Coletiva - Governo de SP prorroga programa Merenda em Casa até dezembro para 770 mil estudantes 20201911

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Coletiva - Governo de SP prorroga programa Merenda em Casa até dezembro para 770 mil estudantes 20201911

Local: Capital - Data: Novembro 19/11/2020

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JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom dia, na verdade boa tarde. Obrigado pela presença de todos, jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, técnicos, obrigado aos que estão da sua casa acompanhando a transmissão ao vivo desta coletiva de imprensa, através da TV Cultura e de outras emissoras que também estão transmitindo ao vivo esta coletiva. Aqui ao meu lado, Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, secretário da Educação, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico. Também presentes, José Medina, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, João Gabardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19, e Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Três informações importantes no dia de hoje para a população de São Paulo e a opinião pública do país. Primeiro, transparência. O Governo do Estado de São Paulo é e continuará a ser absolutamente transparente em relação à toda comunicação de tomada de decisões relativas à pandemia e à vacina. Prova inequívoca dessa afirmação é que hoje realizamos a 145ª coletiva de imprensa, 145 coletivas de imprensa realizadas aqui na sede do Governo de São Paulo, com os principais membros do Governo e com o Centro de Contingência do Covid-19, que é integrado por 20 médicos especialistas, é um conselho científico, um comitê composto por infectologistas, epidemiologistas, todos de renome nacional. E também reunimos aqui jornalistas de diferentes veículos de comunicação, durante 145 vezes, incluindo jornalistas de veículos internacionais, correspondentes estrangeiros, emissoras de rádio, televisão, jornais, mídia digital, revistas e todos os tipos de mídia, sem nenhuma restrição prévia nem censura a qualquer tipo de informação. Desde o início da pandemia, disponibilizamos em tempo real todos os dados relativos à incidência do Corona Vírus, no site do Governo do Estado de São Paulo e no site da Secretaria de Saúde, com transparência, online e efetiva diariamente. Quero reafirmar que, no Estado de São Paulo, em relação ao Corona Vírus, não há decisão política nem decisão econômica, há decisão de saúde, e esta decisão continuará a ser feita pela saúde. A saúde comanda o combate à pandemia em São Paulo. Todas as medidas passam previamente por este comitê, cuja coordenação do Dr. José Medina, que aqui está, ao lado de 19 outros médicos, se reúnem virtualmente e circunstancialmente também presencialmente, com as medidas protetivas e sanitárias necessárias, e a coordenação executiva de João Gabardo, que foi secretário executivo do Ministério da Saúde, na gestão do ex-ministro Luís Henrique Mandetta. Ressalto também que São Paulo foi o primeiro estado do país a adotar um centro científico. Este comitê de contingência foi o primeiro criado no Brasil, foi aqui em São Paulo, no dia 26 de fevereiro deste ano, quando foi anunciada a formação desse comitê, inicialmente com 10 membros, hoje com 10... Perdão, hoje com 20 médicos que integram. Na origem, Dr. David Uip, que ainda faz parte deste comitê, foi o seu coordenador. Qual o objetivo? Que todas as decisões do Governo do Estado de São Paulo pudessem ser fundamentadas, como são, na ciência e na saúde. Nenhum fator político, ideológico, partidário ou eleitoral influi ou se sobrepõe às decisões orientadas pela saúde em São Paulo. Na última segunda-feira, 16 de novembro, anunciamos publicamente que, devido aos primeiros sinais de agravamento dos indicadores, nós cancelamos a reclassificação do Plano São Paulo, que estava prevista para o dia 16 de novembro, e adiamos para o dia 30 de novembro. Foi uma medida de cautela e de cuidado, de zelo com a saúde dos brasileiros de São Paulo. Observando os primeiros sinais de recrudescimento dos indicadores, também diminuímos de 30 dias anteriormente previstos para a reclassificação de 14 dias, como já fizemos num passado recente, quando tínhamos uma situação diferente da Covid-19 em São Paulo. Agora, a reclassificação do Plano São Paulo será feita a cada 14 dias, e não mais 30 dias. O Governo do Estado de São Paulo reitera, e na qualidade de governador do estado, quero reiterar aqui o nosso compromisso em proteger a vida dos brasileiros de São Paulo, e sermos um exemplo de obediência à ciência e à saúde. E adotaremos sempre todas as medidas que forem necessárias, ao seu tempo e à sua forma, para proteger vidas. Segunda informação de hoje, a vacina. A vacina que salva, a vacina que protege, a vacina que nos dará a possibilidade de termos o novo, uma nova vida, uma nova situação, com a proteção de toda a população brasileira, vacinada, imunizada e em condições de retomada plena da economia, das atividades de lazer, de cultura, de esportes, enfim, a vida normal novamente. Até termos toda a vacinação da população brasileira, nós precisaremos ter em São Paulo, e certamente em todo o país, e com a ação responsável dos governadores de estado, medidas de cautela, de atenção, de obrigatoriedade de uso de máscara, de distanciamento social, de higiene e de cuidados, e quem deve tomar esse cuidado? Você, que está na sua casa nos acompanhando agora, nos assistindo agora, você, seus pais, seus avós, seus tios, sua esposa, seu marido, seus filhos. Nós temos que ser responsáveis em relação a esta pandemia e evitar o contágio. O vírus não descansa, o vírus não estaciona, ele se acelera se as pessoas não usarem máscara, se as pessoas se aglutinarem, se as pessoas não lavarem as suas mãos, se as pessoas não utilizarem álcool em gel, se as pessoas insistirem em aglutinações inadequadas, no momento errado, para celebrar o que quer que seja: um aniversário, uma festa, um movimento, uma conquista. Nada contra o momento da alegria, mas estamos perdendo vidas todos os dias no Brasil, mais de 500 vidas se perdem diariamente. São três aviões lotados de pessoas morrendo todos os dias. Ou será que vamos banalizar isso e entender isso como normal? Isto não é normal, isto é triste, são vidas que se perdem, são milhares de pessoas que estão internadas neste momento, em tratamento, sob risco de vida. Não é o momento para fazer festa, não é o momento para fazer aglutinações, não é o momento para retirar a sua máscara, que protege você e as outras pessoas. Aqueles que têm consciência e amor à vida, aqueles que querem viver e querem conviver devem se proteger. Nós recebemos hoje, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, 120 mil doses das 6 milhões de doses da vacina Coronavac, a vacina do Butantan e do laboratório Sinovac, para proteger vidas. Ao longo dos próximos 40 dias, estaremos tendo um total de 46 milhões de doses desta vacina, do Butantan e do laboratório Sinovac. O Instituto Butantan, que completa no próximo mês de fevereiro 120 anos de existência, tem reputação, tem uma vida científica ilibada, construída por décadas, por alguns dos maiores cientistas do Brasil. E volto a repetir aqui: Nós não estamos numa corrida pela vacina, estamos numa corrida pela vida. São Paulo quer, sim, a vacina do Butantan, mas quer também as outras vacinas, que, seguindo o protocolo internacional e também da Anvisa, possam ser aprovadas, compradas pelo Governo Federal e distribuídas gratuitamente para imunização da população. É um momento crucial na vida do país. Nós não podemos perder tempo com burocracia ou com discussões inúteis, de ordem política, eleitoral e ideológica, enquanto brasileiros morrem. Não é justo, não é correto, não é humanitário, não é solidário que discussões de ordem política se sobreponham à vida e à existência. Chega! São Paulo continuará fazendo tudo aquilo que puder fazer pela saúde e pela vida, com esta vacina do Butantan, e apoiando as demais vacinas, para que brasileiros de todo o país possam ser imunizados, protegidos e terem a chance de viver. Terceira informação, sobre educação, o que justifica a presença do secretário Rossieli Soares, ex-ministro da Educação no Governo Michel Temer. O Governo de São Paulo prorrogou até o final deste ano, até 31 de dezembro, o programa Merenda em Casa, beneficiando 770 mil estudantes. São os estudantes mais carentes, são aqueles que vivem, infelizmente, em situação de pobreza ou extrema pobreza, e que recebem a oportunidade de fazerem a sua merenda em suas casas, onde vivem, recebendo R$ 50 por aluno, R$ 55 por aluno, para que possam consumir no mercado mais próximo de sua casa e fazerem ali o consumo de alimentos necessário para que este jovem tenha acesso à alimentação. Sobre isso falará Rossieli Soares, com mais detalhes. Mas quero dizer que liberamos mais R$ 345 milhões para que este benefício possa ser estendido até 31 de dezembro. Feitas estas informações, começamos com a saúde, com Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do Estado de São Paulo. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Estamos na 47ª semana epidemiológica. Continuamos em quarentena. Plano São Paulo tem como objetivo salvar e preservar vidas. Foi um plano que garantiu, desde o seu início, assistência à saúde, ampliando leitos de unidade de terapia intensiva, contratando profissionais, mais de 6.000 profissionais foram contratados, de tal forma que nenhum, nenhum paciente deixou de ser acolhido, nenhum paciente deixou de ter assistência qualificada. Estamos nesse momento numa condição de bastante atenção e cautela, frente a dados que sinalizaram tanto o aumento do número de casos bem como o aumento do número de internações. Dessa maneira, o Governo do Estado de São Paulo entendeu de forma muito clara que, para que pudéssemos acolher os dados, frente a todas as problemáticas da plataforma que fornecia dados reais de análise do Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde, não foi realizada a recalibragem do Plano São Paulo na última segunda-feira. Qual seria o risco de se fazer e se exercer essa recalibragem? Simplesmente, nós passaríamos de 76% da nossa população, que está já no faseamento verde, para cerca de 90% dela em todo o estado. Lembramos que, apesar desses incrementos, nós estamos muito distantes daquilo vivenciado em semanas lá de maio, junho ou julho. Mas que merecem realmente atenção. Naquele momento, nós tínhamos cerca de 95% de ocupação dos leitos de unidades de terapia intensiva. Hoje o Estado de São Paulo consagra-se por 43,5% na taxa de ocupação nas unidades de terapia no estado e 49,7% na Grande São Paulo. Essa inflexão da curva, essa elevação da curva promove a necessidade de medidas estratégicas e de forma cautelar serão tomadas, e dessa maneira o Governo do Estado de São Paulo, em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde e o Comitê de Contingência do Covid-19, sempre com compromisso de garantir e preservar vidas, assina hoje um decreto que determina a todos os hospitais públicos, filantrópicos e privados, a não desmobilização de qualquer leito, seja ele de unidade de terapia intensiva ou de enfermaria, voltadas para o atendimento do Covid-19. Assim como a não realização de novos agendamentos de cirurgias eletivas, para que dessa forma possamos garantir leitos para todos os pacientes com Covid que possa necessitar a sua assistência hospitalar. Precisamos analisar ainda esses índices de uma forma muito próxima, precisamos que todos os dados sejam efetivamente compilados, para que possamos entender o quanto essa curva realmente se comportará e medidas possam ser realizadas com austeridade, baseado sempre naquilo que o Plano São Paulo tem na sua essência: valorizar os índices da saúde. Por isso, para uma análise muito mais clara e robusta, precisávamos, sim, dessas duas semanas. Precisamos também, além desses dados, a cooperação da população. A população, que colaborou desde o princípio, atendendo aos nossos chamados de ficar em casa, usando máscaras, o distanciamento, e é a mesma população que hoje precisa atender às regras sanitárias. Nós flexibilizamos, mas sempre nas nossas coletivas eram reforçadas: estamos em quarentena, preservem as medidas sanitárias. Em nenhum momento não foi dito. Nós entendemos que o cansaço das pessoas possa ter uma ação sobre as suas atitudes, que, eventualmente, sejam irresponsáveis. Mas esse cansaço, ele não pode, de forma alguma, ser maior do que o medo e o respeito que tínhamos no Covid no momento. São essas pessoas que saem e que se aglomeram que disseminam o vírus na nossa população e retornam para suas casas, expondo aqueles que estão em quarentena, respeitando as regras e ritos, em risco, principalmente idosos e portadores de doenças crônicas. O próximo slide, por gentileza. Nós hoje, no Estado de São Paulo, temos 1.191.290 casos, já sendo computados 41.074 óbitos. Volto a mostrar a taxa de ocupação nas unidades de terapia intensiva do estado, 43,5%, e na Grande São Paulo temos 49,7%, com mais de um milhão de pacientes recuperados. Próximo, por favor. Próximo. Opa, nós não temos algumas tabelas, eu volto daqui a pouco depois de outras apresentações, eu gostaria de mostrar algumas tabelas, que são importantes para reforçar os índices da saúde, de forma absolutamente transparente. Nosso objetivo é trazer a vocês, tanto à população como a vocês, jornalistas, que levam essa informação à população, de forma muito lúcida, clara e transparente. Muito obrigado, até já.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Vamos agora ouvir o Dr. José Medina, que é o coordenador do Centro de Contingência do Covid-19. Na sequência, o Dr. João Gabbardo. Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, governador. Boa tarde a todos. O Dr. Jean vai colocar nos slides seguintes a dimensão do número de casos, do crescimento do número de casos, o número de internações, e nós tomamos algumas medidas, que o Dr. Jean também já mencionou, que é manter os leitos Covid, não desmobilizar os leitos Covid que estão disponíveis nas instituições que organizaram esses leitos. Tem mais de 7.000 leitos Covid nas instituições públicas e nas instituições privadas. Também foi orientado para que as unidades de atendimento de Covid ambulatorial ou as unidades de urgência, de pronto-atendimento, não sejam desativadas, e também vamos incentivar cada vez mais a testagem, para poder identificar o portador, aquele que é o portador, que é infectante, e que pode transmitir a doença para o resto da população. Nesse momento em que existe um crescimento do número de casos, é importante o cuidado individual, então é importante manter essa estrutura e solicitar para que toda a população mantenha cuidado individual, para que a disseminação do Covid seja contida. Então, o cuidado individual, o principal deles, eu vou entrar até em detalhe, o principal deles é o uso de máscara, que eu falo sempre que ela deve ser utilizada, muitas vezes até no domicílio. Então eu recomendo o uso em tempo integral de máscara, até mesmo no domicílio, principalmente quando você tem na sua casa pessoas que circulam em ambientes diferentes, e que possam, de alguma forma, adquirir a infecção em algum ambiente e levar pra casa, onde o tempo de exposição é bastante prolongado. É próximo, existe uma proximidade grande entre as pessoas e o tempo de exposição é grande. A mesma recomendação se aplica às festas. Então, se nós formos considerar qual é o principal fator que faz com que o número de infectados cresça, é a realização de festas e aglomerações. Talvez a campanha eleitoral, que envolveu mais de 500 mil candidatos, no Brasil todinho, tenha contribuído bastante para que esse aumento do número de casos que acontece aqui no Estado de São Paulo está acontecendo em todos os estados brasileiros, de maneira concomitante. Então, é natural que aconteça depois de algum tempo o que nós chamamos de fadiga coletiva em relação à pandemia. Aconteceu no Hemisfério Norte, aconteceu no Hemisfério Sul. No Hemisfério Norte, essa fadiga, o número de casos foi incrementado pela diminuição da temperatura. E aqui no Brasil, onde possivelmente tenha sido um fator que fez com que o número de casos aumentasse de maneira mais ou menos uniforme no Brasil todo foi a campanha eleitoral, que, como eu disse, envolveu mais de 500 mil candidatos, e uma movimentação muito grande. As pessoas são visitadas para que sejam conquistado o seu voto. Então, esse compromisso de utilizar a máscara, que é muito importante, talvez seja o maior símbolo da luta contra a infecção, seja o uso permanente de máscara. Eu vou dar o meu exemplo. Na minha casa, se eu tenho mais do que uma pessoa em casa, se eu não estou conseguindo manter o distanciamento, eu uso máscara permanente em qualquer ambiente que eu estiver, em qualquer ambiente que eu estiver eu uso máscara, pensando na minha proteção individual e no meu compromisso como cidadão, com a família e com minha mãe, com meus familiares, e com meus vizinhos. Sabendo que, das pessoas que têm mais de 50 anos, no Estado de São Paulo tem 22% da população, o que dá um pouco mais de nove milhões de pessoas que têm mais de 50 anos. Dos 40 mil óbitos, que o Dr. Jean mostrou, 89% dos óbitos aconteceram com pessoas acima de 50 anos, 89% aconteceu com pessoas acima de 50 anos. Então, é importante que o jovem, aquele que circula bastante, que se expõe bastante e que tem uma possibilidade de complicação ou de desfecho ruim muito baixo, que ele pense como cidadão para evitar que ele leve pra casa, que leve a possibilidade de contágio para os membros da sua família, que aí vão ter o risco de desfecho ruim muito maior. Então nós temos dois compromissos: o compromisso individual e o compromisso coletivo com as pessoas que convivem com a gente. Eu insisto bastante, eu insisto bastante mesmo sobre o uso da máscara como um símbolo da luta contra o Covid. É isso que está escrito aqui, que o governador também insiste bastante, talvez seja a medida mais importante, porque ela evita que você toque a mucosa nasal, toque a mucosa oral, evita a contaminação através da mão, o vírus não entra através da superfície da pele íntegra da mão. Então, evita esse tipo de contaminação e também evita a transmissão de uma pessoa pra outra. Se duas pessoas estiverem usando máscara, a possibilidade de contágio é muito baixa, principalmente quando eles são assintomáticos. Então essa é uma recomendação importante para tentar conseguir segurar a proliferação ou o aumento do número de casos.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Medina. Antes de ouvirmos o Dr. João Gabbardo, o Dr. Jean Gorinchteyn, agora sim, já tem o mapa com os números para complementar a sua apresentação. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, governador. O que eu gostaria que vocês entendessem: a nossa dificuldade de interpretação dos dados de forma tão clara é porque na 45ª semana nós tivemos a semana do feriado, que, naturalmente, nós temos uma redução, exatamente porque aqueles órgãos fomentadores de dados não trabalham no sábado, no domingo e na segunda, e esses dados passaram a ter problemas na sua inserção. Porém, quando eles poderiam ser disponibilizados, já entre a 45ª e a 46ª semana, nós somos então surpreendidos por um problema técnico, a partir daquela sexta-feira, daquela semana 45, que se estendeu até há dois dias, quando os dados começaram, de forma gradual, a serem instituídos. Portanto, da 40ª pra 46ª, eles se mantiveram estabilizados, com incremento nessa semana. Nós não conseguimos entender se eram os dados que eram represados, e por isso aumentaram, ou se realmente aumentaram, e o quanto aumentaram, já que esses dados também estão sendo inseridos de forma paulatina, de forma gradual. Próximo, por favor. Quando nós observamos, porém, o número de internações, observem que esses números, eles tendem a uma elevação, a 8%, da 46ª para a 47ª, e se nós avaliarmos aquilo que nós notificamos na segunda-feira, nós tínhamos nas semanas epidemiológicas anteriores um incremento nas internações de 18%. Ora, se nós tivemos um aumento de 2% e, nessa semana, nós estamos com 8%, e esse é um dado de realidade, então teoricamente estamos melhores. Mas volto a dizer, estamos analisando os dados. É dessa maneira que eu quero que vocês entendam a nossa dificuldade de leitura da progressão desses dados que estão sendo passados. Próximo, por favor. Se nós analisarmos os óbitos, os óbitos tendem a uma discreta elevação, mas de toda sorte eles ainda estão estabilizados. Se nós tivermos um aumento de internações nas últimas duas semanas, possivelmente já era a hora desses óbitos já estarem sendo computados. Novamente, precisamos mais alguns dias para uma melhor análise. Próximo, por favor. Muito obrigado, e estaremos à disposição para perguntas logo mais.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Vamos agora ouvir o Dr. João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19 no Estado de São Paulo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador, boa tarde aos que acompanham essa entrevista. Eu quero aqui reafirmar o nosso compromisso com a transparência. Nosso compromisso em apresentar os dados sem nenhuma preocupação em esconder alguma coisa. Os dados têm sido apresentados em todas as coletivas e de que é injusto que por alguns momentos o Centro de Contingência ou a Secretaria da Saúde possa ser acusada de não estar apresentando os dados na sua plenitude. Todos tivemos, todos nós, o Brasil inteiro teve problema com a alimentação do banco de dados nas últimas duas semanas, mas mesmo assim a gente tem procurado apresentar os dados da forma como eles estão sendo vistos, sem nenhuma preocupação em minimizar os números, os dados sobre a nossa pandemia. Efetivamente, pelos dados que o secretário Jean apresentou, a gente percebe que nos últimos dias, na última semana houve um recrudescimento da pandemia, pequeno, mas houve. Existem indícios de aumento do número de óbitos pequeno, tem indícios de aumento do número de casos, fica difícil da gente avaliar por conta da dificuldade com a atualização dos dados, e um aumento do número de internações. Agora, quando a gente analisa isso no Plano São Paulo, nenhuma região do estado seria reclassificada com essas informações que nós temos hoje pra baixo. Nenhuma região precisaria ir para o vermelho. Então, o fato de nós estarmos avaliando de 14 em 14 dias, em duas em duas semanas, não tira a possibilidade de a qualquer momento, se for necessário, se os indicadores de uma determinada região apresentasse a situação, nós vamos reclassificar imediatamente essa região pro vermelho. Hoje, não existe nenhuma região que tenha esta situação. Então, o que se tomou de medidas neste momento, baseado em função dessas... desses alterações que nós percebemos foram, primeiro, fundamentalmente nós vamos deixar de avaliar de 28 em 28 dias como vínhamos fazendo e vamos voltar a analisar de 14 em 14, pra nós termos mais agilidade nessa atualização e de classificação. A segunda, nós não temos risco de falta de leitos nesse momento, os dados mostram que nós vínhamos trabalhando uma ocupação de 39% dos leitos de Covid, e hoje estamos com 43 vírgula alguma coisa, perto de 44; houve um aumento de quase 20%. Mas ainda estamos com menos, muito menos de 50% da ocupação dos leitos. Mesmo assim, tomamos duas medidas importantes. Primeira, a partir de agora, ninguém mais está autorizado a transformar, a mudar o leito de Covid pra atendimento de outras especialidades. Os leitos de Covid devem permanecer para o atendimento dos pacientes do Covid. Segundo, novos agendamentos de procedimentos eletivos devem ser suspensos. Pra nós ganharmos tempo pra fazer essa análise melhor das tendências nas próximas duas semanas, e no final dessas duas semanas então poder ter tomado medidas mais definitivas. Agora, tudo isso que está sendo feito não resolve se a população, se as pessoas não se derem conta do seu papel dentro desse processo. Não adianta só o Poder Público ficar pensando nos números, ampliar leitos e tomar medidas como essa que estão sendo tomadas hoje se as pessoas não se derem conta daquilo que elas têm que fazer. E o meu recado aqui é pra população mais jovem, pra população sadia que vai pras ruas, vai pras festas, que vai pros bares. Esta é a forma que hoje a gente identifica com a maior possibilidade de transmissão. Nós passamos um evento importante que teve uma mobilidade muito grande que foram as eleições, e agora o que nos preocupa é esse retorno que as pessoas têm, plenamente entendível, né, que as pessoas estão há muito tempo em isolamento, elas querem rever os amigos, elas querem fazer confraternizações, elas querem ir pro bar. E esse é o problema. Num bar, sem máscara, contato permanente, muito tempo, muito próximo. E o risco de contrair a infecção. Pros jovens não têm muito tanta importância, os casos são leves, não vai gerar internação, provavelmente muitos nem vão saber que ficaram doentes. Mas com o tempo e com esse número de pessoas jovens portadoras do vírus, lentamente nós começamos a retroalimentar a infecção daqueles que não podem adquirir a doença. Dos idosos, das pessoas que têm doenças crônicas, aqueles que estão ainda isolados. Então o meu recado é esse, cuidado, vamos manter um pouco mais por um período maior. Já que nós estamos com essa possibilidade, essa tendência de aumento de internações, vamos redobrar o nosso cuidado, vamos deixar pra ir mais adiante no bar, não vamos sequer correndo o risco. Pensando que essa é a forma que nós temos de proteger as nossas famílias, os nossos pais, os nossos avós. Esse era o recado. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dr. João Gabbardo. Ainda no tema da saúde e do Plano São Paulo, vamos ouvir agora Patrícia Ellen, secretário do desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Boa tarde a todos e a todas. Queria reforçar o comunicado oficial do governo à imprensa com relação exatamente a alguns pontos trazidos pelo Dr. Gabbardo. O governo de São Paulo trata os dados com transparência, agiu com prudência e tomará todas as medidas previstas para conter a piora dos indicadores do Coronavírus no estado. O agravamento dos indicadores que nós compartilhamos na segunda-feira, esse aumento que o secretário Jean colocou de 18% nas internações, juntamente com a instabilidade de dados do Governo Federal que não nos permitiu ter uma visibilidade clara de como está a variação e o comportamento dos casos e óbitos, foram as duas razões que nos fizeram tomar a decisão de postergar a reclassificação do Plano São Paulo do dia 16 de novembro para o dia 30 de novembro. Nós precisamos lembrar que foi uma medida de prudência, se nós tivéssemos realizado a classificação na segunda-feira, dia 16 de novembro, com os dados da data, nós levaríamos oito regiões para a fase verde, colocando 90% da população nesta fase por um mês. A medida que foi tomada foi exatamente porque observamos os primeiros sinais de recrudescimento aqui compartilhados e também por isso estamos diminuindo o período de acompanhamento da classificação. O período de um mês era adequado na curva descendente, como agora tivemos duas semanas consecutivas com aumento de internações, nós estamos agora mudando para acompanhar a classificação a cada 14 dias. Períodos mais curtos para que possamos acompanhar o comportamento da curva. Se essa tendência se mantiver, os indicadores vão demonstrar e teremos, sim, que tomar medidas mais restritivas. O Plano São Paulo é um plano de gestão e convivência com a pandemia, nós avançamos na retomada quando é possível e retrocedemos com medidas mais restritivas quando é necessário. Neste momento, não seguir avançando com a retomada é uma grande medida restritiva. Lembrando que o estado, além dos dados que foram aqui compartilhados, tem uma média de 32 internações a cada cem mil habitantes nos últimos 14 dias, esse dado é confiável porque a fonte nossa aqui do estado, e os dados de óbitos e casos que nós temos ainda, óbitos nós temos 3,1 óbitos a cada cem mil habitantes. O limite da fase verde pra fase amarela em internações é 40, em óbitos é cinco, estamos abaixo desse limite, mas vimos essa mudança de comportamento da curva. E é por isso que estamos tomando essas medidas. Eu concordo aqui que temos que tomar cuidado e olhar os dados. É normal nos assustarmos com essa mudança, estamos todos preocupados, mas temos que lembrar e olhar o que os dados nos mostra, e ainda estamos num momento que houve sim uma variação pra cima na curva, mas uma variação relativamente pequena dentro dos limites pra manter esse acompanhamento por mais alguns dias. precisamos de dados confiáveis de casos e óbitos também por 14 dias. E pra finalizar, hoje é o dia do empreendedorismo feminino, queria agradecer as mulheres por todo o esforço aqui com a tripla jornada durante essa pandemia e pedir não somente as mulheres, mas a todos nós um pouco mais de força pra respeitar nossos protocolos. Nós estamos todos cansados, mas infelizmente o vírus não está, e nós realmente precisamos agora colocar a nossa energia pra respeitar os protocolos. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. E agora vamos ao tema da vacina que mobilizou bastante a imprensa. Aliás, muito obrigado aos jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos que puderam estar hoje bem cedo, mesmo com chuva, no aeroporto internacional de Guarulhos para acompanhar a chegada da primeira carga de vacina contra a Covid em toda a América Latina. Essa foi a primeira carga no continente de vacina a chegar. E nós tivemos notícia no mundo inteiro, eu solicitei até que compartilhassem com vocês as notícias publicadas em alguns dos principais veículos do mundo, mencionando a chegada da vacina aqui no Brasil. E sobre ela, fala Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, governador. Mais um dia importante nessa caminhada em direção à vacina. Essas 120 mil vacinas representam o início do processo que culminará com 46 milhões de vacinas até meados de janeiro, mas adicional pra completar 60 milhões até final de fevereiro, e poderemos, se ocorrer aí o apoio do nosso Ministério da Saúde ter cem milhões de vacinas em maio. O fato de ser a primeira vacina, e o governador pontuou no continente latino-americano, é simbólico nesse momento em que se anunciam grandes avanços em relação aos estudos clínicos. O fato de nós já termos essa vacina aqui já é um enorme avanço, mesmo porque os resultados do estudo clínico poderão aparecer muito rapidamente. E aí, associando a disponibilidade da vacina com os resultados dos estudos clínicos poderemos submeter ao processo a registro na nossa Anvisa. Então é uma notícia importante, uma notícia que ganha aí as páginas dos principais jornais do mundo, e pra nós do Instituto Butantan, para a Sinovac, para o Governo do Estado é um enorme... é um enorme orgulho. Eu fico emocionado, né, fiquei muito emocionado no dia de hoje quando essa vacina tocou aqui o solo brasileiro. Obrigado, governador.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. Esteve comigo hoje pela manhã no aeroporto internacional de Guarulhos, juntamente com o Jean Gorinchteyn pra receber a vacina. E falando em receber a vacina, eu recebi aqui a solicitação de alguns jornalistas aqui presentes pra que pudéssemos exibir novamente a vacina e é o que eu vou fazer nesse momento antes de passar a palavra ao Rossieli Soares sobre o tema da merenda em casa. Obrigado, pessoal. Então vamos agora, Rossieli Soares, secretário da educação do estado de São Paulo. Rossieli.

