Coletiva - Governo de SP inicia testes clínicos em voluntários para a vacina contra o coronavírus 20202107

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Coletiva - Governo de SP inicia testes clínicos em voluntários para a vacina contra o coronavírus 20202107

Local: Capital - Data: Julho 21/07/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, muito bom dia. Obrigado pela presença de todos aqui nesta manhã, no complexo do Hospital das Clínicas, o maior complexo hospitalar público da América Latina. Hoje é um dia histórico, 21 de julho. Acabamos de assistir a aplicação da vacina, CoronaVac, no primeiro volunt ário, na verdade uma voluntária, uma médica do Hospital das Clínicas, a sua identidade precisa ser preservada pelos códigos de ética e pelo protocolo também adotado pelo Instituto Butantan e pelo Hospital das Clínicas. Aqui ao meu lado, Esper Kallás, que é o titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, coordenador do Centro de Pesquisas Clínicas do Instituto Central do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e integrante do Centro de Contingência do Covid-19, desde o início, desde o dia 26 de fevereiro. Aqui à minha esquerda, à direita de vocês, o Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, instituição brasileira de São Paulo, 119 anos, que tem o acordo operacional com o laboratório priva do chinês Sinovac, para a produção da vacina CoronaVac aqui no Brasil. Também aqui ao nosso lado, Dr. Tarcísio de Barros Filho, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e presidente do Conselho Deliberativo do Hospital das Clínicas de São Paulo. Diretores, médicos e integrantes do conselho também aqui presentes, muito obrigado por estarem aqui conosco. Eu volto a repetir que trata-se de um orgulho para São Paulo e para o Brasil a oportunidade da aplicação desta vacina, que é... Esta aqui. Vinte mil doses desta vacina chegaram ontem a São Paulo, num voo da Lufthansa, vindo da China, através de Frankfurt. Já estão aqui, já estão no Instituto Butantan, e essas vacinas começam a ser aplicadas a partir de hoje, em 9.000 voluntários em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas G erais e Brasília. Ao longo desses próximos três meses, os voluntários serão acompanhados por uma equipe científica, iniciando-se aqui pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, com acompanhamento inclusive de supervisores internacionais, dado o fato de que esta é uma das mais avançadas vacinas do mundo, e que entra na sua 3ª fase de testes, já tendo superado as fases 1 e 2, com grande sucesso, como atestam publicações internacionais e também especialistas, os infectologistas e epidemiologistas internacionais. Antes do início das perguntas, eu vou pedir a manifestação do Dr. Tarcísio de Barros Filho, da Faculdade de Medicina da USP de São Paulo. Na sequência, o Dr. Esper Kallas, o Dr. Dimas, e aí vamos às perguntas de hoje. Dr. Tarcísio.

TARCÍSIO DE BARROS FILHO, DIRETOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA USP: Sr. Governador, meu caro Dimas, meu caro Esper, meus senhores, minhas senhoras, eu gostaria de registrar, em meu nome, em nome da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em nome do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina, a honra, a satisfação de estarmos participando deste evento. O Hospital das Clínicas tem 75 anos de vida, ele está umbilicalmente ligado à Faculdade de Medicina da USP, e seus princípios de atuação sempre foram a assistência, ensino e pes quisa. Esses são os pilares de nossas atividades. Assistência, nós pudemos dar um exemplo de competência, de solidariedade, no momento em que desmobilizamos um instituto inteiro e transformamos em 800 leitos para atender exclusivamente Covid. Isso se mostrou uma iniciativa muito apropriada, os resultados foram muito bons e foi uma colaboração à cidade de São Paulo, ao Estado de São Paulo. E agora nesse momento, nós estamos de portas abertas e muito orgulhosos de podermos participar dessa outra etapa, que é uma etapa de pesquisa, mas que terá uma repercussão fundamental para a saúde do povo brasileiro e esperamos que tenha realmente um efeito, para servir a toda a população. Muito obrigado, e nós estamos de porta aberta para qualquer outra necessidade. Muito obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Tarcísio. Antes de passar a palavra ao Dr. Esper Kallás, integrante do Comitê de Contingência do Covid-19, queria mais uma vez registrar o orgulho que tenho, como governador do Estado de São Paulo, pelo fato de estarmos aqui, no ambiente do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a mesma universidade que recebeu o apoio do Governo do Estado, Esper, para o desenvolvimento do respirador, um respirador de baixíssimo custo, a um valor de mercado de R$ 9.800. Foi desenvolvido com pesquisadores, cientistas e especialistas da Universidade de São Paulo. Ele está em teste aqui. Nós temos 20 respiradores em testes, neste momento, aqui no Incor, no Hospital das Clínicas. Após 30 dias de teste com esse respirador, ele poderá ser homologado pela Anvisa e iniciada a sua produção industrial. Será o respirador de mais baixo valor no mundo, considerando que o valor em reais será de R$ 9.800. Razão de orgulho, mais uma vez, Esper, Dimas e Tarcísio, ao governador do estado, de termos a Universidade de São Paulo, a melhor universidade da América Latina, uma das melhores universidades do mundo, produzindo ciência e soluções para salvar vidas. Esper Kallás.

