PANDEMIA - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência atualizam ações de combate ao coronavírus 20200406

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PANDEMIA - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência atualizam ações de combate ao coronavírus

Local: Capital - Data: Junho 04/06/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito boa tarde. Muito obrigado pela presença de todos, gostaria de agradecer esta nossa jornada, por esta jornada de hoje, aqui da coletiva, na área da saúde, em que estamos para dar informações e esclarecer aquilo que for necessário. Estamos aqui, hoje, Dr. Dimas Covas, que é do comitê do centro de contingência, presidente do Instituto Butantan. Dr. Geraldo Reple, também do comitê do centro de contingência e presidente do COSEMS, que é o conselho de secretários de saúde municipais, Dr. Paulo Menezes, também membro do comitê e coordenador da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde. Dr. João Gabardo, coordenador executivo também do centro de contingência, juntamente com o seu coordenador-geral, que é o Dr. Carlos Carvalho, estando aqui ao meu lado, temos a presença do secretário Marco Vinholi, nos prestigia aqui hoje e do Dr. Fernando Kawai, médico, professor, doutor e diretor do Hospital Presbetirian, em Nova Iorque, que fará algumas considerações pra nós. Gostaria de agradecer também a presença do Sr. Fred [ininteligível], prefeito de Campos do Jord&ati lde;o e Leandro [ininteligível], prefeito da Santa Rita do Passa Quatro, muito obrigado pela presença, pelo prestígio que nos dão aqui nesse dia de hoje. Eu vou iniciar colocando os dados de ontem pra hoje, exatamente, então, o Brasil está com 584.016 casos, 32.548 óbitos, São Paulo tem 129 mil casos e 8.561 óbitos, de ontem pra hoje o número de casos aumentou 4%, 4,4%, e o número de óbitos 3,3%. As taxas de ocupação, nós estamos, no estado, com 71.4%, taxa de ocupação de leitos de UTI e na grande São Paulo 82.4%. Internados, sejam confirmados ou suspeitos, em regime de enfermaria, 7.679 casos e internados 4.799 casos. Tivemos, até o momento, 23.664 altas hospitalares, dos casos que foram tratados no sistema. Eu gostaria de seguir com a palavra do Dr. Dimas Covas, falando a respeito de testagens, muito obrigado. Dr. Dimas.< /span>

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Boa tarde, bom dia ainda, boa tarde, vou fazer uma rápida atualização da estratégia ampliada, exames para o coronavírus, quer dizer, essa projeção já foi apresentada aqui várias vezes, é só pra recordar, que ela era em três fases, a fase um era a ampliação com os testes sorológicos, principalmente os testes rápidos, e aqui a novidade do dia, nós iríamos aplicar testes rápidos em populações especiais, segurança pública, saúde, privados de liberdade, doares de sangue e casas abrigo e, por outro lado também, as coortes, as subpopulações nos diversos municípios pra ter uma ideia da evolução da epidemia. Então, nós, nesse momento, já realizamos em torno de 90 mil testes rápidos, 70 mil testes só na coorte da segurança pública, Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiros e assim por diante, estamos, nesse momento, iniciando já uma testagem no pessoal da saúde, começando pelo HC de Ribeirão Preto, 12 mil funcionários, HC de São Paulo também está iniciando um programa com 20 mil funcionários, temos início hoje e amanhã da testagem em asilos, existem 552 casas asilares no Estado de São Paulo e também na Fundação Casa, 138 unidades com 4.800 internos. Essas duas populações já iniciam o teste rápido nesse momento, e todos os casos sintomáticos e com IGM positivos vão para o PCR. E também uma iniciativa junto aos municípios, Dr. Geraldo Reple pode complementar, que dentro da fase que já existia, que nós chamamos de fase dois, que era a ampliação do PCR, que na fase três para os pacientes com sintomas leves, esses pacientes que são atendidos nos municípios, nesse momento não havia uma estratégia, e agora já existe essa estratégia, estamos, nesse momento, determinando uma logística de distribuição de 30 mil swabs, né, pra realização desses testes, isso vai chegar a 200 mil nas próximas semanas. Então, essa é uma atualização de como anda a plataforma de testes. Obrigado, secretário.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Dimas, já temos aí um número de testes, até a semana que vem, de 200 mil testes, né, bastante razoável, por favor.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Uma informação, eu acho que tem um slide, próximo, próximo, esse é o HC, próximo, não, não tá, é o seguinte, em abril, no começo de abril nós fazíamos em torno de mil exames dia, hoje nós estamos fazendo, entre PCR e testes rápidos em torno de oito mil, o Estado de São Paulo é o estado do Brasil que mais testa, e vai chegar aos níveis de testagem de outros países, Itália, Espanha e assim por diante.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ótimo. Muito obrigado. Dr. Geraldo Reple, por favor, você poderia comentar e também falar alguma coisa a respeito do COSEMS e do interior.

