Coletiva - Embaixador da China confirma envio de insumos para vacina até o dia 3 de fevereiro 20212601

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Coletiva - Embaixador da China confirma envio de insumos para vacina até o dia 3 de fevereiro 20212601

Local: Capital - Data: Janeiro 26/01/2021

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vamos conectar aqui com vocês a embaixada da China em Brasília, nós estávamos em uma conferência com o embaixador da China em Brasília, o Sr. Yang Wanming, e também conselheiros da embaixada da China, em Brasília, e a cônsul geral da China em São Paulo. E nós vamos conectá-lo, o embaixador da China fará aqui uma breve manifestação. Ao meu lado Júlio Serson, secretário de relações internacionais. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. E Wilson Mello, presidente da Investe São Paulo, responsável pelo nosso escritório em Xangai, na China, escritório que foi aberto em agosto de 2019, e agora, no próximo mês de agosto, nós celebraremos dois anos do escritório comercial em Xangai, na China. Vamos agora conectar o embaixador da China no Brasil, embaixador Yang Wanming, acho que todos já tem aí a grafia correta do nome do embaixador da China, Yang Wanming, pronto. Já estamos em tela com a embaixada da China em Brasília, mais uma vez, embaixador, Wanming. Muito... Vou pedir só pra... Estamos com uma interferência de áudio aqui, isso. Embaixador, agora já estamos em outro ambiente aqui, do Palácio dos Bandeirantes, sempre ao lado das mesmas pessoas que participaram da reunião que tivemos agora a pouco, Júlio Serson, secretário de relações internacionais, o Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan e o Wilson Mello, presidente da Investe São Paulo. O embaixador da China, que está no centro da mesa, na sua embaixada, em Brasília, está acompanhado de dois ministros conselheiros da embaixada, o senhor [ininteligível] e o senhor [ininteligível], ambos são conselheiros e ambos mantém, assim como o Sr. Embaixador, uma estreita relação com o Governo do Estado de São Paulo, e ao longo, principalmente desses dois anos, nós ampliamos as relações econômicas, comerciais, institucionais, culturais e de cooperação e de solidariedade e quero, antes de passar a palavra ao embaixador da China no Brasil, embaixador, agradecer também pela sua solidariedade e gestos humanitários com São Paulo, quando do início da pandemia, aqui, em março deste ano, o governo da China ofereceu gratuitamente equipamentos de proteção individual, máscaras, aventais, insumos e também colaborou muito para a destinação de equipamentos respiradores e monitores para o uso no sistema hospitalar do Estado de São Paulo, não só o governo da China fez isso, como empresas privadas da China doaram muitos equipamentos e, principalmente, os produtos de proteção individual para o atendimento aqui em São Paulo, aproveito para registrar também, Sr. Embaixador, o agradecimento por esse gesto e agradecer também a cônsul geral da China em São Paulo, a senhora [ininteligível], que está nos acompanhando, igualmente pelo gesto, e vamos passar agora a palavra ao embaixador da China no Brasil, que vai afirmar a vocês aquilo que fez a todos nós agora a pouco, o envio de um novo lote de insumos da CoronaVac, a vacina do Instituto Butantan e do laboratório Sinovac e também as boas notícias de breve chegada de mais insumos e, na sequência, deixaremos o embaixador seguir a sua agenda em Brasília e responderemos as perguntas aqui aos jornalistas em São Paulo. Embaixador, nós temos vários jornalistas, que está aqui, de diferentes veículos de comunicação do Brasil, do exterior e também do seu país, da China, temos uma televisão chinesa e a principal agência de notícias da China está presente aqui no Palácio dos Bandeirantes. E agora passo a palavra ao Sr. Embaixador da China no Brasil, Sr. Yang Wanming, embaixador, por favor.

