Porque a gente já vinha usando em alguma fase da doença os corticosteróides. O que muda é realmente ter números. E saber que você consegue para os pacientes sobre ventilação mecânica, e os pacientes com necessidades de oxigênio, reduzir o índice de morte. Na minha opinião mais importante que isso, numa dose abaixo até do que a dose que a gente vinha usando. Corticosteróides é sempre uma medicação que a gente discute com os pacientes antes da prescrição, porque nós sabemos que pode ter eventos adversos. Quando sai um estudo importante desse, com uma metodologia bem, ou seja, um grupo toma, um grupo, é o grupo do controle, vamos dizer assim, você acaba tendo mais certeza na sua prescrição, em especial na dose e no tempo da indicação dessa medicação. Da mesma maneira nós aprendemos nos meses, que a COVID-19 é um doença multissistêmica, não acomete um órgão. A princípio a gente falava de pneumonia. Nós mudamos totalmente de ideia. A gente sabe que a porta de entrada é o trato respiratório. Mas toda consequência dessa doença &eac ute; multissistêmica. E com isso o que gente teve também que se adaptar foi por exemplo, as consequências renais que esses pacientes acabam tendo. Para vocês terem a noção no Emílio Ribas cerca de 30% dos nossos pacientes na terapia intensiva precisam de diálise, porque eles acabam tendo uma insuficiência renal aguda. Então, toda essa estrutura quando a gente comenta que nós precisamos de toda uma estrutura e uma equipe multiprofissional é fundamental para que realmente a gente tenha um desfecho melhor e tentar incansavelmente diminuir o risco desses nossos pacientes morrerem. E daí vou estar à disposição quando vierem, obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado Dra. Rosana. Dr. Dimas Covas, por favor, o senhor gostaria de algum comentário?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Especificamente eu acho que nós estamos aprendendo muito sobre essa epidemia. Eu acho que o mundo científico está se surpreendendo a cada dia. E os conhecimentos estão aparecendo numa velocidade muito grande. O importante é sempre frisar, o estado de São Paulo tem a melhor ciência do Brasil. O estado de São Paulo está na liderança em algumas áreas, e isso é importante, na área médica, na área de pesquisa básica, na área pesquisa virológica e na á rea de pesquisa epidemiológica. Então, nós estamos calcados nesses esforço que envolve hospitais, universidades, institutos de pesquisa para combater aí essa epidemia. Eu acho nós estamos cumprindo a nossa missão. E a ciência tem sido muito valorizada nesses momentos. Eu acho que isso é fundamental sempre repetir principalmente, nesses tempos modernos.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado Dr. Dimas. Por favor, secretária Patrícia Ellen poderia trazer para nós os números do isolamento social.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada Secretário Germann. No domingo, dia 21, nós tivemos as taxas de isolamento na capital de 53%, no estado 52%. E ontem dia 22, segunda-feira, nós tivemos na capital 47% e no estado 46%. Reforçando e lembrando que nós estamos no período de quarentena, o que é muito importante para população ficar em casa para podermos juntos fazermos a contenção dessa pandemia. Muito obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Secretária Patrícia Ellen. Antes de iniciar as perguntas, no dia de ontem, na coletiva de ontem, nós ficamos de trazer para hoje um dado que é a respeito dos profissionais de saúde da rede estadual que foram acometidos pelo coronavírus. A rede estadual significa hospitais, Ames e demais ambulatórios. Foram 10 mil 718 profissionais que foram afastados das suas funções desde o início da epidemia. Destes, 7 mil 258 já retornaram para os seus postos de trabalho e 3 mil 460 ainda estão em tratamento, numa fase até alta, total. E infelizmente, 40 óbitos tivemos entre esses profissionais que ficaram afetados pelo coronavírus. Bom são 13 horas e 9 minutos. Vamos iniciar as perguntas. Em primeiro lugar TV cultura, Maria Manso, por favor, boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Por favor, eu tenho duas perguntas hoje: A primeira é de um telespectador, eu acho que para secretária Patrícia Ellen. O telespectador gostaria de saber em que fase do plano São Paulo os concursos públicos que estão suspensos vão ser retomados e também as nomeações para esses cargos públicos? Se eles estão incluídos dentro do plano São Paulo? E para equipe de saúde, eu queria os comentários de vocês sobre uma outra pesquisa também de Oxford, que demonstrou que pel os critérios da organização mundial da saúde, São Paulo entre outras capitais brasileiras, ainda não estaria dentro dos critérios para flexibilização. Entre outras questões eles colocam que não há aqui ainda um programa de rastreamento de contato das pessoas que tiveram contágio, ou não. Então, como a gente já está em flexibilização eu queria saber quem está errado nós ou os pesquisadores de Oxford?

