Coletiva - Governo lança rede de pesquisas para prevenção e tratamento do novo coronavírus 20200303

De Infogov São Paulo
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Coletiva - Governo lança rede de pesquisas para prevenção e tratamento do novo coronavírus

Local: Capital - Data: Março 03/03/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SÁUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Nós estamos reunidos agora conforme foi colocado isso para vocês. O centro de contingência, nós montamos junto com o centro operacional, [Ininteligível] operações e emergência, que nasceu com o episódio de Brumadinho. E aqui então nós temos dois comitês, um operacional de ações que a gente vem tomando ao longo do tempo, e um outro de especialistas que vai nos ajudar a conduzir, coordenar todo este trabalho dentro da possível epidemia que nós estamos vivendo. Quem coordena esse grupo é o doutor David Uip, e vou passar a palavra para ele, para ele contar para vocês, tirar as dúvidas que vocês tiverem a respeito do nosso trabalho.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Muito boa tarde, muito obrigado a todos, obrigado, secretário. E hoje esse grupo criado por determinação do secretário, e uma decisão do governador João Doria, se reúne pela primeira vez para alinhar como é que o grupo vai trabalhar. Então do ponto de vista geral, ele vai trabalhar de duas formas, uma presencial, e uma através de contatos por vias modernas de estabelecimento de contato, Whatsapp, e o que for necessário. Então esse grupo chegou à algumas conclusões do ponto de vista das suas funções e obrigações junto à secretaria e o governo do estado, ele inicialmente se divide em três grupos, um grupo que vai fazer toda a parte de pesquisa. A pesquisa multicêntrica estadual, a pesquisa multicêntrica nacional, e vai fazer a intermediação com a pesquisa multicêntrica mundial. Tanto a pesquisa fomentada pelos órgãos oficiais, e eu incluo Fapesp, incluo Ministério de Ciência e Tecnologia e outros órgãos fomentadores oficiais, como a pesquisa junto à iniciativa privada. Bom, esse grupo vai trazer toda essa intermediação de avançado em ciência, entendendo que no momento de uma pandemia você tem que usar para avançar em novos conhecimentos. Esse grupo vai estar voltado fundamentalmente para duas áreas de pesquisa, no primeiro momento, que é a pesquisa de novos medicamentos, e a pesquisa de vacina. Então cada um se voluntariou, depois no caso nós nomeamos cada um. Também uma notícia que é importante, está se juntando, vai ser convidado para se juntar a esse grupo, não foi de antes por conta de esquecimento pessoal, o pessoal da Unicamp, nós estamos convidando o doutor Rodrigo para participar do grupo, representando também a Unicamp. O segundo grupo é o grupo que vai cuidar de toda a parte de comunicação, então são alguns de nós que tem experiência em comunicação, e o primeiro trabalho é um convite que vai ser feito a todos vocês, para que vocês possam se atualizar conosco junto ao Coronavírus. Nós já fizemos isso antes com muito sucesso, no sentido de estar informando aos jornalistas a decisão indicada ao órgão representado, que indique pessoas para vir fazer parte, entre aspas, de um curso inicial, do que é o Coronavírus, epidemiologia, o que se prevê no inicial de informação. E na sequência no SUS, palestras de atualização, para que nós tenhamos a melhor informação e a mais técnica possível. Nós entendemos que entre nós e a sociedade tem uma situação de absoluta e vital importância, que é a comunicação que vocês representam. Nós temos a comunicação, que eu chamo de formal, que é essa que nós conhecemos, e tem a outra comunicação que nós também precisamos ser ajudados, que é a comunicação pelas redes sociais. Então é importante que nesse momento a população tenha a melhor, a mais técnica e a mais adequada informação. Nós estávamos falando aqui com o secretário da coordenação, vocês estão fazendo uma informação de primeira qualidade, mas a velocidade para nós, para nós acompanhamos a velocidade da informação não está sendo, a informação científica. Então cada momento tem uma nova informação. E nós queremos ter como transmitir essa atualização da nova informação a todos os jornalistas à despeito da área. E o terceiro grupo vai trabalhar com protocolos, no sentido de auxiliar a secretaria. Desde os protocolos assistenciais, até protocolos de performance em cima do que é mais atual e o que é mais conhecido. Então este grupo ele já imediatamente começa a trabalhar com essas três áreas, e pretende em tempo real estar já ofertando à secretaria e ao governo possibilidades [Ininteligível], inclusive os protocolos científicos. Protocolo científico é algo que nós temos muita experiência, já fizemos e foi passado em outras situações, quem pesquisa melhora a assistência, melhora o entendimento da doença. Então faz parte de um hall de obrigações desse grupo também fazer a pesquisa, e inicialmente as pesquisas clínicas. Bom, mas vocês não têm nem paciente para fazer a pesquisa, mas seguramente nós teremos. É muito melhor estar organizados antes do que você esperar para se organizar depois inclusive em pesquisa. O protocolo a mesma coisa, os protocolos operacionais isso são diminuir obrigação e já andam na secretaria a sua parte operacional, nós vamos estar ajudando a secretaria no conceito operacional, a operação, a execução obviamente é da secretaria. É só isso mesmo, né?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SÁUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Exatamente. Nós temos a coordenação [Ininteligível] operação, como eu disse, [Ininteligível], junto com a Helena, tem feito essa coordenação das atividades e as ações que a gente tem colocado para os pacientes, ou as orientações que a gente tem colocado para os profissionais de saúde. Participamos junto com a prefeitura semana passada, da capacitação de 2 mil profissionais de saúde, porque a capacitação é extremamente importante, e no caso para que todos trabalhem da mesma maneira. A outra é a questão de recursos que nós temos que buscar no sentido de aparelhar a rede, eu chamo de rede porque de fato nós temos uma rede, poucos estados brasileiros tem a quantidade de hospitais que nós temos aqui em São Paulo, e nós vamos procurar aparelhar toda a rede com esse objetivo de agora. Necessita de leitos de terapia intensiva, que nós já desencadeamos uma abertura de novos leitos [Ininteligível], e já temos uma nova reunião com o HC amanhã, para a gente tentar ver esse assunto também. Enfim, estamos procurando nos antecipar ao caminho do vírus, vamos chamar dessa maneira.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Mais uma implementação, esse grupo trabalha com cenários, então a imprensa perguntou muito isso, e nós trabalhamos com cenários, um cenário mais otimista, e até um cenário menos otimista, cabe à secretaria, cabe a nós assessorarmos a secretaria, nos diversos cenários, uma epidemia leve, e a coisa como veio, vai, até uma epidemia à semelhança do que aconteceu na China, mas nós vamos estar preparados para um atendimento daquilo que for demandado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SÁUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Acho que talvez aproveitar esse momento, porque a cada dia nós atualizamos a situação na cidade de São Paulo, e a situação hoje no estado de São Paulo, aquela que sai nas informações do Ministério da Saúde às 16h, é de 130 casos suspeitos, e descartados até o momento nós temos 104, confirmados continuamos com aqueles dois casos já conhecidos de vocês.

