PANDEMIA - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência atualizam ações de combate ao coronavírus 20200906

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PANDEMIA - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência atualizam ações de combate ao coronavírus

Local: Capital - Data: Junho 09/06/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Muito bom dia, boa tarde. Muito obrigado pela presença de vocês aqui hoje na nossa entrevista coletiva na área da Saúde. Gostaria de agradecer também a presença dos nossos parceiros aqui na frente, especialmente o Dr. Jean Gorinchteyn, médico do Hospital Emílio Ribas, que vai conversar conosco aqui a respeito. Ele é um infectologista, vai conversar conosco a respeito de patologia. Além disso, estamos aqui com a secretária Patrícia Ellen, o secretário Marco Vinholi. Ela, Desenvolvimento Econômico, o Vinholi, Desenvolvimento Regional. Dr. Carlos Carvalho, coordenador do Centro de Contingência, e o Dr. Paulo Menezes, que é o coordenador da Coordenadoria do Controle de Doenças, membro também do Centro de Contingência. Agradeço também a presença do prefeito Guilherme Avilla, de Barretos, que está aí, nosso amigo, e seu secretário de Saúde, o Alex Franco. Como também o Dilador Borges, nosso prefeito de Araçatuba. Está mais magro, Dilador? Muito bom. Eu gostaria de iniciar colocando os números de ontem e hoje. Obrigado. Brasil alcança 707.412 casos, com 37.134 óbitos. E o Estado de São Paulo, estamos com 150.138 casos e 9.522 casos. Tanto os nossos casos quanto os nossos óbitos cresceram de ontem para hoje 3,5%. As nossas taxas de ocupação de leitos, relacionadas à UTI, está, para o Estado de São Paulo, de 68,6% e, para a Grande São Paulo, 74,1%. Os internados em UTI hoje são 4.481 pacientes, 4.481 pacientes, e enfermaria 8.073 pacientes. A gente sempre teve, ao longo do tempo, um discreto aumento da enfermaria com relação à UTI, e agora essa distância está aumentando. Isso são pacientes internados, sejam suspeitos ou confirmados. E no sistema de internação do estado, tivemos até agora 28.787 altas hospitalares. Eu gostaria de iniciar passando para o Dr. Carlos Carvalho, que irá nos apresentar a questão, o sistema que nós temos de tele-UTI, que agora passa de mil atendimentos, e ele vai dar todos os detalhes a respeito dessa, que nós chamamos de teleconsultoria. Por favor, Dr. Carlos.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, secretário, boa tarde a todos os nossos colegas aqui presentes. Bom, desde o início, quando das minhas primeiras intervenções aqui, até antes de estar na Coordenadoria, e sempre falando a respeito da terapia intensiva, da gravidade da insuficiência respiratória, da necessidade de leitos de UTI, da necessidade de ventiladores mecânicos para que esses leitos de UTI pudessem ser ativados. E eu sempre comentava que, além de termos a estrutura do leito de UTI, além de termos o ventilador, ou seja, a estrada e o carro, principalmente nós precisaríamos ter os pilotos, que os pilotos só são possíveis se nós tivermos profissionais capacitados para administrar esses equipamentos no ambiente adequado. E uma das vertentes que viemos trabalhando, junto à Secretaria da Saúde e com convênios específicos feitos pelo Incor, junto com a Secretaria da Saúde, foi essa parte de capacitação e de treinamento. Então, esse projeto de tele-UTI, ou seja, a utilização de telemedicina para acompanhar os pacientes graves com problemas respiratórios, ele veio nesse escopo. Então, há cerca de 70 dias atrás, um pouco mais de dois meses, foi implantada a base de assistência em telemedicina no Incor, e começou-se assim implantar essas bases nos hospitais da rede pública, da rede da Secretaria da Saúde. Então, começamos com Mandaqui, Taipas, Vila Nova Cachoeirinha, Vila Penteado, Regional Sul, Ipiranga, o Geral de Osasco, Padre Bento, e na região da Baixada santista, o Guilherme Álvaro. Próximo, por favor. Próximo. Ou seja, na região de São Paulo, que está mais acometida, onde se iniciou os primeiros casos da pandemia e por onde a pandemia vem se espalhando, nós começamos ali em vermelho a UTI nossa do Hospital das Clínicas. Seguinte. A partir daí... Próximo. Foi feito o contato com esses nove hospitais, que estão em acompanhamento nesse esquema conosco. Aí agora nós estamos acrescendo mais cinco hospitais, caminhando, vocês reparem, caminhando para o interior de São Paulo. Então ainda na região da Grande São Paulo, pegando Itapevi, Itaquaquecetuba, Francisco Morato, Pedreira e o Regional de Cotia. Então, esse matriciamento, essa rede, capilarizando a informação, capilarizando os cuidados do paciente grave, é uma situação bastante importante que, desde o início, entendemos como fundamental para atender os pacientes, não só nesse momento Covid, mas para um futuro, para podermos acompanhar. Então, como está ali descrito, são 270 leitos que já estão em atendimento em tele-UTI, vão ser acrescidos mais 153, ainda nessa semana, atingindo 423 leitos, e quando completarmos mais cinco hospitais, vamos pra quase 600 leitos monitorados pela nossa equipe do Incor, da UTI respiratória, ajudando na discussão dos casos respiratórios graves em toda essa região do estado. Seguinte, por favor. Então, pra isso, nós temos, nós desenvolvemos, ao longo do mês de fevereiro e março, um protocolo de atendimento, e esse protocolo gerou esse portal, com essas informações, que vão desde a técnica e um tutorial de lavagem de mãos, de paramentação, de desparamentação, um tutorial para os atendimentos de enfermagem, um tutorial para o atendimento de fisioterapia e, principalmente, para aplicação do protocolo de ventilação mecânica, que foi amplamente discutido com colegas especialistas do Hospital das Clínicas, com colegas, discutimos isso com colegas que estavam na Itália, que estavam na China, que estavam na Espanha, pra montar um protocolo de atendimento, e esse protocolo foi validado no Comitê de Saúde do Centro de Contingência, com o colega da Universidade Federal de São Paulo, com colegas da Unicamp, da USP Ribeirão Preto, do pessoal da Unesp de Botucatu. Então, esse protocolo validado, ele foi colocado nesses dois portais, no portal do Hospital das Clínicas e no portal da Secretaria da Saúde. No portal do Hospital das Clínicas, até segunda-feira, foram 105 mil visualizações desse tutorial, desse protocolo de atendimento. Isso significa que não só os profissionais que estão envolvidos diretamente nesse projeto, mas como esse portal é aberto, colegas de outros hospitais, de outras unidades e mesmo de outros estados estão tendo acesso gratuitamente a esse protocolo de atendimento. A Secretaria da Saúde sofisticou um pouco, ela fez um curso com capacitação, tem uma provinha ao final de cada módulo, e o indivíduo se forma ao final desse curso no atendimento de pacientes com Covid-19. Quinhentos e sessenta e três profissionais já realizaram esse curso, já estão capacitados pela Secretaria da Saúde. No nosso atendimento nesses nove hospitais ampliando agora para mais dez, vamos atender então num futuro próximo, 19 hospitais, nós fazemos três capacitações em EaD: um com a equipe médica, um com a equipe de enfermagem e com a equipe de fisioterapia. Ao final dessa capacitação passamos um questionário que esses profissionais respondem, e 90% das equipes recomendam a manutenção desse tipo de tratamento e 100% referiram que melhoraram a prática assistencial graças a esse tipo de capacitação, a esse tipo de treinamento. Seguinte, por favor. Então, até 30 de março, ou seja, quando iniciamos até agora, dois meses depois, até 8 de junho, já foram realizados 1.065 atendimentos. Então hoje estamos comemorando o número aí de mil atendimentos para esses pacientes. No início nós não procuramos fazer, agora estamos fazendo uma estatística específica desses hospitais. Agora estamos fazendo, mas esse mesmo protocolo está sendo utilizado no Hospital das Clínicas que têm seus 300 leitos de UTI e já mais de 1.200 pacientes estiveram internados nas unidades de terapia intensiva do Instituto Central do Hospital das Clínicas. Baseado nos dados desses 1.200 pacientes nós observamos uma média de permanência de 11,5 dias. Na época que saíram os primeiros recortes da China, da Itália, eles demonstraram que os pacientes ficavam 15 dias, em média, na UTI. Ou seja, para cada leito de internação rodavam dois pacientes por mês. Aumentando essa capacidade, ou seja, diminuindo o tempo médio de internação nós conseguimos aumentar teoricamente em 30% a capacidade de atendimento desses pacientes. Então é uma outra maneira de aumentar efetivamente o número de leitos sem nenhum gasto adicional. Seguinte, por favor. Então, em perspectivas do ponto de vista de treinamento, de capacitação das equipes, nós temos duas outras atividades. Primeiro, é um app que está