YANG WANMING, EMBAIXADOR DA CHINA NO BRASIL: Bom dia a todos, primeiro gostaria de aproveitar para saldar a todos os amigos presentes e através dos jornalistas passar nosso melhor cumprimento a todos paulistas e gostaria de destacar que o Brasil é um país importante e um só parceiro de grande significado da China, e mantemos uma relação amistosa, tradicional entre os dois país, incluindo o Estado de São Paulo, o maior estado do Brasil, que sempre mantém uma boa e tradicional cooperação com a China, e valorizamos muito nossos relacionamentos tradicionais e amistosos tanto entre os dois países, quanto entre a China e o Estado de São Paulo. Gostaria de destacar que os avanços significativos da cooperação entre a Sinovac e o Instituto Butantan, evidência atitude científica e rigorosa dos pesquisadores de ambos os países, neste momento a CoronaVac está sendo aplicada em todo o Brasil, isso demonstra que a nossa cooperação beneficia não só os paulistas, como também todo o povo brasileiro. Atualmente o Brasil é um dos países mais vacinados no mundo, gostaria de felicitar também a parte brasileira, e em relação a autorização para exportação dos insumos da vacina, acredito que todos sabemos muito bem que se trata de uma questão técnica e não política, as vacinas são uma arma para conter a pandemia e garantir a saúde do povo e não um instrumento político, a parte chinesa atribui muita importância [ininteligível] no desenvolvimento da vacina e gostaríamos de consolidar nas operações entre as duas partes, a situação da pandemia ainda é [ininteligível] e haverá uma demanda urgente de longo prazo pelas vacinas, a parte chinesa está disposta a manter comunicações com o Governo Federal do Brasil, com o Governo Estadual de São Paulo e apoiar em conjunto a parceria entre Sinovac e o Butantan, de maneira que a CoronaVac contribua ainda mais para o combate à pandemia no Brasil. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, embaixador Wanming, embaixador da China em Brasília, eu convidei o embaixador Wanming para integrar a comitiva bilateral de São Paulo e da China para a viagem no próximo mês de agosto à China, Pequim e a Xangai, quando estaremos comemorando os dois anos da abertura do escritório comercial na China, e os excepcionais resultados comerciais obtidos até aqui na bilateralidade dessas relações, resultados que foram além do aumento de exportação de produtos manufaturados, de produtos do agronegócio, mas também permitiram, Sr. Embaixador, como sabe, a entrada, o ingresso de recursos de investidores chineses em obras de infraestrutura importantes no Estado de São Paulo, especialmente na área metroviária, na área ferroviária, e no futuro, em breve, em outros setores também da economia de São Paulo, notadamente na infraestrutura de engenharia. Oportunamente, vamos ter oportunidade de voltar a falar com o embaixador sobre esta viagem para qual ele foi especialmente convidado na data de hoje. Embaixador Wanming, muito obrigado pela sua participação, muito obrigado também pela forma solidária, correta com que tem tratado São Paulo ao longo desses dois anos do nosso governo, estendo os agradecimentos aos seus conselheiros, que estão ao seu lado, o senhor [ininteligível] e o senhor [ininteligível] e também a Cônsul geral em São Paulo, a senhora Chen Peijie. Embaixador, muito obrigado, breve estaremos juntos, e breve atendendo ao seu convite farei uma nova visita à embaixada da China em Brasília. Um bom dia ao senhor, embaixador, e agradeço aqui em nome também de todos que estão aqui ao meu lado. Viva às boas relações então São Paulo e a China. Muito obrigado, embaixador. Muito bem, agora podemos liberar o embaixador e os seus conselheiros, vamos desconectá-los. Ok. Bem, eu vou pedir agora a intervenção do doutor Dimas Covas, primeiro cumprimentar vocês com mais calma, porque nós tínhamos pouco tempo entre o final da reunião e o início da coletiva, bom dia, obrigado por terem vindo. Obrigado também aos cinegrafistas, fotógrafos e técnicos. E agora eu passo a palavra ao Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, que pode dar mais informações e ser ainda mais preciso em relação aos insumos, as datas e a perspectiva de termos maior quantidade de IFA, para a produção da vacina do Butantan, e a distribuição para os brasileiros. