Coletiva - SP assina acordo por 46 milhões de doses de vacina contra o coronavírus até dezembro 20203009

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Coletiva - SP assina acordo por 46 milhões de doses de vacina contra o coronavírus até dezembro 20203009

Local: RMSP - Data: Setembro 30/09/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa tarde, Queria começar cumprimentando os jornalistas que vieram presencialmente aqui nesse coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Agradecer também cinegrafistas, fotógrafos, técnicos que estão aqui. E aqueles que remotamente acompanham essa coletiva de imprensa. E alguns jornalistas que dela participarão remotamente. Agradecer também a audiência daqueles que pela TV Cultura nos assistem direto e ao vivo aqui no Palácio dos Bandeirantes. Nesta coletiva de imprensa de hoje teremos um convidado especial, o vice-presidente mundial da Sinovac, que acaba de chegar ao Brasil, o senhor Weining Meng, que está aqui ao meu lado, e teremos um anúncio muito importante que faremos na coletiva de hoje. Ao seu lado também, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã; Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde do estado de São Paulo; José Osmar Medina, coordenador do centro de contingência do COVID-19; João Gabbardo, coordenador executivo do centro de contingência do COVID-19; E os secretários Patrícia Ellen, Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia; e Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional do estado de São Paulo. Quero chamar a atenção dos jornalistas que aqui estão, das emissoras de televisão, de rádio, os jornais e os sites também, que hoje nós vamos assinar aqui com a Sinovac o acordo para o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina Coronavac. As vacinas serão entregues pela Sinovac ao Butantã no próximo mês de dezembro. Obviamente que vamos aguardar a finalização dessa terceira fase de testagem da vacina Coronavac no Brasil, e aguardaremos também a sinalização positiva da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os testes seguem até o dia 15 de outubro, sobre isso falará o presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas. Mas confiantes que estamos no resultado desta vacina, nos 50 mil testes realizados na China, sem nenhuma contraindicação, estamos avançando positivamente com esperança no coração, de que esta será uma das mais promissoras vacinas contra a COVID-19. E São Paulo não perde tempo, São Paulo quer ganhar vidas, quer proteger a saúde e a vida dos brasileiros de São Paulo. Vamos assinar aqui o contrato de fornecimento dessas 46 milhões de doses da vacina, e também o contrato de transferência de tecnologia para o Instituto Butantã, da Sinovac para o Instituto Butantã, que muito em breve estará produzindo a vacina aqui na nova fábrica da vacina do Butantã. Essa nova fábrica será objeto inclusive da nossa coletiva da próxima sexta-feira. O vice-presidente mundial da Sinovac, Weining Meng, veio ao Brasil, assinará comigo e com o doutor Dimas Covas este contrato, garante o fornecimento das 46 milhões de doses, agora para dezembro, e mais 14 milhões de doses da vacina até fevereiro de 2021. Totalizando assim 60 milhões de doses da vacina contra a COVID-19. São Paulo será um dos primeiros locais do mundo a ter a vacinação para a população. Repito, vamos respeitar todos os procedimentos que indicam a finalização da testagem, após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, e aí sim o início da vacinação, previsto até aqui, para começar no dia 15 de dezembro, em São Paulo. Com os profissionais da saúde, médicos, enfermeiros, paramédicos, aqueles que atuam em hospitais públicos e privados, e em todas as unidades de saúde, todas as unidades públicas, municipais e do governo do estado de São Paulo, no estado de São Paulo, aqueles que atuam nessas unidades serão os primeiros a serem vacinados contra a COVID-19. Segunda informação de hoje, com a taxa de ocupação dos leitos de UTI em queda no estado de São Paulo, o governo do estado começa a redirecionar leitos de UTI para o atendimento de outras doenças graves. Conforme já anunciado aqui, há dez semanas temos o número de internações por Coronavírus em queda no estado de São Paulo, dez semanas sucessivas em queda. A taxa de ocupação dos leitos de UTI que no auge da pandemia chegou a ser de 95% em algumas cidades, de algumas regiões do estado, alcançou o seu menor patamar esta semana no estado de São Paulo, com 44% de média de ocupação. Em alguns lugares foi inferior a 35%. Este bom indicador nos dá a possibilidade de começar a transferir gradualmente de maneira planejada os leitos de UTI que foram reservados e criados para receber pacientes do Coronavírus, para atender a demanda reprimida de cirurgias eletivas de alta complexidade, e tratar doenças graves como câncer e problemas cardiovasculares. Lembro a todos que São Paulo antes da pandemia tinha 3.500 leitos de UTI, hoje São Paulo tem 8.200 leitos de UTI. É a região mais bem preparada de toda a América Latina para o atendimento em Unidades de Terapia Intensiva. O estado de São Paulo sai na frente nessa nova situação no atendimento a milhares de pessoas que ficaram em suas casas aguardando a redução da pandemia, e a destinação de leitos para cirurgias eletivas e para correção de problemas de saúde através de intervenções cirúrgicas. A medida que anunciamos hoje é importantíssima para salvar vidas e reequilibrar o sistema de saúde pública no estado de São Paulo. Nós vamos agora, vou pedir a ajuda aqui da nossa equipe, convidar para colocar aqui à frente, uma mesa, e o contrato com a Sinovac, do Instituto Butantã, governo de São Paulo, com o maior laboratório privado da China, e um dos maiores laboratórios privados do mundo, que é a Sinovac, para a assinatura do contrato que estabelece o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina contra a COVID-19. E também a transferência de tecnologia para a produção da vacina pelo Instituto Butantã, em São Paulo. vou convidar para estarem ao meu lado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã, e o vice-presidente mundial da Sinovac, o senhor Weining Meng, vice-presidente presidente mundial da Sinovac. [outro idioma]. [outro idioma]. O senhor Meng responderá às perguntas oportunidade com tradução consecutiva do chinês para o português. Embora ele domine perfeitamente o inglês, mas dadas as circunstâncias, e principalmente a importância técnica científica, ele responderá em chinês, com a tradução consecutiva do intérprete oficial que está aqui ao seu lado, o senhor Chang Cheng Kai. Vamos então agora ouvir Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã, sobre o ato que acabamos de realizar aqui no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, no dia 30 de setembro de 2020, ao meu ver, uma data histórica com a assinatura do contrato para o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina contra o Coronavírus, e também a transferência de tecnologia para o Instituto Butantã, para a produção da vacina na nova fábrica que está sendo implantada no Instituto Butantã. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTÃ: Obrigado, governador. Obrigado, senhor Meng. A data de hoje é mais uma data festiva nessa nossa caminhada em relação à essa vacina, que é a vacina mais promissora nesse momento no mundo. Nós estamos de posse de dados de segurança, nós estamos de posse de dados de produção. E esse acordo que acabamos de assinar, governador, coloca o estado de São Paulo, o Butantã e a Sinovac em posição de destaque no mundo. Com certeza isso terá repercussão na mídia internacional, com certeza isso terá uma nova visão, dará uma nova visão para o que nós estamos fazendo aqui no dia de hoje. Então é uma data importante, que sinaliza o processo, o início do processo que inclui as doses de vacina, as 46 milhões para esse ano, mais 15 milhões até fevereiro do próximo ano, mas também o início do processo de transferência de tecnologia. E é importante, começaremos a receber agora em outubro a matéria-prima, a matéria semiacabada da China, e essa matéria-prima será transformada em vacinas aqui no Butantã. Então é isso também que trata esse acordo dessa transferência do conhecimento, da possibilidade de desenvolvermos o processo integralmente, começando já por essa fase de formulação em vase, e de controle de qualidade. Então o dia de hoje é importantíssimo. E temos ainda, além disso, uma segunda notícia importante no dia de hoje, vamos atingir hoje 7 mil voluntários vacinas, dos 13 mil, atingimos hoje 7 mil voluntários. Portanto, nesse momento o estudo clínico é de fase três, de uma vacina contra o Coronavírus aqui no Brasil, essa é a mais avançada. Isso nos enche de esperança em relação a termos essa vacina disponível e registrada na nossa ANVISA, até o final desse ano, e, portanto, já disponível para uso na população. Então um grande dia, um dia em que recebemos o senhor Meng, demonstrando exatamente a importância desse acordo com a Sinovac. Quer dizer, o vice-presidente mundial está aqui para fazer esse processo ganhar velocidade, e cumprirmos os prazos que estamos anunciando aqui nessa coletiva. Então, muito obrigado, governador. Muito obrigado, senhor Meng.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. Antes de passar a palavra ao senhor Weining Meng, vice-presidente mundial da Sinovac, queria registrar aqui que é o desejo do governo do estado de São Paulo de realizar esse programa de imunização através do SUS com o apoio do Ministério da Saúde. Nós entendemos que o tema da vida, o tema da saúde não é um tema político, nem partidário, nem ideológico, acima de tudo está a vida dos brasileiros. E tem sido nessa linha os entendimentos que temos mantido com o Ministério da Saúde, com o ministro Eduardo Pazuello, e os seus secretários. E até aqui não temos razões para duvidar que o Ministério da Saúde estará ao lado da Secretaria de Saúde e o estado de São Paulo neste programa de imunização contra a COVID-19. São Paulo não politiza a vacina, São Paulo não coloca ideologia, nem nenhum sentido partidário, e muito menos eleitoral em torno do tema da vacina. A nossa corrida é para salvar vidas e proteger as pessoas. [Pronunciamento em outro idioma].