tanto não Apple quanto está no Android, nesse momento pra eles autorizarem pra entrar, pra serem liberados pra que se possa qualquer profissional de saúde, se registrando, ele vai poder ter acesso a esse protocolo de assistência no seu celular. E com isso nós vamos ampliar mais o número de profissionais que vão ter acesso a esse, a essa forma de tratamento, a esse protocolo de assistência que desenvolvemos. E a outra coisa, estamos trabalhando na capacitação seguinte com a simulação on-line, com a parceria com empresas nesse momento através de uma área do Incor chamado Inava Incor estamos desenvolvendo um ambiente virtual de terapia intensiva onde o indivíduo vai entrar nesse ambiente virtual e vai estar simulado um paciente no ventilador mecânico e ele vai treinar as técnicas de ventilação nesse ambiente virtual. Isso deve estar em funcionamento até o final desse mês. Então essas eram as informações que eu queria passar nesse dia da saúde aqui, José Henrique, então obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE: Queria deixar os cumprimentos da Secretaria e do Governo neste exitoso programa de telemedicina que, neste caso, teleUTI, um programa de teleconsultoria nesse caso com mil e tantos atendimentos, 1.065 atendimentos, com essa quantidade de hospitais e 500 e... 470 leitos que nós já estamos colocados no programa. Isto é um sucesso, isto é um êxito, é inovação dentro da Secretaria e eu gostaria novamente de deixar os cumprimentos aqui ao Dr. Carlos que é o coordenador desse programa, ao Incor e ao HC, obviamente, para Faculdade de Medicina. Dando sequência, eu gostaria de passar a palavra para o Dr. Paulo Menezes que vai nos... que é o coordenador do controle de doenças e membro do Centro de Contingências que vai nos explicar a respeito dos diferentes tipos de testes, como que nós vamos trabalhar isso com esses dois testes. Por favor, Paulo.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DO CONTROLE DE DOENÇAS: Obrigado, secretário. Boa tarde. Eu gostaria de dizer que... das estratégias de testagem que tem sido utilizadas no estado de São Paulo, esclarecer primeiro qual é a principal razão de fazer a testagem, é monitorar a pandemia e ter dados pra que a gente possa fazer o controle da pandemia, principalmente através da redução do contato, do isolamento de casos confirmados do monitoramento dos seus contatantes e assim por diante. Vocês têm visto nas últimas semanas, especialmente de duas semanas para cá um aumento importante no número de casos confirmados. E hoje eu queria explicar um dos principais motivos disso estar ocorrendo que é a incorporação de testes sorológicos na confirmação dos casos que nós contamos diariamente. Nesse gráfico nós podemos ver em azul-escuro aqueles casos que são confirmados pelo teste chamado RT-PCR. E no azul-claro são os casos confirmados através de testes sorológicos principalmente os chamados testes rápidos. Há cerca de, talvez um mês, o Ministério da Saúde disponibilizou para todos os municípios do estado de São Paulo um quantitativo importante de testes sorológicos, testes rápidos de um milhão, no total de um milhão de testes. Nós estamos recebendo mais outro quantitativo do Ministério da Saúde, municípios têm adquirido testes sorológicos, principalmente rápidos e têm feito uso deles nas suas populações, e empresas estão usando testes rápidos. Ou seja, a contribuição dos resultados desses testes no número total de casos tem subido proporcionalmente, tem crescido progressivamente como vocês podem ver nesse gráfico. Hoje, de... esses são os dados que a gente tinha no final da semana, 142 mil casos confirmados, dos quais 120 mil confirmados através de teste PCR e 22,6 mil confirmados através de testes sorológicos, principalmente testes rápidos. Então a gente vê que a contribuição que os testes rápidos num total de casos confirmados ela tem crescido. Próximo, por favor. Muito bem. Por que é que isso é importante? Pelo significado de cada um desses tipos de resultados. O diagnóstico do caso agudo, aquele caso que requer algum nível de atenção e saúde imediata, seja através do isolamento domiciliar com o acompanhamento principalmente pela rede de atenção primária, seja necessitando internação de leitos de enfermaria ou leitos de UTI, o diagnóstico é feito por esse teste chamado RT-PCR. O que é que ele faz? Ele identifica a presença do vírus no organismo da pessoa que está apresentando os sintomas. Ele avalia o material genético, identifica os casos ativos, e, portanto, ele é fundamental tanto para o tratamento como o isolamento desses casos agudos. Os testes sorológicos, e aqui são incluídos os testes rápidos, eles avaliam a presença de anticorpos contra o SARS-COV 2 que é o Coronavírus. Então, ele olha para o que já aconteceu, as pessoas que desenvolveram anticorpos em algum momento elas tiveram o contato com o vírus e desenvolveram então esses anticorpos. Dessa forma o teste rápido informa muito mais sobre o que já aconteceu, sobre a situação de uma população em termos da proporção de pessoas que já tiveram contato com o Coronavírus. Uma parte dessas pessoas teve sintomas, provavelmente sintomas leves, e a outra parte das pessoas pode não ter tido sintomas, e ter desenvolvido os anticorpos. Então esses testes sorológicos são fundamentais para que nós possamos avaliar a progressão da transmissão do vírus na população e em diferentes grupos populacionais, grupos de risco e assim por diante. Essa diferença é fundamental, porque as pessoas acham que o teste rápido vai dizer se elas estão ou não doentes, e ele não vai, ele vai dizer se elas tiveram ou não contato com o vírus e desenvolveram anticorpos contra o vírus. O que também não significa dizer que elas estão imunes, nós ainda estamos aprendendo sobre a imunidade, não se sabe ainda qual é a duração da imunidade a partir de uma infecção pelo Coronavírus. Então aquela ideia de que fazer o teste sorológico, e se ele dá positivo a gente pode sair por aí, é uma ideia equivocada, as pessoas devem manter as mesmas precauções que aquelas pessoas que ainda não tiveram contato com o vírus. Próximo, por favor. Nesse sentido, além de nós, daqui para frente, apresentarmos o número de casos diferenciando casos identificados a partir do teste RTPCR, e casos identificados a partir dos testes sorológicos, nós também fizemos, o secretário publicou uma resolução de nº 80, reforçando a obrigatoriedade da notificação tanto de testes positivos, como testes negativos PCR, e sorológicos. Por que isso é importante? Porque nós estamos subestimando a nossa testagem populacional com os números que a gente tem hoje. Vários laboratórios do setor privado informam, por exemplo, os testes positivos, os casos confirmados, mas a gente não tem a informação de quantas pessoas foram testadas para que a gente tivesse aquele número de casos confirmados. Então quando a gente diz hoje que a nossa capacidade de testagem é baixa, está faltando esse elemento, principalmente da testagem dos negativos, para a gente ter uma avaliação mais próxima do real de quantos nós estamos testando. A resolução ela traz um modelo padrão, para que os laboratórios informem e notifiquem os dados, traz instruções para registros de inquéritos epidemiológicos, isso é muito importante para a gente poder acompanhar a progressão da imunidade nas diferentes poções. Institui penalidades se não houver essa notificação, e coloca ou reforça a obrigatoriedade de notificação por parte dos municípios e laboratórios. Então daqui para frente nós vamos sempre apresentar os nossos dados distinguindo o que foi caso confirmado por PCR, e casos confirmados por sorologia, inclusive porque isso nos permite ter uma ideia muito clara da evolução da pandemia no estado, e também para a organização dos serviços de saúde necessários para a população, já que, por exemplo, quem tem um teste positivo sorológico não requer uma assistência, ele já teve contato com o vírus, já desenvolveu a imunidade, não está entre aqueles que precisam nesse momento de cuidados de saúde. Acho que seria isso, secretário, muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE: Muito obrigado. Acho que são avanços que nós conseguimos estabelecer para que a gente possa cada vez mais conhecer tanto a questão relacionada ao diagnóstico, como falou o doutor Paulo, e principalmente do ponto de vista epidemiológico, entender o comportamento da epidemia não só não no estado, mas como em todo o nosso meio aqui, estado e Brasil. Eu vou pedir agora, por favor, que o médico epidemiologista doutor Jean Gorinchteyn, do Hospital Emílio Ribas, aborde como que ele enxerga, como que ele entende que nós estamos conduzindo a questão da epidemia, e principalmente no seu hospital, no Emílio Ribas, como que ele tem visto a questão principalmente relacionada a leitos de UTI. Por favor.