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom dia, governador. Se me permite, governador, antes de dar esses detalhes, eu só queria lembrar que em maio desse ano, o Presidente chinês Jinping, junto com o diretor geral da Organização Mundial de Saúde, doutor Tedros Adhanom, e naquela oportunidade o Presidente da China anunciou que a vacina chinesa seria um bem mundial. E hoje nós estamos diante dessa realidade. Quer dizer, essa vacina que nós desenvolvemos junto com a Sinovac é uma vacina para o mundo, não é uma vacina para o Brasil, ou uma vacina para a China, é uma vacina que já está em uso em quatro países, em programas de vacinação. É uma perspectiva de fornecimento com uma perspectiva de fornecimento de até 1 bilhão de doses até o final desse ano, apenas dessa vacina da Sinovac. Então, de fato, uma grande contribuição para o enfrentamento dessa pandemia no mundo, que na minha visão, governador, a última forma, a única maneira de conseguirmos vencer essa pandemia, é através da cooperação entre os povos. E a China tem sido uma grande parceira nossa, uma grande parceira do Butantan, uma grande parceira do Brasil, sem dúvida nenhuma, do estado de São Paulo, indiscutivelmente. E o conselheiro, o ministro conselheiro que durante todo esse tempo mantém um intenso diálogo conosco no Butantan, às vezes, até tarde da noite, tentando resolver os problemas, tentando dar agilidade ao processamento burocrático dos documentos, porque disso que se trata. E obviamente que essa manifestação de que os insumos estão sendo liberados mais rapidamente e isso deve ainda ter uma melhoria substancial a partir do registro da vacina na China, e que deverá acontecer brevemente. Mas mesmo assim, nesse momento, nós já tivemos essa sinalização de que a liberação desses lotes será feita de uma maneira muito rápida, começando por esses 5.400 mil litros que foram anunciados no dia de hoje, de ontem, e que chegarão com previsão aqui na próxima semana, no dia 3 de fevereiro. E na sequência, um outro volume de 5.600 mil litros, que também foi mencionado pelo embaixador, que também está em processo adiantado de liberação. Com esses dois lotes, quer dizer, totalizando aí 11 mil litros, nós regularizaremos as nossas entregas ao ministério, e o restante, que deverá vir aí dentro do que já está planejado até o final de abril, totalizando aí as 40 milhões de doses que temos contratadas até esse momento. Existe a possibilidade de um adicional de 54 milhões de doses, mas para isso precisamos de uma manifestação do Ministério da Saúde. Na última sexta-feira enviei ofício solicitando por essa manifestação para que nós possamos planejar essa produção. Quer dizer, o quanto antes houver essa diminuição, o quanto antes iniciamos esse planejamento, e o quanto antes traremos essas vacinas para o Brasil. São essas as informações, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas. Hoje é uma coletiva monotema, o tema é a vinda das vacinas do Butantã e da Sinovac, e, portanto, temos uma única temática, teremos quatro perguntas, será uma coletiva mais curta, até porque, amanhã estaremos no horário normal, das 12h45min. Hoje foi um horário excepcional para atender logo na sequência da ótima reunião que tivemos com o embaixador da China em Brasília, e também com os seus conselheiros, igualmente com o consulado da China aqui em São Paulo. Nós teremos as perguntas da TV Globo, Globo News, TV Cultura, o Portal UOL, e a Rádio e TV Bandeirantes. Então vamos começar com você, Daniela Jaminiane. Obrigado por estar aqui mais uma vez conosco. Bom dia, sua pergunta, por favor.