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado Maria. Por favor, Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, sobre os concursos o Plano São Paulo não faz um trabalho de gestão com relação aos concursos. Isso são trabalhos específicos de cada secretaria, e com uma liderança que integração tanto da secretaria de governo, com o vice-governador, como com a secretaria de gestão, o secretário Mauro Ricardo. Eu vou levar a pergunta para eles Maria, e a gente traz o retorno para vocês.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Por favor, Dr. Gabbardo para responder essa pergunta. E outros que queiram fazer um comentário. Obrigado.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DE SÃO PAULO: Em relação à questão da capital, o plano de São Paulo não é o plano de flexibilização. Nós estamos reiteradas vezes dizendo que o plano de São Paulo prevê uma avaliação do cenário epidemiológico e se busca dar orientações, medidas que devem ser implementadas de acordo com a situação epidemiológica. O que os d ados apontam mais recentemente na capital é que está reduzindo a velocidade da transmissão da doença, está reduzindo o número de internações e diminuindo a utilização de leitos de tratamento intensivo. Essas medidas apontam para uma possibilidade, que serão implementadas se esses cenários efetivamente se confirmarem. Então, não foi tomada nenhuma medida em relação à região metropolitana, que não estivesse absolutamente relacionada aos indicadores, a esse controle fino que é feito pelo plano, e que analisa sempre os aspectos da transmissibilidade da doença e a capacidade de atendimento que o sistema hospitalar oferece.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado Gabbardo, por favor Dr. Paulo.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CONTROLE DE DOENÇAS DA SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Eu queria comentário sobre a questão do rastreamento de contato [outro idioma]. É verdade que no município de São Paulo e em todo o estado, nós não estamos utilizando tecnologias que vem sendo utilizadas em outros países, principalmente através de telefone celular. Mas nós sempre tivemos na vigilância do país e aqui do estado de São Paulo e do município, [outro idioma] feito pela vigilância epidemiológica. I sso ocorreu ano passado, quando nós tivemos a epidemia do sarampo, onde foi um trabalho extremamente árduo, de identificar casos, fazer bloqueio, identificar as pessoas que foram contato, vacinar aqueles que não estavam vacinados. E agora é a mesma coisa. A prefeitura trabalha intensamente, todos os seus funcionários, os agentes comunitários de saúde, fazendo o rastreamento de contatos de casos confirmados, e casos isolados. Então, acho que nós temos que intensificar. Temos que dar mais condições para aumentar o rastreamento de contato, mas nós fazemos sim rastreamento de contato em todo o estado de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Dra. Rosana.

DRA. ROSANA, COORDENADORA DO COMITÊ DE IMUNIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA: Só um breve comentário, que à percepção nossa como médico, como quem anda é que quando você fala em flexibilização a percepção da população, muitas vezes, é que a pandemia está acabando, e isso obviamente a gente sabe que é verdade. O vírus não vai embora, nós vamos ter que manter mesmo com a flexibilização todas as medidas de prevenção que s&atilde ;o essenciais. Então, eu acho que a maior dificuldade é comunicação com a população, deles compreenderam que flexibilizar é uma coisa necessária. Porém que o novo normal é fundamental, e esse novo normal é cheio de algumas regras fundamentais exatamente para gente não ver novamente o aumento do número casos. Então, essa comunicação eu acho é fundamental.

JOSÉ HENRIQUE GERMAN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Muito obrigado Maria Manso por sua pergunta. Agora à próxima. Pergunta CNN, repórter Roberta Russo, por favor. Boa tarde.

REPÓRTER: Oi gente, boa tarde a todos. A minha pergunta acho pode ser respondida pelo secretário Vinholi, pela Patrícia, pelo Dr. Germann... Com a grande preocupação que há em relação aos casos no interior do Estado de São Paulo, queria saber se já há previsão de outras cidades darem um passo atrás, como a gente já viu em outras duas cidades, e se a capital também pode ser afetada, até pela testagem da prefeitura, com indicação aí de uma grande subnotificação, se a capital pode não passar de fase ou acabar regredindo também. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Patrícia, por favor.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SÃO PAULO: Eu vou iniciar, acho que o secretário Marco Vinholi pode complementar aqui também. Nós estamos monitorando os dados diariamente, então monitorando as informações sobre a ocupação de leitos, sobre internações e casos, em cada região. Nós vemos e já havíamos destacado aqui algumas vezes pontos de atenção na região de Sorocaba, Campinas e Franca. Na região de Sorocaba com a questão aqui de ocupação de leito subindo, com aumento de casos e internações, e em especial no município de Sorocaba. Houve inclusive uma nota técnica do Centro de Contingência trazendo e fortalecendo a importância dos municípios e os prefeitos tomarem decisões mesmo entre aqui as classificações do Plano São Paulo. Porque às vezes, com a gente está vendo, a regional ainda tem capacidade instalada, mas num município