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Governador, muito obrigado. É uma satisfação enorme fazer parte desse momento. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP tem o orgulho de recebê-los e celebrar uma parceria sobre o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Saúde, que nós temos historicamente com o Instituto Butantan. A gente trabalha faz muito tempo no desenvolvimento de vacinas, avaliamos vacinas contra a gripe, contra novas gripes aviárias, estamos conduzindo o projeto de vacina da Dengue, e de uma forma até natural a gente se envolve juntos nos esforços, juntamos os esforços com o Butantan, Secretaria de Estado da Saúde do Governo de São Paulo, para dar início ao protocolo fase 3 de avaliação da nova vacina contra o Corona Vírus, com vírus inativado, que vai ser aplicado em quase 9.000 voluntários, não só na Faculdade de Medicina da USP e Hospital das Clínicas, mas também em 11 outros centros do Brasil. A gente espera trabalhar duro nesses próximos meses, produzir a ciência de melhor qualidade possível para responder à pergunta que o estudo se propõe, de avaliar a eficácia da vacina. Estamos aqui sempre ao lado, servindo ao Governo do Estado de São Paulo, para encontrar soluções, e soluções que possam beneficiar a população e aliviar o sofrimento produzido por essa pa ndemia. Queria agradecer mais uma vez, agradecer à diretora do Hospital das Clínicas, professora Eloisa Bonfá, que sempre deu um apoio enorme, transformou o Hospital das Clínicas no maior centro da América Latina no acolhimento de pacientes com Covid-19. Chegamos a ter 660 leitos ocupados por pacientes, 300 deles leitos de UTI, um esforço imenso da Diretoria do Hospital das Clínicas, que eu queria mais uma vez, em nome do nosso departamento de Moléstias Infecciosas e dos demais colegas da faculdade, parabenizar. Muito obrigado, governador, pela visita.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Esper Kallás. Além da Dra. Eloisa, que aqui está. Eloisa, obrigado, Elô, de você estar aqui mais uma vez conosco. Deixar também o nosso abraço ao Tom Zé, o Antônio José Rodrigues Pereira, que é o superintendente do Hospital das Clínicas, que está aqui também. Tom, obrigado estar nos recebendo aqui. Você e Elô são os nossos coanfitriões aqui nesta histórica manhã do dia 21 de julho. Agora sim, vamos ouvir o president e do Instituto Butantan, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador. O dia é histórico e é um dia de alegria, que começa em linha com a história do Butantan, de 119 anos, e forçosamente eu tenho que lembrar aqui de Vital Brasil, de Adolfo Lutz, Emílio Ribas, que em 1898, 1899, deram início a essa história, começando a lutar contra a epidemia de febre bubônica na cidade de Santos. E o Butantan vem lidando com epidemias durante todos esses 119 anos. Mais recentemente, o Butantan teve uma participação importantíssima na luta cont ra a gripe aviária, H1N1, sendo que foi o primeiro instituto a produzir a vacina aqui no Brasil. E agora chegamos aqui nesse enorme desafio, da pandemia do Covid-19. E é importante dizer o seguinte, governador: o Estado de São Paulo está fazendo a diferença nesse momento. Estado de São Paulo que, usando da sua competência, usando da sua comunidade científica, das suas universidades, dos seus hospitais, está mostrando ao Brasil e ao mundo como nós devemos proceder em um país com as dimensões do Brasil, com a heterogeneidade do Brasil. E estamos dando uma grande lição ao mundo, governador. Estamos sofrendo? Sim, como todos, mas estamos lutando, lutando dia a dia, e aí, governador, a vacina, a vacina é mais um dos pilares dessa luta, o pilar que ainda faltava, quer dizer, estávamos com os outros pilares e agora chegou a vacina. E nos coloca numa posiç&ati lde;o muito propícia a tornar o Brasil, e essa é a minha expectativa, como um dos primeiros países a usar essa vacina em massa. Quer dizer, nós estamos fazendo esse estudo clínico, estamos controlando esse estudo clínico. Nós não estamos participando de um estado clínico. Butantan desenhou esse estudo clínico e, através dos seus parceiros, dos seus 12 centros parceiros, é responsável por esse estudo clínico. Isso é uma diferença enorme. Não queremos desmerecer os outros estudos clínicos que estão sendo feitos aqui. Esse estudo é controlado por nós, ele é um estudo que será aberto, quando nós tivermos a primeira evidência da eficácia dessa vacina, o que nos permitirá, sem dúvida nenhuma, trazer a vacina à população brasileira, de uma forma muito rápida, com a possibilidade de sermos o primeiro país do mundo a utilizar essa vacina em escala. Então é um dia histórico, governador. Nós estaremos, sem dúvida nenhuma, nos livros de história, lá na frente, e a alegria é imensa. A minha alegria, a minha satisfação, é imensa, e eu agradeço muito ao Governo do Estado de São Paulo, agradeço muito à figura do nosso governador, que tem liderado essa batalha. Nosso governador tem liderado uma equipe fantástica, que estamos todos aqui, fazemos parte dessa equipe, e estamos muito, muito animados com essa nova possibilidade. Então, agradeço e parabenizo com todos os motivos pra isso. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Muito obrigado, agradeço em nome também de toda a equipe do Governo do Estado de São Paulo. Nós valorizamos muito o time, nós conjugamos o plural, não há o singular. Somos uma equipe, temos muito orgulho disso e procuramos motivar as equipes, como temos feito com o Centro de Contingência do Covid-19, que foi lá atrás iniciado também por um profissional de grande respeito, que é o Dr. David Uip, infectologista, a quem eu também rendo as minhas homenage ns. E a todos que fazem parte, como você, Esper, desse Centro de Contingência, que tem orientado todas as ações do Governo do Estado de São Paulo, no combate ao Corona Vírus, e tem nos ajudado na resistência de seguir o caminho, trilhar o caminho da ciência e da saúde, e não ceder nem ao populismo, nem a ideologias, nem a pressões políticas ou econômicas, e assim continuaremos. Bem, hoje nós temos quatro perguntas, porque teremos uma segunda coletiva de imprensa daqui a pouco, no Palácio dos Bandeirantes, às 12h45. Então, vamos começar com Daniela [ininteligível], da GloboNews, TV Globo, que fará a sua pergunta. Dani, bom dia, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Bom dia, governador, bom dia a todos. A primeira voluntária recebeu a vacina. Dos 890 voluntários aqui do HC, quantos devem receber a vacina hoje e quando os outros centros do estado vão começar também suas aplicações? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dani, obrigado. Vou tomar a liberdade de começar com o Dr. Esper e depois com o Dr. Dimas. Esper.