GERALDO REPLE, PRESIDENTE DO COSEMS: Bom dia a todos, representando, como representante dentro do comitê de contingência, dos secretários municipais de saúde, eu acho que essa notícia que o Dr. Dimas trouxe, hoje, é extremamente importante, porque nós tínhamos uma dificuldade com os municípios, faltava os insumos pra coleta, e agora, com essa notícia do Dr. Dimas e também o Paulo eu creio que vai complementar depois também, nós vamos conseguir ampliar e muito a capacidade de testagem, porque a hora que a gente manda os insumos, os mun icípios vão colher e, com certeza, nós vamos ter uma ampliação muito grande e aí até os dois prefeitos aqui presentes, nós, nas nossas cidades, vamos ter mais certeza de como está a epidemia, a pandemia nas nossas cidades e, com isso, direcionar melhor as nossas ações, ver o que nós vamos ter que isolar, o que nós vamos ter que fazer. Então, isso é uma ótima notícia. Aproveitando também, nós tivemos uma reunião a bipartite terça-feira passada, então, está havendo também uma distribuição de materiais, equipamentos de proteção individual, gorro, máscara, adquiridos uma parte pelo Governo do Estado, uma parte pelo Governo Federal, que também está sendo distribuído pros municípios, isso é uma outra notícia muito auspiciosa pros munic&iacu te;pios, porque estamos tendo muita dificuldade de aquisição, os preços estão astronômicos, então, com essa distribuição também melhoramos a segurança pros nossos colaboradores e vamos poder prestar uma assistência muito melhor a população. Então, são duas notícias, eu creio que a nível de municípios, muito importante. E a terceira notícia, Dr. Dimas falou, foi ampliado as indicações dos exames, antes nós só colhíamos pacientes graves e internados, com a documentação que foi publicada na última semana, nós passamos a colher também de sintomáticos leves, o que é isso? Se alguém chegar numa unidade com sintomas respiratórios, febre ou tosse, isso já vai ser colhido o exame e, com isso, a gente, com certeza, vamos melhorar e muito o nosso diagn&o acute;stico.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Geraldo. Dr. Paulo Menezes, seus comentários a respeito do que foi dito.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DA COORDENADORIA DE CONTROLE DE DOENÇAS DA SECRETARIA DE SAÚDE: Obrigado, secretário. Eu queria, em primeiro lugar, aproveitar pra dizer que ampliando a nossa capacidade de diagnóstico dos casos leves, que são aqueles que estão na comunidade, estão fazendo isolamento domiciliar, nós conseguimos, assim, ter uma ação de vigilância e de contenção da transmissão do vírus mais eficiente, então, eu acho que a ampliação da testagem é fundamental pra que a gente possa pross eguir no avanço do controle da pandemia aqui no Estado de São Paulo. Em segundo lugar, eu queria chamar atenção pra que isso, que acabou de ser descrito, só é possível pela estrutura do SUS, trabalhando nível federal, estadual e municipal de forma integrada pra toda a população. Como responsável pela área de vigilância e saúde do Estado de São Paulo, isso eu acho que é uma das coisas que faz a diferença pra que as ações, aqui, estejam sendo bem sucedidas, municípios são apoiados pelo estado, estado recebe também o feedback dos municípios, e a gente trabalha com o Governo Federal. E, finalmente, eu acho que é só um comentário, de que, embora a gente esteja agora numa situação que nós consideramos mais, talvez, sob controle, o vírus continua circulando, a nossa mensagem t em que ser pra população de que é preciso evitar a transmissão do vírus, através do distanciamento social, então, se algumas áreas de atividade estão sendo retomadas nessas próximas semanas, isso não significa que as pessoas estão autorizadas ou devem sentir que a ameaça não está mais presente muito perto de nós. O vírus é transmitido quando uma pessoa encontra outra pessoa, então, é preciso manter o distanciamento social, ficando em casa, se sair de casa usar máscara, e os hábitos de higiene, eu acho que é muito importante essa mensagem pra população. Muito obrigado, secretário.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Paulo. Então, ainda relacionado a questão regional e das nossas regionais no interior, e todo esse trabalho que tem sido feito nesse sentido, eu gostaria, então, que o Marco Vinholi, por favor, falasse seus comentários a respeito.