DANIELA JAMINIANE, REPÓRTER: Oi, governador. Bom dia, a todos. Minha primeira pergunta é a seguinte, exatamente, se a gente já tem a data de quando esses 5.400 mil litros chegam, à São Paulo, chegam ao Brasil? Também a dúvida que ficou foi a seguinte, o governo de São Paulo enviou um tema/nota, dizendo que a negociação para liberação desses insumos foi do Instituto Butantan e do governo do estado. Mas a carta do embaixador se refere, se dirige ao Ministério da Saúde, exatamente ouve algum imbróglio, alguma falta de comunicação? Qual foi essa negociação, de fato? E aí, se me permite juntar uma terceira pergunta, a distribuição das vacinas, das doses que faltam na liberação das pouco mais de 4 milhões de doses, se há uma previsão de quando isso deve acontecer? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. Começo a responder, e na sequência, Dimas Covas. O embaixador da China, como todo embaixador, é um homem profundamente educado, e cioso da sua condição diplomática, ele respondeu à uma demanda feita pelo Ministério da Saúde, demanda essa feita também por escrito. E respondeu. Mas a demanda, todo o relacionamento cultivado com a China, com a Sinovac, com o governo chinês, com as liberações, sempre foram conduzidos pelo governo do estado de São Paulo e pelo Butantan. Nunca houve, volto a repetir, nunca houve nenhuma interferência, nenhuma relação, principalmente para ajudar, do Governo Federal. E nós não queremos aqui politizar esse tema, já chegamos até à vacina, apesar de todas as manifestações contrárias do Governo Federal, todas as manifestações desairosas do Presidente da República e dos seus filhos em relação à China, a vacina chinesa, ou como gosta de dizer o Presidente da República do Brasil, a "vachina", ou a "vacina do Doria". Apesar de todas essas diversidades nós conseguimos trazer a vacina até o Brasil, e conseguimos vacinar milhões de brasileiros, que nesse momento, principalmente a linha de frente, profissionais de saúde do Brasil estão recebendo a vacina do Butantã. Nós temos 46 milhões de doses da vacina do Butantã, foram apenas 2 milhões que chegaram da Índia, da vacina AstraZeneca, nós torcemos para que mais vacinas da AstraZeneca cheguem ao Brasil, assim como outras vacinas também. Nós sempre advogamos aqui por várias vacinas, e não por uma vacina, mas é preciso repor a verdade, surfar sobre algo que não é verdadeiro não é boa conduta, é por essa razão que nós hoje colocamos aqui o embaixador da China para participar com vocês, e também na reunião que teve conosco. Ou seja, todas as demandas foram conduzidas pelo Instituto Butantan e pelo governo de São Paulo, e continua assim, nós cuidamos disso, e cuidamos bem, e por isso que as vacinas chegaram até o Brasil, e chegaram bem. E como disse o próprio embaixador, hoje o Brasil é o país que mais vacinas tem no continente latino-americano, porque foi um esforço, Daniela, do governo de São Paulo, e quero registrar também, um investimento do governo de São Paulo, até o presente momento nós não recebemos um único centavo do Ministério da Saúde, eu imagino que vão cumprir o contrato e o compromisso e pagar por isso. mas até aqui todo o investimento, desde maio do ano passado, até agora, foi suportado pelo governo de São Paulo, e pelo Instituto Butantan. A verdade com a verdade, é apenas isso que nós desejamos manter e preservar, e obviamente continuar a lutar por mais vacinas, pela ciência e pela vida. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Governador, devemos lembrar que o contrato assinado com o ministério tem data de duas semanas atrás. Até duas semanas atrás nós não tínhamos contato com o Ministério da Saúde, e a despeito disso nós estávamos produzindo a vacina. E a despeito disso nós estamos negociando com outros países aqui da América Latina. Temos que lembrar que o Butantan entregará essas vacinas para outros países também. Nós somos, junto com a Sinovac, não apenas parceiros comerciais, na realidade, nós fizemos um acordo de desenvolvimento dessa vacina, e o Butantan fará a produção também de doses para a Argentina, para o Uruguai, para a Bolívia, para o Peru, portanto, esse contrato com o Ministério, volto a mencionar, assinado há duas semanas atrás, não foi determinante nessa trajetória. Graças ao bom Deus que houve essa assinatura, graças ao bom Deus que as vacinas estão sendo usadas, mas isso é importante dizer: esse programa era um programa que estava em pleno desenvolvimento, está em pleno desenvolvimento e vai ajudar muito o Brasil e vai ajudar os nossos vizinhos aqui, que também precisam de muitas doses de vacina. Segunda parte: As doses que já estão prontas começarão a ser liberadas diariamente ao Ministério a partir da sexta-feira. Chegando essa partida de matéria prima, 5.400 litros no próximo dia 3, iniciaremos a produção que vai originar em torno de 8,6 milhões de doses, que serão liberadas 20 dias depois, cumprindo assim, logo que se complemente assim o ciclo de controle de qualidade também. E esses adicionais 5.600, que estão em processo, também originarão um pouco mais de 8,6 milhões de doses. E como eu disse, permitindo assim a manutenção do cronograma que havíamos proposto ao Ministério da Saúde.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Daniela, obrigado pela pergunta. Agora vamos com a Adriana Cimino, da TV Cultura. Vou pedir uma gentileza a vocês, embora a Daniela tenha... Depois ela paga a multa na saída, mas uma pergunta por veículo de comunicação, por favor. Adriana.

