Coletiva-Apresentação do Projeto do Complexo do Agasalho-20122103

De Infogov São Paulo
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Transcrição da coletiva da Apresentação do Projeto do Complexo do Agasalho

Local: Capital - Data: 21/03/2012

GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, destacar a importância do Complexo Cultural da Luz. Vai ser o maior complexo cultural da América Latina, importante pra revitalizar toda esta região aqui do centro expandido, aqui da região da Luz. Importante sobre o ponto de vista de geração de emprego consolidando São Paulo uma capital mundial na área cultural. Importante sobre o ponto de vista da cultura. Nós teremos aqui sala de teatro, de espetáculos com mais de 1,7 mil lugares, a Escola de Música, o Centro de Dança, espetáculos de teatro, enfim, um grande complexo cultural. E revitalizando o centro aqui de São Paulo, a região da chamada Luz. O cronograma, nós teremos agora no mês de junho a audiência pública, já antecipadamente, em abril já vamos licitar a gerenciadora para poder fazer todo o acompanhamento de edital, do processo licitatório, e esperamos abrir a licitação no fim do ano. O projeto executivo ainda vai ser detalhado. E iniciar as obras no início do ano que vem. São quatro anos de obra, mas nós poderemos antecipar uma parte da obra. Quer dizer, não precisa esperar terminar tudo pra poder entrar em operação. O projeto, a sua revisão, foi importante porque tinha 100 mil m² de área construída, reduziu para 70 mil e ganhamos três hectares de área verde. O projeto não tem frente e fundo, ele tem quatro frentes, e todas as frentes dão para áreas verdes, bem integrado, aqui a região. E também uma redução de custos importante. Então, eu diria que a região aqui da Luz, Complexo Cultural da Luz, Sala São Paulo, Pinacoteca, Estação Pinacoteca, Escola de Música Tom Jobim, Museu de Arte Sacra, Museu da Língua Portuguesa. Então um dos grandes polos culturais do país.


REPÓRTER: Governador, hoje mais cedo a gente veio aqui e fez vários flagrantes de usuários de crack a 100 metros do posto policial aqui da Luz. O que falta pra vencer a guerra contra o crack e qual que é o papel desse projeto no combate?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, a polícia não pode prender as pessoas porque estão na rua. Não pode. A lei não permite prender pessoas porque moram na rua. O que tá sendo feito? Um trabalho permanente de convencimento das pessoas para o seu tratamento. Nós tivemos até agora, 370 dependentes químicos internados. Nenhum compulsório, todos, todos de forma voluntária, 2.983 encaminhados para unidades de saúde. O Cratod, a partir agora de março, passou a funcionar 24 horas, os sete dias por semana. Aliás, depois que ele passou a funcionar 24 horas, aumentou mais de 50% a procura. E o Cratdo, que é o Centro de Referência para Tratamento de Alcoolismo, Tabagismo e Outras Drogas, ele tem também leitos de observação. Então além do tratamento ambulatorial, você tem também internação mais rápida e estamos ampliando os hospitais de retaguarda. Embora o SUS não pague absolutamente nada. Quer dizer, um hospital psiquiátrico, uma clínica terapêutica, o governo federal não dá um centavo, porque eles têm uma postura contrária à questão da internação. E nós temos casos... Pegar o caso de maior sucesso, que é do Frei Hanz, em Guaratinguetá, Fazenda Nova Esperança, é um ano de internação. Os pacientes ficam 12 meses na Fazenda Nova Esperança. Então não é um trabalho simples. Então, de um lado a saúde pública, oferecer internação, nós não temos falta de vaga, e estamos ampliando bastante os leitos pra área de saúde mental e tratamento de dependência química, tratamento ambulatorial com equipes multiprofissionais, abrigamento através da parte social, trabalho com as famílias, e polícia, no sentido de combater o tráfico, que é crime. Então, uma tarefa permanente de combate ao tráfico de droga.