HELENA SATO, DIRETORA DO CENTRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: Eu queria só complementar quem me antecedeu. Mais uma vez eu quero agradecer a colaboração nas nossas entrevistas. Então neste momento nós estamos mais uma vez informando a população a importância da notificação dos casos suspeitos. Então o que houve de mudança nesses últimos dias foi a inclusão de novos países, então além da China tem a inclusão de outros países, onde essas pessoas dos casos suspeitos passaram, que também serão incluídos. Então a minha fala é assim mais no sentido de agradecer o grande apoio que vocês têm nos dado, a participação no sentido de passar a adequada informação.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Só aproveitando no caso, esclarecendo um pouco como é que vai ser essa pesquisa, nós estamos criando uma rede de pesquisa estadual, envolvendo os hospitais universitários, laboratórios, tanto da rede privada como da rede pública. É uma rede estadual que envolve quem tem perfil para pesquisa. Então nós temos o nosso grande laboratório público, que é o Instituto Adolfo Lutz, que vai estar qualificando e credenciando outros laboratórios. Já existem laboratórios da rede privada com essa competente inclusive em pesquisa. E da mesma forma, os hospitais privados e públicos. Então é uma grande rede estadual, e não exclusa, ela interage com os hospitais de referência, interage com a rede privada, e os hospitais inclusive, principalmente os hospitais universitários.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SÁUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Queria aproveitar a fala da [ininteligível] a respeito do [ininteligível]. Então, Jader, a esse respeito que o [ininteligível] colocou aqui, que nós estamos fazendo uma constante e periódica apresentação pra vocês de questões técnicas, o que é caso suspeito? Caso suspeito, ele veio ou viajou para um dos 17 países, agora incluiu os Estados Unidos, né, então são 17 países, e está com sintoma [ininteligível]. Viajou por esses países e está com sintoma ou, então, aqueles que tenham tido contato com pessoa que viajou e depois foi confirmado. É isso aí significa a suspeita. Eu vou passar pra pergunta, por favor, quem quiser perguntar.