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: [pronunciamento em outro idioma]. E agora nós vamos dar sequência com as informações atualizadas da saúde, sempre com o secretário da saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn. Jean.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Estamos na quadragésima semana epidemiológica. Ainda estamos em quarentena, por dez semanas consecutivas com queda no número de internações estamos hoje com um dos menores índices de toda a pandemia no nosso estado. Chegamos a 44% de ocupação em leitos de unidades terapia intensiva no estado e 42,5% de ocupação na grande São Paulo. Flexibilizamos serviços, estendemos horários de atendimentos, permitimos com que pessoas pudessem a voltar, a retomar as suas atividades profissionais. Da mesma forma, precisamos também retomar a saúde. Os índices da saúde pautarão o redimensionamento dos leitos das unidades de terapia intensiva, os atendimentos das várias doenças, uma vez que nós não temos só o Covid-19, mas muitas outras doenças, assim como as cirurgias, aquelas cirurgias que tiveram represadas no atendimento de ficar em casa. Agora é hora de nós retomarmos. No trabalho que faremos de forma gradual em conjunto com os conselhos de secretários municipais dos 645 municípios do estado de São Paulo em comunhão com as prefeituras. Dessa forma, poderemos analisar de forma individualizada cada uma das regiões, cada um dos municípios, e dessa forma poder realmente atender a todo o cidadão. Quero aproveitar, governador, e parabenizar a iniciativa do Governo do estado de São Paulo no enfrentamento do Covid-19, e toda a pandemia, e especialmente em ter entendimento de que nós só poderemos voltar ao normal se nós tivermos realmente uma vacina. Parabéns.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean Gorinchteyn, secretário da saúde do estado de São Paulo, médico, infectologista do Instituto Emílio Ribas. Vamos ouvir agora os comentários do José Medina, médico e coordenador do Centro de Contingência do Covid-19, na sequência, João Gabardo, coordenador executivo deste comitê de saúde. Medina.