ROSSIELI SOARES, SECRETÁRIO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: Bom, boa tarde a todos. Esse tema pra gente é muito importante quando as aulas foram paralisadas, o anúncio foi no dia 13 de março, que a partir do dia 23 de março não teríamos mais as aulas, já na primeira semana de abril começamos a fazer algo que é fundamental para aqueles que mais precisam, os nossos estudantes, que é o programa Merenda em Casa que auxilia com R$ 55,00 por mês para complementar a alimentação. O programa Merenda em Casa e o próprio programa de alimentação escolar nas escolas ele nunca é para substituir a alimentação completa, mas sim uma complementação. Então, por óbvio, nós entendemos que esse é um programa muito importante. Como nós tivemos um retorno, mas ainda temos muitos alunos cumprindo as atividades a distância, em situações diversas, nós tomamos a decisão de prorrogar mais uma vez até o final de dezembro a continuidade do programa Merenda em Casa. Obviamente que o nosso desejo é quando retornarmos as aulas ter a merenda sempre com a maior qualidade, fornecidas aos nossos estudantes porque é de fundamental inclusão e a busca pela permanência na escola dos nossos estudantes. Então, atendemos 770 mil alunos, são 550 mil famílias que recebem o recurso, já são... até dezembro completaremos nove meses com 345 milhões de investimento. Isso é importante, porque as famílias todos os meses tem nos perguntado sobre a continuidade do programa, e nós estamos com orçamentos, recursos garantindo o acesso de todos. E por fim, governador, saliento que à medida que há necessidade, onde a família, a criança, o jovem, porventura esteja, ou ingresse nas eventuais condições estabelecidas pelo programa, como está na extrema pobreza, cadastrada no Cadastro Único, nós estamos incluindo ainda jovens, à medida que é necessário. E também obviamente continuaremos fazendo isso caso alguma família tenha, pode procurar a escola que nós continuaremos auxiliando, que é fundamental. E término dizendo, governador, fundamental, estamos chegando próximo ao final do ano letivo, importante que as famílias dos jovens procurem a escola para entrega das atividades, para que continuem mobilizados para o encerramento, para que a aprendizagem se dê, seja nas atividades presenciais, que estamos tendo um grande sucesso até o momento, seja também nas atividades à distância, as atividades enviadas pela escola, pelo centro de mídias de São Paulo, e por outros meios. Que continue mobilizada, motivas a entregarem as suas atividades, para que possam ter a progressão para o próximo ano com tranquilidade. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Rossieli Soares. Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, ficará à disposição para perguntas, se houverem, aqui dos jornalistas presentes, e também dos que nos acompanham virtualmente. Quero agradecer também aos vários veículos de comunicação que estão nos acompanhando agora ao vivo, pelas emissoras que estão aqui transmitindo, a CNN, TV Record, TV Cultura, entre outras emissoras, transmitem ao vivo aqui do Palácio dos Bandeirantes. E falando em TV Cultura, vamos começar com você, Maria Manso, da TV Cultura, na sequência à sua, ou às suas perguntas, Maia, vamos à agência italiana, a CNN Brasil, a Rede TV, a Rádio Jovem Pan, o Portal IG, a Rede Brasil, e TV Globo, Globo News. Maria Manso, TV Cultura, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Eu tenho duas questões, a primeira se refere ao futebol, os surtos de COVID-19 dentro dos times têm chamado muita atenção, e ontem à noite, a despeito da proibição, também se formou uma aglomeração na porta do estádio do Morumbi, torcedores querendo festejar o time. O nosso comitê de contingência pensa em voltar a restringir os treinos e a realização de partidas de futebol, diante dessa quantidade de casos confirmados? E a outra questão é uma questão comportamental, a gente sentiu hoje o tom de vocês, de preocupação, também as medidas adotadas principalmente o decreto de não desmobilização de leitos de COVID-19, já preocupados com a possibilidade de novos doentes graves. E o doutor Gabbardo citou que uma das causas do aumento de casos é a frequência de jovens nos bares. Então minha pergunta como leiga é, por que não, desde já retroceder, por exemplo, na quantidade de horas permitidas na abertura de bares e restaurantes, já que esse é, na visão de vocês, um dos focos de contágio, não voltar a permitir só que os bares e restaurantes fiquem abertos até às 20h da noite, e não até às 22h? Por que não evitar que as pessoas fiquem doentes agora já, 15 dias antes da nova reavaliação? Por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, obrigado, Maria. A primeira pergunta sobre futebol, será respondida pelo doutor José Medina, a segunda pergunta pelo Jean Gorinchteyn. Medina.