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, muito boa tarde a todos, primeiro registrar aqui o recebimento de mais duas notas importantes, a primeira delas aqui da Associação das Estâncias Turísticas do Estado de São Paulo, presidente e prefeito Leandro Pilha está aqui, prefeito de Santa Rita do Passa Quatro, ao lado do prefeito Fred, de Campos do Jordão. São 70 estâncias turísticas aqui apoiando e cumprimentando o governador pelo Plano São Paulo e pelo plano de retomada. Ao lado delas tamb ém, a Uvesp, que é a União dos Vereadores do Estado de São Paulo, com o mesmo texto, mesma saudação para o Governo do Estado e também para o governador João Doria. Eu queria aqui, de forma rápida, ressaltar: ontem, nós anunciamos aqui, delimitamos as tendências das regiões do estado, de todas as regiões aqui do Estado de São Paulo, e dialogando, a partir de ontem pra hoje, com as prefeituras, a expectativa nossa é que essa parceria possa, onde houve a melhora, seguir com essa melhora até a semana que vem, que a gente possa dialogar com os setores, possa flexibilizar no momento correto, se confirmando na próxima quarta-feira. E, naquelas que tiveram um recuo, para que as prefeituras também possam fazer as suas ações, precavendo com que elas não voltem pra tr ás, em fases anteriores, significando um endurecimento. Então, é fundamental que a gente tenha isso claro. Na próxima quarta-feira trazemos aí a comparação da semana. Com isso, eu quero anunciar aquilo que a gente vem fazendo aqui, diariamente também, que é fortalecer a capacidade hospitalar aqui do Estado de São Paulo. Então, hoje nós anunciamos o custeio de 61 novos leitos aqui no Estado de São Paulo. Dentro disso, oito são no interior, no município de Votuporanga, leitos de UTI. Lá que teve uma situação muito pontual, um pico, que chegou em 100% da capacidade. Com esse custeio de leitos, nós vamos possibilitar aí um resguardo na saúde da população de Votuporanga, na região de São José do Rio Preto. Com isso também, 43 novos leitos na Grande São Paulo. Nós estamos fortalece ndo essa capacidade hospitalar da Grande São Paulo, diariamente, e hoje são mais 43 novos leitos, sendo eles em Osasco, em Cajamar, em Caieiras e também em Guarulhos, onde encaminhamos 15 respiradores hoje para o Hospital Geral e para o Hospital Padre Bento. Além disso, na Baixada Santista, no município de Cubatão, o custeio de dez novos leitos, que vão impactar também na capacidade hospitalar da Baixada Santista. Por enquanto é isso, agradeço aqui a todos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Vinholi. Então, como vocês podem ver, continuamos trabalhando no sentido de levar ao interior, e também à Grande São Paulo, a cobertura assistencial necessária para o Covid-19. A epidemia está aí, não acabou, a quarentena continua do mesmo jeito, sempre com a questão do: fique em casa, e se precisar sair use máscara. A minha máscara me protege e a sua máscara protege a mim. Dando continuidade, eu gostaria que o Dr. Carlos Car valho fizesse seus comentários iniciais e apresentasse o Dr. Fernando Kawai e, ao final da apresentação do Dr. Fernando, o Dr. João Gabardo então fará seus comentários. Por favor, Dr. Carlos.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde a todos. Bom, como foi comentado aqui, nós estamos sempre trabalhando proporcionalmente às demandas. E esses ajustes são feitos junto com o secretário Vinholi, que aciona o secretário Germann, na Saúde, e, tendo os respiradores, isso possibilita abertura de novos leitos, uma vez que esses pacientes graves são os pacientes que, obviamente, sofrem maior risco. Então, estamos numa fase de recebimento de novos equipamentos, que estão chegando via a importação. Ent&ati lde;o, esses equipamentos chegam, eles vão para uma área no Centro de Convenções Rebouças, ali no Hospital das Clínicas, onde eles são desembalados, são testados, são calibrados e, a partir daí, eles são distribuídos pra rede. Então, na realidade, um ventilador ou um leito de UTI, para que ele funcione realmente, nós precisamos da parte mais importante, que são os recursos humanos. Nós precisamos que os nossos profissionais de saúde estejam adequadamente capacitados, em boas condições físicas, para poder executar sua função, para poder prestar assistência a esses pacientes graves. Então, estamos trabalhando nessas duas frentes: de conseguir mais leitos na UTI, para isso precisamos de mais respiradores, e também trabalhando na ponta, de capacitação, de disseminação do protocolo de atendimento dos pacientes Covid, que foram... Esses protocolos foram validados dentro do Centro de Contingência. Então, agora pra contar um pouquinho pra nós a respeito da sua vivência na região de Queens, em Nova Iorque, eu tenho o prazer aqui de estar conosco aqui, ao meu lado, o Fernando Kawai, que foi um colega, foi meu aluno aí nos anos 90, na Faculdade de Medicina na USP. Ele terminou a sua formação, ele se graduou na Faculdade de Medicina, depois ele fez residência na área clínica e migrou para os Estados Unidos, para ampliar sua formação. Então, ele fez residência em dois grandes centros, como Harvard e depois em Stanford. E atualmente, ele trabalha em Nova Iorque, no Presbiterian Hospital, e ele é professor da Universidade de Cornell. Então, ele esteve nessa pandemia, na lin ha de frente, lá em Nova Iorque, atendendo os pacientes, e ele, como conseguiu férias após ter trabalhado tanto, ele veio para São Paulo, para ser voluntário no Hospital das Clínicas. Então, ele vai contar um pouquinho dessa trajetória, dessa história dele e da experiência que ele teve lá nos Estados Unidos, especificamente nessa pandemia. Obrigado, Fernando.