REPÓRTER: Os usuários de crack que antes estavam aqui na região e que naquela operação foram, enfim, afastados daqui, eles estão ali na Barão de Limeira, eles estão na Rua dos Gusmões, o senhor já tem conhecimento disso? O que pode ser feito? O que vocês pensam em fazer?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Nós tínhamos concentrados na Rua Helvécia, Rua Dino Bueno, que, aliás, estavam aqui na Exposição do Arquiteto, tinham mais de mil pessoas, mais de mil dependentes químicos. À noite ninguém passava, as ruas estavam até impedidas, não passava mais ônibus, não tinha acesso. O que foi feito? Foi feito um trabalho de internação. São 370 pessoas já internadas, criamos inclusive, um trabalho no Lacan, em São Bernardo, para mamães grávidas dependentes químicas. Então nós vamos ter 11 leitos só para grávida, que medicamento tem interferência com o feto. Então um tratamento especializado para mães grávidas dependentes químicas; públicas e, além da internação, tratamento ambulatorial. Agora, isso é óbvio que você... A redução foi muito grande, você tem 50, tem 80, tem 70 espalhados e é um trabalho permanente agora um a um, um a um, de você fazer um convencimento. Eu fui um dia desses, de madrugada, no Catrod e a médica, a psiquiatra me relatou e falou: “Olha, vieram dois aqui. Eu conversei, conversei, conversei e ficaram de voltar amanhã. Vamos torcer para que eles concordem com o tratamento”. Então, esse é um problema mundial, hoje. O fato é que você tinha tudo em um local só e, então, quem queria vender droga era vir aqui para esse Cracolândia; quem queria comprar droga era vir para cá. Nós prendemos 48 fugitivos, foram recapturados, fugitivos de penitenciária. Você tinha um local que não incomodava os outros, mas tinha um local aqui concentrado. Os criminosos foram presos, nós tivemos uma ação policial importante aqui na Operação Centro Legal, uma ação de saúde pública, uma ação social. O trabalho não termina, isso é longo, isso não vai terminar: “Olha, um dia vai acabar”. Deus queira. Mas o que houve é que reduziu muito, reduziu muito, de 1.000, hoje pode ter 100, 150 e não há mais, também, aquela concentração. O trabalho, o Lacan, em São Bernardo, são oito leitos só para grávidas, para mulheres grávidas. Então, um trabalho grande, importante, sério e perseverar, não desanimar, perseverar, continuar o trabalho. Eu sempre disse: “Olha, isso é um trabalho que não tem data para acabar. Isso é um trabalho que você tem que fazer permanentemente”. Agora, para revitalizar a região, as pessoas precisam voltar a morar aqui. Não adianta só fazer equipamento público, as pessoas precisam voltar a morar no centro, para poder ter vida 24 horas. Então, nós vamos desenvolver um grande programa habitacional, através de parceria público-privada, aqui também na região, no sentido de trazer as pessoas para a moradia. E vai ter muito emprego aqui, não é? Porque o setor terciário, que é serviços, cultura, educação, vai agora, no meio do ano, muda para cá a sede do Centro Paula Souza. São mais de 1.000 funcionários, fora os alunos. Nós vamos ter Etec toda voltada à área de gastronomia, hotéis, bares, restaurantes e eventos, ou seja, toda a área de recepção.


REPÓRTER: O senhor já se manifestou sobre a questão da bebida alcoólica em estádios, mas aparentemente agora pela [ininteligível] que se mostra aí na frente, a Lei Geral da Copa vai passar, e essa responsabilidade será dos estados que tem cidades como sedes da Copa. Como vai funcionar em São Paulo, governador?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, primeiro nós vamos aguardar a decisão do Congresso Nacional. Segundo, a mim me parece uma omissão da área federal. Porque parece claro que as 12 cidades devem ter um trabalho homogêneo, essa é uma questão que deve ser vista de maneira harmoniosa, homogênea, entre todos os municípios e os estados que vão sediar os jogos da Copa. Então me parece uma omissão da área federal. E se isso realmente ocorrer, eu vou trabalha, inclusive, junto aos demais governadores pra que a gente tenha uma posição só. Pra não ficar, cada um faz de um jeito. E é óbvio que se deve ter uma posição, ou não permite em lugar nenhum ou permite em todos.


