Coletiva - SP vai ampliar enfrentamento ao coronavírus com 1 mil novos leitos de UTI 20201203

De Infogov São Paulo
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Coletiva - SP vai ampliar enfrentamento ao coronavírus com 1 mil novos leitos de UTI

Local: Capital - Data: Março 12/03/2020

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JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pessoal, bom dia. Aqui na sede do governo do estado de São Paulo, o Palácio dos Bandeirantes, 12 de março, aqui a Mesa, Bruno Covas, prefeito da capital de São Paulo, Rodrigo Garcia vice-governador e secretário de governo, José Henrique Germann, secretário de estado da Saúde. Edson Aparecido, secretário municipal da Saúde da capital de São Paulo, Dr. David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19 do governo do estado de São Paulo, liderando um grupo de infectologistas, epidemiologistas e também professores da Universidade de São Paulo e ele falará sobre isso na sequência, Dimas Covas, diretor-geral do Instituto Butantã, Paulo Meneses, coordenador do Centro de Operações Emergenciais e de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde e a Dra. Helena Sato, diretora do Centro de Vigilância de Epidemias da Secretaria do Estado da Saúde. Este encontro está sendo acompanhado também por vários secretários estaduais e parlamentares. E agradecendo a presença dos jornalistas, nós, este grupo que vai se manifestar hoje aqui, vai tratar da nova fase no combate ao vírus, ao Corona vírus, no que nós denominamos rede de enfrentamento contra o vírus. Sete posicionamentos que serão aqui apresentados pelo Dr. David Uip, coordenador deste grupo de contingências do Covid-19. Primeiro o anúncio de novas medidas preventivas, segundo, medidas incrementais, com mais leito, equipamentos, medicamentos e profissionais de saúde no estado de São Paulo. Ao se referirem a leitos, mais mil leitos de UTI serão disponibilizados no município e no estado de São Paulo. Compra de novos equipamentos, tudo isso será dedicado pelo Dr. David Uip. Quinto, solicitação de investimentos e custeio ao governo federal. Amanhã, às 14h30, na Secretaria da Saúde do estado de São Paulo o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta estará participando desse encontro com o secretário da Saúde do estado de São Paulo, o secretário da Saúde do município, Dr. David Uip, para tratar do tema que também será exposto pelo Dr. David Uip aqui a vocês. Sexto, e aí uma recomendação que eu antecipo, aumentar os cuidados especiais com as pessoas de mais de 60 anos. Igualmente, o Dr. David Uip explicará como isso pode e deve ser feito. E os fundamentos que vão exigir cuidados maiores e cautelas serão apresentados pelo Dr. David Uip. Eu encerro dizendo que neste momento, nós estamos falando deste momento, no dia 12 de março às 11h14, não há nenhuma razão para pânico. Eu respondo pelo estado de São Paulo [interrupção de áudio] ficará como isso [interrupção de áudio]. Respondo, evidentemente, pelo estado de São Paulo como governador eleito deste estado. Nenhuma razão para pânico no estado de São Paulo em razão do Corona vírus. Isso grupo de trabalho, o grupo do Centro de Contingência do Covid-19, composto por infectologistas, médicos, especialistas e professores, sob a coordenação do Dr. David Uip, mantem a sua atividade diariamente, são 18 horas por dia de atenção no tema do Corona vírus, ou seja, praticamente 24 horas por dia de atenção e dedicação a esse tema. Qualquer modificação, qualquer alteração, obviamente, será objetivo do entendimento e deliberação deste grupo, o qual a prefeitura de São Paulo faz parte, naturalmente, aliás, por termos aqui 13 milhões de habitantes na capital de São Paulo, a maior cidade do país e da América Latina. Mas neste momento não há nenhuma razão para pânico ou medidas estremadas, as medidas que serão recomendadas aqui pelo Dr. David Uip estão fundamentadas em preceitos da medicina, da medicina preventiva, da ação sanitária, da ação de saúde e dentro dos protocolos da Organização Mundial de Saúde. E é muito importante que essa visão sem pânico seja passada com toda a transparência à população do estado de São Paulo. Dito isso, eu vou passar a palavra ao Bruno Covas, para que o Bruno possa se manifestar e, na sequência, o Dr. David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19. Bruno.