JOSÉ OSMAR MEDINA, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, governador. Governador já destacou que nós estamos com mais da metade dos leitos de UTI Covid desocupados, e o comitê está fazendo simulações que compatibilizem a redução de leitos de UTI com a redução do número de casos, internações e óbitos. A sugestão é desmobilizar primeiro os leitos provisórios e transitórios através de um consenso entre Estado e Municípios e garantindo também a possibilidade de reativação dos mesmos, caso venha a ser necessário. É parte dos equipamentos desmobilizados, incluindo os respiradores devem ser utilizados na reposição de equipamentos antigos nas UTIs e uma parte que será mantida na reserva, caso haja necessidade de utilização até o controle definitivo da pandemia. Muito obrigado. Essa é uma evolução importante já no controle da pandemia no estado de São Paulo, mas continuamos mantendo alerta, recomendando todos os cuidados de toda população pra que os indivíduos, o comportamento de cada pessoa ajude na proteção coletiva.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Medina. João Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos que acompanham essa coletiva. Em relação a essa desmobilização dos leitos, acho que todos entendem a necessidade de que se tome essa iniciativa, mas eu queria reforçar um ponto que eu acho que é importante. Essa desmobilização dos leitos ela não pode ser feita de forma linear, ela tem que considerar a atual capacidade de leitos da região, ela tem que levar em consideração a taxa de ocupação pessoal, ela tem que levar em consideração o número de pessoas que ainda estão internando na região e a necessidade de leitos de UTI, e principalmente a capacidade, o percentual de leitos ociosos. Essa desmobilização ela não pode, de maneira alguma, deixar a região um risco de desassistência, e nós não podemos perder todo o esforço feito nesse período da pandemia pra que as regiões tivessem capacidade plena de atendimento e não deixar com que nenhuma pessoa venha a falecer por falta de assistência. Então esse ponto eu acho que é muito importante e deve ser bastante considerado quando tomarmos a decisão de iniciar essa redução, essa desmobilização nos leitos de UTI. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, João Gabbardo. Patrícia Ellen e Marco Vinholi ficarão no standby pra atender perguntas que eventualmente os jornalistas queiram fazer. Tema fundamental de hoje é a vacina e o ato histórico de termos assinado aqui o contrato para o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina, contrato já assinado. Transferência de tecnologia já assinado e um compromisso ainda não assinado, mas um compromisso verbalizado com o vice-presidente mundial da Sinovac, o Sr. Meng, para mais 14 milhões de vacinas entregues aqui ao Instituto Butantan até fevereiro do próximo ano. Vamos agora às perguntas. Pela ordem teremos: Rádio Jovem Pan, TV Cultura, a Agência Internacional AP, Associated Press, a CNN, o portal UOU, a Rádio Capital e a TV Globo Globo News. Com a palavra, Daniel Lian, jornalista da Rádio Jovem Pan. Lian, boa tarde. Prazer tê-lo aqui. Sua pergunta, por favor.

DANIEL LIAN, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde a todos. Eu gostaria de saber em relação aos entendimentos, como é que estão os entendimentos do governo de São Paulo com a Anvisa, e quando finalizados os testes, quanto tempo vocês estimam a liberação da vacina por parte da Anvisa. E sobre esses 46 milhões... as 46 milhões de doses iniciais, elas virão da China ou já serão fabricadas aqui pelo Instituto Butantan? E se me pergunta uma pergunta ao vice-presidente mundial da Sinovac, Sr. Weining Meng, como se dará essa transferência de tecnologia aqui pro Instituto Butantan?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Obrigado pelas perguntas, Daniel Lian. Todas importantes para o correto esclarecimento. Vamos ter a primeira e a segunda respondidas pelo Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, sobre o governo de São Paulo e Anvisa, e qual o tempo necessário, regulamentar. E também sobre as primeiras 46 milhões de doses da vacina. Na sequência, o vice-presidente mundial, Weining Meng, responderá a sua terceira pergunta. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Daniel, nós estamos trabalhando muito próximos a Anvisa. A Anvisa tem acompanhado todo o processo de desenvolvimento dessa vacina, começando pelos estudos clínicos, e agora já na fase de início do processamento da vacina aqui no Butantan, esse é um dos assuntos que estamos tratando junto com a Sinovac, o Sr. Meng, diretamente com a Anvisa. Na próxima semana, na quinta-feira da próxima semana visitaremos o presidente da Anvisa, exatamente nos aproximando, aproximando, né, e oferecendo a Anvisa do Brasil a possibilidade de cooperar diretamente com o órgão correspondente da China, a Anvisa da China no sentido de agilizar o processo, aí no caso da produção em si. A China mostra-se muito cooperativa através da embaixada, através do consulado, e nós vamos trabalhar junto com a Anvisa pra que qualquer dúvida que exista em relação às novas instalações da Sinovac lá em Pequim e o processo de produção aqui no Butantan sejam esclarecidas rapidamente pra que não tenha nenhum problema lá na frente na hora do registro da vacina. Com relação às doses, 40 milhões de doses serão processadas aqui no Butantan, 6 milhões de doses virão prontas da China para uso. Essas 6 milhões elas vêm na forma de um frasco com uma dose por frasco. E no Butantan será produzido vacinas, dez doses por frasco, que é a configuração do Programa Nacional de Imunização. Começamos esse processo de formulação agora em outubro, assim que recebemos a primeira partida de matéria-prima. Acho que são essas as informações. Sr. Meng, por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Antes, eu queria... Obrigado, Dimas. Eu vou pedir a você, Daniel Lian, se você não se incomodar, de você repetir a pergunta que é dirigida ao vice-presidente mundial da Sinovac, ajuda a esclarecer aos demais jornalistas que aqui estão e também ao próprio Sr. Meng. Por favor.

DANIEL LIAN, REPÓRTER: Sr. Meng, em relação à transferência de tecnologia pro Instituto Butantan, como se dará essa transferência de tecnologia e quais os benefícios para que essas atividades sejam realizadas aqui no Brasil?