JEAN GORINCHTEYN, MÉDICO EPIDEMIOLOGISTA: Boa tarde, a todos, senhor secretário estadual da saúde, José Henrique Germann, demais autoridades, amigos jornalistas. Represento aqui o Hospital Emílio Ribas, um instituto que já tem desde 1880 uma tradição no acolhimento e no enfrentamento das epidemias começando desde a varíola, passando pela meningite, AIDS, e também não poderia ser diferente em relação ao Coronavírus. É um hospital que se antecipou a partir de fevereiro de 2020, com todo o apoio do governo do estado de São Paulo, remodelando e reescrevendo a sua assistência, até então voltada exclusivamente à doenças infecciosas especialmente a própria HIV/AIDS, mas que em virtude da existência de uma pandemia, modificou o seu quadro hoje em 88% em assistência ao Coronavírus. Transformando as unidades de enfermaria, temos aproximadamente 76 leitos voltados exclusivamente para os pacientes de COVID-19, e na evolução se quadruplicou o número de vagas em Unidade de Terapia Intensiva, especialmente para o acolhimento desses pacientes graves. A admissão emergencial de mais de 150 funcionários, incluindo aí médicos, paramédicos, assistentes sociais e fisioterapeutas, foi fundamental, a instituição de protocolos de pesquisa, especialmente para drogas e medicamentos, fazendo com que pudesse ser procedida de uma forma muito elegante, muito ética e digna a assistência desses pacientes, evitando colocá-los ainda mais em risco. Assim como os próprios protocolos de assistência que passaram a ter a sua assistência. Lembrando que daqueles pacientes graves que eram internados nas Unidades de Terapia Intensiva, claramente se mostrou um empenho muito grande das equipes, mas mais do que isso, um aprendizado na assistência, reduzindo, como inclusive o doutor Carlos comentou, o tempo de internação hospitalar, o tempo de intubação, e mais muitos dos quais foram recebidos pelos profissionais da fisioterapia, postergando inclusive as próprias intubações, garantindo dessa forma que não precisariam permanecer nas Unidades de Terapia Intensiva. Tivemos alta desses pacientes graves em cerca de 85%, ou seja, pacientes graves e gravíssimos, saíram da UTI, e voltaram para as suas famílias, dessa forma nós atingimos o nosso objetivo que era sim salvar vidas. Em paralelo a própria quarentena nos ajudou, colocou a possibilidade de nós termos a condição de reestruturarmos a nossa unidade, e claramente assim como todo o estado ofertando mais de 6.300 funcionários nas várias áreas, 977 aparelhos respiradores que puderam ser inseridos em todos os aparelhos do estado, duplicando também o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva, passando de 3.600 para 7.200 leitos. Lembrando, a assistência fundamental dos hospitais de campanha, que permitiram nos cinco hospitais de campanhas em todo o estado, sendo dois deles em consórcio com a prefeitura do município de São Paulo, também colaboraram e ajudaram nesse impacto reduzido. Nós do Instituto de Infectologia Emílio Ribas em São Paulo, apoiamos e respeitamos sobremaneira em São Paulo, no sentido de flexibilização de forma lenta, gradual, faseada, respeitando toda a característica de heterogeneidade de estados e municípios, e que claramente merece e precisa ter a responsabilidade e o apoio e a consciência da população, no sentido de seguir aquelas diretrizes de distanciamento social, do uso de máscaras, do uso do álcool gel, e respeitando os planos de flexibilização que são instituídos pelas autoridades, nós não gostaríamos, tanto como profissionais da saúde, seguramente as autoridades e muito mais a própria população, de ter que retroceder no tempo e voltarmos a um regime de quarentena tão duro, com todo o direito de ir e vir, e questões ligadas à própria economia, mas nós temos que cumprir esse papel, como cidadão, e colaborarmos como a própria população veio colaborando até o momento. Antes de encerrar a minha fala, eu gostaria de agradecer todo o apoio que o Hospital Emílio Ribas tem recebido do Governo do Estado de São Paulo, agradecendo nominalmente ao governador João Doria, agradecendo também aos secretário estadual da saúde, José Henrique Germann, mas agradecendo especialmente os nossos 1.600 funcionários, que não mediram esforços, riscos, inclusive alguns deles deram a vida pra poderem atender de forma digna, humana e ética a nossa população. Muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. Jean Gorinchteyn. Suas palavras são a motivação para a continuidade do nosso trabalho neste caminho, entendendo que estamos num caminho certo e que, com certeza, esta epidemia vai passar e voltaremos a vida normal brevemente. Encerrando a área da saúde, eu finalizo dizendo a respeito do fique em casa e, se precisar, use máscara. Gostaria agora dos comentários, por favor, da Patrícia, que é a secretária do desenvolvimento econômico.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE SÃO PAULO: Obrigada, secretário Germann. Queria reforçar que aqui nós temos um trabalho completamente integrado, baseado em dados e evidências, que São Paulo está salvando vidas e honrando o seu compromisso com a saúde de todos e de todas, aqui não há colapso no nosso sistema de saúde, como vocês viram, nenhuma pessoa ficou sem atendimento por conta do coronavírus, e todas as iniciativas, todas as iniciativas são embasadas na saúde e na ciência. Não houve um momento que nós não tivemos completa integração e unicidade de cenários entre os dados que vieram da saúde, os que vieram da economia, e nós precisamos relembrar que até agora isso nos ajudou a poupar 65 mil vidas e poderíamos ter tido 850 mil casos a mais até o final de maio, e até o final de junho, mantendo o fique em casa, o distanciamento social, o respeito à ciência e ao modelo regionalizado, com a fase correta, não é a próxima fase, nós vamos conseguir, no total, até o final de junho, poupar um total de 90 mil vidas e um total de quase um milhão e meio de casos a menos, então, é muito importante que nós entendamos que o Plano São Paulo não é um plano de abertura, é um plano de gestão e convivência com a pandemia, se flexibiliza e se abre onde é possível, e se endurece onde é necessário, baseado em dados, em evidências, e sempre com foco em preservar vidas, sempre com foco em respeitar as pessoas do nosso estado e, pra isso, nós precisamos de dados, vocês viram o salto que nós demos de dados nos últimos dias, na sexta-feira nós publicamos aqui uma resolução da saúde, do censo Covid, que reforça a obrigatoriedade de todos os hospitais, públicos e privados, passarem suas informações de internações, de ocupação de leitos e de leitos Covid disponíveis. Esses dados, conforme o nosso compromisso, foram disponibilizados ontem, antes da meia noite, nós dissemos que até segunda-feira eles estariam disponíveis para todos e estão, e ontem nós também trouxemos aqui a resolução 80 da saúde, que reforça a obrigatoriedade da informação dos testes, o Dr. Paulo trouxe essa informação aqui muito importante pra todos nós, eu não sou médica, tive