FERNANDO KAWAI, MÉDICO VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS: Boa tarde a todos, obrigado, professor Carlos, obrigado, secretário Germann, pelo convite. Eu sou médico brasileiro, moro há 16 anos lá nos Estados Unidos, e eu acredito muito em... Minha formação foi gratuita, fiz faculdade da USP. Meus colegas médicos americanos têm uma dívida de R$ 500 mil, só [ininteligível] medicina. Eu sou muito grato pela informação e acredito que agora está na hora de retribuir um pouco, trabalhando aqui no Hospital das Cl ínicas, no SUS. Acredito muito no ideal de servir a população. Lá nos Estados Unidos, as pessoas se endividam para conseguir tratamento de saúde. Aqui, nós estamos oferecendo um serviço de qualidade, dentro dos nossos recursos, para a população. Próximo slide, por favor. Não é segredo que os Estados Unidos é o primeiro país em termos de casos, é o primeiro país em número de mortalidade, mais de 100 mil mortos nos Estados Unidos. E dentro daquela área vermelha, eu estou na área mais vermelha: a cidade de Nova Iorque. Tivemos mais de 21 mil mortes em Nova Iorque, e... Próximo slide, por favor. Só para ter uma ideia da situação, de como a medicina lá é diferente, nós gastamos US$ 3,4 trilhões por ano no sistema de sa& uacute;de. Isso é quase que o dobro do PIB do Brasil. Então, num lugar de imensos recursos, recursos quase infinitos, nós chegamos na beira do caos. Então, [ininteligível] muito importante: não subestime esse vírus. Mesmo com todos os recursos, nós sofremos muito por lá. Próximo slide, por favor? Só para você ter uma ideia do... [ininteligível] a população dos Estados Unidos é maior, mas não é só que a gente tem muito mais dinheiro. Mesmo por pessoa, nós gastamos US$ 10 mil, comparado com o Brasil, US$ 928. São o quê? Onze vezes mais de recursos. Próximo slide. Lá estou eu, em Queens, dentro daquela área vermelha, Nova Iorque é o principal foco e, dentro de Nova Iorque, eu era o principal foco de contaminação. Eu fiz atendimentos diretos, tanto clínicos como também a minha especialidade é cuidados paliativos, pessoas que estavam, infelizmente, no final da vida com Covid. Próximo slide. Um pouco dos desafios que a gente teve em Queens: nós somos o bairro mais populoso, com 2,3 milhões. Todo mundo conhece Manhattan, de algum lugar, do prestígio, do dinheiro. Mas eu trabalho num lugar que temos imigrantes do mundo inteiro, 140 línguas. Só atendendo as pessoas, a gente tem tradutores eletrônicos pra conversar com todos os pacientes. Muitos são trabalhadores simples, moram em apartamentos aglomerados, uma situação econômica mais pobre. Infelizmente, o vírus afetou muito a população mais pobre. Só tinha dois [ininteligível], eu era um deles, um dos hospitais que a gente, a pandemia veio pra nós como se fosse uma tsunami. Próximo slide.< /span> Durante a crise, nós tivemos que fazer um 'lockdown' total. E aliás, comparando com São Paulo, acho que isso foi uma grande diferença, há muitos estudos mostrando que a gente começou o isolamento muito tarde, já tinha pessoas vindo do mundo inteiro, situações aglomeradas em Nova Iorque, espalhou que nem fogo. Todos os pronto-socorros, inclusive o meu, ficaram completamente lotados. Me lembrava aquela situação do pronto-socorro do Hospital das Clínicas nos anos 90, um mar de macas, com pessoas graves e a gente tentando atender todo mundo no meio da crise. Estávamos tentando conseguir equipamentos de proteção para os médicos, estávamos conseguindo leitos de UTI, enfermeiras de UTI, médicos de UTI, ventiladores, tudo ao mesmo tempo, e mesmo com todos esses milhões de d&oa cute;lares, ainda tivemos uma mortalidade muito alta, infelizmente. O número final está sendo definido, porque é uma doença nova, mas os dados iniciais eram até mais de 80% agora, estamos pensando algo em torno de 50%, mas não temos um número final, mas, sem dúvida nenhuma, a doença letal, que não pode ser subestimada. Próximo slide. Felizmente, estou aqui, vim para o Brasil para ajudar o SUS, porque lá as coisas estão acalmando. Mas mesmo assim, nós não estamos abrindo o estado de uma vez. A gente está abrindo pedaço por pedaço. Isso é uma equação que precisa de ajuda do governo, do setor privado, do sistema de saúde. Envolve quantos leitos você tem abertos? Qual é o número de casos? Temos que testar todo mundo. E quando algu&ea cute;m testa positivo, isola essa pessoa, rastreia os contatos. Precisamos ter dados precisos de quem está sendo diagnosticado, onde está, pra ter uma notificação em tempo real. Não podemos agir em números da semana passada. Então, tudo isso é parte da estrutura de abertura do estado. Próximo slide. Adoraria dizer que temos uma cura mágica para o Covid. Não existe uma cura mágica. Então, qual seria a solução, enquanto trabalhamos numa vacina ou buscamos remédios? Próximo slide. É a prevenção do contágio. O contágio acontece principalmente de pessoa pra pessoa. Uma pessoa infectada que tosse, ou respira, ou fala, numa situação aglomerada é mais difícil. E claro também que aquela pessoa contaminar outros objetos tamb ém pode passar. Lavar as mãos, usar máscaras, segue sendo importante, e principalmente a pessoa contaminada, essa é o foco dos incêndios que temos que tomar cuidado. Próximo slide. Eu me preocupo muito aqui no Brasil, essa aqui é Paraisópolis, pessoas em situações aglomeradas, que, quando você tem o diagnóstico, eles moram todo mundo junto ali. Isso passa de um pro outro. Eu tive a infelicidade de atender pacientes que pai, mãe, filho, irmã, todo mundo, famílias perdendo membros, irmão e irmão, esposa e esposo, todo mundo morrendo na mesma semana, porque estavam todo mundo juntos, e o vírus passou rapidamente. Então, temos que ter muito cuidado e tentar apoiar essa população vulnerável. Próximo slide. Como... Eu não sou a solução, mas coisas que a gente tem que pensar é: quem sabe criar cent ros de isolamento para pessoas doentes? Escolas que não estão sendo usadas, hospitais de campanha que tenham leitos. Isso é uma coisa que tem se discutido como sociedade, mas, como não tem cura, temos que prevenir o contágio, para evitar o colapso do sistema de saúde. E uma das principais coisas que as pessoas se preocupam, quando ele está lá doente, é falar: eu preciso ganhar o pão da minha família, então aquela pessoa que ficou doente tem que ter alimentação, uma cesta básica, alguma coisa pra ajudar, pra ele poder se isolar, não ter que ficar nessa preocupação de tentar sair e passar o vírus [ininteligível]. Então, é uma solução complexa, porque é um problema complexo. Próximo slide. E antes de eu aflar do governador l á, eu queria dizer que vim para o Brasil pensando que ia estar o caos, porque eu vi o caos lá nos Estados Unidos. Fiquei muito surpreso de que está tudo muito organizado. E dentro dos recursos que acho que o estado tem, eles estão fazendo um trabalho excelente. Fui lá para o Hospital das Clínicas, falei: Nossa, eles estão trabalhando bastante, está movimentado, mas existe um fluxo, existe, sabe? Existe assim uma cadeia de comando. Os pacientes estão sendo superbem atendidos. Por quê? Eu acredito que, não sou um especialista, mas acredito que o fato de termos começado o isolamento antes, isso talvez ajudou para o sistema de saúde se preparar, não tivemos aquela tsunami de contágio, todo mundo ao mesmo tempo, e criamos cadeias de comando, protocolos de atendimento, recursos para teste, recursos para UTI. E eu acho que... Estou muito impressionado com a resposta do Estado de São Paulo. Eu, que estava esperando um caos total, encontrei... Tem muito trabalho a ser feito, acho que isso é uma coisa difícil, mas eu acho que, minha impressão é que estamos no lado certo. Muito impressionado. E termino com uma frase do nosso governador, que foi uma grande liderança ali durante essa terrível crise, que no final do dia, meus amigos, mesmo que seja um longo dia, o amor sempre vence. E o amor vai vencer uma vez mais, nós vamos vencer esse vírus e contamos com todos nós juntos. Isso é uma colaboração do governo, dos médicos, da sociedade, da imprensa, do setor privado. E temos que escutar uns aos outros em momentos tão difíceis. Mas não subestimem esse vírus, muitas pessoas ainda estão morrendo. Temos que nos preocupar com o risco de uma segunda onda, e a prevenção do contágio e o apoio à população vulnerável. Muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Fernando. Suas palavras são pra nós uma motivação e um reforço para tudo que nós temos feito, e no sentido de seguirmos em frente pra chegarmos ao final do dia, como disse o governador de Nova Iorque. João Gabardo, por favor, seus comentários.