ELISA MARTINS, REPÓRTER: Boa tarde. Eu sou a Elisa Martins, do Jornal O Globo. Só pra se certificar dos números que foram falados, então, são 130 suspeitos, todos são de casos importados, digamos, a gente não pode dizer que tem uma presença interna, certo, não são de pessoas que tiveram contato com os casos já confirmados, são todos importados? E sobre os dois casos confirmados, atualizar um pouco do estado de saúde deles, e do primeiro paciente, que foi quem entrou em isolamento há mais tempo, ele já não apresenta os sintomas? Foi feito um novo exame, pra ver se ele ainda dá positivo pra corona vírus? Como é que tá isso? Se vocês puderem atualizar dos dois, por favor.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SÁUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Realmente, em relação a casos suspeitos é isso, de ontem pra hoje nós tivemos, descartamos 56 daqueles 163 que nós tínhamos, 56 já tiveram seus exames negativos pra corona. E tivemos inclusão de notificações de três novas identificações de corona, são 130 casos suspeitos nesse momentos, todos viajaram. Os casos que nós tivemos suspeitos de contatantes dos casos confirmados já tinham sido descartados anteriormente. Os dois casos confirmados estão evoluindo bem clinicamente, mas ainda apresentam os sintomas [ininteligível] isolamento domiciliar. Acho que... Sobre os viajantes, isso?

ELISA MARTINS, REPÓRTER: Não, eu estava perguntando se eram todos casos importados.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SÁUDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sim, todos os casos--

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Todos são dois, né?

ELISA MARTINS, REPÓRTER: Não, dos suspeitos.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dos suspeitos, são todos casos importados.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu quero fazer uma pergunta [ininteligível] a respeito do sequenciamento. Foi divulgado que havia um sequenciamento diferente [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Primeiro [ininteligível] que esse trabalho foi feito pelo Instituto [ininteligível]--

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Gente, posso pedir um favor? É o seguinte, como tá sem caixa de som, a gente não quer... Os microfones estão todos aqui, então tá ficando... Tá com distorção aqui no áudio, tá bem ruim aqui.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então, sobre o sequenciamento, o trabalho foi feito pelo Insituto [ininteligível] em parceria com o Insituto [ininteligível], o vírus tem 30 mil posições que você sequencia, você dá uma letrinha pra cada posição, a diferença que existe entre cada vírus sequenciado é muito, muito pequena, pra vocês terem uma ideia, do primeiro, ele difere só em três de 30 mil posições, em que isso implica? Primeiro, o vírus, ele estagna, ele não muda o seu comportamento com o passar do tempo, ele não altera, ele não fica mais agressivo ou menos agressivo, na verdade, quando você olha as outras epidemias na história, não tem nenhum exemplo de um vírus que começou a causar um problema e ele foi mudando e se transformando em mais agressivo, especificamente, nem o HIV, que é o vírus que mais muda que a gente conhece. Então, o corona vírus é um vírus estável, ele fica, e ele permenecerá, provavelmente, com o mesmo comportamento que ele teve na China em qualquer lugar pra onde ele for. O que essas alterações permitem é a gente traçar onde que ele está andando, pra você, por exemplo, o vírus que foi isolado aqui no Brasil, no primeiro caso, o mais parecido com ele, embora ele tenha vindo da Itália, é um vírus isolado na Alemanha, então você consegue tirar pistas de que caminho que ele tá traçando, como a epidemia tá se espalhando e de que forma que ela, a gente pode fazer os esforços pra compensar. Finalmente, estas informações, mesmo que tenha discreta divergência entre um vírus e outro, facilita no desenvolvimento de vacinas, essas informações, elas são cumulativas, são colocadas dentro de base de dados, que estão disponíveis em todos os locais que estão fazendo sequenciamento, que já são mais de 170 vírus sequenciados no mundo inteiro, você consegue ter uma visão global de como tá sendo [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível].