a oportunidade de trabalhar em tecnologia e em saúde, e fico muito orgulhosa de ver o nosso estado publicando os dados, inclusive, dos casos com a origem, o que é confirmado por PCR, o que é confirmado por sorológico, para as pessoas que estão em casa e não entendem a diferença, é muito importante, o sorológico é o teste que é feito com sangue, o PCR é aquele do cotonete no nariz, pra que a gente saiba, inclusive, cobrar, né, as providências corretas e saber o que tá acontecendo no nosso estado. E o sorológico olha para o passado, ele olha para quem já está ou finalizando o seu processo ali da doença, ou que teve algum contato com o vírus no passado, o teste que nós estamos, o PCR é que mostra se há presença do vírus naquele momento. Então, crescer o casos confirmados por sorológico é o que nós queremos ver, quanto mais esse número crescer, quer dizer que mais gente teve contato e que mais preparados nós estamos pra uma retomada segura, e é por isso que nós estamos fazendo esse esforço com a iniciativa privada também, que foi anunciada aqui, juntos e unidos, e mostrando esses dados de uma forma integrada, nós vamos conseguir chegar a 30 mil testes dia no Estado de São Paulo. Então, agradecer o setor privado pela mobilização, e reforçar a importância para as empresas também, que estão realizando iniciativas, como essa de testagem em massa, que elas também são obrigadas a passar a informação dos testes realizados, que essa é uma informação que toda a população precisa ter acesso. Nós estamos salvando vidas focando na saúde, com muitos dados, e com o papel de cada um de nós, respeitando o que o secretário Germann colocou, o fique em casa. E eu finalizo aqui a minha contribuição hoje relembrando que o nosso isolamento no estado e na capital se mantém nos patamares das últimas semanas, então, a população entendeu o Plano São Paulo, é um plano onde cada um tem que fazer a sua parte, e eu faço um pedido, um convite especial às mulheres novamente, que tiveram um papel tão fundamental até esse momento, na dúvida, a gente lê, é um plano de abertura, não é, é um plano de proteger as pessoas. O vírus continua presente no nosso estado, se a gente pode evitar, evitar o contato, sair somente pro que for necessário, falo como mãe, mas principalmente como filha, meus pais são grupo de risco e é importante que a gente mantenha o nosso esforço nesse momento, pra todos, e o isolamento, no nosso estado ontem, não foi o ideal, na capital foi 48%, no estado 47, mas são os patamares que nós vimos nas últimas semanas. Então, eu agradeço, por um lado, o esforço de todos, e peço pra gente manter esse esforço e lembrar que o delta, a diferença entre quando a gente iniciou a quarentena e o momento que nós estamos agora, em especial na capital, está sendo muito positivo, mais de 20% das pessoas a mais do que o normal continuam ficando em casa. Então, vamos mostrar que São Paulo é unido, que São Paulo entende que a gente pode juntos combater essa pandemia. Muito obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Patrícia Ellen. Eu gostaria de ressaltar a questão da informação, a resolução a respeito do censo, agora censo Covid, traz pra nós um posicionamento a respeito de ocupação de leitos, média de permanência, número de casos, número de óbitos, enfim, todo um panorama do que está acontecendo nos hospitais, tanto os públicos, quanto os privados. Antes de passar, por favor, para o secretário de desenvolvimento regional, queria saudar a presença do Daniel Alonso, prefeito de Marília. Muito obrigado por estar aqui conosco. Por favor, Vinholi, seus comentários.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Bom, muito boa tarde a todos, primeiro aqui a gente vem registrando diariamente os consórcios, as associações de prefeitos, manifestando o apoio ao Plano São Paulo e sua implementação, hoje recebemos aqui a carta do CODEVAR, o Consórcio do Desenvolvimento do Vale do Rio Grande, prefeito Guilherme Ávila de Barretos faz parte do consórcio, com seus 24 municípios seguindo à risca e apoiando o Plano São Paulo. Queria aqui, primeiro, fazer um registro importante, a Patrícia, secretária Patrícia Ellen registrava aqui o isolamento do Estado de São Paulo, mesmo nesse momento de retomada aqui das atividades, em São Paulo, a quarentena segue, e a população, de modo geral, tem mantido os níveis que também registramos antes desse novo momento portanto é fundamental dizer que, mesmo com o aumento da testagem, com esse processo de retomada, São Paulo segue diminuindo a sua participação no número de casos em comparação com o Brasil. Nós éramos 68% no início da pandemia, fomos caindo esse número, 40%, 30%, 25%, e agora atingimos um número inferior a 20,5% dos casos do país. Mesmo com o aumento de testagem e mesmo com esse momento de Retomada Consciente. Portanto, um sucesso da política de isolamento social de São Paulo, o impacto que deu isso, salvando vidas. Registrado isso, também é nossa obrigação registrar aqui os melhores exemplos, os bons exemplos das prefeituras que têm feito a sua parte, em todo o Estado de São Paulo. Então, a secretária Patrícia Ellen trouxe aqui pra nós uma avaliação sobre o dia 07/06, ou seja, 7 de junho, comparando com os índices antes da pandemia nesses municípios. Esses índices demonstram o quanto essas cidades evoluíram no seu isolamento social, portanto o esforço que elas fizeram para poder ter o isolamento adequado e salvar vidas nesse período. Queria registrar aqui a primeira delas, São Paulo, com 26 pontos, registrando a cidade com o maior delta no Estado de São Paulo, um grande esforço da sua população, do seu prefeito. A cidade de Santos, com 24, logo atrás, Santo André, com 23, logo atrás, São Caetano com 23, Campinas com 23, Ribeirão Preto com 22, Santana de Parnaíba, com 22, Osasco com 21, Barueri com 21 e São José dos Campos com 21. Então essas são as dez cidades com maior variação de números de antes da pandemia com o momento atual, no seu isolamento social. Registrar aqui também que muitos outros prefeitos fizeram grande esforço e conseguiram níveis importantes desse isolamento social, e seguem fazendo, para a gente poder registrar as taxas que nós anunciamos aqui hoje. Então, dito isso, falado da questão do isolamento social e o avanço que os prefeitos tiveram ao longo desse período, nós também, aqui em São Paulo, trabalhamos talvez a principal tarefa do estado durante esse período: o preparo da rede pública, para que aqui em São Paulo nenhuma pessoa ficasse sem atendimento. Com isso, hoje nós distribuímos mais 122 respiradores para os municípios do Estado de São Paulo, de forma técnica, onde mais precisa, municípios esses com taxa de ocupação maior do que 80% e, por isso, são impactados com esses respiradores, que vêm para aumentar a capacidade hospitalar de cada um deles. Era isso, muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, secretário Vinholi. São 13h14. Vamos iniciar as perguntas e a primeira delas, presencial, TV Globo, GloboNews, Willian Cury.