JOÃO GABARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde a todos. Eu vou comentar dois aspectos da fala do Dr. Fernando, que eu acho que são muito relevantes. A primeira é esse paralelo que se faz entre o SUS, sistema de saúde brasileiro, e o sistema de saúde americano, a enorme diferença de recursos que são disponibilizados, e como muitas vezes nós somos injustos cobrando do SUS algumas coisas que não são possíveis. E como o Sistema Único de Saúde, mesmo com a insuficiência de recursos, conse gue dar uma resposta como essa, que nós estamos vendo, no enfrentamento da epidemia. Nova Iorque, com todo esse orçamento, e com todo esse gasto pra área da saúde... Nova Iorque tinha, antes da epidemia, em Nova Iorque tem uma população muito próxima da capital de São Paulo, 1.200 leitos de UTI. Esta era a capacidade de atendimento, tratamento intensivo, antes da epidemia, 1.200 leitos. Só pra lembrar, a capital de São Paulo, a capital do Estado de São Paulo, antes da epidemia, se nós considerarmos os leitos do Sistema Único de Saúde, mais os leitos privados, São Paulo tinha em torno de 3.300 leitos de UTI. Nova Iorque, 1.200, capital de São Paulo, 3.300 leitos. O Estado de São Paulo, antes da epidemia, tinha mais de 8.000 leitos de UTI. Então, não é por outra razão que o que o Dr. Fernando encontrou em Nova Iorque, e teve que tra balhar com corredores com macas e pacientes em respirador, nos corredores, ele não viu aqui em São Paulo. Nós tínhamos uma capacidade melhor, e nós nos preparamos pra isso. Dr. Fernando, só pra atendimento de leito de Covid, São Paulo tinha 3.000 leitos e hoje está com 6.000 leitos, só pra atendimento de Covid. Esta é a diferença, o Brasil teve condições de se preparar, e isso foi feito com bastante eficiência. A outra questão diz respeito ainda à questão financeira. Muitos americanos demoraram pra buscar o atendimento, porque o atendimento é pago, os exames são pagos, a internação é paga. Essas pessoas, ao sair da UTI, vivas ou não, é apresentada uma conta pra família, e essa conta tem que ser paga. E a maior causa de falência nos Estados Unidos é exatamente a responsabilidade do pagamento das despesas da área médica. Então esse... Eu queria fazer esse, mostrar um pouquinho, fazer esse comparativo do nosso sistema de saúde e do sistema de saúde americano. Parabéns para o Fernando pelo trabalho desenvolvido.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado. São 13h02. Então, podemos iniciar a parte das perguntas, e em primeiro lugar, TV Cultura, repórter Maria Manso. Por favor.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. Dr. Kawai, muito obrigada por trazer a sua experiência pra gente. E eu queria saber aqui em São Paulo, como vão começar a ser testados os internos da Fundação Casa e também os idosos dos asilos, os que testarem positivo, pra onde eles vão? Já que essas estruturas não têm lugar para isolar essas pessoas?