JOSÉ MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, Maria Manso. As restrições aos jogadores de futebol são as mesmas que se aplicam à comunidade em geral, nenhuma transmissão ocorreu durante uma partida de futebol, todos os contágios que aconteceram na equipe do Palmeiras, do Atlético, do Santos, do São Paulo, aconteceram durante as atividades coletivas fora da partida de futebol. Então a mesma recomendação que nós fazemos para a comunidade em geral, para evitar festa, estando bem descrito no jornal, como que a equipe do Atlético Mineiro foi contagiada, em uma festa que eles fizeram entre eles. E nessas festas o tempo de exposição é muito prolongado, se tiver uma pessoa que seja infectante, ou que tenha a doença que possa infectar, ela normalmente passa pôr um número grande de pessoas, porque o tempo de exposição é muito grande, e conversa-se muito entre todas as pessoas. Então a recomendação que nós damos para o futebol é a mesma que nós damos para as atividades fora do futebol, ninguém adquiriu a doença praticando durante uma partida de futebol regular, eles adquiriram durante aglomerações. A mesma coisa aconteceu com jogador do Palmeiras, que foi para o Uruguai, se juntou à seleção, e agora tem sete jogadores da seleção uruguaia que estão também contagiados. Então a recomendação é a mesma, nós vamos conversar com a CBF para ver se há necessidade, se esse número de jogadores continuar crescendo como cresceu nos últimos dias, que é um crescimento que acompanha o crescimento na população no Brasil inteiro, nós vamos discutir com eles se deve ser tomada alguma outra medida ou não. Em relação à aglomeração ontem, da torcida do São Paulo na frente do estádio do Morumbi, que foi bastante demonstrada, isso não é recomendado, ali também é um foco importante de transmissão da doença, a maioria das pessoas jovens, muitos deles podem ser assintomáticos, um tempo de exposição muito longo entre eles, três ou quatro horas de exposição, eles podem adquirir uma doença mais grave, mas eles também tem uma oportunidade grande de levar, um risco grande de levar a doença para os seus familiares. Então mais grave do que o futebol, é aquela aglomeração que foi apresentada ontem, aquela aglomeração que aconteceu ontem na frente do estádio do Morumbi, por acaso foi no Morumbi, mas ela acontece também em qualquer outro estádio, em uma partida importante como aquela. Tanto aqui no Brasil, como fora do Brasil.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Medina. Jean Gorinchteyn, a segunda pergunta da jornalista Maria Manso.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Essa semana, diferente de outras semanas, nós redobramos a atenção e a cautela. Atenção e cautela redobradas em virtude de dados que ainda tornaram-se inconsistentes, frente à instabilidade dos números pela plataforma do SIVEP Gripe, do Ministério da Saúde, portanto, do Governo Federal. Dessa maneira, dificultando que nós tivéssemos uma análise clara, como em outras semanas aconteceu, para que possamos entender melhor a pandemia, a dinâmica da epidemia no nosso meio. Então dessa maneira, em não podendo ter uma visão clara e muito embasada, nós achamos prudente sermos cautelosos, e assim o fomos tanto em relação à não recalibragem do plano São Paulo, assim estamos sendo na orientação dos hospitais públicos, privados filantrópicos na manutenção dos leitos destinados ao COVID-19, seja de enfermaria, seja de Unidades de Terapia Intensiva. E assim como o não agendamento das novas cirurgias eletivas, que são àquelas que poderiam ser postergadas sem maior comprometimento da saúde daquele paciente, e que de certa forma, não ocuparia um leito, seja de Unidades de Terapia Intensiva, e as próprias enfermarias. Então esse é o motivo dessa mudança de atitude frente à realidade. Nós entendemos que as fiscalizações elas ocorrem no nosso estado, e elas especialmente na maioria das instituições, várias delas que foram abordadas, foram orientadas, outras receberam as multas preconizadas quando não seguiam as orientações sanitárias, mas muitas aglomerações de jovens não ocorrem dentro dos estabelecimentos comerciais, ou de serviços, mas ocorrem fora. Quando a fiscalização pelos agentes de violência, assim como as próprias equipes da polícia, da Guarda Civil Metropolitana, ou da Polícia Militar chegam, esse público se dispersa e retorna à aglomeração minutos depois. Então nós precisamos fazer com que as pessoas tomem essa consciência, não só fiscalização do poder público, vai ser capaz de restringir essas medidas que as pessoas têm tido, de não respeitarem os ritos sanitários, é fundamental que os ritos sejam seguidos, para que dessa maneira nós não tenhamos problema. E assim como ocorre nas ruas e calçadas, nós temos que lembrar que essas aglomerações também acontecem dentro das casas, em jantares, em pequenas festas que acontecem, e que disseminam o vírus para outras pessoas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Antes de passar à próxima pergunta para a Agência Ancsa, Maria Manso e jornalistas que aqui estão, mais uma razão, o conjunto de preocupações que a imprensa apresenta, sobretudo, nesta última semana, é mais uma demonstração de que a vacina é necessária rapidamente, a vacina é a salvação, é a vacina que protege e que garantirá a volta à normalidade de todos nós, jovens e não jovens, em todas as regiões do país. É hora do Governo Federal fazer um esforço concentrado, pelas vacinas, sem excluir nenhuma vacina, fazer um grupo de trabalho dentro do Ministério da Saúde, envolvendo outros ministérios, se necessário, os governos estaduais, para que as vacinas possam ser, mediante aprovação da ANVISA, colocadas imediatamente no sistema nacional de imunização, é a vacina que vai nos salvar a todos. Enquanto não tivermos uso de máscara, distanciamento, proteção, mas a solução definitiva está na vacina. Ou melhor, está nas vacinas. Vamos agora à uma pergunta da Agência Ancsa, que é a Agência de Notícias da Itália, com o Lucas Rize. Vamos colocar você aqui em tela. Obrigado por estar participando da nossa coletiva. E passamos a palavra a você neste momento.