específico a situação está um pouco mais agravada. Isso se dá tanto no caso de Sorocaba quanto de Campinas, e ambos os prefeitos aqui tomaram atitudes exatamente para que a gente possa levar a região para um momento de maior contenção, então saindo ali da fase de controle para a fase de alerta. Os próprios prefeitos tomaram essas decisões. Na região de Franca, nós vimos tamb&eacute ;m um aumento de internações e de casos, então são as três que a gente tem acompanhado aqui e, bom, Ribeirão Preto a gente já tinha mencionado, ela já está na fase vermelha, mas é outra região que teve esse crescimento de casos e de internações. Pra região metropolitana em geral, nós ainda temos aqui, tanto o nível de ocupação de leitos quanto com relação às internações, uma estabilidade, uma situação bastante diferente do que nós estamos vendo no interior. Então, pra região metropolitana o número de internações e de casos mesmo, incluindo os testes sorológicos, que aumentaram bastante nas últimas semanas, nós temos uma situação bem diferente do restante do interior. Então, a expectativa pra região metropolitana ai nda é de estabilidade aqui, no que diz respeito ao Plano São Paulo. Se vai melhorar de fase, nós vamos saber na sexta-feira, porque é muito importante acompanhar os indicadores dia a dia e é por isso que a gente usa também a média dos últimos sete dias. Vinholi.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Uma boa tarde. Comentando aqui que muitos prefeitos têm acompanhado a situação se agravando no próprio território e têm feito as suas ações, recomendadas aqui pelo Centro de Contingência, e fazendo um isolamento social mais forte na sua cidade. Foi feito em Campinas, em Sorocaba, agora o município de Cordeirópolis acabou de me passar que também está fazendo seu fechamento, junto com os municípios do entorno, a região ali de Limeira, situação que também acontece pontualmente em outros municípios de regiões do estado que têm o agravamento dessa evolução da pandemia. No paralelo a isso, adicionando à fala da secretária Patrícia Ellen, nós tivemos já uma melhora naquelas regiões que cumpriram o Plano São Paulo, como Ribeirão Preto, que, no primeiro momento em que a gente anunciou aqui como indo para a fase vermelha, fez as suas ações e tem melhorado os seus indicadores, uma questão que não se repete em Presidente Prudente e em Marília, por exemplo. A questão está agravando na região de Marília. Nós temos já dados... Ontem eu anunciei aqui um crescimento, acho que era 127, alguma coisa perto de 100% em número de casos na região de Marília. Hoje já está em 148,9, e esses números v&e circ;m crescendo diariamente, conforme vai evoluindo a pandemia. Da mesma forma, o número de óbitos e de internações na região. Portanto, são exemplos claros de quem faz essa lição de casa, de quem promove o isolamento social de forma mais contundente, acaba colhendo esses resultados ali na frente. Portanto, a gente registra mais uma vez a necessidade da mobilização desses gestores municipais.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, secretário Vinholi, muito obrigado à repórter Roberta [ininteligível] pela pergunta. A próxima, Rede TV, repórter Estela Freitas. Por favor. Boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Eu queria saber a que se deve de fato esse aumento no número de casos no interior, já que a gente não pode falar aí sobre a questão da flexibilização, porque é ainda recente, não deu o período suficiente pra fazer essa correlação. E também com relação aos leitos, o Dr. Gabardo disse aqui que não há uma pressão sobre a taxa de ocupação, porque a gente tem aí cerca de 34% ainda de leitos disponíveis no estado, mas como é que est&a acute; essa distribuição? Porque quando a Grande São Paulo estava com um maior número de casos, muitos pacientes foram transferidos para o interior. Eu queria saber se esse movimento contrário é possível de acontecer, que pacientes do interior tenham que vir pra região metropolitana. E só pra finalizar aqui, houve uma especulação aí sobre o fechamento dos hospitais de campanha aqui na capital. O prefeito já desmentiu, disse que é 'fake news', que não serão fechados. Porém, eu queria saber se os hospitais de campanha já cumpriram sua função ou se são importantes nesse momento que a gente está passando aí, com maior número de casos no interior.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Estela. Eu vou começar pelo final, depois passo para o Dr. Carlos Carvalho e João Gabardo. Com relação aos hospitais de campanha, eles estão, os estaduais, o Ibirapuera, AMA, AME Barradas e Campinas, e podemos incluir também o Hospital de Caraguatatuba, nós estamos necessitando ainda desses hospitais na forma de um hospital de campanha. E assim que os números mostrarem que nós podemos desativar, eles serão desativados. Ainda não estamos n este momento, ok? Quanto à questão de transferência de pacientes, isso é algo que ocorre normalmente. Nós não estamos transferindo pacientes porque, em geral, eles estão muito graves, a gente transfere outro tipo de paciente para dar lugar no local para melhorar a estrutura para os pacientes graves. No mês de abril, nós fizemos 15 transferências de pacientes, que foram da capital para o interior, e ainda não tivemos a necessidade de fazer novas transferências. Então, por favor, Dr. Carlos Carvalho.