FERNANDO KAWAI, MÉDICO VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS: Bem, é lógico que por trás disso tem todo um esquema, exatamente baseado na Vigilância Epidemiológica dos municípios onde essas unidades estão localizadas, pra tomar as medidas aí, como caso infectado. Dentro de cada uma dessas instituições, o mesmo procedimento: isolamento de casos, identificação de contatos, testes dos contatos, inclusive dos funcionários que têm relação com o exterior. Então tem todo aí um planejament o para dar atendimento para essas populações especiais, que são muito vulneráveis ao vírus, porque elas estão confinadas. Principalmente os asilos. São 552 asilos no Estado de São Paulo, em alguns asilos nós já tivemos mortes, quer dizer, isso frequentemente aparece na imprensa. Então, precisar ter uma ação especial para atendimento dessa população, uma população de risco que precisa ser olhada com muito carinho.

REPÓRTER: [ininteligível] Dr. Kawai [ininteligível] pela experiência que o senhor tem, o senhor flexibilizaria o comércio aqui em São Paulo, com os números ainda crescendo?

FERNANDO KAWAI, MÉDICO VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL DAS CLÍNICAS: Eu acho que eu falei um pouquinho disso, né? É uma situação muito difícil essa do isolamento, porque se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come. Qual é esse balanço? Eu adoraria te dizer sim ou não, mas a minha resposta vai ser uma resposta científica: depende, depende do número de casos, depende da sua capacidade de teste, depende do seu número de leitos e depende da necessidade econômica da população. E mesmo que a gente abra, eu acho que o fundamental é seguir com a prevenção do contágio. Aqueles casos, você conseguir... Mesmo que você esteja abrindo, você achou aquele caso, você isolou ele e rastreou as pessoas, você consegue controlar. O sistema de saúde começou a entrar em colapso, isola de novo. Então, muitas vezes, isso vai ser uma onda, e a gente tem muito... A gente gosta de ter essa resposta sim ou não, mas na verdade, pra situações graves, depende. Eu não tenho os números exatos do Estado de São Paulo pra te responder, mas minha opinião é: é uma equação complexa, que muitas vezes você pode até começar a reabrir, mas contanto que você tenha uma estrutura de testes, rastreamento, isolamento de contatos, um sistema de saúde que tenha capacidade, acho que todos nós concordamos que o 'lockdown', sabe? Fec har tudo pra sempre, não funciona também. Mas se for pra reabrir, reabra progressivamente e com cuidado e com monitoramento e dados.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Começa hoje na Fundação Casa. Na sua pergunta. Ok.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, repórter Maria Manso. Nosso próximo repórter seria o Marcelo [ininteligível], da TV Gazeta. Por favor, Marcelo, boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde, boa tarde a todos. A minha pergunta é em relação ao estudo epidemiológico feito com os policiais militares. O senhor citou que já foram realizados, se eu não me engano, 70 mil testes. Há um resultado parcial desse estudo, de quantas pessoas já possuem anticorpos em relação ao vírus, e outros detalhes? Obrigado.

DIMAS COVAS, MEMBRO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Bem, ontem a própria polícia divulgou que ela tem 3.000 servidores nesse momento em afastamento. Nós fizemos o teste rápido, o teste sorológico, em cerca de 70 mil policiais e familiares, 30 e poucos mil policiais e seus familiares. Então nós temos aí uma boa representação populacional. É o maior estudo soro-epidemiológico já feito aqui no Brasil, em termos de números. E nessa população, que é a população mais exposta, é a população que está na fase superior da curva, não é? É a população que entra em contato com a população, nas mais diversas situações, a taxa de positividade, ou seja, de pessoas dessa população que foram expostas ao vírus e já adquiriram imunidade, é em torno de 20%.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Dimas. Muito obrigado, Marcelo, pela sua pergunta. Próxima seria da Rede TV, Murilo [ininteligível]. Por favor, boa tarde, Murilo.

REPÓRTER: Com licença, boa tarde a todos. A gente tem acompanhado a pressão que os prefeitos das cidades da região metropolitana, aqui da Grande São Paulo, têm feito, para que possa se enquadrar aí na faixa laranja. Eu queria saber como é que tem sido feita a avaliação desses municípios, por parte do Governo, e no que tange à saúde, se esses municípios já apresentam resultados, que possam enquadrá-los nessa segunda fase. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Eu gostaria que o Marco Vinholi iniciasse a resposta, e depois alguém fizesse alguma consideração. Por favor, Vinholi.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Bom, primeiro, todos nós queremos, o mais rápido possível, que os municípios tenham condição de fazer essa retomada. Isso vai se dar assim que todos os municípios cumprirem os requisitos estabelecidos no Plano São Paulo. Plano profissional, que estabelece de forma muito clara, na evolução da pandemia, qual deve ser a situação daquela região, para que ela possa flexibilizar, e também na capacidade hospitalar. A questão fundamental aqui da região metropolitana é a capacidade hospitalar e, dia após dia, todos nós estamos vindo aqui, trazendo novos leitos, hoje com a compra de novos leitos e também do envio de respiradores, formando uma capacidade hospitalar que possa levar as taxas de ocupação da região metropolitana inferior a 80%, patamar delimitado aqui pelo nosso Centro de Contingência. Elas têm avançado, nós chegamos a 92% na semana passada. Ontem nós viemos aqui, falamos em 85%. E hoje já em 82% a taxa de ocupação da região metropolitana de São Paulo. Todas as regiões têm avançado, hoje anunciamos mais 43 novos leitos de UTI para isso. Amanhã nós vamos seguir investindo nisso, ao longo do fim de semana também, nós estamos trabalhando em conjunto com esses municípios pra capacidade hospitalar deles possa condizer com uma faixa em que seja possível eles poderem avançar de fase.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Por favor, Dr. Carlos, coordenador do Centro de Contingência.