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): Cooperação de transferência entre Sinovac e Butantã, o benefício é nós transportar esses materiais para o Butantã, aí reduzir lá bastante a logística, e Butantã pode produzir e oferecer à população brasileira mais rápido, e mais ágil. Brasil é um país grande, tem mais de 200 milhões de população, então precisa de bastante vacina. Então com a produção local a gente consegue fazer isso. Sabemos que esse título do Butantã é mais respeitado na área de vacina, por isso nós, Sinovac, cooperamos para fazer essa aliança junto com o Instituto Butantã, para que podemos trazer bastante vacina, uma vez em deixar o Butantã fazer a produção local, deixar preço acessível, e deixando a participação brasileira ficar mais fácil e consegue obter mais vacina com o mais curto tempo possível. Nós juntos com o Instituto Butantã temos outra parte de transferência de parte técnica, nossa intenção é o Butantã poder produzir vacina no local. Com isso podemos trazer benefícios para a população brasileira, ter uma vacina acessível, e ficar mais fácil de pegar essa vacina.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok, muito obrigado, Mr. Meng. Muito obrigado, Daniel Lian. Vamos então pela ordem, a TV Cultura, na sequência, uma pergunta online da Association At Press. Então Maria Manso, boa tarde. Bem-vinda, sua pergunta, por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Duas dúvidas, dois esclarecimentos. Esse contrato que vocês acabam de assinar tem algum valor monetário, quer dizer, o estado de São Paulo pagou alguma coisa para a Sinovac? E a respeito dessa principal informação do dia, essa data de 15 de dezembro para vacinação da imunização dos profissionais da saúde, eu queria saber se vocês já têm algum plano preparado para isso? Como vai funcionar? Se os profissionais de saúde vão receber duas doses, ou uma só, da vacina? E como é que em 15 de dezembro o estado imagina que vai lidar com a expectativa e com a frustração do restante da população que não é profissional da saúde, e que também vai querer procurar os postos para receber a vacina? Por favor.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria, a primeira pergunta sobre o contrato e valor, nós evidentemente já assinamos esse contrato com o Laboratório Sinovac, e a responsabilidade será do governo do estado de São Paulo, se o Ministério da Saúde não estiver alinhado com o governo do estado de São Paulo. Nós estamos trabalhando nesse alinhamento com o ministro Eduardo Pazuello, e eu tenho repetidas vezes dito aqui que o ministro tem sido positivo, tem sido republicano e tem dado um tratamento técnico à questão da vacina, sem nenhum viés ideológico ou político. Então peço permissa para manter sob reserva a questão de valores, porque eles serão compartilhados com o Ministério da Saúde, para termos a posição do Governo Federal através do ministério para a decisão de participar ou não deste programa de vacina. E isso remete à segunda pergunta que você fez, em relação à vacinação. Por óbvio, eu quero deixar mais uma vez, claro a todos que aqui estão, e os que nos acompanham de casa, que nós temos que terminar essa terceira fase de testagem que estamos cumprindo, conforme já mencionou Dimas Covas, presidente do Instituto Butantã. Toda essa fase de testagem está sendo acompanhada por um comitê científico, e obviamente pela ANVISA. E caberá à ANVISA dar a chancela definitiva, e, portanto, a aprovação para o início da imunização em 15 de dezembro. Dado ao fato de que já receberemos agora em outubro doses da vacina, 5 milhões de doses da vacina, nesse contrato de 46 milhões teremos as vacinas disponíveis para o início da imunização em 15 de dezembro. Mas só o faremos mediante aprovação da ANVISA. Haverá tempo suficiente no protocolo da ANVISA, para que ela analise tecnicamente, e emita o seu parecer, e espero a sua aprovação. Evidentemente uma vacina que ultrapassa a terceira fase de testagem é uma vacina eficaz. Portanto, vamos sempre dentro do caminho da esperança, e da positividade, mas também com cautela e com responsabilidade. E vale mencionar que o sistema de vacinação, e aqui responderá o nosso secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, que além de secretário, é médico infectologista e íntegra o Instituto Emílio Ribas. Portanto, ele é um especialista em imunizações. E aí vem uma outra informação também importante, feito o acordo com o Ministério da Saúde, e é isso que nós desejamos, estimamos e temos por expectativa, nós, e o secretário vai explicar, entraremos dentro do programa SUS - Sistema Único de Saúde de imunização, que tem critérios, que nós respeitamos e até elogiamos, para o processo de imunização, não diferente de outras campanhas de imunização que já foram feitas no Brasil. Jean.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. É importante sempre lembrar que para que nós possamos dar início ao nosso programa de vacinação, nós temos que ter aprovação pelo órgão regulatório, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. A partir daí seguramente nós já temos tido tratativas muito positivas com apoios, tanto no ponto de vista de expansão da fábrica do Butantã, assim como aquisição de equipamentos para a fábrica do Butantã, vindos do próprio ministério, isso é um grande aceno, é uma demonstração de que o ministério entende de que o Brasil para voltar à sua normalidade precisa de vacina, na verdade, precisa de vacinas, quanto mais vacinas tivermos, melhor. Antes poderemos imunizar através do Programa Nacional de Imunização, distribuído pelo Sistema Único de Saúde para toda a população brasileira, até mesmo aquelas em áreas mais remotas. Caso isso não venha a acontecer, volto a dizer que isso é uma prerrogativa pouco cabida, aí sim nós estaremos fazendo uma análise voltada para o estado de São Paulo. Mas volto a dizer, isso é um entendimento, e já vem acontecendo de que a vacina ou as vacinas são uma necessidade para que o país volte ao seu normal.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Maria, eu complemento dizendo que como governador de São Paulo, como brasileiro, torço para que outras vacinas também sejam aprovadas e contribuam na imunização de todos os brasileiros no menor tempo possível. No que cabe a São Paulo, estamos no caminho certo. E esperamos e desejamos que o mesmo aconteça no âmbito do Ministério da Saúde. Vamos agora à uma pergunta online, do correspondente no Brasil, da Association At Pressa, da Agência AP, Marcelo Silva. Boa tarde, você já está em tela, sua pergunta, por favor.