LUCAS RIZE, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, secretários. Eu queria saber se o Governo Federal tem algum limite para novas medidas restritivas, tanto em termos de, seja de internação em UTIs, ou de casos, ou de óbitos? Se existe algum valor que sirva para desencadear novas medidas restritivas no estado? E também gostaria de saber se o governo já trabalha com a hipótese de impor medidas para coibir aglomerações durante o período de fim de ano? Que a gente já viu nos últimos feriados que houve aglomerações, e que isso pode ter catalisado um pouco o aumento dos casos de Coronavírus. E como fazer para evitar isso no fim de ano?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Lucas. As duas perguntas serão respondidas pelo secretário da Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: O que nós temos que lembrar, que as prerrogativas do plano São Paulo são baseadas nos índices da saúde, números bem claros, que permitem com que através deles, tanto número de óbitos, número de internações sejam avaliados, e dessa maneira sejam determinadas políticas mais restritivas, em uma ou outra região, quando isso se fizer necessário. Nesse momento os dados não sustentam qualquer modificação estrutural, e na condução da recalibragem, ou de alguma inflexão que possa acontecer, retrocedendo alguma determinada área, especialmente para zoneamento ou no faseamento vermelho. Dessa forma, estamos atentos sim aos números da saúde, que como disse, fazem parte do DNA do plano São Paulo, e dessa maneira, medidas restritivas serão tomadas, caso necessário, na região que se faça preciso. Por outro lado, por determinação do próprio governador, medidas muito mais austeras serão tomadas para as festividades que acontecerão pela comemoração tanto do Natal, quanto do Ano Novo, mas especialmente do Ano Novo, nós entendemos que o Natal as pessoas tendem à sua aglomeração dentro dos seus ambientes familiares e domésticos. Por isso a conscientização da população ela é fundamental, uma vez que o governo e o poder público não podem estar dentro das casas celebrando e determinando quais seriam as medidas a serem tomadas. Mas todas as atividades que estiverem fora, estivessem sendo realizadas, como por exemplo, o próprio Réveillon, já foi cancelado em todo o estado, impedindo dessa maneira, que hajam aglomerações para o festejo da passagem de ano.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean Gorinchteyn. Lucas, obrigado pelas perguntas, se puder, continue nos acompanhando aqui na coletiva. Vamos tirá-lo aqui de tela. E vamos presencialmente para a CNN Brasil com Isabela Faria. Isabela, mais uma vez boa tarde. Bem-vinda. Sua pergunta, por favor.