CARLOS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Veja, uma situação bastante importante que nós temos batido bem pra tentar deixar claro, transparente pra população de uma forma geral e pra todos que estão interessados, inclusive os prefeitos todos, é que esse é um protocolo, esse Plano São Paulo ele tem um protocolo que foi amplamente discutido, que foi amplamente desenhado ao longo de semanas, de mais de dois meses pra chegar numa proposta. E essa proposta ela vai ser avaliada semanalmente porque se pegarmos números só diários, podem os ter picos ou podemos ter vales onde representa problemas sazonais, problemas de notificação. Então, diariamente nós olhamos os números, mas a média, a média móvel ao longo de sete dias é o que dá informação mais consistente. Obviamente, se num dia determinado tiver um pico anormal nós vamos estudar esse pico, eventualmente ações vão ter que ser implementadas. Mas se não for isso, nós vamos acompanhar, vai completar uma semana agora, e na semana que vem, na terça-feira nós faremos uma outra reunião pra na quarta-feira o governador apresentar o consolidado dessa primeira semana dessa nova fase do plano. E ele leva em conta o número de leitos, leva em conta a porcentagem de ocupação desses leitos. Mas é muito importante o número de internações por causa primária de sín drome respiratória aguda grave. Esse é o que mais pesa nesse índice. Então nós estamos avaliando a progressão dessas internações e isso entra na computação pra sabermos se o município está mais pra lá ou mais pra cá. E se vamos orientar uma medida mais restritiva ou uma medida mais de liberação. Então isso vai ser avaliado ao longo do tempo e essas medidas vão ser tomadas. É óbvio que o interesse de todos nós, inclusive de vocês sentados aí é que isso se resolva o mais depressa possível. Mas temos que tomar uma atitude consciente e essa é a ideia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Carlos. Muito obrigado, Murilo, pela pergunta. Nosso próximo repórter, Fábio Diamante, do SBT. Boa tarde, Fábio.

FÁBIO DIAMANTE, REPÓRTER: Boa tarde, secretário. Boa tarde a todos. Secretário, são duas perguntas. A primeira, o Governo Federal anunciou que vai continuar apostando na cloroquina, inclusive divulgou que vai comprar dez toneladas da matéria-prima para que o medicamento seja mais usado no país. Eu queria saber como é que está o uso na rede pública em São Paulo já que essa era uma decisão do médico individual e do paciente, se o senhor já tem uma estimativa se esse uso caiu. A impressão que a gente tem ao falar c om os médicos é de que eles estão usando cada vez menos pelos riscos. Então queria saber como é que está isso em São Paulo. Uma segunda questão é sobre o aumento dos casos da síndrome respiratória aguda grave. No Brasil esse é um aumento de 20 vezes. Os infectologistas estão entendendo que pode estar havendo aí uma avaliação errada nos hospitais que, certamente, tem Covid nesse número. Isso não coloca em dúvida os números? Porque isso pode estar ocorrendo uma subnotificação grave que coloca em dúvida os números, inclusive os números que os senhores se apoiam pra defender a retomada das atividades. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ok. Com relação a sua primeira pergunta, sua impressão é correta. Nós temos cloroquina em estoque desde o primeiro decreto o Ministério da Saúde enviou uma quantidade, nós temos isso. E como você também citou, ela depende da prescrição do médico e do consentimento da paciente. Isso vem diminuindo ao longo do tempo. Seja, talvez, pelas questões do resultado ou dos efeitos colaterais que possa estar apresentando esta droga. Quanto &agra ve; segunda pergunta, o Paulo vai--

CARLOS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Posso falar uma coisa sobre a cloroquina?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ah, sim. Por favor, lógico. Dr. Carlos.

CARLOS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Com relação à cloroquina, no protocolo que desenvolvemos no Hospital das Clínicas e que depois foi discutido no Centro de Contingências e ele foi publicado pela Secretaria da Saúde, nós nunca recomendamos o uso da cloroquina a não ser que fosse em protocolos de pesquisa. Mas nós entendemos que cabe ao médico, ao paciente e a definição se for esclarecidos eventuais efeitos colaterais o interesse de fazer essa prescrição. Mas ele nunca fez parte da rotina da prescriç&at ilde;o no nosso hospital, no nosso sistema de saúde. Então, atualmente estão surgindo cada vez mais estudos e recentemente no dia de ontem saiu um outro estudo que já haviam saído estudos que mostravam que na fase mais tardia, depois do paciente estar entubado em ventilação mecânica, os resultados com o uso da cloroquina eram neutros ou negativos, traziam efeitos adversos. O estudo que saiu ontem mostra que os resultados do uso da cloroquina numa forma profilática, numa forma mais anterior também não tem benefício nenhum e tende a esse aumento de efeitos colaterais. Então, os dados científicos que vêm surgindo continuam apontando pra... talvez o não uso da cloroquina ou da hidroxocloroquina, mas de novo fica disponibilizado. O médico, se ele quiser, ele explicando para o paciente, o paciente quiser tomar ele está liberado nessa situação.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: E pela sequência, segunda pergunta o professor Paulo, por favor.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DA COORDENADORIA DE CONTROLE DE DOENÇAS DA SECRETARIA DE SAÚDE: Obrigado, secretário. Só pra reforçar esse ponto da cloroquina, essa semana então baseado nessas avaliações a Secretaria da Saúde emitiu uma nota técnica não recomendando o uso da cloroquina para casos leves. Então, essa já é a avaliação também da Secretaria da Saúde. Em relação a síndrome respiratória aguda grave, é lógico que tem uma proporção grande d e casos de síndrome respiratória grave que não são confirmadas, a gente, quando olha a curva da síndrome respiratória aguda grave ao longo deste ano, principalmente de fevereiro pra cá, a gente vê o aumento expressivo, muito expressivo por sinal, de internações por síndrome respiratória aguda grave e uma proporção de cerca de 40% de casos confirmados pra Covid-19. Então, nós, as duas curvas são absolutamente simétricas, uma compõe a outra, é possível que a gente tenha casos de síndrome respiratória aguda grave não diagnosticados através do teste laboratorial, isso acontece no mundo inteiro, isso não é uma coisa só observada aqui, existe limitação do teste, o que importa é que esses pacientes estão recebendo o tratamento adequado, porque eles estão i nternados, eles vão pra leitos de UTI, o fato de ser Covid-19 confirmado ou não, não muda a conduta clínica, então, eles estão recebendo o tratamento adequado, e a nossa avaliação, tanto de modelos [ininteligível], quanto de ocupação de leitos, leva em conta as duas situações, dos casos confirmados e dos casos suspeitos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Paulo. Vamos para a última pergunta de hoje, da Jovem Pan, Beatriz Manfredini, boa tarde, Beatriz.