REPÓRTER: Boa tarde.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Você hoje é o primeiro?

REPÓRTER: Sou o primeiro.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde.

REPÓRTER: Porque os últimos...

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Serão os primeiros.

REPÓRTER: Serão os primeiros.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Exatamente.

REPÓRTER: Eu queria falar sobre a posição da OMS, informou sobre a questão dos assintomáticos, que eles não teriam uma grande capacidade de transmitir a Covid-19. Eu queria entender melhor o que isso significa, por que eles não têm capacidade, se é algo relacionado ao vírus e por que eles não têm sintomas [ininteligível]. E isso muda em alguma coisa o planejamento do Estado na reabertura, que já está acontecendo em algumas cidades, como a capital paulista? Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pediria ao Paulo Menezes, o Dr. Paulo, por favor, que respondesse essa pergunta.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DA COORDENADORIA DO CONTROLE DE DOENÇAS: O conhecimento--

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Depois, comentários do Dr. Carlos.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DA COORDENADORIA DO CONTROLE DE DOENÇAS: O conhecimento sobre a transmissão do Sars-CoV-2, ele é progressivo. Nós aprendemos a cada dia. A OMS fez esse pronunciamento, essa avaliação, de que assintomáticos não transmitem. Eu entendo que, naquele momento, isso queria dizer que a probabilidade de alguém sem sintomas transmitir o vírus é baixa, talvez muito baixa. Mas eu quero lembrar dois episódios que a gente teve logo no início da pandemia, aqui no Estado de São Paulo e no país. O primeiro caso que nós tivemos foi... Houve uma pessoa que veio do exterior, da Europa, houve um encontro com outras pessoas, e após esse encontro esse indivíduo desenvolveu seus sintomas e procurou assistência médica. Semanas depois, uma, duas semanas depois, pessoas que tinham tido contato com essa pessoa logo após, antes dela estar sintomática, vieram a apresentar Covid-19, sintomas de Covid-19. O outro episódio é aquele do conhecido casamento em Trancoso, na Bahia, onde também pessoas que ainda não apresentavam sintomas transmitiram o vírus para outras pessoas. Então, acho que, em primeiro lugar, a Organização Mundial da Saúde se referia à probabilidade. No entanto, acabei de receber aqui a informação de que hoje eles lançam outra nota dizendo que assintomáticos transmitem, sim, Corona Vírus, e sem teste a quarentena é necessária. Por isso que é tão importante e tem tido um impacto enorme na nossa avaliação o uso de máscaras por toda a população, quando está fora de casa. Porque a máscara protege não o indivíduo que está usando a máscara, ela protege o outro indivíduo. Aqueles que podem estar transmitindo o vírus e não sabem, porque não têm sintomas, eles têm uma redução da transmissão por uso da máscara. O secretário sempre fala: eu, com a minha máscara, te protejo, você, com a sua máscara, me protege. Acho que essa é uma mensagem fundamental. Então, há, sim, transmissão do vírus por assintomáticos. O que nós não sabemos ainda é qual a contribuição dessa... Exatamente qual é a contribuição dessa transmissão para a ocorrência de novos casos. Ela é importante, e o uso de máscaras e o distanciamento social são fundamentais para que a gente evite a transmissão dos vírus, tanto de pessoas assintomáticas como de pessoas em início de sintomas, para outras pessoas da população.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carlos.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Só um comentário rápido que eu queria acrescentar à explicação que o Paulo já passou. Na realidade, primeiro que eu não entendi isso como uma recomendação da Organização Mundial da Saúde. Uma pessoa ligada à Organização Mundial da Saúde comentou um estudo numa conferência. Esse estudo, ele mostra que casos, que pessoas antes de apresentar sintomas, elas podem estar eliminando o vírus, mas talvez numa proporção menor do que se acreditava. E pessoas, mesmo antes, já tendo o contato com o vírus, mesmo estando com exame do vírus negativo, ela também pode estar transmitindo o vírus. Então, a recomendação que deveria valer, que fica claro por esses episódios e outros, que eu tive a oportunidade de acompanhar, famílias que estiveram em churrascos e finais de semana naquele início de março, tendo uma pessoa, que foi o caso índice, vários se contaminaram naquele ambiente. Então, a disseminação talvez seja um pouco menor do que se imaginava, que fosse um vírus altamente agressivo e que se disseminaria muito facilmente. Ele se dissemina facilmente, ele tem a sua agressividade e por isso precisamos tomar esses cuidados. Talvez, nessa festa de casamento em Trancoso, ou nas reuniões familiares, ou nesses churrascos, se estivesse todo mundo de máscara naquela época, talvez não tivessem tido tantos casos quanto ocorreram naquele momento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Carlos, muito obrigado, Will, pela pergunta, e você viu que houve essa mudança. E eu passo agora para a CNN, repórter Marcela Rahal. Por favor, Marcela.

REPÓRTER: Oi, boa tarde.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde.

REPÓRTER: Bom, São Paulo teve hoje número recorde de mortes, 334 nas últimas 24 horas, às terças-feiras esse número costuma ser maior, como vocês sempre falam aqui. De qualquer forma, foi maior do que terça passada, retrasada, e assim por diante. Ontem vocês falaram sobre a possibilidade de a gente estar no platô. Eu queria entender qual é a situação do Estado de São Paulo em relação à evolução da Covid-19. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu vou fazer um comentário antes e dividir a resposta com o Dr. Carlos. Nesse sentido, a questão relacionada a sua primeira afirmação do recorde, você colocou aqui, de fato, né, e nós temos na sexta-feira um número maior de casos devido à notificação. Mas especificamente hoje, mesmo assim nós tivemos um aumento de 3,5% com relação ao que nós estávamos na média. Então nós continuamos na mesma média de crescimento que é de 3%, 3,5% do número de óbitos. Eu diria pra vocês, nós estamos passando por um crescimento de baixa velocidade, vamos dizer assim, é muito duro e difícil falar isso com relação a óbitos, né, principalmente pra nós, mas falando de cenários, falando do nosso trabalho, de tudo o que nós temos feito, é assim que nós temos que estudar, analisar e concluir, e com isso direcionar os nossos trabalhos. Por favor, Dr. Carlos.