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Queria fazer uma pergunta aqui [ininteligível] da TV Globo. Hoje saiu nos jornais que a vigilância do Ministério da Saúde, ela estaria desconfortável aí com a Organização Mundial da Saúde, que a gente já estaria num caso de pandemia, é o mesmo sentimento de vocês? O que vocês acham disso?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível]. Eu concordo plenamente com o Ministério da Saúde, eu acho que nós estamos [ininteligível]. Então, meu sentimento pessoal é que nós estamos [ininteligível]. Tem que parar com essa história de [ininteligível].

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E o que muda?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então, se ele está nos cinco continentes, então não é pandemia. Provavelmente, a Organização Mundial da Saúde tem outros argumentos para ainda não ter feito isso, tudo bem, mas o Ministério, aliás, nós estamos junto com o Ministério nesse sentido, tá? A liderança de todo esse processo está no Ministério da Saúde, a gente colabora muito com o Ministério, acho que não [ininteligível]. E, nesse sentido, acho que, de fato, estamos aguardando para rapidamente a Organização Mundial de Saúde colocar isso. Obviamente que isso vai dar uma chacoalhada aí a hora que ela colocar que é uma pandemia, mas não é nada diferente, só muda em termos de alguns critérios do seu comportamento enquanto atacar o problema, o enfrentamento do problema, mas na questão da doença não vai mudar nada, vamos estar na mesma condição que nós estamos agora.

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Nós já estamos tratando como uma pandemia [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] essas histórias de isolamento, quarentena prevalecem, o momento pandêmico [ininteligível].

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É esse caminho que vocês já estão seguindo, independentemente, justamente fazendo esses grupos e buscando mais apoio na rede hospitalar.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível].

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ainda não temos notícia de que o vírus está transitando pelo território nacional.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dados oficiais do Ministério da Saúde [ininteligível], existem dois casos confirmados, os dois importados, é o que se tem, isso pode mudar [ininteligível].

MARI, REPÓRTER: Desculpa, Mari [ininteligível] da TV Cultura. Na prática, como a gente ainda é um pouco leigo nisso, o que muda a partir da decretação oficial de uma pandemia?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu acabei de explicar, é exatamente isso, você vai [ininteligível], fica em segundo plano os [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] que vai mudar, nós não sabemos exatamente quando, mas vai mudar é a forma de fazer a vigilância dos casos, hoje nós utilizamos o critério--

ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Hoje nós utilizamos o critério de procedência, faz parte do critério desse caso suspeito ter procedência de determinados lugares, na medida em que se tem uma pandemia, onde o vírus circula por todas as áreas, esse critério, ele cai por terra, ele passa a não ter mais sentido. Então, hoje, nós ainda usamos, quando a gente fala de casos suspeitos, a procedência, veio dos países onde o vírus está sabidamente circulando. Provavelmente daqui a um tempo, podem ser dias, podem ser [ininteligível], nós vamos ter que rever esse critério e passar a trabalhar por gravidade e não por procedência, pra poder fazer a identificação dos casos.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] está aumentando muito em país com a circulação do corona vírus [ininteligível], por exemplo, já não é mais a China, já não é mais só Itália [ininteligível].

MARI, REPÓRTER: Obrigada.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível]. Há um esforço do governo, até pressa também, em reforçar pra população que não há motivo pra se alarmar, inclusive as duas pessoas infectadas recebem tratamento em casa, não vão a hospital, nada do tipo, muito tem se falado, né, de que o tratamento é esse, tem que ficar em casa, tomar água e, enfim, nada muito diferente de uma gripe comum. Eu queria saber, então, por que essa [ininteligível], essa preocupação tão grande do governo, se o vírus é um vírus que não tem tanta diferença de uma gripe comum, por que isso?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O mais novo entre nós aqui tem mais de 60 anos, nós já passamos por manifestos... nós somos da época da epidemia de Aids. Os manifestos ainda da epidemia, da doença meningocócica, 73/74. Então, assim que é, você dá a visão atual e real do que está acontecendo e se prepara para todo os cenários. Você faz os teus projetos de contingência dentro de uma situação leve até uma situação de gravidade. A situação da China foi uma situação de gravidade por peculiaridade da China. [ininteligível] o índice de contagiosidade. Agora, quem está do outro lado, os dois casos, tem obrigação de estar preparado. Vou te dar um número de como isso é problema. O professor [ininteligível] me informou que nós temos hoje 80 trabalhos em andamento, em busca de um novo medicamento anticoronavírus. O mundo está pesquisando, nós não vamos nos furtar dessa obrigação de pesquisar o novo medicamento. O Instituto Butantã está se alinhando a linha de pesquisa mundial e já está buscando junto a parceiros internacionais um protótipo de vacina. Então, isto é dever cumprido. Você cria os cenários e se prepara pra coisa. No fim da linha, não é tanto como foi a última vez, bom pra todo mundo, avançamos, amadurecemos, mas a população, a sociedade quis ser conhecedora do esforço do Governo, os três munícipes: Municipal, Estadual e Federal. Está apropriado aquilo que acontecer.