BEATRIZ MANFREDINI, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde. Dr. Dimas citou que em abril a gente fazia mil testes por dia aqui no estado, e que esse número já tá em oito mil, correto? E que a gente pode chegar em números a níveis de testes já internacionais em outros países, eu queria saber qual que é essa meta, de quantos testes por dia a gente ainda pode e quer ampliar e pra quando seria isso. Obrigada.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTUTO BUTANTAN: Beatriz, é o seguinte, esses números estão acontecendo, são números do dia a dia, esses oito mil, né, e a progressão disso é, vamos dizer assim, depende dos exames que chegam, com exceção dos testes rápidos, que esses nós estamos ativamente realizando, quer dizer, é o município que demanda a realização do PCR, então, essas ações que eu mencionei aqui, junto com os municípios, era que os municípios tinham uma dificuldade inicial em in sumos, insumos pra coleta, que está sendo resolvida, Dr. Geraldo mencionou isso, então, isso, né, tem capacidade ociosa pra atendimento, quer dizer, os laboratórios ainda tem mais de 50% de capacidade ociosa pra PCR nesse momento. Então, isso está em curso, os números que nós temos falado de número de exames por 100 mil habitantes está previsto pros três meses próximos, quer dizer, nós vamos atingir esses números, que é o número comparado ao de outros países, né, na fase aí, vamos dizer, mais crítica da epidemia, ok?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: O secretário Vinholi quer fazer uma comunicação.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, bom, chegaram aqui os números do isolamento social do dia de ontem, a capital, São Paulo, fechou com 49, o litoral e o interior com 46 e a média do estado com 47. São notícias positivas, que mesmo com o início da retomada consciente, a população tá compreendendo que a retomada não é o fim do isolamento, né, não é o fim do modelo de quarentena, mas um novo modelo que se estabelece com a cooperação e també m com a mobilização da sociedade, portanto, números positivos de isolamento no dia três de junho.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Carlos, seu comentário por favor.

CARLOS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA: Eu só queria reforçar isso que o Vinholi comentou, apesar de esses números de isolamento, eles terem a capacidade de ser piores se a população não tivesse entendendo adequadamente qual é esse relaxamento, com certeza eles podem ser melhores, então, a população tem aderido bastante à orientação que o governo tem feito, que esse comitê de saúde tem feito, a população tem aderido bastante no sentido de manter um certo isolamento, se manter em casa, principa lmente, o que mais percebemos, é aderência à orientação do uso da máscara, mas não podemos entender essa meta como 50%, como vocês viram no gráfico ontem, se for 50%, nós ainda vamos ter dezenas, centenas de milhares de pessoas falecendo, se nós conseguirmos subir essa meta de isolamento, não trazer pra baixo dos 50, mas pra cima dos 50, chegando a 60, 70%, que seria o ideal, nós conseguiríamos controlar, nós conseguiríamos controlar essa pandemia mais rapidamente, e mais rapidamente todo o Estado de São Paulo estaria mudando de cor, do laranja, vermelho, que ele está agora, caminhando pro verde, caminhando pro azul, e pra podermos voltar a uma situação normal. Então, é muito importante que a população entenda que nós precisamos manter esse isolamento social ainda.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: São 13 horas, 23 minutos, antes de encerrarmos, eu só queria salientar, então, como vocês viram aqui hoje, nós temos todo um complexo assistencial que está muito baseado na questão dos leitos de UTI, o leito de UTI, ele sempre precisa de monitores e de respiradores, o respirador, que é um assunto aí que tem circulado bastante, é um equipamento complexo, não funciona como a gente gostaria que fosse de chegar e já botar em uso, ele precisa de uma eq uipe, que toma conta dele, da mesma forma do monitor e, principalmente, do paciente que está nesse leito, o Dr. Carlos colocou o cuidado que nós temos com os respiradores que estão chegando, qual é o tratamento operacional que a gente faz até chegar na beira ali, no leito do paciente, nos diversos leitos de UTI que nós temos pelo estado. Então, esta é uma mensagem final, eu gostaria de agradecer a presença dos senhores prefeitos, o Fred e o Leandro, gostaria de agradecer as pessoas aqui do centro de contingência e, principalmente, também Dr. Fernando, nosso médico em Nova Iorque. Muito obrigado a todos, amanhã nós teremos coletiva 12:30, geral, com a presença do governador. Muito obrigado, fique em casa, use máscara quando preciso.