CARLOS: Com, com relação a esse número de hoje, me estranhou muito mais o número de ontem ser tão pequeno do que o número de hoje ser 340, 360... desculpa, eu não lembro o detalhe. Mas se nós somarmos o número de ontem com o número de hoje e dividirmos por dois, fazendo uma conta aritmética simples nós vamos ver que no geral a situação persiste mais ou menos a mesma. Então por isso que sempre chamamos atenção, e no Plano São Paulo ficou isso claro, ao invés de olhar momentos isolados, estudos transversais, nós olhamos estudos longitudinais, olhamos uma média ao longo de sete dias, uma média ao longo de sete dias pra podermos ter essas diluições dessas eventuais oscilações por "n" motivos aí. Então eu acho que continuamos olhando esses índice e outros índices na capital de São Paulo e talvez na nossa região metropolitana com uma tendência a estabilização do número de casos que estão precisando ser internados e que estão precisando de [ininteligível]. O número de óbitos, muitas vezes eles refletem infecções que ocorreram dias, semanas atrás, e não necessariamente os eventos agudos atuais.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Carlos. Obrigado ao Marcelo. Vamos seguindo, on-line uma pergunta que será lida pela Gabriela que é da sucursal El País.

GABRIELA, REPÓRTER: Boa tarde. A cidade de São Paulo está preparada do ponto de vista da saúde para reabrir o comércio em geral já nessa semana?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós, aqui pelo nosso... nossa metodologia a gente não divide muito dessa forma departamentalizada, saúde e economia. Tanto que pra responder essa pergunta eu vou pedir primeiro pra Patricia Ellen dar a resposta e eu complemento na área da saúde aqui com o Dr. Carlos. Por favor.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, secretário Germann. Bom, a cidade de São Paulo pra gente foi um exemplo positivo nessa gestão da pandemia porque pelo estado ela entrou na fase laranja e escolheu ter duas semanas pra fazer essa transição e a pactuação dos protocolos com os setores. Além disso, está sendo feito um trabalho com o prefeito Bruno Covas de planejamento dos horários de funcionamento pra que se diminua o fluxo, se evite grandes congestionamentos e fluxo de pessoas em horários de pico. E todo o trabalho que está sendo feito é pra uma retomada gradual das atividades, mas entrando pra fase laranja é uma fase de controle. A retomada ela prevê primeiro evitar consumo local, por isso que são setores que envolvem, permitem que seja uma atividade de minimizar o contato, né, então são escritórios, concessionárias, atividades imobiliárias, comércio. Então esse olhar mesmo de... a saída para o estritamente necessário, e o isolamento social ainda é a principal recomendação pra população. Então dentro desses critérios a cidade São Paulo está preparada para a fase que está. Agora seguiremos monitorando internações, casos óbitos, também o isolamento social como meio, né, pra influenciar diretamente isso e ocupação de leitos. E aí a saúde pode trazer um pouco desse panorama, o secretário Edson Aparecido participa aqui nas nossas coletivas também, o Bruno Covas, eles têm passado as informações, mas há um controle bastante grande dos indicadores de saúde que pode ser complementado aqui pela saúde. Eu só queria reforçar que outros municípios estão seguindo um caminho parecido que é de entender e respeitar a fase em que estão e tomar ainda um passo além de cuidado e de pactuação dos protocolos setoriais. As medidas de distanciamento e uso de máscaras são fundamentais, protocolos de testagem, de como lidar com seus funcionários em caso de sintomas e todo o trabalho que está sendo feito também com medidas de higiene e o percentual do fluxo e horário que é permitido. Então isso é fundamental pra que essa retomada bem-sucedida porque em municípios que isso não acontecer a gente eventualmente vai precisar retroceder nas fases, e temos os mecanismos pra que isso aconteça. Muito obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carlos, por favor.

CARLOS: Esses dados, pelo menos naqueles cinco pilares que definem o posicionamento dos municípios, e o município de São Paulo ele até é dividido em regiões, esses dados têm sido analisados diariamente e a consolidação semanal vai apontando pra nós do Centro de Contingência a situação que está. E temos esse olhar diário, temos essa visão ao longo da semana de como os municípios estão se comportando. Como a secretária Patrícia falou, do ponto de vista de adesão dos municípios está muito boa, muito boa. Nós temos ainda um número muito grande, mais de 90%, 95% dos municípios estão numa fase ainda de ficar com um grau maior de isolamento, mas vamos analisando pra ver a progressão. O município de São Paulo é um dos municípios que tem mostrado resultados favoráveis, principalmente, principalmente pelo grande apoio que a população que está entendendo o Plano de São Paulo tem dado nesse momento, ficando no isolamento como os dados que a secretária Patrícia demonstrou ainda na cidade.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Carlos. Obrigado, repórter [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Complementar. Bom, trazendo alguns números aqui de São Paulo, né, números de hoje que demonstra um pouquinho dessa capacidade de São Paulo, hospitalar o que tange ao combate ao Covid-19. Nós estamos aí com um número hoje da capital de São Paulo de 30,7 leitos por cem mil habitantes, é o maior do estado de São Paulo, muito superior aos outros, né? Nós temos também uma taxa de ocupação de leitos próximo aí de 70% que indica o preparo de São Paulo para o momento que vem passando de retomada consciente das atividades.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Muito obrigado. Agora, da TV Gazeta, Marcelo Baseggio. Por favor, Marcelo.

MARCELO BASEGGIO, REPÓRTER: Boa tarde a todos. O ministro interino da saúde, general Eduardo Pazuello externou a vontade de [ininteligível] aqueles óbitos dizendo que muitos dos óbitos que são registrados hoje em dia correspondem a pacientes que acabaram falecendo ao Coronavírus. Por isso seria importante contabilizar a morte desses pacientes específico no dia exato que ele morreu. O que é que vocês acham da declaração do ministro? Vocês concordam, discordam? E depois queria perguntar para os senhores em relação à suposta imunidade após o contágio pelo Coronavírus. A iniciativa privada está fazendo testagem aos seus funcionários, inclusive um grande banco aqui de São Paulo está testando seus funcionários, os funcionários que testarem positivo pros exames sorológicos estão liberados pra voltarem a trabalhar nos escritórios. Como o Dr. Paulo falou que a imunidade não é garantida, esses funcionários, mesmo testando positivo não correriam risco de quem sabe serem contaminados de novo? Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu gostaria de dividir com o Dr. Paulo Menezes, depois o doutor [ininteligível], mas eu queria também deixar aqui uma informação, que a partir de hoje nós já temos, no site do CONAS, as informações que os estados mandam simultaneamente para o CONAS e para o Ministério da Saúde, então, agora, teremos dados que podem ser contrapostos, vamos dizer, porque são os mesmos, e em horários que sejam mais adequados pra divulgação junto à imprensa e à população de um modo geral. Dr. Paulo.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Obrigado. Primeiro, em relação aos óbitos, essa sistemática de contar os óbitos confirmados no dia é uma sistemática que tem sido utilizada no mundo inteiro, quando a gente acompanha os placares, como os dos óbitos, que contam os óbitos, é assim que se faz, o óbito é confirmado na medida da sua... O óbito é contado na medida da sua confirmação. E, aqui no Estado de São Paulo, nós fazemos isso, mas o [ininteligível] tem razão de que para análise epidemiológica, nós temos que usar tanto data de início de sintomas, como data da ocorrência do óbito, e isso nós também fazemos, pra poder analisar a evolução da pandemia nas diferentes regiões aqui do Estado de São Paulo. Então, as duas formas de trabalhar a informação são importantes do ponto de vista epidemiológico. Em relação a imunidade, eu acho que primeiro eu queria dizer que as empresas, elas, nós entendemos que é excelente a contribuição das empresas no processo de vigilância e testagem, porque nessa testagem, na medida em que se encontra pessoas com sintomas, por exemplo, é preciso tomar medidas de isolamento e de atenção à saúde. Então, nós esperamos que as empresas façam não só testes rápidos, mas também, talvez até principalmente testes de diagnóstico, testes PCR. E eu vou deixar aqui pro meu colega, o Jean, pra falar sobre a questão da imunidade, do passaporte da imunidade ou não.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só pra conhecimento de vocês, o teste PCR está sendo descontado em folha [ininteligível]. PCR está sendo descontado...