MARCELO SILVA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Obrigado pela oportunidade. o senhor mencionou a intenção de chegar a um acordo com o Ministério da Saúde para que o imunizante Coronavac seja distribuído em todo o Brasil. Eu queria saber concretamente, hoje, em que etapa estão essas conversas com o Governo Federal e com o ministro da Saúde? E tem uma segunda pergunta, que tem a ver com o cenário internacional. Ontem no debate das eleições americanas, o candidato Biden, disse que o Brasil mereceria sanções econômicas se não interromper a devastação da Amazônia. Hoje o Presidente agora pouco tempo respondeu, que essas declarações foram desastrosas. Então eu queria sabre se o senhor teme realmente que sanções por conta da Amazônia possam afetar a economia do seu estado, caso o candidato democrata seja eleito? Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Marcelo. São duas perguntas, a primeira será respondida pelo nosso secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn. Se o Gabbardo ou Medina desejarem fazer alguma intervenção, e também o Dimas Covas, fiquem à vontade. Jean, na relação, a indagação da primeira pergunta do Marcelo Silva, da Association At Press, na relação com o Ministério da Saúde, e na evolução desse entendimento para a vacinação.

JEAN GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: A nossa relação, a relação que o governo do estado de São Paulo, a secretaria de estado da Saúde do estado de São Paulo vem tendo com o Ministério da Saúde é algo muito próximo, nós temos tido várias tratativas com o próprio ministro Pazuello e com todo o seu secretariado, que tem nos dado o apoio, e o apoio de incentivo, e o incentivo financeiro para que realmente essas evoluções ocorram, seja no campo do estudo clínico, seja no campo da expansão da vacina em termos de aumento da capacidade de produção das vacinas pela própria fábrica do Instituto Butantã. Dessa maneira eu entendo que esses são sinais, acenos, de que nós teremos boa condução nas tratativas futuras, assim que nós tivermos a liberação do órgão regulatório maior, brasileiro, Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA. Portanto, a partir daí, eu não tenho dúvida que nós estaremos inserindo essas vacinas no programa nacional de imunização distribuído de forma absolutamente gratuita pelo Sistema Único de Saúde para toda a população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Jean Gorinchteyn. Marcelo, aproveitando, antes de responder a segunda pergunta, Biden/Trump, quero aproveitar, e por isso consultei o doutor Dimas Covas, Maria Manso, em relação à sua pergunta sobre o contrato, para não cometer aqui nenhuma liberalidade, nem nenhuma ilegalidade ao reproduzir dados e informações de valores desse contrato. Mas o presidente do Instituto Butantã me disse que não há nenhum problema, portanto, nós podemos informar, o contrato é de US$ 90 milhões que acabamos de assinar nesse momento. Bem, Marcelo, em relação, eu vi o debate, aliás, um debate confuso, difícil de moderação. Mas não creio que como fruto do debate possa haver qualquer prejuízo às relações diplomáticas ou econômicas do Brasil com os Estados Unidos. Lembrando que ainda estamos no debate, resta saber quem será definitivamente eleito ou reeleito Presidente dos Estados Unidos da América. Porém, na questão ambiental eu posso afirmar, está sim gerando prejuízos à economia brasileira a falta de controle sobre o desmatamento e queimadas na região Amazônia. Vimos isso com muita clareza, Marcelo, e você acompanhou pela Association At Press, que estava presente no Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro deste ano. Aliás, o próprio ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, foi duramente inquirido por jornalistas, por representantes governamentais, por investidores e também por autoridades internacionais sobre essa questão. E ela está sim prejudicando investimentos para o Brasil. Há vários fundos internacionais que não realizam investimentos, seja no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo, onde não haja respeito ambiental e clareza nesses procedimentos para evitar desmatamento e queimadas. No caso de São Paulo, aproveito pra mencionar, nós não temos desmatamento ilegal e nem queimadas ilegais em São Paulo. Aumentamos, inclusive, a nossa cobertura verde em 3% e anunciamos isso na semana retrasada. Mas no âmbito internacional ainda é um fato real, o Brasil está sendo sim prejudicado pela falta de controle na questão ambiental, ou no mínimo pela falta de transparência nas informações sobre o controle ambiental na região amazônica para evitar queimadas e destruição da floresta. Marcelo, muito obrigado. Vamos tirá-lo de tela, mas você continua acompanhando a nossa coletiva. Vamos agora a CNN que ontem transmitiu, assim como a Globo News a integralidade do debate by the Trump com Tainá Falcão. Tainá, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

TAINÁ FALCÃO, REPÓRTER: Governador, uma primeira pergunta direcionada ao senhor mesmo sobre as doses restantes, as 14 milhões que devem chegar até fevereiro do próximo ano. Será responsabilidade do Governo do Estado, o governo vai arcar com o custo financeiro dessas doses extras que vão chegar no próximo ano, ou se espera uma sinalização aí de verba federal, né, vindo de Brasília. E eu tenho uma pergunta também para o executivo da Sinovac, a respeito de algumas declarações que já foram dadas pelo presidente Bolsonaro a respeito da vacina chinesa, algumas menções, algumas até negativas e até uma certa preferência na fala em relação à vacina de Oxford. Como é que o senhor vê essas declarações? E se aqui no Brasil há alguma tratativa em andamento com outro estado pra trazer a vacina chinesa também pra outro lugar aqui do Brasil.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Tainá, respondendo a primeira pergunta. Sim, nós já temos, já fizemos opção formalmente ao laboratório Sinovac para a destinação de mais 14 milhões de doses da vacina Coronavac para o estado de São Paulo até fevereiro, e já obtivemos a confirmação também de que as 14 milhões de doses serão fornecidas de acordo com a nossa solicitação. Se pudermos fazer, assim como a importação de 46 milhões de doses, mais as 14, portanto, totalizando 60 milhões de doses, faremos em conjunto com o Governo Federal através do Ministério da Saúde. Esse é o nosso desejo, essa é a nossa expectativa, e sendo muito sincero, Tainá, não vejo razão pra que o Ministério da Saúde não atue nesse sentido. Considero difícil pra um ministro da saúde justificar que não queira salvar vidas de brasileiros, os brasileiros de São Paulo são tão brasileiros quanto os brasileiros de Brasília. Não há razão para preferência ou para rupturas. Mas quero deixar claro também, se houver uma circunstância desse tipo, repito, não é a expectativa que temos e nem as indicações que possuímos, mas se houve qualquer atitude de ordem política, ideológica e discriminatória em relação à São Paulo, São Paulo faz a importação e faz a imunização dos brasileiros aqui em São Paulo. O segundo tema, o Sr. Meng vai responder agora.