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Na realidade, se você for ver o histórico desse tipo de virose, aqui, no exterior e aqui no Brasil, ela é uma virose que chega, ela tem uma região onde ela inicia, ela vai se espalhando, e a partir daí as pessoas vão se infectando, medidas são tomadas de isolamento, para diminuir essa disseminação da doença, e pessoas vão caminhando, indo para outras regiões, e vão levando o vírus consigo. Então, entrou por Guarulhos, veio pra São Paulo e, a partir daí, agora nitidamente nós observamos uma disseminação, que segue as rodovias. Ao longo das rodovias, as cidades em volta dessas rodovias, que são os grandes centros urbanos, a partir da Grande São Paulo, são os locais onde o vírus vai chegando. Ele se espalha, causa uma infecção maior e aí a região vai se estruturando para acomodar isso. Então, você tem uma onda que vai se espalhando ao longo do território por onde o vírus vai. Então, por isso que é importante você fazer a testagem, você saber onde tem pessoas infectadas pra você fazer o isolamento dessa pessoa e dos contactantes, pra você tentar bloquear o espalhamento desse vírus. Então, acredito que essa ida para o interior, assim como nós, aqui do Estado de São Paulo, é a mesma coisa que estamos vendo em outros estados, principalm ente na América do Norte. Nos Estados Unidos, você vê que começa num determinado foco e depois se espalha a partir dali. Isso ocorreu em Wuhan, na China, ocorreu no norte da Itália. Aí, você concentra aquela região, você exclui o que aconteceu em Wuhan e o que aconteceu no norte da Itália, foi uma exclusão maior, para não deixar ninguém entrar e sair de lá, para poder dar tempo do sistema de saúde se organizar e as pessoas que forem tendo contato produzirem os seus anticorpos e, de alguma maneira, você ter o controle da virose. Eu acho que dessa mesma maneira, está tendo o espalhamento por São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: João Gabbardo, um breve comentário.

JOÃO GABBARDO, MEMBRO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Em relação à questão dos leitos de UTI, hoje os dados apontam que a gente tem utilizado em torno de 66%, 34% de leitos ainda disponíveis. É claro que isto pode variar de região pra região. Nós temos que acompanhar a dinamicidade da doença. Quando o Ministério da Saúde manda um respirador para o Estado de São Paulo, e o Estado de São Paulo aloca esse respirador numa determinada região, ele não é uma posse definitiva daquele hospital. Os recursos têm que acompanhar a dinâmica da doença. Então é possível que, em determinados locais onde haja um aumento considerável do número de casos, aumento do número de internações, necessidade de leitos de UTI, possam ser remanejados recursos físicos e inclusive recursos pessoais, de pessoas, recursos humanos, para atender alguma área que esteja com uma necessidade maior. Isso vai ser uma prática, vai ser assim que vai acontecer. Nós vamos ter regiões que nós vamos ter uma redução na pressão sobre os leitos, diminuição do número de casos, curvas descendentes, e em outros locais nós vamos estar ainda aumentando e será necessário não só essa possibilidade do doente sair de um local para ser atendido no outro, mas muitas vezes o que nós poderemos fazer é transferir re cursos de uma região que não tem mais uma pressão tão grande, pra outros locais, onde seja necessário. Então, essa dinamicidade da doença, ela está presente e a Secretaria de Saúde vai sempre propiciar essa possibilidade, desse remanejamento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. João Gabbardo, muito obrigado, Estela Freitas, pela sua pergunta. Próxima é TV Gazeta, o repórter Marcelo [ininteligível]. Por favor. Boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde a todos. Recentemente, vocês apresentaram uma tabela em que era contabilizado o número de óbitos semanalmente. Pelas minhas contas aqui, na semana 23 foram 1.526 óbitos, na semana 24, 1.523, ou seja, foi registrada uma baixa no número de óbitos. Só que na semana passada, de acordo com os dados disponibilizados pelo site do Governo, na semana 25 foram registrados 1.913 óbitos, uma alta bastante considerável em comparação com as últimas semanas. Eu gostaria de saber se vocês têm um controle de onde vêm esses óbitos, quantos óbitos desses 1.913 vêm da capital, da região metropolitana, e quantos vêm do interior, para se certificar que, de fato, no interior, a situação está estabilizada. E outra coisa, no início da pandemia vocês, os senhores previram que o equipamento mais difícil de ser arrumado para atender a população infectada pelo novo Corona Vírus eram os respiradores. Mas agora já é possível notar que o Estado de São Paulo dispõe de respiradores suficientes, mas a necessidade para entubar esses pacientes infectados pelo novo Corona Vírus requer um anestésico, que o senhor, o José Henrique Germann já admitiu ontem que está em falta no Estado de São Paulo. Como fazer para contornar essa situação, tendo em vista que não era uma situação prevista pelos senhores no início da pandemia, já que os respiradores, que era a coisa mais difícil de ser arrumada, foi disponibilizado para a população? Muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Marcelo, com relação à questão dos anestésicos, dos produtos, os medicamentos que são utilizados na intubação dos pacientes, ocorreu um aumento muito grande da demanda desses medicamentos, em função de pacientes muito graves e pacientes internados em regime de terapia