BRUNO COVAS, PREFEITO DA CIDADE DE SÃO PAULO: Bom dia a todos. Queria apenas acrescentar aqui à fala do governador João Doria, o trabalho integrado que a prefeitura tem feito com o governo do estado de São Paulo, a ação conjunta, reuniões permanentes, periódicas, mais do que diárias, para avaliar a situação, novas medidas que devem ou não serem adotadas. A vigilância sanitária aqui na cidade de São Paulo tem feito um trabalho desde o dia 10 de janeiro de prevenção ao Corona vírus, tem acompanhado todos casos suspeitos, confirmados, enfim, então, a gente tem feito uma atuação conjunta, não há nenhuma ação que é feita em que o estado vai para um lado e a prefeitura vai para o outro. A gente tem feito a ação coordenada, casada, para que a gente possa dar total tranquilidade e transparência à população. É nessa linha, com transparência, que o estado e a prefeitura têm enfrentado essa questão. Muito obrigado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado prefeito Bruno Covas. Eu vou pedir ao Dr. Davi Uip que faça uso da palavra nesse momento e que informe também quais são os integrantes desse Centro de Contingência do Covid-19, grupo que foi formado na semana retrasada quando tivemos o primeiro caso aqui em São Paulo, constatado, um paciente do Hospital Albert Einstein, de um senhor que tinha retornado de férias na Itália e foi o primeiro caso constatado e confirmado do Corona vírus no país. A partir daquele momento esse grupo de trabalho começou a sua atuação, ele foi engrandecido por mais colaboradores ao longo deste período e a ele nós devemos toda a orientação que está sendo passada à população de forma serena, equilibrada e fundamentada nos princípios sanitários, na base, nas referências da Organização Mundial de Saúde e com a instrução e a capacitação daqueles que são médicos especialistas em epidemias e infectologia. Dr. David Uip.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Muito obrigado governador, muito bom dia a todos. Eu vou iniciar elencando os nomes dos componentes do Centro de Contingência do Corona Vírus, liderado pelo nosso secretário José Henrique Germann, o seu adjunto Edison Tayar, Marcos Boulos, Dimas Covas que está a minha direita, Luiz Carlos Pereira Júnior, Paulo Meneses, Helena Sato. Luiz Fernando Aranha, Carlos Fortaleza, Benedito Lopes Fonseca, Esper Kallas, Rodrigo Angerami, Beatriz Tess e agora, recentemente, o professor Carlos de Carvalho e o nosso secretário Edson Aparecido. Esse grupo é um grupo de professores universitários extremamente experientes e extremamente atentos a modernidade e as ações que vem ocorrendo. Ele se baseia em três situações para as suas decisões: a história antiga, a história recente e a ciência. A história antiga nos ensina mandamentos de como lidar com as pandemias. A história recente nos mostra o que aconteceu em países que estão na nossa frente, como China, Japão, Irã e Itália. Isso é um aprendizado. E a ciência, através de trabalhos científicos que são observados diariamente por esse grupo. Então, é um grupo que se reúne diariamente, o dia inteiro e todos os dias. Diariamente e todos os dias é a mesma coisa. Então, três bases desse grupo: a primeira é a base do enfrentamento da pandemia, com duas vértices, a prevenção e a prevenção, um elogio a prefeitura, ao município de São Paulo, com uma vigilância sanitária impecável, impecável. Trabalha desde o dia 10 nos ofertando dados tanto de diagnóstico como na observação desses contactantes e infectados. Um trabalho exemplar que tem que ser citado nesse momento. O segundo ponto que tem a ver com a prevenção, os cuidados que estão sendo tomados por campanhas do governo do estado e da prefeitura, campanhas muito elucidativas que continuarão. Eu me refiro a isto porquê? Porque na nossa visão, a Organização Mundial da Saúde, ela retardou um pouco o anúncio da pandemia preocupado para que as medidas preventivas estariam negligenciadas e a qualquer momento. O estado de São Paulo e os municípios, principalmente o município de São Paulo, continuarão com todas suas medidas de prevenção. E o que eu vou anunciar, além dessas medidas de prevenção é o que esse grupo que assessora o secretário e o governador já se tem como decidido através dos dados que nós coletamos. Então, num enfrentamento dessa situação o que você objetiva é o tratamento dos doentes graves. Nós trabalhamos com cenários, nós somos planejadores e como planejadores nós substanciamos as decisões do secretário e do governador. Então, esse planejamento objetiva avaliar cenários e os cenários vão desde 1% da contaminação da infecção da população até 5 a 10%. Então, você cria cenários, esses cenários são repassados ao secretário que através desse cenário, ele demanda aquilo que é preciso: número de leitos, investimentos e custeio, especialmente recursos humanos. Então, isto está sendo oferecido ao secretário com esses cenários possíveis, 1%. E qual é essa conta? São Paulo tem 46 milhões de habitantes, desses 46 milhões de habitantes, que tem atendimento exclusivo do SUS é mais ou menos 40% disso, desculpe, é 60%, 60% dos paulistas tem atendimento exclusivamente SUS. Então, em cima desses 60% há todo o planejamento que depois o secretário vai dizer, da elaboração das necessidades de insumos, investimento em equipamentos e recursos humanos. Então, isso foi já oferecido e através desses diversos cenários. Segundo ponto é a gestão de leitos. Na próxima terça-feira o secretário convocou todos os hospitais estaduais, autarquias, autarquias especiais, administração direta, organizações sociais e os hospitais universitários. O estado de São Paulo tem uma amplitude de possibilidades de atendimento inusitada no contexto nacional. Nós temos 101 hospitais estaduais. Além de 101 hospitais estaduais o estado de São Paulo dispõe, rede privada benemerente e governo do estado de 100 mil leitos. Então, o estado de São Paulo tem 100 mil leitos e, obviamente, nós estamos nos associando aos hospitais privados e de benemerência nesse embate a epidemia. Dos 100 mil leitos nós temos, praticamente, atingimos praticamente 7200 leitos de UTI, entendendo como isto vai acontecer, 80% do 1%, cenário, do 1% infectado, vai ter doença sintomática ou pouco sintomática, esses 80% não precisarão recorrer ao sistema de saúde. 20% recorrerá ao sistema de saúde, desses 20%, uma porcentagem menor necessitará de internação, e uma menor ainda de ambiente de UTI. Então, o estado se prepara, e aqui eu quero deixar isso muito claro, estado está pronto para qualquer nível de enfrentamento, qualquer cenário, é óbvio que as proporções, elas vão sendo atingidas a medida da evolução da pandemia. Então, neste momento, o Estado de São Paulo está pronto para adicionar ao seu contexto mais mil leitos de UTI. Esses mil leitos, eles têm que ser creditados pelo Ministério da Saúde e o Ministério da Saúde, ele tem que repassar os recursos de investimento e de custeio na reunião com o ministro, nós vamos deixar isso claro, das necessidades. O que o Ministério da Saúde solicita aos estados? Ele solicita não um número X, ele solicita a especificação das necessidades, é isto que o secretário de estado vai entregar amanhã para o ministro, exatamente o que nós precisamos para pôr em funcionamento imediato esses mil leitos. Desses mil leitos, 600 são do município de São Paulo, nos seus hospitais, 400 estaduais e não estão contabilizados ainda os leitos municipais. Por exemplo, São Bernardo, ele está pronto para ter 40 leitos de UTI e mais um hospital com pronto socorro, vai ser inaugurado pelo governador e pelo prefeito nos próximos dias. Então, esse hospital poderá rapidamente ser transformado num hospital de atendimento para esta prioridade, que hoje é uma prioridade mundial. A outra situação, que cabe a esse grupo, assessorando as autoridades, é fazer a gestão de leitos. Quando necessário, nós vamos estar orientando aos hospitais públicos e privados a diminuir e depois parar com as cirurgias eletivas, os leitos vão ser destinados para este momento, à medida da necessidade. Eu quero dizer aos senhores, que é muito importante, que esta é uma pandemia que evolui. Então, o que nós estamos dizendo no dia de hoje, talvez seja diferente daqui um, dois dias, toda vez que ocorrer uma mudança significativa, governador e prefeito convocarão as coletivas pra, com toda transparência, e com o requinte técnico, oferecer as novas soluções. Então, isto é a realidade de hoje, aquilo que nós temos prontos. Então, a gestão de leito é a partir da reunião da próxima terça-feira, que estarão presentes superintendentes e diretores, já haverá recomendação de planejamento da gestão de leitos, que atendam essa pandemia, as cirurgias eletivas, elas vão ser postergadas, a medida da necessidade da demanda. Outro ponto, compra de kit de diagnósticos, Secretaria de Saúde já resolveu, que ela, com recursos próprios, estará comprando 20 mil kits para diagnósticos, e o grupo que assessora já designou quais são as necessidades para o uso desse diagnóstico. Primeiro uso, é a rede sentinela que atende uma decisão dos municípios, são 114 postos de rede sentinela, onde nós estaremos monitorando a circulação do vírus nos municípios, claro que no Estado de São Paulo. Segundo, esses exames serão utilizados no diagnóstico dos doentes internados, os doentes graves. E terceiro para a pesquisa. Falando de pesquisa, duas grandes novidades, este grupo, um dos eixos de grupo, desse grupo de assessoramento, é a pesquisa. Nas pandemias, você usa pra evoluir na ciência, este grupo está pronto pra liderar esta evolução. Então, a Fatesp, através do professor [ininteligível], acabou de nos notificar que fará o [ininteligível] de pesquisa. As pesquisas planejadas pelo Estado de São Paulo serão avaliadas imediatamente, liberados os recursos pela Fatesp. [ininteligível] um órgão superior de ética e pesquisa, tem o compromisso conosco de liberar esse exame em uma semana, absolutamente inusitado isso no país, no Estado de São Paulo. Então, haverá essa preocupação, de fazer parte de pesquisas do Estado de São Paulo, pesquisas multicêntricas e pesquisas multicêntricas internacionais. Nós estamos em contato com os principais centros de pesquisa do mundo, que nós queremos nos inserir nas pesquisas, tanto no ponto de vista da busca de um tratamento efetivo, objetivando o corona vírus, e na busca de novos imunizantes, nós temos isso claro e faremos parte deste rol de pesquisadores da elite mundial. Uma outra notícia, estou aqui do lado do nosso diretor do Instituto Butantan, que ele vai, ele já disponibilizou ao Ministério da Saúde os primeiros lotes da vacina da gripe, a vacina do Influenza, é uma data decidida pelo governador e o ministro, no dia 23 próximo nós iniciaremos a campanha no Brasil, especificamente a campanha no Estado de São Paulo. Isso é muito importante, porque você estará imunizando contra três tipos de vírus, onde nós estamos enfrentando uma epidemia no Estado de São Paulo, que é a epidemia paralela do vírus Influenza. A outra recomendação, que hoje nós discutimos na reunião que antecedeu isto, é a proteção dos pacientes mais vulneráveis, a recomendação do grupo da secretaria de estado do governo para que pacientes com mais de 60 anos, pacientes com doenças crônicas, o cardiopata, diabético, o indivíduo imunodeprimido em tratamento oncológico, que ele evite participar de aglomerações. Então, uma recomendação pra que ele se poupe, seja protegido, porque seguramente esta é uma doença que afeta esta população vulnerável, e protege a população jovem, nós não temos até esse momento morbidade e letalidade na população jovem, especialmente abaixo dos 50 anos, e quanto menos, quanto mais nós decrescemos, menos doença e menos gravidade, então nós estamos muito focados nas populações mais vulneráveis. Governador, eu tenho impressão que, inicialmente, esses são os dados, eu entendo que é um planejamento, entendo que planejamento, você planeja cenários, dos mais, aqui não tem a palavra otimista, né, mas os planejamentos que são adequados pra cada momento. E é um pouco planejamento ativo, móvel e atento às mudanças que se farão necessárias.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. David Uip, nós vamos agora às perguntas dos jornalistas aqui presentes, serão oito perguntas já dos veículos previamente inscritos, começando com, se puder aumentar um pouquinho o áudio, o pessoal do controle de áudio, obrigado, começando pela Rádio Bandeirantes, jornalista Lucas Herrera. Lucas, a sua pergunta, por favor.