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): Eu não sei comentário do presidente porque minha intenção 100% dedicado pra fabricação de vacina e aprovação de vacina.

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): Não importa alguém que me fez alguns comentários, o que importa é que a gente precisa produzir vacina, fornecer vacina o mais rápido possível pra pessoa pode imunizar isso.

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): O governo chinês já tinha declarado que essas vacinas são produto mundial.

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): Claro, nossa preferência de fornecimento de vacina pra país com grande populações com mais crítico a pandemias, isso é da nossa intenção.

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): Como também é da nossa aliança, né, nossa aliança estratégica do Instituto Butantan, país Brasil, né, Indonésia, esses a gente considera ela está no mesmo nível da China, de fornecimento das vacinas.

WEINING MENG, VICE-PRESIDENTE MUNDIAL DA SINOVAC: [pronunciamento em outro idioma].

ORADOR NÃO IDENTIFICADO (INTÉRPRETE): Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado. Obrigado, Sr. Weining Meng, vice-presidente mundial da Sinovac. Tainá Falcão, da CNN, muito obrigado. Vamos agora ao Felipe Pereira do portal UOL. Felipe, parabéns. Eu acompanhando aqui pelo meu celular, vi que o portal transmitiu ao vivo as informações que demos aqui e a assinatura do contrato com a Sinovac. Com a palavra.

FELIPE, REPÓRTER: Bom dia aos senhores. Eu queria saber, tanto se fala da necessidade de autorização da Anvisa. Pra quando vocês esperam que ocorra essa resposta da Anvisa? E sendo positiva, quanto tempo é necessário a partir de 15 de dezembro pra vacinar toda a população de São Paulo. Obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Felipe. A primeira pergunta será respondida pelo Dimas Covas, em relação à Anvisa. E quanto tempo, pelo nosso secretário da saúde, Jean Gorinchteyn.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Olá, Felipe. A Anvisa tem manifestado publicamente o compromisso em analisar rapidamente essa questão da vacina para o Coronavírus. Quer dizer, isso tem sido manifestado pelo presidente, pelos técnicos da área, e o compromisso é que chegando lá os resultados do estudo clínico de fase três, chegando lá, os resultados que demonstrem a segurança da vacina, essa vacina possa ser autorizada, possa ser registrada na Anvisa o mais rapidamente possível. Os prazos habituais da Anvisa, já também foram anunciados que serão abreviados. Então, acho que existe nesse momento um grande compromisso da Anvisa, um grande compromisso do Ministério da Saúde, do Brasil, aliado aqui a intenção do Governo do estado de São Paulo trazer essa vacina o mais rapidamente possível para a nossa população.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas Covas. Antes de passar, Felipe, para o Jean Gorinchteyn, quero voltar a dizer aqui, nós precisamos ter união, compaixão, solidariedade. Não é razoável imaginar que diante de uma pandemia que já levou a vida de mais de 140 mil brasileiros, tenhamos uma visão ideológica, partidária, política e eleitoral num tema como esse. Eu teimo em duvidar que o Governo Federal faça algo desta natureza e diga aos brasileiros que o tema é ideológico, é político, é partidário, ou da origem da vacina quando a vacina está sendo feita para salvar a vida de milhões de pessoas no mundo, inclusive, brasileiros. Uma vacina não se adota, não se aplica pela sua origem, e sim pela sua eficácia. Ninguém toma uma vacina por ser ou não chinesa, inglesa ou francesa, e sim pela sua eficácia. O mesmo em relação a qualquer tipo de medicamento que nós tomamos para proteger a nossa vida e a saúde da nossa família. Jean.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: Felipe, todas as vezes que nós nos propusemos a alguma vacina, nós temos que analisar quais são os grupos iniciais. No caso, as câmeras técnicas estão avaliando a possibilidade de seguirem os mesmos grupos que são indicados na vacinação para influenza. São aqueles grupos com maior exposição de risco, assim como aqueles grupos que têm risco de desenvolver formas graves de doença. Nós temos que lembrar que se a vacinação for iniciada em dezembro, nós temos duas doses de vacinas intervaladas em 14 dias. Dessa maneira, nós precisaríamos, se isso tivesse voltado exclusivamente a São Paulo, pelo menos até o final de março. Mas nós temos realmente a grande expectativa e temos a sensação pelo relacionamento muito franco e próximo que temos com o ministério que esse processo de vacinação se dará pelo sistema, pelo Programa Nacional de Imunização, pelo Sistema Único de Saúde, portanto, essa distribuição terá e ocorrerá de uma forma muito mais rápida. Mas possivelmente ainda no primeiro semestre nós teremos um grande número de pessoas vacinadas no nosso país.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Jean. Obrigado, Felipe, pelas perguntas. Antes de convidar a Carla Mota da Rádio Capital que será a penúltima pergunta, quero registrar e agradecer a presença aqui do general João Campos, secretário de segurança pública do estado de São Paulo. Do Cleber Mata, secretário de comunicação. Do Wilson Mello, presidente da Investe São Paulo. E da Dalva Christofoletti, diretora geral da Associação Paulista de Municípios. Muito obrigado a todos pela presença aqui. Agora sim, com você, Carla Mota, boa tarde. Sua pergunta, por favor.