CARLOS, REPÓRTER: Oi. Carlos [ininteligível], Revista Pesquisa.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Queria acrescentar.

CARLOS, REPÓRTER: Ah, desculpa.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então eu queria acrescentar, se me permite aqui, embora a gente entenda que gripe é uma condição de magnitude séria, uma pequena proporção das pessoas, H1N1, por exemplo, elas vão ter quadros graves e vão requerer tratamentos intensivos. Então entre os casos descartados, por exemplo, nós temos vários de pessoas internadas por influenza A ou influenza B. Então o vírus não é tão, talvez, tão agressivo como se imaginava, mas é mais um vírus respiratório a vencer e que vai causar um número importante de casos mais graves que vão requerer atenção. Eu acho que é nessa perspectiva que a gente tem trabalhado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Professor, pra esclarecer. Eu cidadão, [ininteligível] que se torne pandemia. O secretário de Estado pleiteia junto ao Ministério da Saúde que vire pandemia. O Ministério da Saúde pleiteia junto a [ininteligível]. Quem determina a pandemia é só o órgão, Organização Mundial de Saúde. Não pense que nós estamos aqui divulgando que estamos em pandemia, eu pessoalmente estou pleiteando, o secretário junto ao ministério, o ministério junto [ininteligível]. Quem determina se é ou não uma pandemia, só tem um órgão que pode fazer isso que é a Organização Mundial de Saúde.

CARLOS, REPÓRTER: Carlos [ininteligível], Revista Pesquisa. Dr. David, em vista da sua, da sua visão, da sua experiência, o... esse vírus será que não vai aflorar o que os historiadores chamariam de nosso medo atávico das epidemias? Porque o Albert Einstein, de acordo com a matéria do Estadão de domingo, já houve cancelamento de consulta, já houve mil confusão porque o hospital estaria infestado de vírus. E a outra pergunta é se vocês já estão preparando materiais de comunicação específicos para escolas? Já houve uma certa dissonância em relação as ações das escolas, e para as empresas, e para as pessoas? E na epidemia anterior de febre amarela uma das, uma das [ininteligível] foi a de comunicação.