LUCAS HERRERA, REPÓRTER: Bom dia a todos primeiramente. Existe um áudio atribuído ao Dr. Fabio Jatene, que aponta pra uma expansão, pra até 45 mil leitos de doença nos próximos meses, e uma demanda de até 11 mil leitos de UTI, esse cenário, primeiramente, está correto? Como enfrentar esse desafio? E, um segundo ponto, quanto aos grandes eventos e as aglomerações, né, como as aulas na prefeitura, no estado e até mesmo os eventos de futebol, jogos em estádios, como o governo vai lidar com a Federação Paulista e também com as empresas envolvidas em todo esse aspecto?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Lucas, o Dr. David Uip vai fazer a resposta a sua pergunta. David.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Esse áudio do meu queridíssimo amigo Fabio Jatene, ele é verídico e é cabeça de cirurgião, cabeça de cirurgião cardíaco é assim, ele pontua, interpreta e resolve, isso é decorrente de uma reunião científica, que ocorreu ontem no [ininteligível] Hospital das Clínicas, onde eu fui falar de estratégia do Governo do Estado, e dentro das estratégias, quer dizer, exatamente o que eu estou falando pros senhores, nós planejamos de 1% a 10%, esse é o cenário, então, pra fazer conta, o que é 1% de 26 milhões, o que é 80% de 1%, e o que é 20% de 1%, guardadas duas considerações, primeiro que isso não se instala imediatamente, é a sazonalidade de uma pandemia, nós não vamos precisar de todos os leitos amanhã, vai se posicionando. O segundo ponto, que tem a ver com o primeiro, obviamente nós estamos nos preparando, por exemplo, o [ininteligível], que é uma unidade de terapia intensiva para a insuficiência respiratória, que é comandada pelo professor Carlos Carvalho, essa unidade treinará todas as unidades de insuficiência respiratória dos hospitais do estado, ela foi montada para um momento como esse. Então, o que foi discutido ontem e o que o Fabio, ou ele interpretou de um jeito diferente, ou não tive a competência de falar do jeito que ele deveria ter interpretado, foram cenários do ponto de vista daquilo que pode acontecer em todos os momentos. Planejador é isso, você planeja de um a 10% e aí é fazer conta. Segundo ponto importante, esta conta de 1% não é em cima dos 26 milhões, dos 26 milhões você elenca a população a partir de 50 anos de idade, porque a população abaixo não vai ser internada, e chega a números, isso oferece ao gestor a possibilidade de ir em busca de recursos e investimento, que é o papel do secretário de estado. Então, o secretário de estado vai estar oferecendo amanhã ao ministro todos esses cenários e necessidade de investimento, quanto que o Estado de São Paulo, a prefeitura de São Paulo e os municípios necessitarão para cumprir essas metas em cima de um planejamento, foi isso que foi dito. As viagens, que tem também no áudio, a diretora clínica do Hospital das Clínicas, a professora Heloísa me perguntou: Como você acha que deve ser a postura dos profissionais da área de saúde em relação a viagens. A minha resposta é claríssima, não adianta, hoje, você pensar que vai participar de um evento científico na Itália, não vai, porque não vai ter, eu não estou preocupado com o vírus, isso é uma coisa em discussão, mas da mobilidade, se você vai pra um evento na Itália, você não volta, e agora é importante que nós tenhamos a maior força de trabalho atuando nas nossas instituições, então não houve nenhuma restrição, mas um aconselhamento que nós, da linha de frente, não tem que ir pra congresso nos Estados Unidos, porque você não sabe se você volta. Então, é questão de mobilidade, isto cada diretor clínico de hospital vai ter que ter uma postura, a minha posição é claríssima, se perguntarem: David, você, hoje, vai pra um congresso? Eu não vou, eu lidero um grupo e eu tenho que ficar aqui, aliás, eu não vou nem a 100 metros da onde eu estou, porque, da mesma forma que eu tenho essa obrigação, os profissionais da área de saúde têm, então esta foi a conversa, o áudio, uma interpretação de um grande cirurgião, queridíssimo amigo, mas com uma posição de cirurgia, mas não no contexto do planejamento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Davi Uip. A próxima revista Exame, perdão? Os eventos eu posso responder. Neste momento, eu volto a repetir, nesta data, não há nenhuma recomendação do Governo do Estado de São Paulo, para o cancelamento de eventos esportivos, musicais, entretenimento ou de conteúdo. Volto a repetir, nessa data, 12 de março, não há nenhuma razão, que determine cancelamento de eventos públicos, independentemente do número de pessoas, seja no esporte, seja no entretenimento, seja no conteúdo. Há sim, como disse o Dr. Davi Uip o aconselhamento. Pessoas com mais de 55 anos, que representam o grupo de risco, conforme foi informado pelo para Dr. Davi devem evitar. Esse aconselhamento foi bastante claro, por parte do infectologista Davi Uip. No momento, não há nenhuma necessidade de cancelamento de eventos. A decisão é de cada empresa, organizador, e cada instituição pode tomar essa decisão. Não sob recomendação oficial. E volto a repetir, para que haja toda a clareza, neste momento, o grupo se mantém coeso, e discutindo e debatendo os temas, que podem exigir outras medidas. Mas adotar medidas preventivas, desnecessariamente, não há essa recomendação. Isso está sendo feito com base em protocolos internacionais e com todo o devido cuidado. Por isso as decisões do Governo do Estado de São Paulo, não são decisões políticas, são decisões sanitárias. Amparadas na medicina, e naqueles que são especialistas. Próxima, o próximo veículo, revista Exame, jornalista Carla Aranha. Bom dia.