REPÓRTER: Qual é a sua posição, governador?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Como?


REPÓRTER: Qual que é a sua posição?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Nós vamos aguardar primeiro a votação da lei. Depois vamos ouvir os demais governadores.


REPÓRTER: Agora, o governo tem, por exemplo, em andamento, uma campanha ampla de combate a venda de bebidas alcoólicas para menores, por exemplo, como é que faz, liberar em estádio?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Não. Não há hipótese. Venda de bebida alcoólica ou consumo, não é nem venda, é venda e consumo de bebida alcoólica por menor de 18 anos é proibido em todo território paulista. Isso não tem nenhuma mudança. O que tá se discutindo aí não é para menor de 18 anos.


REPÓRTER: Sim, mas independente disso...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: É para maior de 18 anos.


REPÓRTER: Sim. Mas tem uma lei estadual que, na verdade, veda a venda de bebidas alcoólicas em 200 metros próximos das arenas esportivas, como é que o senhor vai fazer com isso?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Você tem vários estados que tem leis, ou estaduais ou municipais, que proíbem. E outros estados que não. Por isso que eu coloquei que deveria ter uma legislação federal, Copa do Mundo não vai ter só em um local, são 12 cidades que vão sediar os jogos da Copa, e que nós deveríamos ter uma legislação para todos. Uma legislação uniforme e harmoniosa. Se o governo federal, a área federal, se omitir, os estados vão decidir. E eu vou trabalhar junto aos demais governadores para que a gente tenha uma posição única.


REPÓRTER: Governador, voltando aqui, a sede do estado vai mudar para os Campos Elíseos?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Não. Imagina. Campos Elíseos é pequenininha. Não tem a menor condição. Ali a ideia é também a questão cultural. Você ter ali o Museu da Casa Paulista. Agora, o que é importante? A região com grande polo cultural e muito verde, muito verde.


REPÓRTER: Governador, só voltando àquela questão dos usuários, o senhor falou dos vários pontos de atendimento, da importância do atendimento, a gente sabe que o Complexo Prates é de responsabilidade do município, porém, o município deixou de lado. A gente falou com a secretaria de Assistência Social e não há previsão de quando as obras lá vão ser concluídas. A nossa produção conversou com eles ontem, porque a gente está fazendo um especial sobre esse assunto. Não é importante que o município trabalhe em parceria com o estado para resolver essa questão?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Não, o município está trabalhando. Tanto é que a parte de abrigamento, nós não temos abrigos. Nós até oferecemos aos municípios, nós compramos abrigamento, vagas fora de São Paulo e oferecemos para o município, mas o município tem atuado. Então, a prefeitura tem atuado na questão do abrigamento, na questão, também, dos Caps, que são os ambulatórios na área de saúde mental, nós, através do Catrod e através da retaguarda hospital. O que acontece? Há um preconceito em relação à saúde mental. Então, saúde mental é doença, dependência química é doença, como é apendicite, como é tuberculose, é doença e precisa ser tratada.


REPÓRTER: Mas sobre o complexo, o senhor tem conhecimento de que está parado?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Ah, isso é da prefeitura. A informação que eu tenho é que vai ser inaugurado proximamente, mas eu não tenho a data, está bom?


REPÓRTER: Governador, qual a expectativa de criação de empregos diretos e indiretos para esse projeto?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, você tem o... Cadê o André?


ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tem mais de 200, mais de 200.


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Ah, não, tem mais.


ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não tenho ainda o número exato, mas bem mais de 200. Além dos que já existem hoje, que são transferidos para lá, como a Escola de Musica, própria Companhia de Dança, enfim, novos empregos são mais de 200.