DAVID UIP, MÉDICO INFECTOLOGISTA: Veja bem. Tem coisa que eu absolutamente não concordo. Eu sei a posição do Estado, também por exemplo escolas privadas chamaram seus alunos, aqueles que vieram de outros países e os colocaram em quarentena. Nós absolutamente não concordamos. Não é necessário. Não, e é pior do que isso. Veja bem, daqui pra frente, a curto prazo, nós não vamos ter vacinas e nem medicamento específico. Então todo mundo que voltar de qualquer país volta em quarentena nos próximos meses? Não funciona. A mesma coisa, indústrias, bancos. Quer dizer, mais do que isso, em um órgão regulamentador da política pública que se chama Ministério da Saúde. Cabe ao Ministério da Saúde essa determinação. Agora, nós temos que enfrentar o dia a dia e isso está acontecendo. Como vencer as pessoas? Eu, por exemplo, eu fui ouvido por alguns colégios, eu achava, só fui atendido por um, todos os outros não me atenderam e decretaram a quarentena. Eu achei precipitado, desnecessário e desconexo com a política pública.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Será que não vem uma onda de pânico geral?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É por isso que nós estamos aqui pra evitar o pânico e contamos com vocês.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A gente queria [ininteligível] o seguinte script. Nós temos três eixos de trabalho, um deles é o epidemiológico. Diz respeito ao vírus, o caminho do vírus, tudo o que vocês já ouviram aqui. O outro é assistencial, estabelecimento de recurso, protocolo, clínica, enfim, tudo o que for necessário de diagnóstico e tratamento. O terceiro eixo é de comunicação. Hoje se inicia a campanha governamental, pública, no sentido... para atingir o público, vamos dizer, os jornais da noite, aonde vocês vão ver que começa uma nova campanha de esclarecimento. Já foi feito um manual, já foi publicado esse manual, já foram feitos gravações que foram para as escolas, as escolas públicas do estado de São Paulo se interligam e já receberam toda essa orientação por meio desta interligação. Uma escola privada que vá contra essa determinação, ela está indo contra uma política pública, mas nós não podemos o direito pra ir pra escola por causa disso que nós não temos dentro de uma campanha tem poder de polícia. Não é isso, é de orientação, de esclarecimento tanto do público quanto das pessoas que trabalham com isso.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Com essa, mais uma, pessoal. [ininteligível] pessoal, por favor.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, REPÓRTER: Boa tarde. Patrícia Figueiredo, do G1. Eu tenho duas perguntas. Eu queria entender primeiro, o primeiro caso a gente teve 34 pessoas monitoradas, 34 contactantes que eram monitorados com ou sem sintoma, eles eram monitorados todos os dias. Queria saber se isso se repete no segundo caso, quantas pessoas são monitoradas com ou sem sintomas. E uma dúvida a respeito da metodologia, na sexta-feira a gente teve uma coletiva e ficou determinado na coletiva que o caso de suspeito é necessário ter os sintomas, mais viagem, nosso país é de risco, ou contato com um caso confirmado. Na última comunicação a gente viu contato com um caso suspeito. Isso precisa ficar claro. O contato... tem que ter os sintomas e mais contato confirmado, ou também vale sintomas mais contato com outro caso suspeito? Porque isso não está claro ainda nas comunicações mais recentes. Acho que aumentaria bastante o escopo. Podem explicar pra gente essas duas perguntas?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Em primeiro lugar, quanto aos critérios. De fato, é possível ser suspeito se houve contato com o caso suspeito. Febre, sintoma respiratório e contato com o caso suspeito. Até descartar o caso suspeito, esse outro também é caso suspeito. Quando é contato com um caso confirmado, como foi a situação do primeiro confirmado, né, não é necessário ter febre, basta ter sintomas respiratórios. E o contato com o caso confirmado essa pessoa pode se transformar num caso suspeito. Em relação a contactantes do segundo caso confirmado. Existem, estão sendo monitorados, mas a gente está adotando uma política de não dar muitos detalhes por conta da privacidade das pessoas.

PATRÍCIA FIGUEIREDO, REPÓRTER: [ininteligível] foram descartadas?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foram todas descartadas. Se nós tivermos suspeitos nós podemos... Não temos suspeitos em relação ao segundo caso nesse momento.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] voltou pro Brasil, colocou uma máscara antes de ir pro voo, várias máscaras, ele e a esposa, [ininteligível] e já foram pra casa. Mas foram muito cuidadosos nesse sentido.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Passar pra última pergunta aqui, por favor.

MARCELA, REPÓRTER: Marcela [ininteligível] da CNN Brasil. Queria saber do secretário se a secretaria já montou um movimento de [ininteligível] aos postos por motivo de sintoma de gripe comum, e nos postos já teve um aumento? E se caso forem confirmados casos internos da doença o que é que muda na prática?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Acho que eu entendi sua pergunta. Primeiro se aumentou a demanda. Aumentou um pouco sim. Naturalmente as pessoas [ininteligível] coronavírus, ele vai [ininteligível] ele vai ao serviço médico. Até mesmo sem saber se ele tem qualquer sintoma, ele vai, é uma questão pessoal. Aumentou um pouco sim, não é nada muito significativo. Agora, a segunda pergunta?

MARCELA, REPÓRTER: É se forem confirmados os casos internos da doença aqui no Brasil o que é que muda?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Essencialmente isso... digo que o vírus está circulando entre as pessoas, na nossa população, e, portanto, aquele [ininteligível] meio de procedência, vindo de país onde o vírus está circulando, ele já não vai mais fazer sentido. Então a gente vai ter que passar a identificar casos suspeitos pela sintomatologia, a gravidade principalmente dele realmente, e não mais de com esse critério de nexo causal que a gente chama que é a procedência de um país onde o vírus está circulando.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pessoal, obrigado por hoje. Novas coletivas, novos informativos a gente passa pra vocês. Continuamos divulgando diariamente os nossos boletins e todas as ações que o Governo do Estado vem a fazer com relação a casos suspeitos e eventuais casos confirmados com a regularidade diária como já, já tínhamos feito anteriormente. Tá bom? Obrigado a todos.