REPÓRTER: Bom dia governador, minha pergunta é o seguinte, eu queria saber quais os sete posicionamentos, que o governo deve adotar na nova fase de combate ao coronavírus? Seria mais para Uip, qual do cenário de 1%, de 10%, 5% vocês consideram o mais provável estatisticamente falando, e como chegaram na conta do, entre 1 e 10% foi, por progressão geométrica que dobrou número de infectados? Queria que, são duas perguntas, obrigada.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: O cenário você trata em cima dos três preceitos, que eu falei história antiga, atual e ciência. Então, meu bem, tem uma variável nós estamos na fase de aprendizado. Como o vírus vai se portar num país tropical, nesse momento de clima quente? Essa variável é de aprendizado. Nós temos 64 casos diagnosticados, até ontem. Então, é um aprendizado. Por conta, que ainda é um aprendizado, entendendo que onde nós tivemos grandes números, que foram países vivendo em clima frio, entendendo que esse é um aprendizado, você cria essas possibilidades. E trabalha com esses números. São números hipotéticos que você vai solidificando com o aprendizado. Não tem um...

REPÓRTER: [FALA FORA DO MICROFONE]

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Não, eu não trabalho com futurologia, eu tenho minha vida dedicada à ciência, sou um pesquisador, estou como gestor aqui, mas sou um pesquisador. Eu trabalho com números objetivos. Os números objetivos, implicam em fazer cenários diferentes.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Carla e obrigado Davi Uip, o próximo veículo jornal estado de São Paulo.

REPÓRTER: [FALA FORA DO MICROFONE]

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Foram ditas pelo Dr. Davi no início, vamos distribuir também, aliás esse texto que...

REPÓRTER: [Fala fora do microfone].