ISABELA FARIA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. A gente hoje recebeu então as mais de 120... 120 mil doses da vacina. Assim que a Anvisa então autorizar, vocês já têm algum plano de distribuição com outros estados? Parcerias foram firmadas? E também eu queria tirar uma dúvida em relação aos dados do Ministério da Saúde. O sistema deles ainda está instável, vocês já receberam os dados, só estão analisando, ou eles ainda nem conseguiram repassar esses números pra vocês? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Isabela, obrigado. A primeira pergunta especificamente sobre a vacina, será respondida pela presidente do Instituto Butantan, o Dimas Covas. E sobre o sistema, o secretário da saúde, Jean Gorinchteyn. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Isabela, o planejamento para a vacinação, para logística da vacinação, distribuição nacional é do Programa Nacional de Imunização. O Programa Nacional de Imunização ligado ao Ministério da Saúde. Houve um anúncio ainda essa semana, né, por parte do ministério que a definição para a estratégia vacinal será feita muito brevemente. Quer dizer, houve por parte do PNI essa manifestação, ou seja, eles vão definir, né, muito brevemente quais serão os grupos a serem vacinados, a ordem de vacinação e o quantitativo de vacinas que cada grupo desse vai necessitar. Então isso é uma atribuição do PNI através do Ministério da Saúde. Com relação às parcerias, o Butantan tem em andamento discussões com estados, municípios e outros países, né, aqui da América Latina. Mas o governador tem dito isso de forma veemente que o objetivo principal é o fornecimento dessa vacina para o Programa Nacional de Imunização. Então nós estamos trabalhando nessa perspectiva, a disponibilidade da vacina, o registro da vacina, né, vai permitir que o ministério incorpore essa vacina ao seu Programa Nacional de Imunização que seria a solução ideal e necessária.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Sobre o sistema, Ministério da Saúde, Jean Gorinchteyn responde a Isabela Faria da CNN.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Na última terça-feira, dia 17, o sistema Sivep Grip do ministério voltou a ser ativado, isso permite que os municípios possam então estar inserindo, fomentando esses dados nesta plataforma a fim de que nós possamos contabilizar o que acontece em todo o Brasil, e, consequentemente, no estado de São Paulo. Dessa maneira, nós entendemos que essa... esse fomento ele é gradual, ele é progressivo, por isso que nos próximos dias teremos os dados muito mais robustos. Isso também é uma das justificativas dessa recalibragem ter sido estendida para 14 dias a partir de então do dia 16.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Vamos agora... Muito obrigado, Isabela, pelas perguntas. Vamos agora a Rede TV com a Carolina Rivengo. Carolina, obrigado pela sua presença mais uma vez. Vamos ajustar o microfone pra ela. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

CAROLINA RIVENGO, REPÓRTER: Olá. Boa tarde a todos. Eu queria começar perguntando, que recado que vocês teriam a dar para os comerciantes, os pequenos comerciantes ao verem essas notícias sobre as perspectivas de novos casos, óbitos? Estão com medo de ter que fechar as portas. Vocês já têm algum recado pra dar pra eles? Muito mais até do que as medidas brilhantes que possam vir do governo e da saúde, se a população não colabora fica complicado controlar o vírus. Então eu queria saber o que é que vocês têm feito, como que tem sido o controle da segurança, porque existem casas noturnas de alto padrão aqui na capital fazendo festas, festas secretas. Não seria essa palavra. Clandestinas?! Como é que está a fiscalização e qual a punição tanto para os proprietários dessas casas noturnas quanto também pras pessoas que estão indo até lá? Pro pessoal da saúde, já que há tanta especulação se teremos uma segunda onda emendada com a primeira, o que é que vocês teriam a falar sobre isso? E a última, eu prometo, existe um prefeito de uma cidade turística que por mais que a gente esteja falando sobre os perigos da pandemia, ele já está se preparando para o carnaval e preparando um kit Covid com Azitromicina, Cloroquina, Anita. Coisa que já foi explicado em março e abril que esse tipo de medicação não é preventivo contra a Covid. Então, eu queria que vocês como autoridade da saúde falassem a respeito. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada pelas perguntas. Sobre o tema econômico, responde Patrícia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico. E as duas últimas perguntas sobre a segunda onda e também medidas inadequadas como essa que você mencionou serão respondidas pelo Jean Gorinchteyn, secretário da saúde. Patrícia.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Bom, pro comércio nós temos protocolos estabelecidos que devem ser cumpridos desde uso de máscaras, medidas de distanciamento, estão todos detalhados no site do governo de São Paulo, na aba do Plano São Paulo, e nós temos também a padronização específica pra cada município de acordo com os critérios locais que devem ser seguidos. Os estabelecimentos... tem uma mensagem que é continuar seguindo os protocolos, nós inclusive estamos avaliando com diversos setores e temos aqui um retorno bastante positivo das medidas que estão sendo aplicadas pra quem descumprir, o estado de São Paulo tem regras também desde multas pra questão de descumprimento de uso de máscara nos estabelecimentos comerciais até questões mais graves. Esse exemplo das festas ilegais, elas não estão permitidas. Qualquer estabelecimento que descumprir as regras será lacrado, na verdade é um outro tipo de problema muito mais grave, eles não poderiam estar fazendo isso e tem aí uma série de penalidades muito mais graves também. Mas a segunda mensagem é que todos continuem fazendo o seu trabalho, a população ao ir a esses estabelecimentos, respeitar o protocolo também. Nós estamos num momento sensível onde há primeiro o recrudescimento da pandemia, e também uma necessidade de retomada dos estabelecimentos comerciais. A única forma de nós continuarmos uma retomada gradual será controlando a pandemia, e pra isso nós precisamos fazer a nossa parte. Talvez seja uma mensagem maior, Carolina, pra nós como população, como consumidores, como clientes de respeitarmos. Não é momento de festas, não é momento de aglomerações, não é momento de celebrações em bares. Nós adoraríamos chegar esse momento, e vamos chegar mais rápido na medida que todos passem a respeitar os protocolos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. As duas perguntas seguintes feitas pela Carolina serão respondidas pelo Jean Gorinchteyn, secretário da saúde. Jean.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Existe uma necessidade como eu disse, de nós recebermos dados muito mais robustos pra ter uma ideia do que realmente vem acontecendo. E é claro que esses dados robustos que vão dar a ideia se nós estamos tendo um repique, ou um incremento que não obrigatoriamente trata-se de uma segunda onda, mas um incremento do número de casos e o quanto isso realmente vai repercutir. Por isso, nas próximas semanas teremos esses dados em mãos pra podermos definir o que realmente tem acontecido. Qualquer projeção hoje passa a se considerar achismo. Eu acho, eles acham, nós acreditamos. Mas esses dados eles vão ter que estar muito bem claros e vão ser compilados como disse, nos próximos dias, uma vez que passou a haver a normalização da plataforma do Ministério da Saúde, o Sivep Gripe, que voltou a funcionar há pouco mais de 48h, e aí sim permitindo que os municípios brasileiros e também por consequência os municípios de São Paulo possam fomentar os dados e trazer então uma melhor análise para compreensão do que acontece. Com relação ao que acontece numa determinada cidade, Carolina, seria muito interessante que todos soubessem da onde vem esse ato de irresponsabilidade. É um ato de irresponsabilidade no meio de uma pandemia, numa doença que ceifa vidas, ela não só destrói sonhos, mas ela destrói vidas, destrói famílias. Então, se infelizmente nós não temos quem esteja no Poder Público de determinadas municipalidades a preocupação em cuidar dos seus munícipes, é importante que nós saibamos pra que nós possamos realmente apontá-los para que nós não coloquemos uma só vida em risco. Por outro lado, eu quero ressaltar que todos os kits de medicamentos, infelizmente eles já são e já foram testados tanto fora do país, em vários estudos com grande número de pacientes, e também foram realizados aqui no Brasil com grandes instituições num grupo que nós chamamos de grupo de coalisão que juntou vários hospitais de São Paulo, também do Rio Grande do Sul, bem como de outras regiões, e que também não confirmaram que essas medicações mesmo em pacientes com quadro clínico leve devessem estar tomando. Ele não é funcional tanto para o tratamento quanto pra prevenção, pra profilaxia. A única forma que temos de nos prevenirmos são com medidas sanitárias de distanciamento entre as pessoas, evitar aglomeração, o uso de máscaras e também a higienização das mãos, seja com a lavagem com água e sabão, ou com álcool gel quando nessa primeira possibilidade estiver distante.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean. Antes de passar pra Nanny Cox da Rádio Jovem Pan, Carolina, colocação feita por você, mais do que uma informação é uma denúncia. Como governador do estado de São Paulo, se você puder fazer uso do microfone, eu gostaria de saber qual a cidade que você se refere? Qual é esse prefeito que tem uma postura tão irresponsável como essa que você colocou. Não quero lhe constranger, mas é um dever informar até pra que possamos tomar medidas imediatas, isso é uma colocação grave a meu ver.