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Oi, Daniela. Bom dia. A vacina é aplicada num estudo de randomização um pra um. O que significa isso tecnicamente é que, desses quase 9.000 voluntários, metade irá receber vacina, metade irá receber placebo. A gente não sabe, nem nós, pesquisadores, nem o voluntário que está participando, nem toda a equipe que presta assistência ao voluntário durante esse processo, em qual braço do estudo que a pessoa está, que o voluntário está. Isso acontece com todos os outros centros. Então, em todos os outros lugares, é feito um sorteio, uma aleatorização, para ver quem recebe vacina, quem recebe placebo, e isso é feito de uma forma cega, portanto. E a gente espera que todos tenham aproximadamente 50% de voluntários em cada um dos braços. Assim, o planejamento nosso é que nós vamos usar essa semana para continuar vacinando algumas dezenas de voluntários, para ir acertando todos os detalhes dos nossos processos, e o Butantan me informou que a partir da semana que vem os outros 11 centros vão ser progressivamente ativados, e a gente entra em uma escala progressiva, adaptando às nossas atividades, para tentar vacinar o mais rápido possível todos os participantes que tomarem parte do estudo. A expectativa, lembre-se, que são duas doses, tem a primeira dose hoje, ela vai receber a segunda dose dentro de 14 dias. D epois a gente faz um segmento de segurança muito cuidadoso, para ver se a pessoa tolera bem a vacina, e isso é feito com todos os quase 9 mil voluntários. A gente tem a expectativa dos 11 centros, o Butantan está trabalhando com cada um deles, para quem sabe a gente terminar de vacinar todo mundo, e terminar esse segmento de segurança em três meses.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pode dar o microfone. Isso, Dani, obrigado.