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mencionei aqui um conjunto de medidas, que nós estamos chamando da nova fase do combate ao vírus. E as explicações detalhadas, Carla foram oferecidos pelo Dr. Davi Uip. Mas de qualquer maneira se alguém imprensa puder, só para ganhar tempo. Puder entregar para Carla, a Carla veículo de mídia impressa e eletrônica, não há o problema da gravação de voz. Ok, Carla? Se prevalecer e dúvida depois, nós esclarecemos você. Terceiro veículo, portanto, o jornal estado de São Paulo, jornalista Paula Félix, Paula bom dia. Sua pergunta.

REPÓRTER: Bom dia, minha dúvida sobre a criação de leitos? Será um processo gradativo? De acordo com número de casos que forem chegando, leitos serão criados? Como funcionar a parceria com a iniciativa privada? Se seria possível precisar número de casos no estado de São Paulo? Obrigada.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Vou pedi para Dr. Davi responder a jornalista Paula Félix. Nós temos, o Governo do Estado, Paula, Prefeitura de São Paulo, e mais o setor privado, Dr. Davi.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Instalação de leitos é gradativa, porque você tem que fazer a compra de insumos, e equipamentos, mas com essa decisão da organização mundial de saúde, você agiliza todos procedimentos. E tem uma coisa que é importantíssima, que é treinamento de pessoal. Nós estamos prontos, estado de São Paulo e municípios de São Paulo, para instalar imediatamente mil leitos. Gradativamente, guardando os preceitos. Não estão computados ainda, leitos no interior de hospitais municipais, por conta que nós temos uma reunião na próxima terça-feira e fecharemos o dado. E a parceria com iniciativa privada é óbvia. A iniciativa privada é responsável por 40% do atendimento no estado de São Paulo, que é medicina suplementar. Nós estamos alinhados, ficaremos cada vez mais alinhados através de protocolos. Para que nós tenhamos a mesma disponibilidade no público e privado.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Paula e Dr. Davi Uip, 4 veículo TV bandeirantes, jornalista Sandra. Aqui do lado Sandra, bom dia.

REPÓRTER: Bom dia, governador o estado de São Paulo, a cidade de São Paulo, tem 2 dos principais aeroportos do país. Não sei se o estado tem autonomia para isso, e a cidade tem autonomia para isso, mas medidas com relação a voos, principalmente vindo da Europa, está acontecendo alguma ação nesse momento? O que acontece? Por que até onde sabemos, nos aeroportos por enquanto, nenhuma medida em relação aos voos. Principalmente, da Europa, não sei estado tem autonomia, mas eu e tenho essa curiosidade.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Pergunta é pertinente, agora embora eu tenha que responder que aeroportos são administração federal. Portanto, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Saúde, e da Anvisa ação fiscalizatória, do que chegam, tanto nos aeroportos internacionais, Viracopos, e Guarulhos, quanto no aeroporto de Congonhas, que embora não internacionalizado, é o segundo maior aeroporto do país, como você mencionou. Amanhã o ministro estará aqui em São Paulo. Após a reunião com o secretário de saúde do estado, município, autoridades sanitárias, a reunião será na secretaria da saúde do estado de São Paulo, ele certamente poderá se manifestar a esse respeito. No âmbito, tantos das medidas que cabem as autoridades sanitárias, como as autoridades aeronáutica, e certamente poderá falar do ponto de vista da agência da Anvisa. Vamos agora ao quinto veículo a TV Globo. Globo news, jornalista César Menezes, bom dia. Sua pergunta.

REPÓRTER: Bom dia a pergunta seria para Dr. Davi Uip, o governador disse agora que nesse momento não há nenhuma recomendação de evitar eventos públicos. A gente sabe que o maior risco desse vírus é menos a letalidade, mas capacidade que ele tem de se espalhar, principalmente, numa população que não tem nenhuma imunidade. Então, eu pergunto para evitar que a gente chegue no número tal de casos, como aconteceu em outros país, que sature o serviço público, e nem todo mundo, consiga receber um atendimento que poderia salvar a vida, em que momento a gente deveria começar a pensar em restringir eventos públicos? Suspender aulas? Esse tipo de ação, mais proativa para evitar o contágio?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Primeiro completando a resposta que faltava, nós temos no estado de São Paulo, 46 confirmados, 44 na capital, dois no interior. E isso pode acontecer a qualquer momento. Nós estamos reunidos observando dados diariamente. A conversa de hoje, ela pode ser modificada na conversa de amanhã. Então, nós trabalhamos com dados, e objetivando, além de todo o embate de doença, duas situações, a lentificação da pandemia, quanto mais lenta chegar melhor, porque dilui com o tempo, depois diminuição no número de casos. Então, isso uma preocupação, que ela é do primeiro dia, que nós tivemos a notícia dos acontecimentos da China. Isso está em foco o tempo inteiro, hoje, nós estamos com essa posição que poderá ser modificada a qualquer momento.

REPÓRTER: Dr. David Uip no cenário, eu acho não fui absolutamente claro, no cenário de um a 10%, em que momento, a gente deveria tomar essa atitude de restringir eventos públicos no cenário já estudado pelos senhores?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Estamos com 46 casos no estado de São Paulo, verificado. Ninguém vai esperar chegar em 1%. Isso está sendo decidido a partir do entendimento da velocidade que isso vai acontecer. Nesse momento, essa decisão. As decisões que se farão necessárias, fechamento de escolas, precisam ser bem elaboradas, pensadas. Mais que isso, dentro do Pacto Federativo, isso também vai ser discutido amanhã com o ministro. Há recomendações do Ministério da Saúde, e elas são necessárias que sejam acertadas com o estado de São Paulo. O que eu quero dizer, é que estado de São Paulo e em momento nenhum, perderá o protagonismo de tomar decisões. Serão tomadas, e isso é orientação de do governador, à medida que elas forem necessárias. Claro que sempre acordado com o Ministério da Saúde.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu vou, a propósito da jornalista César Menezes, tomar a liberdade de exibir aqui por 30 segundos, o vídeo que nós estamos veiculando na redes de televisão, canais abertos e fechados e também na internet. Porque há medidas também acautelatórias, que são medidas de higiene, e que tem o protagonismo do Davi Uip na orientação à população. É muito importante que esse é orientação seja seguida. Essa circunstância César, isso é algo importante que os veículos de comunicação, possam colocar dentro das suas matérias. Tanto no meio eletrônico, impresso, quanto digital, são medidas preventivas de higiene. Se pudermos exibir aqui eu agradeço, e fica mais fácil exibir do que explicar.