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Na realidade, o setor que mais gera emprego é o setor terciário da atividade econômica, que é serviços, não é? Agricultura mecaniza, a indústria robotiza, é serviços: jornalismo, saúde, cultura, educação, turismo. E por isso, a Etec aqui que nós vamos inaugurar agora, no meio ano, a Etec aqui da Nova Luz, ela é toda voltada à área de gastronomia, cozinha, bar, restaurante, voltada à hotelaria, eventos, ela é toda voltada ao turismo receptivo.


REPÓRTER: Governador, ontem, o senhor anunciou, em primeira mão, a licença ambiental para a construção do monotrilho. Só que a secretaria do Verde e do Meio Ambiente diz que essa licença não foi autorizada. Como é que é esse embate de informações? O senhor vai se reunir com eles?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Olha, a licença prévia saiu em junho do ano passado. Acho que o Brasil é o único lugar do mundo que para você ter que começar uma obra não basta a licença prévia. Aí estamos esperando há nove meses, talvez, para a gestação ser completa, para se ter a licença de instalação. Tudo parado, obra contratada, canteiro pronto e não conseguimos começar. Licença prévia dada em junho. Nove meses depois não sai a licença na instalação para fazer um trecho da obra. O que nós queremos fazer não tem nenhum conflito. É do aeroporto de Congonhas até a estação da Marginal do Rio Pinheiros. Nenhum problema. Não estamos nem pedindo a licença pra fazer o trecho para o metrô de Jabaquara e nem...


REPÓRTER:: Talvez seja porque vai passar em cima do córrego ali da Espraiada, a Roberto Marinho?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Não, não tem nenhum problema. Se tivesse algum problema seria mais próximo do estádio do Morumbi pra poder chegar até a Linha-4 do metrô. Então, não é possível. Nove meses depois de ter a Licença Prévia. É um exagero. Então, a informação que eu tinha é que sairia hoje e nós, no dia seguinte, já pormos a empresa pra trabalhar, para fazer a Linha-17, que é a linha do monotrilho, que vai ligar o aeroporto de Congonhas ao metrô e o Aeroporto de Congonhas ao trem.


REPÓRTER: Sim, mas a licença de instalação pra construção não foi ainda divulgada. O senhor vai se...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Toda a nossa expectativa é que saia hoje.


REPÓRTER: Mas a situação não terá uma ligação direta com o complexo do metrô?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Tá pertinho aqui, nós temos aqui a estação de... O Complexo Cultural da Luz ele tá muito perto do metrô. É claro que as alterações viárias, tudo o que puder fazer para facilitar a vida das pessoas vai ser feito, mas nós temos aqui duas estações de metrô e estações de trem. Você tem um complexo aqui metro ferroviário importante. Tá bom?


REPÓRTER: Como é que vai ser gasto, governador, no complexo?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Nós não temos ainda o número exato, porque não terminou o projeto executivo. Então, é difícil você falar. Se imaginava aí em torno de R$ 1 bilhão. Com essa redução que foi feita, se a gente conseguir ficar aí na altura dos R$ 500 milhões será importante.


REPÓRTER: Governador...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: E se ganhou muito no projeto em termos de verde.


REPÓRTER: Por favor, com relação a revitalização aqui da região da Nova Luz, além do Complexo Cultural, existe algum outro projeto do governo de São Paulo?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Habitacional.


REPÓRTER: Certo.


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Então nós temos.


REPÓRTER: É aquele [ininteligível] que o senhor mostrou?


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Isso, isso. Nós temos...


REPÓRTER: [Ininteligível] quantas unidades...


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Isso nós vamos anunciar em 15 dias. Sempre várias faixas renda. Vai de um salário a várias faixas de renda. E complexo habitacional isso é importante. Quer dizer, você trazer as pessoas de volta pra morar aqui na região. Tá bom?


ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tá bom, senhor. Obrigado, obrigado.


GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Tem o café aí.