REPÓRTER: Bom, o Dr. Dimas então falou que, no dia 3 de fevereiro, chegam esses 5,4 mil litros, que vão dar origem a 8,6 milhões de doses. Elas vão ficar prontas 20 dias depois, a partir do dia 3. Já tem um prazo para que cheguem esses outros 5,6 mil litros? Já tem uma data específica? E esses 20 dias valem também para todo o insumo que chegar aqui? Quer dizer, tudo que chegar vai demorar 20 mil dias para ficar pronto e distribuído?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Adriana, ontem nós tivemos a aprovação dos 5.400. Está em processo os 5.600, quer dizer, esperamos que seja aprovado o mais rapidamente. Sim, o ciclo de produção é de em torno de 20 dias. Pode adiantar um pouco, mas também pode atrasar um pouco, dependendo aí das particularidades do processo produtivo.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Dimas, Adriana, obrigado. Vamos agora ao Portal UOL, com o jornalista Lucas Teixeira. Lucas, ainda bom dia. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Bom dia, bom dia, governador. Dr. Dimas, eu queria entender um pouquinho melhor. Agora o senhor falou que vem 5,4 mil litros. Antes, vocês falavam que cada mil litros gera 1 milhão de doses, o que daria 5,5. Agora está em 8,5 milhões de doses. Eu queria entender melhor como é que funciona isso. Vai render 8,5, se antes rendia de fato 5,5? Quanto isso dá, de fato? Como é que funciona? Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Lucas. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Lucas, eu espero que você seja bom de matemática, tá certo? Quer dizer, uma dose de vacina tem 0,62 ml. Então, é só transformar 1 litro, dividido por 0,62, que você vai ter o número de doses. E eu aproveito a sua pergunta para fazer um esclarecimento, governador. Quer dizer, pela regulamentação internacional, nós temos que... Quer dizer, uma dose é 0,5 ml, uma dose de vacina aplicada é 0,5, é meio ml. Pela regulamentação internacional, para nós sermos aprovados pela Organização Mundial de Saúde, enfim, pelos órgãos internacionais, nós temos que colocar 0,62 ml no frasco. Então, um frasco, que contém 10 doses, se houver precisão na hora de retirada do 0,5 ml, quer dizer, se usar lá uma seringa de 1 ml, que é muito precisa, e se retirar 0,5 exatamente, um frasco rende não só 10, ele rende 12 doses. E aí tem essa diferença que você mencionou. Quer dizer, se houver uma grande observação de quem aplica a vacina, no sentido de retirar com muito cuidado, com muita precisão, não desperdiçar, nós vamos ter a possibilidade de, com um frasco, que foi destinado a 10, na realidade, imunizarmos 12 pessoas. Então, esse é um esclarecimento que nós temos feito, o Butantan tem feito, através de notas técnicas, mas a sua pergunta me deu a oportunidade de abordar esse tema.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa. Permitiu um bom esclarecimento, Lucas, valeu. Vamos agora à Maira. A Maira vai fazer a última pergunta de hoje. Maira é da Rádio e TV Bandeirantes. Maira, obrigado por estar aqui, bom dia, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Bom dia, governador, bom dia a todos. A minha pergunta é sobre a produção nacional. Quando que a gente vai deixar de depender dos insumos importados? Porque na última coletiva foi dito que ali no dia 30 de setembro a fábrica estaria pronta, mas em entrevista o gerente de parcerias estratégicas do Butantan disse que, depois da fábrica pronta, ainda leva de seis a oito meses para começar a funcionar, por causa de todo o processo de transferência de tecnologia. Então basicamente eu queria saber se é isso mesmo, quando que realmente a gente começa a ter uma produção totalmente nacional, e por que demora tanto, o que está incluso nesse processo. Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maira, eu que agradeço. Também uma boa oportunidade para um esclarecimento amplo. Eu começo a resposta, que será complementada pelo Dr. Dimas Covas. A nova fábrica do Butantan, da vacina da Covid-19, a vacina do Butantan, com a cooperação do laboratório Sinovac, as obras começaram no dia 2, 2 de novembro. Elas estão de forma acelerada acontecendo, dentro das instalações do Butantan. A fábrica estará pronta e entregue na sua parte física e de engenharia até o final do mês de setembro. Em outubro, as instalações dos equipamentos de produção estarão sendo feitas, ou seja, as instalações tecnológicas dentro dessa fábrica. E a partir daí, a resposta você terá do Dr. Dimas Covas, quando teremos já a primeira vacina produzida no Brasil, integralmente, com a transferência de tecnologia, qual será este mês e quando teremos o início em alto volume. Nós temos etapas, evidentemente, uma fábrica de vacina, você não abre com um botão, ela segue uma sequência, a parte de engenharia. Lembrando inclusive que o investimento é integralmente privado, R$ 162 milhões de investimento de doações privadas, 23 empresas privadas fizeram doações, a pedido do Governo de São Paulo. Eu mesmo conduzi esse apelo, não há nenhuma contrapartida, todas as 23 empresas doaram para a Fundação Instituto Butantan. As doações estão sendo auditadas pela Pricewaterhouse, além das auditorias das próprias empresas doadoras, e a construção tem auditagem da Falcone Associados, uma outra grande empresa de consultoria e auditagem, e a execução está sendo feita pela [ininteligível], uma das maiores empresas de construção do mundo, e o contrato foi feito por prazo determinado. Portanto, até 30 de setembro a fábrica estará pronta. Em outubro, começam as instalações tecnológicas e aí Dimas Covas pode informar quando teremos a primeira vacina produzida em solo brasileiro, integralmente produzida aqui. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Maira, a sua pergunta também nos dá oportunidade de fazer alguns importantes esclarecimentos. Quer dizer, diante de uma pandemia, nos precisamos ser rápidos, precisamos ter o senso de urgência, e aqui eu tenho que mencionar que essa fábrica, governador, está sendo construída num ritmo sino-brasileiro. Isso é importante, quer dizer, nos estamos pela primeira vez construindo uma fábrica de 11 mil metros quadrados, com capacidade de produção de 100 milhões de doses ao ano, em 10 meses de obra civil, e esperamos colocar essa fabrica em operação e já certificada pela Anvisa no início do próximo ano. Tudo isso é ritmo sino-brasileiro, e nós temos inclusive que nos esforçarmos um pouco mais para que ele seja mais sino e menos brasileiro, porque existe uma dificuldade crônica aqui em nosso país quando se diz respeito a obras, principalmente obras gerenciadas pela administração direta. No caso aqui, essa associação que o governador mencionou, entre o público e o privado, fez a diferença, é isso que está trazendo esse ritmo sino-brasileiro a essa empreitada. E eu só vou te dizer, quer dizer, eu só vou deixar a você um pouco curiosa, quer dizer, nós estamos falando, você falou em suficiência do Brasil na produção de vacinas, não é isso? Foi a sua pergunta, né? Quer dizer, quando nós vamos ficar independentes. Nós estamos levando em consideração essa vacina. Pode ser que a gente tenha outras vacinas, e o Butantan tem outros projetos em andamento que possivelmente também possam vir a dar uma resposta adequada a essa epidemia no segundo semestre.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Dr. Dimas. Maira, aliás, eu gostaria de sugerir, Dr. Dimas, e aqui faço isso de viva voz até para a imprensa: No momento oportuno, Wilson Mello, talvez nos próximos 60 dias... Nós estamos no dia 26 de janeiro, talvez em março ou abril, aproximadamente, aí vocês decidem, convidar os jornalistas para visitarem a nova fábrica do Butantan, as obras que estão em ritmo acelerado, como disse o Dr. Dimas, em ritmo sino-brasileiro, para que vocês possam ver as instalações de onde será feita a vacina brasileira contra a Covid-19, e o estágio em que se encontram também. Acho que é um procedimento de transparência e lisura, e combinando o horário creio que isso não vai atrapalhar o funcionamento da obra. Só estabelecer uma faixa horária que não iniba a operação, porque cada dia conta, numa fábrica que, até 30 de setembro, ela estará pronta. Esse é o compromisso e assim será feito. Bem, a todos que tiveram hoje a delicadeza de vir, embora excepcionalmente, hoje não é um dia de coletiva, obrigado por terem se deslocado até aqui, aos cinegrafistas também, técnicos, muito obrigado, fotógrafos também. Amanhã estaremos juntos aqui no mesmo horário, às 12h45. Muito obrigado, bom almoço e um bom dia a todos.