intensiva, cerca de mais de metade deles necessitando intubação e auxílio de um ventilador, ou respirador para dar sequência ao tratamento. Isso colocou o mercado em fal ta. Nós particularmente, nos hospitais estaduais, pros nossos hospitais próprios, nós estamos abastecidos. Mas existe essa falta em todo o mercado. Existe um trabalho que está sendo coordenado pelo Ministério da Saúde, para fazer uma compra centralizada e estabelecer uma ata de compras. A ata de compras seria para todo o território nacional e todas as secretarias poderiam acionar esta ata de compras, para adquirir esses medicamentos. Isso está sendo inclusive, há necessidade de acionar fora do país, existe... A China, a Índia é a maior produtora e inclusive a OPAS, que é a Organização Pan-americana da Saúde, foi acionada no sentido de facilitar para o Ministério da Saúde essa aquisição. Então, nesse sentido, nós continuamos também comprando, tanto descentralizadamente, e pros nossos hospitais nós temos um esto que suficiente, mas ainda muito baixo. Por favor, com relação ao número de óbitos, Dr. João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, MEMBRO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: É claro que a Secretaria de Saúde trabalha com esses dados de mortalidade, não só por região, mas por município. Nós acompanhamos isso diariamente. E esse movimento, ele é lento, mas constante. Há poucos mais de 30 dias atrás, nós tínhamos uma proporção entre óbitos na região metropolitana e no interior na faixa de 40% a 60%. A região metropolitana tinha 61%, o interior 39% dos óbitos. No transcorrer desses últimos 40, 50 dias, esses 38% dos óbitos do interior passaram a 51% e a região metropolitana reduziu pra 49%. Então, este movimento, ele é monitorado constantemente e ele ocorre. Mesmo se nós analisarmos do ponto de vista populacional, número de óbitos por 100 mil habitantes, a região metropolitana ainda tem um índice maior que o interior, por uma questão óbvia: aqui começou, a curva no interior ainda está, em algumas regiões, está na curva ascendente, então nós teremos uma velocidade de crescimento no interior maior que na capital. Também nos preocupa o fato de, na semana passada, nós apresentamos um dado que mostrava uma redução, pela primeira vez, na semana epidemiológica, tinha reduzido em relação à semana anterior. E tu tens toda razão, essa semana passada nós tivemos um aumento, e nessa semana passada houve mais óbitos que na semana anterior. Esse é um processo dinâmico, a gente vai ter que ficar acompanhando. Esse crescimento do interior é previsto, estava dentro do nosso cenário, e a prova disso é aquele gráfico que o secretário José Henrique mostrou, quer dizer, nós temos lá um cenário de casos e óbitos que foi feito já há mais tempo, projetando os dados para o final do mês de junho, e nós estamos com a curva de casos dentro da faixa prevista, no limite superior, por conta do aumento da testagem, e nós estamos, nos óbitos, dentro da faixa prevista, no limite inferior. Isso pra provar que esse crescimento que está ocorrendo estava dentro das nossas previsões, das previsões do Centro de Contingência, que é responsável pela análise desses dados. E uma coisa importante, pessoal: esses ind icadores e essas... A evolução, naquilo que as decisões são tomadas, não é uma decisão do governador ou de alguém, do secretário da Saúde. Essa decisão é discutida diariamente no Centro de Contingência. Todos esses indicadores, todas essas medidas, todas as orientações que são dadas são discutidas, do ponto de vista técnico. E o governador aprova e anuncia, de acordo com as orientações que são repassadas pelo Centro de Contingência, coordenado pelo Dr. Carlos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Por favor, secretário Vinholi.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Para adicionar, na evolução da pandemia já é possível verificar de forma muito clara a redução das internações aqui na capital e na Grande São Paulo, com números negativos em todos eles, enquanto que no interior esses números são bem mais altos, representando aí o delta entre uma semana e a outra. E no que tange aos óbitos, também de forma muito clara os números da capital e da região metropolitana similares aos da semana passada, com taxas decrescentes, e no interior, grande parte dele, com taxas muito maiores. Nós temos, por exemplo, Barretos, com 400%, Franca com 100%, Piracicaba com 122%, entre os maiores do estado. E os números aqui da capital e da Grande São Paulo, nenhum deles passa de 15%. Portanto, é possível verificar essa ascendência das internações e também dos óbitos no interior.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, muito obrigado, Marcelo, pelas suas perguntas. O próximo veículo, TV Record, repórter Daniela Salerno. Boa tarde, Daniela.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Dr. Gabardo já adiantou um pouquinho a resposta da pergunta que eu vou fazer, mas eu continuo com ela pelo seguinte: A gente vem percebendo então uma redução nos casos em São Paulo e o aumento no interior. Por isso eu pergunto: Já tem alguma previsão mais concreta de uma transferência física de recursos, principalmente respiradores, que hoje podem não estar sendo usados aqui em São Paulo, para essas áreas que o secretário Vinholi já vem mencionando como as áreas de atenç&atilde ;o? Isso pode acontecer nos próximos dias? E aproveitando. Hoje, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou o resultado do inquérito sorológico, que eles falam que mais de um milhão de pessoas aqui em São Paulo já pode ter tido contato com o vírus, isso dá 9,5% da população. É um número que, a princípio, assusta. Eu queria entender principalmente da área da saúde que leitura a gente pode fazer disso, se isso significa que muita gente já teve contato, então já tem anticorpo, a letalidade é menor, se isso pode ser visto também com bons olhos. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ok. Com relação à transferência de recursos, nós temos observado no dia a dia esse comportamento e, se necessário, faremos exatamente isso. Hoje nós não temos necessidade de retirar respiradores da grande capital e destinar para o interior. Todos estão abastecidos. Nós não temos em todo o estado situações em que a gente precise tirar daqui pra levar pra lá esses recursos críticos, para o tratamento. Mesmo no dia de hoje, que a gente já colocou pra vocês qual a distribuição, a gente vem fazendo isso todos os dias, e ainda temos respiradores a distribuir. Ok, por favor, Dr. Carlos Carvalho, completando, e depois Dr. Paulo, a segunda parte da sua pergunta. Muito obrigado.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Só como um comentário complementar, como o secretário José Henrique falou, ainda estamos distribuindo ventiladores. O que tem ocorrido, que é uma coisa que já havia se esperado, se previsto desde o início, é para esse enorme aumento de número de leitos de terapia intensiva, é a falta de recursos humanos capacitados para cuidar de pacientes tão graves. Então, atualmente, junto com os respiradores, nós encaminhamos, principalmente porque são respiradores novos, diferentes do parque de ventiladores que existia no Brasil, e especificamente em São Paulo, nós encaminhamos pequenos vídeos mostrando como a equipe assistencial, médica e principalmente os fisioterapeutas, que estão na linha de frente nessa parte do ambiente da UTI, de como adaptar um paciente com um tipo de insuficiência respiratória, que é causada por esse Corona Vírus, qual a melhor técnica de ventilação e como o respirador deve ser ajustado. Então, em paralelo a isso, acho que o momento antes de fazer grandes transferências, ainda estamos investindo nessa distribuição e na capacitação dessas pessoas para melhor utilização desses equipamentos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Dr. Paulo... Ok, pois não.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CONTROLE DE DOENÇAS DA SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Eu só queria, queria complementar que, além dessa capacidade de distribuição de respiradores que ainda existem, o secretário José Henrique está estudando a possibilidade de, naqueles locais onde for necessário, fazer contratação na rede privada, que é uma ação que já aconteceu na região metropolitana, mas que pode ser estendida para o interior se necessário.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Vinholi, por favor.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Só adicionando que São Paulo já enviou mais de R$ 310 milhões para os municípios de todo o estado, permeando todo o interior paulista. A análise é feita por região e o estado tem aumentado essa capacidade hospitalar, mantendo níveis importantes e aceitáveis, e fundamentalmente não deixando nenhuma pessoa no estado sem atendimento até agora, e até o final da pandemia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Paulo, por favor.

PAULO MENEZES, MEMBRO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Em relação a esse inquérito da Prefeitura de São Paulo, primeiro tem o aspecto de que é esperada uma proporção importante da população ter tido infecção pelo vírus, na medida em que a gente já está observando uma redução, por exemplo, de internações aqui no município. Por exemplo, Manaus, um estudo semelhante mostrou em torno de 20% de positividade nessa testagem sorológica, e a gente lembra que Manaus passou por uma e pidemia muito rápida, que teve um pico lá em cima, e agora vem claramente tendo uma redução progressiva no número de casos. Já chegou a 20%. Queria lembrar também aqui, meu colega, Dr. Dimas falou do estudo nos policiais militares aqui do município de São Paulo e seus familiares. Eu vou passar pra ele já, já, falar um pouco mais sobre isso. Também houve uma proporção alta, relativamente alta de positividade. Então, acho que é esperado de que a proporção da população que já foi infectada seja importante. No início, se discutia a chamada imunidade de rebanho. A Angela Merkel chegou a falar de 70% da população alemã. Hoje vai ficando claro que provavelmente nenhum país vai chegar nesse nível, e vai ter redução progressiva da epidemia, e é o que a gente está observa ndo aqui. E por fim, eu queria dizer que nesse inquérito é estimado ou é planejado se chegar a 45 mil testes, e esse resultado é de 5 mil testes. Então eu ainda não sei se dizer se esses 5 mil são... No sentido de que vão haver várias fases progressivas, ou se eles representam áreas específicas da cidade onde pode haver também maior ou menor proporção de pessoas infectadas. Então, a gente vai examinar, mas eu acho que está dentro do esperado pra esse momento da capital.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Paulo. Muito obrigado, Daniela Salerno, pela sua pergunta. Você quer fazer algum comentário? Então, por favor, Rosana. Brevemente.