REPÓRTER: Hoje então não será só ela, a partir de hoje até o final da semana os 890 pedidos do Hospital de Clínicas?

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO NOSSO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA, DO COVID-19: A gente começa hoje e vai aumentando o número progressivamente, né?

REPÓRTER: Está ótimo, obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Doutor Dimas, quer complementar?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Os demais centros entrarão em atividade progressivamente, até o final da semana que vem, todos estarão em esquema de vacinação. E a perspectiva é que os 9 mil voluntários sejam incluídos até meados de setembro, quer dizer, é um tempo relativamente curto, em se tratando de 9 mil voluntários, mas a urgência da situação nos indica que seria prudente que se fizesse isso o mais rapidamente possível, para podermos ter os resultados, e o oferecimento do registro dessa vacina antes do fim do ano.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Dimas. Daniela [Ininteligível], obrigado pelas perguntas. Vamos agora à segunda dos quatro veículos que farão perguntas hoje, que é a CNN com a jornalista Yara Oliveira. Bom dia, sua pergunta, por favor.

YARA OLIVIERA, REPÓRTER: Olá, governador. Olá, a todos. Primeiramente a expectativa é de que a vacina esteja disponível para a população em massa no comecinho de 2021, mas como vai acontecer a logística de distribuição para o SUS aqui em São Paulo, e também nos demais estados brasileiros? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bom, essa expectativa ela é baseada no cronograma previsto do estudo clínico, e da fase de registro na ANVISA. Então dentro dessa previsão esperamos que até o final desse ano tenhamos esse registro, e a partir daí essa vacina é oferecida ao Brasil em primeiro lugar, ao SUS do Brasil, que é o Programa Nacional de Imunização, e também a outros países. Estamos conversando com a Organização Pan-americana de Saúde, já temos acordos preliminares com a Argentina, estamos c onversando com o Chile. Enfim, o Butantã junto com a Sinocav estão aí fazendo uma programação para atender às necessidades do Brasil com até 120 milhões de doses, o que corresponderia a 60 milhões de vacinados, e também participar do esforço aí do combate à epidemia para os nossos países mais próximos aqui da América Latina principalmente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, doutor Dimas. Vamos agora à TV chinesa, CGTN, com o jornalista Tiago Lopes. Tiago, prazer em revê-lo, bom dia, sua pergunta, por favor.