CARLA MOTA, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde a todos. são dois questionamentos com relação à vacina. O primeiro é se a Anvisa já deu alguma sinalização ao governo paulista que pode liberar a Coronavac aí de forma emergencial, como já ocorre na China. E gostaria de perguntar também com relação às escolas, a reabertura das escolas, porque muitos pais afirmam que só vão mandar os seus filhos pras escolas quando tiver uma vacina. Aí eu gostaria de saber se crianças e adolescentes podem entrar nessa lista de prioridade aí de imunização. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Carla. No primeiro tema, responde Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. No segundo tema, reabertura das escolas, vou pedir a Patrícia Ellen com a colaboração do Marco Vinholi para responder. Dimas.

DIMAS COVAS, DIRETOR DO INSTITUTO BUTANTAN: Carla, nós começamos uma conversa com a Anvisa já há algum tempo sobre a possibilidade de termos medidas de controle alternativas ao processo regular de registro, entre elas, o uso emergencial. Nesse momento, esse assunto está sendo discutido, ele pode progredir na medida em que também outros países estão discutindo essa mesma aproximação. Inclusive, o FDE americano recentemente publicou uma norma, né, disciplinando a aprovação emergencial de vacinas, e especificamente dessa vacina em relação a essa pandemia. Então, eu acredito que a Anvisa está trabalhando duramente, fortemente nesse sentido, e o que nós precisamos urgentemente é concluir os estudos clínicos e termos a vacina. Quer dizer, primeira vacina que estiver disponível já aprovada, com certeza poderá, aí sim ter um beneplácito, vamos dizer assim, do processo de registro em si, a velocidade do processo de registro não significando que serão abandonados os protocolos de segurança e de eficácia que já estão previamente definidos. Então, nesse momento a Anvisa está cooperando nesse sentido e vamos aprofundar esse entendimento na próxima semana com a presença do vice-presidente e da minha presença com o presidente da Anvisa, aonde teremos a oportunidade de aprofundar esse assunto.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Antes de passar, Carla, a resposta, a questão da volta às aulas, o nosso secretário da saúde quer fazer um comentário complementar ao tema relativo à Anvisa.

JEAN CARLO GORINCHTEYN, SECRETÁRIO DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO: A questão relacionada à Anvisa, como o próprio Dimas Covas comentou, é um relacionamento muito parceiro, sinalizando todas essas questões voltadas a um bom entendimento e progressão pra que haja essa liberação rápida. O rápida não quer dizer que nós estejamos pulando os ritos. Nós temos que pra que haja liberação de uma vacina, ela tem que se mostrar eficaz, e a eficácia dela é o quanto ela tem a capacidade de proteção. E a gente vai saber isso com os estudos. Então, só a partir disso haverá liberação. E essa liberação deixa de ser algo emergencial para ter um cunho real. Ou seja, uma vacina eficaz com segurança, que é o que nós precisamos de uma vacina.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Me permita fazer aqui uma colocação ao nosso secretário da Saúde. Seguir os ritos e os procedimentos, nós estamos diante de uma grave pandemia que a cada dia leva a vida de mais 600 brasileiros. Portanto, há o fator emergencial sim, e São Paulo tem essa expectativa de que a visão da ANVISA leva em conta isso, que 600 a 700 brasileiros perdem a sua vida todos os dias, enquanto não houver a imunização pela vacina. Seja Coronavac, seja a vacina de Oxford, seja [Ininteligível], seja qualquer outra vacina que siga os protocolos internacionais e tenha evidentemente o registro na ANVISA, ela deverá ter o mesmo procedimento de emergência na análise e na aprovação, seja da vacina Coronavac, sejam das outras vacinas. Acho que é o mínimo que se espera de uma Agência de Vigilância Sanitária comprometida com a qualidade, mas também com a vida. Patrícia Ellen.

PATRÍCIA ELLEN, SECRETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigada, governador. Com relação ao calendário de retorno às aulas, eu queria até reforçar que são dois cronogramas que não estão diretamente conectados, o de retorno às aulas e da vacina. O da vacina, inclusive na fase três em que estamos, o público alvo principal dos testes é a população de 18 a 60 anos. Enquanto nosso público escolar é o público menor de 18 anos, que nós estamos falando aqui do calendário de retorno que está sendo liderado pelo secretário Rossieli. O que está sendo realizado agora é a pactuação município a município, preservando exatamente o nosso princípio de governo municipalista. Houve já a recomendação do estado com a pactuação de como seria o modelo de retorno gradual, iniciando com as aulas de reforço para os alunos que mais precisam, mesmo durante a pandemia, antes da vacina, porque há pessoas em situações bastante graves, o secretário já trouxe isso aqui algumas vezes. E agora o modelo exato com o cronograma está sendo desenhado diretamente, sob à liderança dos prefeitos em diálogo com as redes de educação, com os professores, com os alunos e suas famílias. O secretário Marco Vinholi pode trazer alguns exemplos adicionais sobre isso, mas a forma de vacinação e a ordem de vacinação é um cronograma que está sendo editado pela saúde. Muito obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Patrícia. Vinholi.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Adicionando a questão colocada pela Patrícia, a autonomia municipal em consonância com as regras do estado de São Paulo, o que a gente tem observado são decisões regionais, muitas vezes, as óticas de cada uma das regiões do estado. A gente tem dialogado com a rede através da Secretaria de Educação, e com os prefeitos de forma muito intensa pelo conselho municipalista. Então nós temos algumas regiões do estado, como São Carlos, tem uma adesão grande, essa volta às aulas, outras regiões fazendo um retorno menor, mas o estado de São Paulo vem avançando e conforme a melhora desses índices vão acontecendo, hoje registrando a menor taxa de ocupação de leitos de UTI, registrando um índice de internações abaixo de 36,5 em média, o índice de óbitos abaixo de 5,5%, esses números vêm aumentando também sobre o retorno das aulas e atividades escolares em todo o estado de São Paulo.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Marco Vinholi. Obrigado, Patrícia Ellen. Carla Mota, obrigado pelas questões. Vamos à última intervenção de hoje, é da jornalista Daniela [Ininteligível], da TV Globo, Globo News. Daniela, eu também acompanhei aqui pelo meu celular o flash ao vivo que você transmitiu aqui para o SPTV. Muito obrigado. Boa tarde, sua pergunta, por favor.