CAROLINA RIVENGO, REPÓRTER: Na verdade, em parte o senhor vai ficar aliviado porque não é aqui de São Paulo, é de Salvador, Bahia. Porém, há muitas pessoas aqui no nosso estado que se deslocam pra lá e que ainda insistem que... "Ah, o medicamento. Ah, a Covid não é tão forte assim". Então, pra que as pessoas daqui tenham essa percepção já que aqui vocês não têm o menor controle do prefeito de lá da Bahia.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Só pra esclarecer também, não se trata do prefeito de Salvador, é um prefeito de um município na Bahia, é uma prefeitura na Bahia. É isso?

CAROLINA RIVENGO, REPÓRTER: Isso.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Tá bem. Vamos então agora, Nanny Cox da Rádio Jovem Pan. Nanny, obrigado pela sua presença. Ajustar o microfone pra você. Boa tarde. Sua pergunta, por favor.

NANNY COX, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde pra todo mundo. A prefeitura aqui de São Paulo descartou voltar pra um lockdown. Eu queria saber se o governo também descarta essa regressão grande assim pro lockdown, né? Eu sei que vocês têm falado que não descartam regredir algumas fases, mas se pode chegar nessa questão um pouco mais severa. E a minha segunda é sobre campanha eleitoral, né? Tem tido bastante aglomeração na campanha dos dois candidatos aqui do segundo turno, então eu queria saber se o governo pretende, talvez, aconselhar que eles evitem essas agendas nas ruas. Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Nanny. As duas perguntas serão respondidas pelo Jean Gorinchteyn. Mas em relação a segunda, eu queria apenas esclarecer. Vamos responder novamente, mas isso já foi mencionado aqui praticamente por todos, com exceção do Rossieli como secretário de educação, todos já mencionaram de que isto é inadequado e já fizeram advertência de que muito, inclusive, daquilo que nós estamos vivenciando neste momento é fruto da aglomeração nas eleições do dia 15 de novembro. Portanto, não se justifica nenhum tipo de aglomeração e ela é inadequada, pois ela coloca em risco a vida das pessoas nesse momento, seja em São Paulo, seja em qualquer outra cidade do estado de São Paulo e do Brasil. Mas mesmo assim as duas perguntas serão respondidas por um médico infectologista que é o secretário da saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: O Governo do estado de São Paulo ele descarta totalmente a realização de um lockdown. Isso não foi feito nem lá nos primórdios, e nem nos períodos em que nós tínhamos realmente uma taxa de ocupação em unidades de terapia intensiva que superavam 95%, algumas chegavam a atingir 100%. Hoje nós temos leitos disponíveis, nós temos respiradores, nós temos hospitais tecnicamente habilitadas e nós temos índices da saúde que não nos revelam sequer, hoje, a despeito dos números qualquer necessidade de retroceder no faseamento do Plano São Paulo. Então, reforço e reitero: Nós não faremos o lockdown, assim como todos os países lá fora que o fizeram se arrependeram dessa medida, seja na Europa, seja no próprio Oriente Médio, em específico Israel.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado, Jean. [ininteligível] mais uma vez, muito obrigado. Vamos agora ao Portal IG, com Eduarda Esteves. Eduarda, sempre bem-vinda, boa tarde, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Essa pergunta é para o Dimas Covas: O Butantan pensa em solicitar ao Governo Federal o uso emergencial da Coronavac? Também queria saber como é que estão essas tratativas da inclusão dessa vacina no Programa Nacional de Imunizações. O secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, falou sobre o decreto do não fechamento de leitos para hospitais públicos e privados, leitos para Covid. Nesse sentido, o governo pensa em reativar os hospitais de campanha no estado? E uma última pergunta é: Se fechar o comércio não está em questão no momento, qual vai ser a estratégia utilizada pelo Governo do Estado para conter uma possível segunda onda aqui no país? Obrigada.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bem, Eduarda, a primeira pergunta será, evidentemente, respondida pelo Dimas Covas, a quem você dirigiu, e as duas outras pelo Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, na legislação brasileira não está previsto o uso emergencial, como tem sido anunciado lá nos Estados Unidos, em relação ao FDA. E seria uma situação, na minha opinião, obviamente, necessária. Uma vez se tendo a segurança da vacina determinada e a sua eficácia, nós teríamos que partir rapidamente para a possibilidade da vacinação. Mas isso é a minha opinião, porque o uso emergencial não está previsto nas normas atuais. Com relação aos entendimentos com o Ministério da Saúde, esses entendimentos nunca foram interrompidos, tanto é que, desse grupo de produtores de vacina que o Ministério tem chamado mais recentemente, nós somos o primeiro a conversar com o Ministério. Temos conversado com o Ministério desde julho, depois voltamos a conversar em agosto, e em setembro apresentamos uma proposta formal de fornecimento. E aí houve, sim, a manifestação de interesse do Ministério, desde que a vacina estivesse registrada, o que pode acontecer muito rapidamente. Então, no meu entendimento, ainda prevalece esse acordo ou esse protocolo de intenções, que foi formalizado pelo Ministério da Saúde.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: A despeito do fechamento dos hospitais de campanha, que foram fechados exatamente porque nós tínhamos baseado nos índices a possibilidade de se encerrar atividades de alguns leitos, que eram destinados a Covid. Lembrando que sempre mantivemos a estratégia de não fazê-los, da mesma forma, com a mesma velocidade, nos hospitais, tanto públicos quanto nos hospitais privados. Isso fez com que hoje nós tivéssemos mais de 80% dos leitos ainda em atividade, o que dá a tranquilidade, a segurança para nós não precisarmos pensar sequer na reabertura de qualquer um desses leitos hospitalares dos hospitais de campanha. Por outro lado, quando nós falamos em termos de fechamento de comércio, de segunda onda, nós temos que lembrar que o que vem acontecendo em São Paulo não acontece apenas em São Paulo, acontece no país. E seguramente medidas acautelatórias devem, precisam ser tomadas em conjunto com o Governo Federal, junto a todos os estados, a fim de que medidas públicas sejam severamente tomadas, para que nós não tenhamos o incremento em alguns locais, que, diferente do Estado de São Paulo, tem a possibilidade de ter o Plano São Paulo como regente, que tem a possibilidade de ter um grande número de centros hospitalares, adequadamente preparados para assistência da nossa população. Então, são essas medidas que, em conjunto com os poderes, na sua tripartite federal, estadual e municipal, vão garantir vidas de brasileiros. Nós não podemos esquecer isso. Mas nós temos que, individualmente, impedir que as aglomerações ocorram. Hoje nós observamos que os comércios, na sua maioria, seguem as normativas, e são punidos por comércios ambulantes que acontecem lá do lado de fora, que atraem pessoas, que aglomeram pessoas, que sequer seguem a égide das normas sanitárias. É importante que todos, nesse momento, entendam que somos todos importantes, somos todos responsáveis.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean, Eduarda, obrigado pelas perguntas. Vamos agora à penúltima intervenção de hoje, que é da Rede Brasil, com o Gilvandro Oliveira. Gilvandro, boa tarde, obrigado pela sua presença, sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador. Primeiramente, quero falar que nós estamos ao vivo pela Rede Brasil de televisão, pela Rede Mais FM, em nome de todo o nosso jornalismo, que acompanha desde o começo aqui nesses 145 dias, e também o programa Hora da Verdade. Governador, em nome também do presidente do grupo [ininteligível], nós estamos parabenizando a sua pessoa pela sua coragem em busca da cura, em relação ao nosso país, por ser brasileiro também. Em relação à minha pergunta, governador, o que falta de verdade para a Anvisa liberar e acelerar o início da vacina, já que está tudo certo entre o laboratório Sinovac e o Instituto Butantan? Parabéns pelos 120 anos. O que falta, na verdade?