TIAGO LOPES, REPÓRTER: Bom dia, governador. Bom dia, a todos. Governador, queria que o senhor comentasse um pouco qual que é a importância da parceria com a China para conseguir o acordo junto com a Sinovac? Essa parceria que tem sido a marca aí da gestão de vocês à frente do governo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Tiago. Vou dividir com o doutor Dimas, mas começo a responder. São Paulo tem na China o seu principal parceiro econômico, seu principal parceiro comercial, não foi por outra razão que em agosto do ano passado abrimos o primeiro escritório internacional de São Paulo na China, em Xangai, aonde esses escritórios seguem funcionando, e foi graças à essa missão empresarial, com 40 empresários, além de representantes do governo, foi naquele momento que o In stituto Butantã fazendo parte desta comitiva assinou o primeiro contrato com o Laboratório Sinovac em Pequim, foi o nosso ponto de chegada à China. Essa visão internacional de abrir parcerias, manter boas relações internacionais, não apenas com a China, como outros países também, foi decisiva nesse programa que levou o Instituto Butantã ao encontro do Sinovac, o Laboratório Sinovac e vice-versa. A partir daí os entendimentos, o Doutor Dimas poderá explicitar com ainda maior precisão, chegaram a esse entendimento, a este acordo para a produção da vacina da Coronvac aqui no Brasil. Vamos continuar investindo no mercado chinês, não apenas no âmbito da saúde, da vacina, que é a prioridade absoluta nesse momento, mas também em programas de desenvolvimento econômico. A China, que já é, repito, o principal parcei ro comercial, em 2021 será o principal e o parceiro especial de São Paulo. Nós temos uma nova missão, vamos à China em maio do ano que vem, desta feita, com 50 empresas brasileiras, do agronegócio, tecnologia, ciência, medicina, educação, comércio, indústria, incluindo indústria automobilística, para atrair novos investimentos da China para São Paulo. E estimular também as exportações de produtos manufaturados, bens duráveis e não duráveis, assim como commodities para o mercado chinês. Portanto, a China é o principal parceiro de São Paulo, e será ainda mais no ano de 2021. Doutor Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: A empresa Sinovac é uma empresa privada chinesa, e que tem outras vacinas, tem inclusive vacina para influenza, vacina para hepatite. Enfim, a empresa tem um portfólio muito parecido com o portfólio do Butantan. E nós temos relações não só com a Sinovac, mas também com outras grandes produtoras de vacinas na China, inclusive a estatal CNBG, e estamos constantemente trocando informações, estamos cooperando tecnicamente. Essa oportunidade para essa vacina aconteceu em virtude desse relacionamento anter ior. E veja, a China, o parque de ciência e tecnologia da China, hoje é um dos principais parques de ciência e tecnologia do mundo. Quer dizer, a China impressiona pelo volume da ciência, pela qualidade da ciência. E nessa parceria, quer dizer, estamos em um jogo de ganha-ganha, quer dizer, estamos desenvolvendo para a China aqui no Brasil, para a Sinovac, esse estudo de fase três, em uma situação muito favorável. E já temos os próximos acordos em andamento. Quer dizer, de transparência de produto da China para ser envasado aqui no Instituto Butantan, e em uma terceira fase, a produção dessa vacina aqui no Instituto Butantan. Então a parceria que nos coloca Sinovac - Brasil e China, na frente, na corrida para que essa vacine chegue o mais rapidamente para ajudar aí no combate à essa epidemia.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E finalizo, Tiago, dizendo que o governo de São Paulo não faz política externa com base em ideologia, partidarismo, vocações pessoais ou interesses particulares. Nós respeitamos todos os parceiros comerciais que São Paulo tem, seja China, seja a Argentina, Estados Unidos, Alemanha, os Emirados Árabes, Médio Oriente, todos eles são bons parceiros, e nós respeitamos. E o que determina isso é a oportunidade comercial, a oportunidade econômica, porque isso gera em pregos, gera benefícios para todos os 46 milhões de brasileiros de São Paulo. Então aqui não há ideologia, nem preferência pessoal, há aquilo que de importante pode ser registrado para o bem da economia e bem dos brasileiros de São Paulo. Obrigado mais uma vez, Tiago, pela presença, e pela cobertura da TV chinesa, a CGTN. Vamos agora à última pergunta de hoje, a da Michele Trombeli, da TV Bandeirantes. Michele, bom dia, obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

MICHELE TROMBELE, REPÓRTER: Olá, bom dia, governador. Bom dia, a todos. Eu queria só tirar uma dúvida antes de entrar na minha pergunta, em uma resposta do doutor Esper, que ele falou que os voluntários obviamente não sabem se estão tomando placebo ou vacina, mas o senhor falou que os pesquisadores também não sabem? E aí como eles fazem esse controle?

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO NOSSO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA, DO COVID-19: Não, o farmacêutico não cego sabe, e tem um grupo de pessoas que analisam os dados, que não tem contato nenhum, nem com os participantes, nem conosco, que sabem, claro. E essas informações são compiladas e apresentadas ao comitê, independente científica internacional, que avalia o andamento do estudo. E eles que vão fazendo esse julgamento para ver se o estudo está indo bem, e se a gente atingiu alguns parâmetros que pode afirmar em um dado momento que a vacina atingiu o nível de eficácia. Entendeu?