[GRAVAÇÃO DE VÍDEO] "Coronavírus, preste atenção. Sabe o que se espalha mais rápido que coronavírus? A fake news. Quais os cuidados você precisa ter? Lave bem as mãos e antebraços com água e sabão. No compartilhe objetos pessoais, cubra tosse ou espirros com braços ou lenço descartáveis. Ajude compartilhar essa atitude, assim o coronavírus não se espalha. Governo de São Paulo, estado de respeito".

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado. César, obrigado pela pergunta. Vamos ao próximo, é o Portal G1, Tahiane Stochero.

TAHIANE, REPÓRTER: Bom dia, governador. Bom dia, a todos. A minha pergunta, peço desculpas para o secretário Uip, que jornalista é muito ruim em matemática. Então aqueles cenários que vocês fizeram do 1% a 10%, quantos leitos precisariam normais e para UTIs, no cenário de 1%, e no cenário de 10%? O governador falou que há no estado 7.200 leitos na iniciativa pública, se eu entendi. Vocês estão pedindo mais mil leitos para o Ministério da Saúde. É isso, seriam 8.200 leitos? Quantos leitos precisaria no pior dos cenários em UTI, e normais para a população? E uma outra pergunta, a respeito só de respiradores artificiais, o estado tem, vai comprar? Já que nos outros países pode ter sido um grande problema. Obrigada.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Eu quero ser mais incisivo do que eu fui, o estado de São Paulo não deixará de tomar as medidas que se fizerem necessárias no dia a dia, isso é a orientação do governador. Não tenha menor preocupação com isso, seja elas quais forem. Estou lendo até aqui a portaria do ministério, e o ministério delega isso, e para nós é sensacional, nós adoramos decidir. Então não pense que nós vamos hesitar em qualquer decisão. A conta, ela também é assim, o cenário é que nós precisamos no primeiro momento, de quatro meses, de 1.400 leitos de UTI. Nós já estamos contabilizando hoje, estamos disponibilizando mil leitos, e estamos levando isso amanhã para o ministro, para que ele faça o investimento, e se obrigue ao custeio. Então 1.400 leitos de UTI. Leitos de UTI é o grande gargalo de qualquer estado, de qualquer país, em qualquer lugar do mundo. O segundo gargalo é a compra de equipamentos, que obviamente a China comprou tudo que estava disponível, até ontem eu recebi uma sugestão de recomprar da China, porque os hospitais chineses estão vazios. Então tudo isso está elaborado. A outra situação é gestão de leitos e de equipamentos, você vai fazer gestão para aquilo que for necessário no devido momento.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor David. Tahiane, eu vou tomar a liberdade de pedir ao doutor José Henrique Germann que complemente a resposta com equipamentos que nós autorizamos a aquisição pelo governo do estado de São Paulo, independentemente dos recursos do Governo Federal, que são necessários, eu quero deixar bem claro que não obstante à portaria de hoje, do Ministro Luiz Henrique Mandetta, que tem se comportado bem, é preciso também registrar, ele tem sido republicano, espero que continue sendo, ainda mais uma questão de saúde, você não pode ter outra posição, senão a posição técnica, republicana de fazer o que deve ser feito, independentemente de visão partidária, ideológica, ou de simpatia, ou falta de. E ele tem sido bastante correto, temos convicção de que continuará sendo assim, ele terá que ajudar sim, com recursos, o governo do estado de São Paulo, assim como os demais governos, aonde o Coronavírus tenha sido identificado. Mas já autorizamos de imediato com recursos do estado a aquisição de equipamentos e produtos que o doutor Germann vai mencionar na sequência. Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Um dos pontos principais, primeiro bom dia, a todos. Um dos pontos principais, porque a gente tem no enfrentamento do vírus, é a rapidez e agilidade no diagnóstico. Então para isso nós temos um estoque de kits para exames, mas estamos adquirindo mais 20 mil testes de diagnósticos para os casos que vierem a necessitar e fazer o exame. Em um determinado ponto isso também deixa de ser necessário, mas para isso nós temos então 20 mil novos testes. Aparelhos respiratórios são 200 novos equipamentos respiratórios, além daqueles que as UTIs já possuem. São 5 milhões de máscaras descartáveis, 15 milhões de luvas, 48 mil litros de higienizadores em gel, é o álcool em gel que nós estamos falando, aventais. Enfim, todos os materiais que nós utilizamos para proteção dos profissionais de saúde que vão tratar dos pacientes que estariam internados nas UTIs. Então para isso que serve, nós não vamos distribuir máscara para a população, porque isso não tem um efeito nenhum. Mas para o profissional de saúde que está atrapalhando diuturnamente junto dos pacientes, isso tem efeito e precisa ser então protegido este colaborador. Acho que era isso.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, doutor Germann. Tahiane, muito obrigado. Penúltimo veículo a perguntar hoje é o Jornal O Globo, jornalista Silvia Amorim. Silvia, bom dia. Sua pergunta, por favor.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Bom dia, governador. Bom dia, a todos. Eu queria primeiro, doutor David, um pouquinho de compreensão para confirmar de novo alguns números, porque a gente ainda tem dúvidas aqui, não é só a minha, então vou me fazer um pouco porta-voz. E depois eu quero fazer uma pergunta para o senhor, governador. Doutor, o senhor falou em mil novos leitos, que estão sendo negociados para serem abertos no estado. Isso são leitos só em hospitais públicos, ou estamos tratando também da rede privada? E se o senhor poderia nomear quais são esses hospitais. Eu tenho outros números, mas se quiser de ir ponto a ponto a gente vai.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Pelo visto nós vamos longe. Os mil leitos são do município de São Paulo, 614 leitos, e do governo do estado de São Paulo, não computados, ainda os leitos dos municípios. Não faz parte desse número os leitos privados, e nem das Santas Casas e nem de emergências, são esses mil leitos.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Tá. Então a gente tá tratando de rede pública.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Estadual e do município de São Paulo.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Quer dizer, da administração direta estado e prefeitura, digamos assim?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Administração direta, organização social, a autarquia especial, a autarquia e Hospital Universitário público.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Incor e HC se inserem nisso daí?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Público.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Ok. Esses novos leitos, doutor David, eles são leitos que a gente chama de leitos de isolamento para doenças transmissíveis, ou eles são leitos de UTI normais?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: No início serão leitos de UTI normal, se você tiver o que eu imagino que vá acontecer, uma necessidade maior, você reserva uma UTI só para Coronavírus e daí é o isolamento de todo o pessoal, mas não individual. Deixa eu te trazer um dado que talvez seja novo, no começo nós entendíamos que a transmissão só se fazia por gotículas, hoje nós sabemos que a transmissão se faz também por excretas e secreções, isso dá uma responsabilidade de treinamento muito maior aos profissionais da área de saúde. O dado recente da Itália mostrou um grande comprometimento do setor de enfermagem por conta da contaminação de fezes e de urina. Então todos esses cuidados estão sendo vistos para o treinamento do pessoal.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: A outra questão é, quando o senhor disse que 1% da população infectada é um cenário mais otimista, o cálculo é 1% dos nossos 45 milhões de habitantes, certo? No estado?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: É, a responsabilidade direta do estado é em cima dos doentes que só tenham atendimento do Sistema Único de Saúde, deste grupo você vai elencar a população acima de 50 anos de idade, porque a doença não é mórbida, não necessita de internação na faixa etária abaixo de 50 anos. Então tem o extrato proveniente deste número. Deu para entender?