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Gilvandro, primeiro, obrigado, parabéns por estar transmitindo ao vivo. Quanto mais informação, mais transparência, melhor conhecimento, melhor oportunidade da população dos brasileiros de São Paulo de adotarem as boas práticas de proteção, com uso de máscara, com distanciamento social, utilização de álcool em gel e as medidas sanitárias para proteção à vida. Então, muito obrigado. Em relação à Anvisa, responde o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Gilvandro, um processo de utilização de vacina tem três elementos fundamentais: um é a vacina. Então a vacina começa a chegar, vamos ter essa vacina aí muito rapidamente até o começo do ano. O segundo ponto é a certificação da Anvisa de quem produz a vacina. Então, o Butantan, ele é certificado, porque produz 75% das vacinas usadas no Brasil, e tem agora nesse momento uma equipe da Anvisa na China, para certificar a fábrica da Sinovac. Quer dizer, os técnicos da Anvisa estão lá, cumprindo um período de 14 dias de quarentena, para poderem fazer a inspeção. E tem o terceiro componente, que é a conclusão do estudo clínico, estudo clínico de fase 3, que visa a demonstrar a eficácia da vacina. Então veja, a vacina nós estamos começando a receber, a certificação está em curso e o estudo clínico está muito próximo do seu término. A hora que nós reunirmos esses três elementos, nós vamos ter o chamado dossiê, ou seja, o conjunto de documentos que permitem à Anvisa deferir o registro. Esperamos que esse dossiê esteja completo até o final desse ano, o que permitirá à Anvisa proceder o registro, logo no início do ano que vem.

REPÓRTER: Então ainda há esperança, né...

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Há toda a esperança, e a esperança não é apenas do Governo de São Paulo, Gilvandro, é a esperança dos brasileiros do nosso país. Eu já mencionei aqui no início desta coletiva de imprensa que o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, deveria colocar todas as suas forças para acelerar a aprovação das vacinas, incluindo a Anvisa. Mesmo como agência independente que é, e é o seu papel, ser uma agência de vigilância sanitária independente, mas dada a circunstância que estamos perdendo mais de 500 vidas todos os dias, a prioridade deve ser a vacina. Dada a circunstância, estamos vivendo uma pandemia de altíssima gravidade no país, e com dificuldade para que as pessoas sigam as orientações de usarem máscara, de não fazerem aglomeração, de terem o distanciamento social. Isto é evidentemente, as pessoas estão cansadas, mas precisam ser orientadas a continuar a fazer isso. Não faz sentido o distanciamento do Governo Federal e mesmo do Ministério da Saúde em relação a este tema. Este deveria ser o tema central do Governo Federal neste momento, inclusive fazendo coletivas de imprensa, como nós fazemos aqui, dando transparência semanalmente a todos os atos e iniciativas que temos, e também para debater e responder as questões que a imprensa faz e formula sobre o Coronavac, sobre o Corona Vírus e também sobre a vacina, aqui em São Paulo. Isso não acontece no Governo Federal, não acontece no Ministério da Saúde. Diante de uma pandemia, é triste ver o descalabro e o distanciamento do Governo Federal naquilo que deveria ser a sua obrigação prioritária nesse momento: proteger a vida dos brasileiros. Obrigado, Gilvandro. Vamos agora à última pergunta, que é da TV Globo, GloboNews, com o jornalista Willian Kury. Will, boa tarde, obrigado pela sua presença. Sua pergunta, por favor.

REPÓRTER: Boa tarde, governador, boa tarde a todos. Tenho algumas perguntas hoje, primeira em relação ao crescimento de internações e também a ocupação de leitos de UTI. Eu queria saber se esse crescimento hoje, ele está em que ordem? Porque a gente estava falando num crescimento de 18%, eu queria saber como é que está agora, no valor atualizado. E também separando por hospital público e particular. Também queria saber sobre os hospitais de campanha, se eles podem ser reabertos, dependendo do que aconteça com a evolução da pandemia, e se essa reabertura de hospitais de campanha, aqui em São Paulo, ela é viável, já que eles já foram desmontados. Uma outra pergunta que eu tenho em relação aos números que estão sendo divulgados diariamente, eu quero saber se eles ainda sofrem interferência do represamento por conta da falha que houve no sistema, por cerca de uma semana. Eu queria saber se esses números ainda são influenciados ou se são números que podemos considerar que são notificações diárias de fato. Obrigado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Will. São três perguntas, eu vou pedir ao Jean Gorinchteyn que possa responder as três. Se Medina ou Gabbardo desejarem intervir, por favor, fiquem à vontade. Então vamos tentar atender às três perguntas feitas pelo Willian Kury, da TV Globo, GloboNews. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Nós tivemos na semana anterior um incremento do número de internações, tanto de hospitais público quanto de hospitais privados, nas cifras de 18%. Essa semana, vocês puderam ver através das tabelas que nós passamos a ter 8% de incremento, mas incremento em relação à semana 45. Dessa maneira, o que nós observamos? Nós observamos que esse dado é um dado que se baseia em dados reais, uma vez que ele não sofre influência desta plataforma do Ministério da Saúde. Então, houve sim uma elevação dos números de casos, que, comparativamente à semana anterior, o incremento foi menor do que aquele observado nas semanas anteriores. Dessa maneira, quando nós olhamos de forma setorizada, especialmente para os hospitais públicos, nós observamos 12% para alguns deles, 14% para outros, mas nós tivemos na rede privada um incremento na cifra de 25% a 26%, alguns deles um incremento ainda mais pronunciado, principalmente naqueles hospitais que eram objeto de leitos voltados a pacientes de outros estados e que continuaram então a ofertar os seus leitos para esses pacientes. Todos os números de leitos que nós disponibilizamos nos permitem hoje, como disse, nós temos uma cifra de ocupação de leitos muito superior àquela que nós tínhamos no passado, dando a possibilidade de assistir aos pacientes. Por isso, a desmobilização dos hospitais de campanha foi feita. Nós estamos seguindo toda a ritualística de contabilizar, como disse, o número de casos, tendo uma atenção reforçada para não desmobilizar ainda mais leitos, que possam ser necessários, como disse, tanto de UTI como de enfermaria, assim como impedindo a utilização dos leitos ali disponíveis para outras condições clínicas, inclusive as cirurgias não emergenciais para as quais tecnicamente chamamos de eletivas. Então tudo isso deixa um cenário que nos afasta muito de imaginarmos numa possibilidade de hospitais de campanha, que se mostraram fundamentais naquele momento, enquanto preparávamos a estrutura hospitalar que dispomos hoje. Por outro lado, os dados que nós temos em relação a internação, eles não sofreram interferência alguma da plataforma do Ministério da Saúde, diferente do número de óbitos e número de casos. E esses ainda estão [ininteligível] daquela esfera, uma vez que ainda estão sendo compilados de forma gradual pelos municípios, que têm a responsabilidade de fomentá-los. E é exatamente isso que faz com que nós precisemos mais dias para observarmos o número real, esse sim, verídico, que vai pautar as estratégias no Plano São Paulo aqui em nosso estado.

JOÃO DORIA, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Will, obrigado pelas perguntas. Antes de terminar, queria agradecer a presença do General Campos, secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, obrigado por estar aqui conosco, General. Vocês, que estão nas suas casas, vou fazer aqui como pai de família, tenho três filhos, um apelo para que vocês, por favor, tenham consciência, protejam as suas vidas, as vidas dos seus filhos, dos seus pais e dos seus avós. Usem máscara sempre que saírem de suas casas, ou do seu trabalho. Não façam aglomerações, nem à noite, nem em bares, nem restaurantes, nem festas, nem calçadões, nem em praia e nem em parques. Aglomerações aumentam a incidência da Covid-19. Aumentando a incidência, a infecção se espalha. Se espalhando, aumenta o número de óbitos, e todos nós queremos viver. A vida é a existência, é a maior dádiva que todos nós temos. Vamos nos proteger até a chegada da vacina. Quando da vacina aplicada e imunizada, poderemos voltar a ter a nossa normalidade. Falta pouco para isso, portanto tenha paciência, tenha resistência e proteja a sua vida. Muito obrigado, até a próxima coletiva, na segunda-feira, às 12h45. Obrigado.