MICHELE TROMBELE, REPÓRTER: Tá, entendi. E aí eu queria saber se tem alguma recomendação especial para quem está tomando a vacina? Se pode baixar a guarda de alguma forma? E como esses 60 milhões que vocês anunciaram que seria a primeira fase após a aprovação, eles vão ser selecionados?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, obviamente que essa definição depende do Ministério da Saúde, através do seu programa nacional de imunização. Nós imaginamos a Secretaria de Justiça, por exemplo, da vacina da gripe, que o grupo prioritário é o grupo de pessoas que são mais vulneráveis à doença, idosos, pessoas com comorbidades, profissionais que lutam na frente de batalha, contra esse vírus. Então existem critérios, da mesma forma, para outras vacinas, para essa vacina tamb&eacut e;m deverá ser observado esses critérios. Mas são critérios que competem aí ao plano nacional, programa nacional de imunização do Ministério da Saúde definir.

MICHELE TROMBELE, REPÓRTER: E sobre a recomendação? Se tem alguma recomendação especial para esses voluntários?

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO NOSSO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA, DO COVID-19: Claro, todo participante de estudo de pesquisa como esse, a gente sempre tem um objetivo primeiro, que é oferecer a maior segurança possível para o voluntário. No momento que ele é participante de uma pesquisa clínica a gente acompanha ele com contato regular, planejado nas visitas, a gente faz contatos telefônicos regulares, a gente se coloca à disposição para qualquer dúvida, a gente se coloca à disposição para ele nos visitar caso prec ise tirar alguma dúvida, ou eventualmente sinta algum sintoma que possa ser relacionado à COVID-19, que é o que a gente está vigiando depois da vacinação. Todos os voluntários recebem um diário, aonde eles anotam todos os detalhes do que está acontecendo com eles, especialmente após as doses de vacina. E a gente mantém um acompanhamento de cada um desses voluntários nesse estudo especificamente, projetado para um ano. Que às vezes, a gente estende, dependendo da natureza do estudo, mas essa é a previsão atual.

MICHELE TROMBELE, REPÓRTER: Tá, desculpa só insistir. É porque tem muitos desses profissionais de saúde que estão longe dos filhos, estão morando em outras casas, não é recomendado que eles voltem a interagir, certo?

ESPER KALLÁS, INTEGRANTE DO NOSSO COMITÊ DE CONTINGÊNCIA, DO COVID-19: O que a gente precisa lembrar, é que metade dessas pessoas estão recebendo placebo, então por um motivo ético e de segurança, todos devem manter as medidas de proteção individual como elas são padronizadas, porque foram escolhidos voluntários que são profissionais de saúde que cuidam de pessoas com COVID-19, porque a chance de eles entrarem em contato com o novo Coronavírus é maior do que a população em geral. Daí a chance de estudo poder demonstrar se a vacina pode protegê-los mais rapidamente.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Kallás. Obrigado, Michele. Nós vamos encerrar a coletiva aqui, todos os jornalistas que estão participando são convidados para estarem daqui a pouco não Palácio dos Bandeirantes às 12h45min, são 11h53min, daqui até lá são 15 minutos de automóvel, onde teremos mais informações, não apenas sobre as vacinas, assim como novas informações sobre o Coronavírus, e também um anúncio especial que ser&aac ute; feito hoje, daqui a pouco no Palácio dos Bandeirantes. Tarcísio, muito obrigado mais uma vez, obrigado por nos receber aqui, Elô, Tom, obrigado toda a equipe que nos anfitriona aqui nesse momento. Vou pedir ao doutor Dimas e ao doutor Kallás que me acompanhem, eles estarão à disposição também de vocês, se desejarem, para novas entrevistas, hoje, logo após a coletiva lá no Palácio dos Bandeirantes. Vou atender ao pedido de vocês para fazer a foto com a vacina, e me despeço, muito obrigado a todos por terem participado nessa manhã da coletiva histórica, aqui no complexo do Hospital de Clínicas em São Paulo.