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Marcelo, essa colocação é muito bem feita, porque nós temos por prática a realização das sorologias, mesmo pra aqueles pacientes que documentalmente tiveram inclusive o PCR positivo, sintomas clássicos, como febre, dor de garganta, perda do paladar, olfato, e que, por várias vezes, acabam fazendo sorologia seriadas e acompanhadas, e essa titulação, que é a quantidade de anticorpos, o IGG que daria essa projeção ainda tá baixo, ou seja, nós não temos a garantia de que esses indivíduos com essa taxa de IGG positivo, porém com anticorpos ainda baixo, seriam passíveis de protege-lo de uma nova infecção, nós tivemos, inclusive, no Pará, um profissional médico, da linha de frente do Covid, que teve uma testagem com IGG positivo e, mesmo assim, voltou tomando todos os cuidados e acabou se reinfectando, fazendo um quadro clínico bastante exuberante. Portanto, nós não temos essa informação ainda, é um vírus absolutamente novo, nós temos que ter uma taxa de anticorpos neutralizantes alta, pra que ele possa proteger e, mais do que isso, o tempo em que ele vai se manter ainda presente, é que vai garantir se ele vai ter uma imunidade provada ou até mesmo duradoura.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor [ininteligível]. A respeito da publicação de ontem e se repete hoje no nosso site, com relação a esta matéria, eu diria pra Patrícia dar seus esclarecimentos, por favor.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Esse tema de como usar a testagem nas empresas, foi um tema de grandes dúvidas, e por isso que nós estamos trabalhando agora no selo de testagem, pra dar a transparência pros bons exemplos, as empresas que estão fazendo da forma correta e seguindo os protocolos, esse trabalho final de selo de testagem está sendo elaborado pra que a gente possa iniciar no máximo até o final da semana que vem. Com isso, a gente tem, portanto, os protocolos de testagem disponíveis no site do Plano São Paulo: saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/planosp, ali dentro tem uma aba completa só de protocolos, e tem os protocolos de testagem, pra evitar esse tipo de mau entendido, pra que as empresas saibam quando fazer o PCR, quando fazer o sorológico, e que tipo de situação, e essa resolução que foi emitida ontem, é importante que ela não vale somente pras empresas de diagnóstico, vale pras empresas e pros municípios também, por isso que ela vai ser reeditada e publicada hoje, pra esclarecer essa dúvida, e também o histórico de testes já realizados precisa ser reportado pra secretaria, pra vigilância epidemiológica. Nós estamos fazendo isso com muito diálogo com as empresas, exatamente trazendo as principais dúvidas, e os protocolos esclarecem muitas delas, o protocolo padrão não é exatamente esse que foi descrito, tá, então é importante que a empresa que você mencionou, se pudesse sugerir que eles consultem o protocolo, seria muito importante. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marcelo. Passando pro próximo, Rede TV, com repórter Murilo Rincón. Muito obrigado, Murilo, boa tarde.

MURILO RINCÓN, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde a todos. Olha, a minha pergunta vai em relação ao Plano São Paulo, né, essa semana vai completar aí sete dias que vocês vêm acompanhando desde lá do início dessa implementação do Plano São Paulo, e eu queria saber se na região metropolitana há chances de cidades avançarem de fase ou também do estado, algumas cidades que estão em outras fases, elas voltarem pra uma fase anterior. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Murilo. Por favor, Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sim, a resposta é sim, há chances de cidades melhorarem e há chances de cidades piorem, e os dados fecham hoje, terça-feira, no final do dia, e amanhã a gente vai ter a resposta. De qualquer forma, a pedido de vocês, nós estamos publicando com total transparência todos os indicadores que estão sendo utilizados, e a gente fez um esforço [ininteligível] aí também de regionalização pra facilitar o acesso a essas informações.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Algum comentário, Vinholi? Ok, obrigado. Muito obrigado pela sua pergunta. Agora da Jovem Pan, repórter Nicole [ininteligível], por favor, boa tarde.

NICOLE, REPÓRTER: Boa tarde a todos. A minha pergunta vai diretamente ao Dr. Carlos [ininteligível] do tempo de internação, do tempo de UTI e eu não entendi muito bem, você pode explicar um pouco mais? Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor, Dr. Carlos. Esta é uma grande explicação, porque é muito importante isso.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado aí pela oportunidade de explicar melhor. Bom, um dos indicadores, é uma série de indicadores que você avalia pra estudar se um determinado tratamento, se uma determinada condição está sendo útil ou não pra uma determinada, pra controle de uma determinada doença. E pro gestor, uma das coisas importantes é o tempo médio de internação num determinado leito, então, quando, no início, lá pra março, estávamos reunidos com a Secretaria da Saúde, toda a contabilidade de número de leitos necessários pra uma expectativa de pandemia chegando em São Paulo, foi feito com uma média de dois pacientes por leito por mês, porque fora do Brasil, em média, esses pacientes ficavam internados 15 dias, 15 dias, então, eu conseguiria colocar naquele leito dois pacientes. Então, quando se fazia as previsões, a equipe da epidemiologia fazia as previsões do número de casos que poderia ter na cidade de São Paulo, se fazia uma previsão de número de leitos de UTI que seriam necessários pra acomodar essa população doente. Com o desenvolvimento desses protocolos e desses atendimentos, baseado nos dados do Hospital das Clínicas, que já internou mais de 1.200 pacientes em UTI, olhando os dados dessa população extrapolando pra essa outra população nossa que está seguindo o mesmo protocolo do HC, nós vimos que no HC conseguiu se diminuir esse tempo de internação de 15 dias pra 11 dias e meio, ou seja, você, entre aspas, ganhou 30% a mais de leitos, sem precisar investir em novos médicos, em novos enfermeiros, em novos fisioterapeutas, em novos equipamentos, em novas camas. Então isso é muito útil pro gestor, pra ele fazer o seu acerto. Ficou claro?

REPÓRTER: [ininteligível] seria por meio da capacitação desses profissionais? Por meio desses protocolos de capacitação?

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Isso. E aí a utilização do protocolo de atendimento, que foi um pouco diferente do protocolo que estava sendo aplicado no Hemisfério Norte. Algum, como foi comentado aqui pelo Jean, por todos nós, como é uma doença nova, se aplicavam determinados protocolos de atendimento no ambiente da UTI, e algumas coisas deram erradas, e essas coisas, nós já tivemos a oportunidade de ajustar no nosso protocolo aqui. Então, tudo isso acabou contribuindo para esse indicador ser altamente positivo, uma redução em mais de três dias de internação, você imagina o custo e um doente numa UTI, então isso é altamente favorável.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Isto é uma medida de eficiência, por isso que é tão importante, aumento de qualidade com diminuição de custo. Então, indicadores de eficiência são extremamente importantes para o gestor e para as instituições. Por isso, essa diminuição de 30% no tempo de permanência reflete na melhoria e no aumento do número de casos que são atendidos. Muito obrigado pela sua pergunta. Nosso último repórter, do SBT, Fábio Diamante. Por favor, Fábio, boa tarde.