DRA. ROSANA, COORDENADORA DO COMITÊ DE IMUNIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA: Daniela, só vou aproveitar e te falar que acho que vocês viram, saiu uma publicação no Nature Medicine, que é uma revista bastante conceituada. Apesar do número ser pequeno, mas é um alerta que eles fizeram um estudo na China mostrando que alguns meses depois, eles testaram os anticorpos, né? Alguns meses depois que a pessoa teve Covid, documentado e etc., há uma queda [ininteligível] de anticorpos e uma pequena porcentagem, principalmente os as sintomáticos, você acaba não tendo mais anticorpos. O significado disso nós não sabemos, mas o recado que a gente tem que dar pra população é: não confie na sua imunidade. Ótimo que nós estamos falando em, sei lá, nove vírgula alguma coisa por cento de uma possível soroprevalência aqui na nossa região. Mas não dá pra gente confiar nisso, a gente ainda vai ter que estudar muito para entender o significado disso, ou seja, não é pra relaxar com as medidas de prevenção.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dra. Rosana, obrigado, Daniela. São 13h44. Penúltima pergunta, GloboNews, repórter Bete Pacheco. Boa tarde, Bete.

REPÓRTER: Boa tarde. Minha pergunta é em relação à vacina, que começa a ser aplicada em voluntários, em São Paulo, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e aqui coordenada pela Unifesp, que está fazendo essa coordenação da aplicação da vacina. Queria saber como que a equipe aí de contingenciamento do estado, ela está vendo isso. Se há, claro, essa conversa entre vocês, da aplicação dessa vacina. Parece que são 200 por enquanto, aqui em São Paulo, mas ao todo vã o chegar a 2.000. A princípio, quem não teve contato, quem não tem essa imunidade ainda, quem não teve contato com a Covid, profissionais ali de saúde. Queria saber se é uma luz já, como é que vocês veem isso já sendo aplicado aqui em São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Dimas, você quer comentar?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Olha, eu particularmente não tenho conhecimento do protocolo do estudo clínico. A notícia que nós sabemos é que são 2.000 voluntários, principalmente ligados à área da saúde. E é muito bom que isso aconteça, sem dúvida nenhuma. A minha experiência profissional na área de vacinas, principalmente, diz: quanto mais vacinas, melhor. E se nós tivermos uma vacina que seja protetora contra essa doença, eu acho que nós temos que ir atrás dela, sem d&uacu te;vida nenhuma.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Por favor, Dra Rosana.

DRA. ROSANA, COORDENADORA DO COMITÊ DE IMUNIZAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA: Não, só complementando, eu também penso da mesma maneira, quanto mais vacinas nós tivermos, e vacinas eficazes, melhor para todo mundo, todos nós que não tivermos a doença, nós vamos precisar ser vacinados. Então eu acho ótimo que nós tenhamos pelo menos, a perspectiva de ter dois estudos aqui no nosso meio, com vacinas, e eu só vejo com bons olhos, que realmente os estudos... Não, o que a gente sabe é que são 2 mil pessoas no protocolo de Oxford, isso foi anunciado, são 2 mil pessoas, até onde eu sei, mil aqui em São Paulo, mil no Rio de Janeiro, pessoas envolvidas na assistência da saúde, não necessariamente profissional da saúde, mas por exemplo, motorista de ambulância, segurança de hospital, todo mundo que está sob maior risco.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dra Rosana. Obrigado, Beth Pacheco, pela sua pergunta. A última pergunta de hoje.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Eu só queria complementar a segunda parte da resposta, que você não perguntou, mas fica implícita. É que a vacina que o estado está fortemente empenhado a desenvolver, é a vacina da Sinovac, isso é importante, quer dizer, ela é uma tecnologia diferente dessa tecnologia da Oxford, é uma vacina que já está em fase adiantada também em desenvolvimento, na realidade, é a segunda vacina que entra em estudo clínico no mundo. E tem uma diferença fundamental, quer dizer, a te cnologia envolvida na vacina da Sinovac, é uma tecnologia tradicional, e que o Butatã tem experiência. Então isso é muito favorável. Essa vacina da Oxford é uma tecnologia nova, uma tecnologia que ainda não foi usada em escala para a produção de vacina. Então o estado de São Paulo tem o seu programa próprio de desenvolvimento de uma vacina, e nós estamos muito otimistas, e que teremos essa vacina até o final desse ano. Com certeza no estudo clínico que deverá ser feito até o final de outubro, e a vacina a partir do ano que vem, como foi anunciado pelo governador, se ela for aprovada aí no estudo clínico.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok, muito obrigado, doutor Dimas. Muito obrigado, Beth. A última participação é o veículo SBT, repórter Fábio Diamante. Boa tarde.

FÁBIO DIAMANTE, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Secretário, eu queria fazer uma pergunta que as pessoas me fazem e eu não consigo responder. A notícia hoje mais importante é de novo, o recorde de mortos, isso é indiscutível, e a gente vem noticiando isso com frequência. Eu queria saber como eu convenço as pessoas, em todos esses números, que elas irem ao shopping, o shopping está aberto, a praia está aberta, como Santos fez ontem? Não é uma medida precipitada do governo? Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, eu vou iniciar dizendo que isso não é um recorde só porque o número foi maior, nós temos que entender que a gente tem que não olhar casos eventuais ou datas eventuais, e sim estarmos dentro daquilo que nós utilizamos, que é a média móvel da semana. Então, por favor, doutor Carlos ou doutor Gabbardo. Depois a Patrícia Ellen, tá bom?