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Deu. Então o cálculo de leitos a gente tem que tomar como consideração essa população que a gente pode considerar o grupo de risco, não o total de casos do estado?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Veja bem, acima de 50 anos é a população mais vulnerável, talvez, que seja o melhor nome. Então a população acima de 50 anos, que nós estamos calculando esse número, em cima disso você calcula 80%, vai ser assintomática, 20% vai ter doença, desses 20% uma parte necessitará de internação, e dos internados, uma parte precisará de UTI. Então são com esses números que nós estamos trabalhando.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: E aí que o senhor chega aos 4 mil leitos de UTI? São 4 mil em quatro meses? O senhor fez um número em quatro meses?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Mas o que nós precisamos, a outra coisa importante, que isso é dividido durante quatro meses, que nós consideramos quatro a cinco meses, que é a primeira onda da epidemia. Então durante esses quatro ou cinco meses, divididos nele, é que nós estamos entendendo que nós precisamos de 1.400 leitos de UTI. Neste momento. Deixa eu falar uma outra coisa...

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Nesse cenário?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Nesse cenário. Deixa eu falar uma coisa, isso são apreciações em cima de cenário, se você me falar: "Bom, vai ser 20% da população", não foi até hoje dos outros países, em sendo, o sistema de saúde, nenhum sistema do mundo está preparado para esse número, não é São Paulo, não é Brasil, é o mundo. Então são cenários entendendo que vai haver sofrimento para atendimento de toda a população que precisará, isso é uma conta de cenários, e nós estamos obviamente atualizando o cenário a cada dia.

SILVIA AMORIM, REPÓRTER: Governador, é só uma questão agora com o senhor. Se falou muito dessa questão das grandes aglomerações, e dos grandes eventos, eu acho que foi muito obrigado claro em dizer que neste momento o entendimento é de que não há razão para nenhuma restrição do que as já anunciadas. Eu queria só que o senhor conseguisse explicar para a gente então qual é a diferença que enfrentamos hoje aqui em São Paulo, do que, por exemplo, se enfrenta em Nova York, ou em outras cidades no mundo, em outras capitais, em que teatros já foram fechados, eventos já foram cancelados. Quer dizer, quais são essas as razões que nos fazem tomar essas decisões hoje em São Paulo?

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Silvia, as razões não são de ordem administrativa, e nem de ordem política, são razões de ordem sanitária, e quem coordena este grupo é um especialista nisso, doutor David Uip, pode completar a pergunta a você, não é uma decisão de ordem política, não é um instinto de um governador, não é uma medida de ordem administrativa, é de ordem sanitária e de saúde pública. E com o devido cuidado para não levar pânico à população, e nem antecipar processos, porque o efeito disso é um efeito extremamente nocivo para a vida das pessoas, para a economia de uma cidade, para a economia de uma região, para a economia de um país. Então nós temos que tratar isso com bom-senso, com equilíbrio, e obviamente com avaliações diárias, como nós temos feito. Mas o fundamento, a base disso, não é uma decisão de governo, é uma decisão de saúde. Doutor David.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Um outro dado que eu quero dizer a vocês, que ainda nós teremos que ter o entendendo de como esse vírus vai ser distribuído no Brasil e no estado de São Paulo. A área metropolitana vai ser de um jeito, o interior do outro, o litoral outro. Então são aprendizados que o dia a dia vai nos dizer. Eu dei um número agora, que ele é interessante, nós temos 46 diagnosticados no estado de São Paulo, 44 na capital, dois no interior. Então em cima disso, aqui não tem chute, aqui é estudo epidemiológico, nós temos um grande especialista, que é doutor Paulo, que é e o coordenador desses dados epidemiológicos. Ciência, entendimento, compreensão dos fatos do dia a dia.