REPÓRTER: Boa tarde, secretário, boa tarde a todos. Eu queria fazer uma pergunta: São Paulo hoje anuncia abertura parcial do comércio, a partir de amanhã. Um estudo que está publicado nas plataformas do Covid, a USP e da Unifesp, que fala exatamente desse momento e diz o seguinte: "O Plano São Paulo, ele é precipitado. Ele prioriza a taxa de ocupação dos leitos de UTI e não a velocidade de transmissão da doença. No entendimento dos cientistas, quando o Plano São Paulo utiliza essa taxa, ele privilegia o comércio e não a saúde da população". Isso era entre aspas. Eles questionam que provavelmente a taxa de isolamento social vai cair, mais gente vai pra rua e que São Paulo pode perder o que ganhou, que, em cerca de 10 dias, os casos podem aumentar 150%, ainda que as UTIs suportem esse movimento. Queria saber qual a avaliação que os senhores fazem. E queria fazer uma pergunta para o Dr. Jean. Doutor, com base na experiência dos senhores, já é possível falar das sequelas da Covid-19, especialmente nos pacientes que ficaram em estado mais grave? Eu imagino que eles vão passar por um acompanhamento. Já está um pouco definido quais são essas sequelas? Muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Primeira pergunta, Patrícia Ellen e Dr. Carlos, por favor, com comentários talvez do Dr. Paulo. E a segunda pergunta, por favor, depois o Dr. Gorinchteyn. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: O Plano é baseado em evidência e em dados, e práticas internacionais. Nós acompanhamos taxas de transição e o equivalente ao RT, é o termo técnico, e a gente está fazendo acompanhamento de RTs regionalizados. E todas as traduções que foram feitas, nos principais países e estados, nos Estados Unidos também, que a gente usa como referência, traduzem exatamente [ininteligível] indicadores claros e transparentes pra população e para os líderes regionais. E pra isso, variação no número de casos, internações e óbitos são exatamente a forma utilizada. Além disso, tem a parte da ocupação de leitos e tem indicadores de testagem, que a gente colocou como pré-requisitos, estamos estudando inclusive a partir desse número de testagem, que está crescendo, incluir como um indicador claro também no Plano São Paulo. Agora, um ponto importante sobre isso, é importante a gente olhar os números. O secretário Vinholi compartilhou a ocupação de leitos no município de São Paulo. Se a gente falar pelo lado da evolução da pandemia, o número absoluto de casos dessa última semana versus a semana anterior está reduzindo, internações estão estabilizadas, com uma pequena queda também, e óbitos também caíram relativamente ao total da semana anterior. Então, os dados nos mostram que São Paulo está num momento diferente. Agora, se por algum motivo, seja por descumprimento de quarentena, por uma retomada mais acelerada, e os indicadores vierem a piorar, o prefeito já declarou aqui que está 100% comprometido a retroceder, assim como o governador. O que a gente precisa entender, como cidadãos, é que esse é um plano dinâmico e que a gente vai ter que aprender a olhar os dados diariamente, e estarmos preparados pra essa intermitência que aconteceu no mundo inteiro. Esse é um trabalho coletivo e o nosso compromisso é sempre trazer pra vocês aqui, de forma transparente, os dados e as medidas cabíveis para a realidade daquele momento. Muito obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Gorinchteyn. Ah, for favor, Dr. Carlos, comentar--

JEAND GORINCHTEYN, EPIDEMIOLOGISTA: Diamante, a sua pergunta, ela é interessante, que é exatamente o fato de você ver que, nos casos leves a moderados, não existe qualquer tipo de sequela aparente. Mesmo aquelas alterações no paladar e olfato, ao longo das semanas tendem a serem recuperadas, na grande maioria dos casos. O que nós temos uma preocupação maior são os pacientes muito mais graves. Paciente grave e paciente crítico, ele tem uma série de inflamações, de respostas inflamatórias, que mexem tanto com o rim, tanto com o pulmão, tanto com o cérebro, enfim, ele passa a ter algumas alterações, de um paciente que nós chamamos paciente crítico, muito semelhante ao que acontece naquelas infecções graves, como a [ininteligível]. Mas um grau a mais, principalmente relacionado às tromboses, as tromboses, os microtrombos dentro do pulmão, sejam no próprio rim. Então, o que nós temos observado é que as pessoas, mesmo os pacientes sépticos, por exemplo, eles têm uma melhora lenta e gradual. Alguns se restituem de forma íntegra, que a gente chama [ininteligível]. Alguns, talvez, fiquem sim com sequelas. Nós estamos escrevendo a nossa história do Brasil, nós estamos acompanhando agora esses pacientes graves e gravíssimos que saíram das nossas unidades. Eu acho que essa resposta, nós teremos nos próximos meses, e aí sim a gente saberá de quantos que saíram da UTI felizmente vivos, mas quantos ainda ficaram com sequela em vários desses órgãos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dr. Carlos, por favor. Paulo, por favor.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DA COORDENADORIA DO CONTROLE DE DOENÇAS: Eu queria complementar, em relação ao Plano São Paulo, de que a posição do Observatório Covid-19, ela é o que nós queremos na academia, na universidade, na produção da ciência. Alguns dos membros do Observatório são nossos colegas, meus, do professor Carlos, da Universidade de São Paulo, outros são de outras universidades. Eu acho absolutamente necessário que haja esse debate construtivo na sociedade. Agora, eu quero defender que os nossos indicadores, eles não colocam o relaxamento ou a retomada de algumas atividades quando nós temos evidências claras de que a pandemia está crescendo. Como é que nós avaliamos isso? O principal indicador nesse sentido é o número de pacientes internados por dia, que, de fato, representa o que está acontecendo em termos de necessidade de leitos. É o que tem maior peso no indicador de evolução da pandemia. Óbitos, também nós colocamos como um indicador muito importante. E o número de casos, ele pode estar subindo principalmente por aquilo que eu mostrei hoje, que é o aumento da testagem dos casos leves e da testagem sorológica.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carlos.

CARLOS CARVALHO, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu só vou fazer um curto comentário, com relação às sequelas. Assim como o Jean falou, nós estamos conhecendo. Mesmo se você pegar os primeiros casos na China, agora eles estão chegando a três meses de evolução, dois meses de evolução. E os daqui de São Paulo estão também nesse período. Então, não dá pra saber que tipo de sequela vai ficar ou se vai ficar sequela, tanto que, na nossa linha de cuidados, que vem desde o doente que foi validado no Comitê de Saúde do Centro de Contingência, desde o doente em casa, até ele passar pela hospitalização, período de UTI, ele tem um acompanhamento pós-alta do hospital, de pelo menos um ano. Então, temos uma plataforma que vai acompanhar esses pacientes por pelo menos um ano, para podermos saber se o rim se recuperou, se aquele pulmão que tem alguns achados, que nós temos visto numa biópsia e em alguns dados de necrópsia, muito tecido colagênico, que é um tecido de cicatrização, que indicaria uma fibrose de pulmão, se isso vai se instalar como doença ou se isso vai ser totalmente reversível.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Carlos, obrigado a todos. Muito obrigado, Fábio, pela sua pergunta. E são 13h51. Relembrando a vocês que fique em casa, salve-se em casa e, se precisar sair, a sua máscara me protege e a minha máscara protege você. Muito obrigado, amanhã nova coletiva com o governador João Doria.