DANIELA, REPÓRTER: Boa tarde, governador. Boa tarde, a todos. Primeiro um esclarecimento da vacina, as 5 milhões de doses que vão chegar agora em outubro elas fazem parte dessa leva que vem totalmente pronta, ou da leva que vem para ser finalizada, processada pelo Instituto Butantã? A previsão de 15 de dezembro de vacinação depende da finalização dos testes, né? Quando que nós teremos o resultado desses estudos, já tem uma previsão? E aí finalizo uma última pergunta para saber o balanço de número de casos e de mortes que não foi divulgado hoje durante a coletiva, se nós teremos? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Daniela. São três perguntas, vai ter direito a pedir música no Fantástico. Vamos à primeira resposta da sua pergunta, será do Dimas Covas, que também responderá a segunda sobre testes, e a terceira eu você pedir ao João Gabbardo para responder.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, Daniela, essa questão de prazos nós fazemos a previsão do que nos diz respeito, então os testes de inclusão dos voluntários, ele termina agora no dia 15 de outubro. A partir do dia 15 de outubro, ou seja, não se vacina mais, e aí nós acompanhamos os voluntários. E aí vai depender da incidência da infecção de casos de COVID-19, na coorte dos 13 mil voluntários vacinados. Quando ocorrer, pelo menos, 61 casos de COVID-19, dentre os 13 mil voluntários, nós podemos fazer do que se chama análise interina. A análise interina ela pode demonstrar a eficácia, ela é mais exigente, porque o número de pessoas com COVID-19 é ainda reduzido, mas ela pode, se a vacina for altamente eficaz ela pode demonstrar a eficácia, e aí já permite a remessa da documentação para a ANVISA. Se não acontecer nesse momento, nós aguardamos um segundo momento, que é a chamada análise primária, que será feita quando nós tivermos 154 casos de COVID-19 na coorte. Aí certamente teremos a demonstração da eficácia, e aí poderemos disparar o processo de registro. Então nós temos essa previsão, quer dizer, é um fato que depende do nível de infecção na população vacinada, quer dizer, não dá para falar com precisão qual vai ser a data específica disso, mas nós temos aí essa previsão. E, portanto, esperamos que até o final do mês de novembro, esses dados estejam disponíveis para permitir o registro da vacina. Ou seja, é um prazo, como eu disse, é uma previsão sim, não temos certeza, mas fizemos essa projeção com base na incidência da infecção no momento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dimas. Daniela, a sua terceira pergunta será respondida pelo João Gabbardo, que é o nosso coordenador executivo do centro de continência do COVID-19. Gabbardo.

JOÃO GABBARDO, COORDENADOR EXECUTIVO DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Os indicadores da pandemia no estado de São Paulo continuam todos muito favoráveis, na última semana nós tivemos uma redução do número de casos em torno de 23%, em relação às internações uma queda de 9%. E em relação aos óbitos, uma redução de 14%. Nesse momento a média móvel de óbitos de São Paulo é a menor que nós tivemos até a presente data, nós estamos com uma média móvel dos últimos sete dias de 161 óbitos. Só para lembrar, há algumas semanas atrás, quando nós iniciamos a queda no número de óbitos, a nossa média móvel ficava muito próxima dos 250 óbitos, nós ficamos várias semanas andando um pouco acima, um pouco abaixo de 250, e nessa última semana, nos últimos sete dias, a gente tem uma redução para 161 óbitos. Então os demais números estão todos dentro da nossa previsão, da previsão do centro de contingência, tanto em relação ao número de casos, e como em relação ao número de óbitos.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, então três perguntas. Você tem? Vai pedir a segunda música do fantástico. Pode ir ao microfone, fique à vontade, Daniela, por favor

DANIELA, REPÓRTER: Em relação à primeira pergunta, das 5 milhões de doses que chegam em outubro, elas chegam totalmente prontas ou para serem processadas?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ah, tem razão, o Dimas acabou emendando sem completar essa resposta. Dimas.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Elas chegam na forma de matéria-prima, e será feita a formulação no Instituto Butantan. Inclusive há a necessidade de se produzir inicialmente três lotes de acompanhamento, isso faz parte do processo de registro. Então elas chegarão e serão imediatamente processadas para a produção desses três lotes de acompanhamento. E daí para frente segue-se a produção para até dezembro termos o total aí dos 46 milhões. 40 milhões serão processadas no Butantan, 6 milhões virão prontas da China.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem, muito obrigado, Daniela. Muito obrigado, a todos que estão aqui. Queria fazer um agradecimento especial ao vice-presidente da Sinovac, por ter vindo ao Brasil, por ter aceito o nosso convite para estar aqui conosco, o Weining Meng. E também ao nosso interprete, que pela segunda vez aqui comparece. Muito obrigado aos demais, e também aos jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas, técnicos. Voltaremos na próxima sexta-feira, temos anúncios importantes também na sexta-feira, no mesmo horário aqui na coletiva de imprensa. Por favor, se protejam, usem máscara, façam distanciamento social, utilizem álcool em gel, se protejam e protejam também os seus familiares, e façam suas orações. Muito obrigado, boa tarde, a todos. Obrigado.