REPÓRTER: [Fala fora do microfone] essas foram tomadas lá, por que não valem em para cá? Por que não são aplicáveis hoje aqui?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Não são aplicáveis hoje e poderão ser aplicáveis amanhã. Não tem sentido fechar o estado de São Paulo porque você tem 44 casos. Então, pode ser que amanhã, nós estamos falando com números. A partir de amanhã, pode ser o número seja diferente, e as medida sejam totalmente diferentes do que estamos tomando hoje. É decisão para o dia 12 de março, as 12 horas.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Sílvia e colegas jornalistas que aqui estão. É preciso ter bom senso, equilibro, razoabilidade e amparar as decisões no campo da saúde, e no campo sanitário. Nós lidamos com vidas, e lidamos atitudes e atividades. Não é razoável, precipitada paralisar um estado com 46 milhões de habitantes. Isso um impacto muito grande na vida da pessoas, no destino das pessoas, na renda das pessoas. E é um movimento, que uma medida como essa, ao ser adotada, ser adotada com fundamento, claro e na hora correta. Ação preventiva, Sílvia não é, precipitativa. É feita na certa. Porque ao precipitar nós geramos e desencadeamos um processo cuja recuperação é praticamente impossível. Isso impacta na renda, na receita, na vida, na organização, no comportamento psicológico das pessoas. A decisão mais fácil, Silvia é decretar é fechar, mas não é o caminho que o estado de São Paulo deseja. O caminho desejamos é amparar o que são especialistas nisso. É o caminho mais difícil. Mas é o caminho correto. Vamos agora a última pergunta que é, da Folha de São Paulo, jornalista Matheus Moreira. Onde você está?

REPÓRTER: Boa tarde, três perguntas rápidas, mas eu acho uma resposta mais prática, não deve atrapalhar muito. A primeira delas é a partir de quantos casos o governo passa adotar uma análise clínica e não laboratorial? A segunda é pergunta, quais medidas adotadas para evitar sobrecarga no SUS em termos de cirurgia e pronto-socorro? E a terceira, quantas pessoas de fato, isso não ficou claro, configuram uma aglomeração? Uma ida ao mercado é um ambiente de aglomeração? Um ônibus, um metrô? Um ambiente aglomeração? Qual é a medida para saber quais ambientes, pode transitar ou não? Muito obrigado.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: A primeira sobre clínica? Na minha leitura precisava de três dados que nós já temos, você precisava da entrada do vírus no Brasil, já temos. A segunda, a transmissão local, nós já temos. E terceira, transmissão comunitária nós já temos. Então, do ponto de vista, de diagnóstico epidemiológico. Nós temos o parâmetro estabelecido. Por uma objetividade de recursos, nós entendemos que o diagnóstico deverá ser restrito a três situações. As clínicas sentinelas, os casos graves, e para pesquisa. Isso objetiva dar o melhor trato ao recurso público. Então, não tem sentido fazer diagnóstico PCR para coronavírus preventivo. Eu quero falar uma coisa, isso tem ser muito bem entendido. Isso é elaborado entre dados científicos. O número para se chegar isso, é o número, próximo, nós entendemos que estado de São Paulo está apto à tomar essa determinação, que é consenso entre os especialistas desse grupo.

REPÓRTER: Na prática já está a valendo, o prognóstico clínico para casos que não sejam graves?

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Vou por o contrário, você já imaginou se nós fomos fazer exames de identificação de vírus para todo mundo que tossir e ter febre? Ainda mais incorrendo nesse momento uma epidemia paralela de influência. Não tem sentido. E por que não é importante? Não tem medida após isso. Não tem remédio específico. Surgiu o remédio que vai curar o coronavírus, aí interessa o diagnóstico.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Davi.

DAVI UIP: Tem mais pergunta.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Falou sobre aglomeração.

REPÓRTER: E tem a questão sobrecarga do SUS, em termos de cirurgia e pronto socorro.

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Segunda parte da pergunta eu preciso muito do apoio de vocês. É quem deve ir no lugar ou outro. O SUS dois problemas, eu como o defensor do SUS, quais os problemas no SUS? Dois, um é acesso, e outro é referência contra referência. Eu posso garantir para vocês, se nós fomos aos hospitais, pronto-socorro, hoje do município de São Paulo e do estado de São Paulo, 81% dos pacientes que estão lá, deveriam estar em outros lugares. Unidades básicas da saúde, programa da família, ambulatório de especialidade. Essa informação, de ainda atendimento é fundamental. Se todo mundo entender a porta de entrada, tosse, febre, vai ser pronto-socorro, não há sistema que aguente. A outra coisa, é referência enquanto referência. O doente está na UTI, ele tem que ter destino pós alta. Isso é uma preocupação do secretário de dar a oportunidade desse indivíduo ter para onde é, contra a referido. Então, isso faz parte do sistema de todo de gestão de leitos. Aglomeração, eu considero aglomeração? Uma, resposta difícil, governador. Aglomeração, essas pessoa mais de 60 anos, com comorbidades devem evitar qualquer participação em eventos público. Se possível, o metrô é um aglomeração, o trem uma aglomeração. Não é possível evitar? Nós temos que ter, esse contexto, lavar mãos e antes e depois, fica distante uma pessoa espirrando tossindo. Se tiver tossindo, espirrando, cubra mão e boca com lenço, não joga no chão, joga no lixo. Lave as mãos. Não é possível, usar lenço? Antebraço, então, são medidas práticas de prevenção. Eu tenho que imaginar coisas que são possíveis, coisas são reais, e coisas que são desejáveis. Eu não posso imaginar hoje as pessoas não tenham como ir e vir de onde pretendam e precisam ir. Em cima disso é bom senso.

REPÓRTER: [Fala fora do microfone].

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Essa é uma das minhas não preocupações. Veja, não sei do que está falando. E para falar verdade, nem quero saber. A minha vinculação é de assessoria técnica, ao secretário e ao governador.

REPÓRTER: [Fala fora do microfone].

DAVI UIP: Eu não vou.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Davi muito obrigado.

REPÓRTER: [Fala fora do microfone].

DAVID UIP, INFECTOLOGISTA: Eu conheço o casal hoje que os dois estão positivos, sem sintomas, fizeram exames, não são do estado de São Paulo, que não viajaram e não tem contato com ninguém, com coronavírus. Estamos, começando à comunicação sustentada no Brasil.

JOÃO DORIA JÚNIOR, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado Davi Uip. Aos jornalistas que vieram, obrigado pela forma criteriosa que estão conduzido esse grave tema do corona vírus, bom dia a todos.