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19:Bom, essa média semanal tem mostrado um aumento também, né? Então podemos falar desse número também.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO COMITÊ DE SAÚDE: Mas lembre que a média semanal está subindo dentro das previsões com as quais estamos trabalhando desde o início elas são ajustadas, e agora nós vamos ajustar para enxergar como vamos esperar que seja em julho. Mas está dentro daquilo que havia sido previsto pelos modelos matemáticos com os quais estamos trabalhando. Bom, está especificamente comentando a respeito de abertura e não abertura, já estamos aí desde fevereiro convivendo com essa pandemia, foi optado em março p or tomar uma decisão de restrição de movimento da população. A partir do instante que se tomou a decisão de restrição, já se começa a pensar em um momento de promover as aberturas, porque não dá para manter todas as pessoas dentro de casa o tempo todo. Então esse projeto que gerou o plano São Paulo no final, ele começou a ser estudado, discutido principalmente levando em conta a parte econômica, que seria a parte mais afetada, e os empregos das pessoas, as condições de saúde e de economia, estava andando lado a lado. Então quando acerca de um mês atrás fizemos a discussão final, que definiu o plano São Paulo, foi pensando em uma associação em que momento a condição de saúde permitiria iniciar algum tipo de abertura voltada principalmente para as áreas mais vulnerá veis da população, do ponto de vista econômico. Então não necessariamente são as áreas que estavam, sei lá, mais bem preparadas ou mais bem protegidas, mas eram as áreas que precisariam de um apoio inicial, porque são as áreas mais fragilizadas, as áreas onde tinham as pessoas com menor condições. E isso foi feito, e isso está sendo monitorado. Esse monitoramento faz com que algumas regiões caminhem para a direita, caminhe no faseamento para uma abertura, e algumas regiões fiquem estáveis, e outras caminhem para a esquerda, saindo de uma situação onde estava mais livre, para uma situação de mais restrição. Teve áreas que saiu de uma condição amarela, coisa que não tem nenhum no estado hoje, nenhuma regional em amarelo, mas saiu de um amarelo e pulou para o vermelho, porque os indicad ores mostraram que a situação estava se complicando.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor, o doutor Gabbardo queria complementar?

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu quero. Fábio, quando a gente pega esse número e estabelece que foi o maior número que a gente teve até agora, e aí você cruza isso com algumas recomendações ou algumas orientações que estão sendo dadas em determinadas regiões, se nós analisarmos o ponto de vista do país, imagina o que aconteceria se ontem o número de óbitos registrados no país fosse o maior da série até o momento, e nós tiv&eacu te;ssemos que dar a mesma orientação para todos os estados brasileiros, mesmo aqueles estados que já tiveram o seu surto, que já passaram, que estão em uma curva descendente em que os hospitais já estão liberando os leitos de UTI, porque não existe mais demanda, eles precisassem receber as mesmas orientações dos estados onde a curva está crescendo, como é o caso do Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Então os estados devem receber e devem tratar as suas recomendações, as suas orientações de acordo com a situação epidemiológica que esses estados estão enfrentando. Isso também ocorre dentro do estado de São Paulo, nós não podemos pegar o dado e extrapolar o dado para todas as regiões, porque elas são diferentes, elas estão em fases diferentes, elas estão em situa&c cedil;ão epidemiológica diferente. O que o centro de contingência procura fazer diariamente é estabelecer, analisar esses indicadores, e alocar esse número de óbitos dentro das regiões onde eles ocorreram, cruzassem a informação do número de óbitos, que é o número de óbitos, como o próprio doutor Paulo falou, já é um efeito tardio da transmissibilidade, cruzar essa informação com as demandas por internação hospitalar, as demandas pelos números de casos novos que estão ocorrendo, e a capacidade de atendimento que a região apresenta. Aí sim, de acordo com esse cenário epidemiológico nós podemos orientar algum tipo de retorno de determinadas ações, determinadas áreas, em outras não, não pode, nós não podemos fazer uma generalizaç&a tilde;o em função do número e querer que o estado todo tenha o mesmo comportamento e as mesmas recomendações. Isso é muito importante, vale para o país e vale para os estados.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. São 13h54min, antes de encerrar eu gostaria de enfatizar que nenhum paciente no estado de São Paulo ficou sem atendimento, depois de vermos todas essas questões estruturais e de processos, podemos falar desta maneira. E sempre dentro das nossas armas contra a epidemia, que é fique em casa, salve-se em casa, e se sair, use máscara, e obedeça aos preceitos de higiene lavando as mãos etc. Amanhã voltaremos nesse mesmo horário em uma outra coletiva, com a participação do governador João Doria. Muito obrigado.