Discurso - 52º Encontro Nacional dos Detrans 20161603

De Infogov São Paulo
Ir para navegação Ir para pesquisar

Discurso - 52º Encontro Nacional dos Detrans

Local: [[]] - Data:Março 16/03/2016

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom dia a todas e a todos. Quero cumprimentar o Antônio Carlos Gouveia, vice-presidente da Associação Nacional dos Detrans; presidente do Detran de Alagoas; Dr. Alberto Angerami, o nosso diretor do Denatran e presidente do Contran; Marcos Monteiros, secretário do Estado do Planejamento e Gestão; Horácio Mello e Cunha Santos, presidente do Fórum Nacional dos Conselhos de Trânsito; Daniel Annenberg, nosso presidente do Detran de São Paulo; os diretores técnicos dos Detrans de todo Brasil, dar as boas-vindas e dizer da alegria de recebê-los aqui no nosso Estado. Também das escolas públicas de trânsito, presidentes e membros dos conselhos estaduais, profissionais da área, amigas e amigos. É uma alegria de vir trazer aqui um abraço, eu sempre tenho acompanhado o trabalho aqui do Detran de São Paulo, e eles são dos mais importantes serviços públicos, e que fala diretamente à população. Nós temos aqui no Estado, um serviço muito bem avaliado, que é o Poupatempo. Ele chega a ter 97% de ótimo e bom. É impressionante. E aí o Detran era ligado à polícia, nós fomos um dos últimos estados a tirar da Polícia Civil a subordinação do Detran. Passamos para o padrão Poupatempo, e já criamos o novo Detran, que já está completando, agora, cinco anos. Aumentamos de 2 para 26 serviços eletrônicos, um portal para as pessoas não precisarem nem ir ao Detran. Criamos um portal também muito significativo, ouvidoria, enfim, e o novo Detran está chegando perto dos indicadores e do Poupatempo, ou seja, um serviço público bem avaliado. Poucos serviços são tão importantes, quanto ao mérito, é trânsito e segurança no trânsito. Então, é o desafio da mobilidade urbana nos seus dois aspectos. E, de forma relevante, como aqui colocou o nosso presidente, o Antônio Carlos e o Dr. Angerami. Hoje, no mundo moderno, a primeira causa de mortalidade, doença e morte, é coração e grandes vasos, e vem diminuindo. Então, a expectativa de vida vem subindo. Hoje, no estado de São Paulo, a expectativa de vida das mulheres é 80 anos, expectativa de vida média, a maioria vai chegar aos cem, não é? Mas a média é 80. Nós, homens, morremos mais cedo, a diferença geralmente é seis anos, então, 74, que dá numa média homem/mulher 77 no Estado de São Paulo. O Brasil está quase... Aliás, é interessante isso, um dia desses eu fui a um encontro de Centro de Idosos, aqui em São Paulo, na Vila Prudente, umas 200 pessoas, todas mais de 80, só mulheres, os homens tinham morrido todos, e o clube chamava “As Sapecas”. E o que explica essa diferença de homem e mulher? A primeira causa é coração e grandes vasos. A segunda é câncer, e o câncer vem subindo, porque ele é uma doença do idoso, quanto maior a idade, maior a incidência. Se nós vivêssemos 120 anos, todos nós, homens, teríamos câncer de próstata. Então, ele é diretamente relacionado a idade. A medida que aumenta a expectativa de vida, aumenta a incidência. A terceira causa, não é doença, a terceira causa é causa externa, não é doença, é causa externa, e aí muito jovem, não é? Muito jovem. A primeira, os homens são mais expostos, que é coração e grandes vasos, porque os hormônios femininos, estrógeno e progesterona ovarianos, protegem o sistema cardiovascular das mulheres. Então, se a gente for agora ao InCor, aqui em São Paulo, de cada sete leitos da unidade [ininteligível – 00:04:56], de cada 10 leitos, sete serão homens. As mulheres são mais protegidas pelos hormônios femininos. Depois, a menopausa, essa proteção diminui, mas continua ainda por um longo tempo. A segunda causa é igual, o câncer, que só varia o órgão. E a terceira é o homem, é o jovem no fim de semana, a motocicleta, droga, tiro. Então, aí a grande diferença do aumento de expectativa de vida das mulheres. Passou a vulnerabilidade juvenil, diminui essa diferença entre homens e mulheres. E aí a questão da causa externa passa a ser extremamente relevante. No estado de São Paulo, há 15 anos atrás, morriam por ano 12.880 pessoas assassinadas, homicídio: 35 mortes por 100 mil habitantes. O Brasil tem hoje 22. A Organização Mundial de Saúde disse que acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes é caráter epidêmico, é epidemia. Nós fomos reduzindo 12 mil, 11 mil, 10 mil, 9 mil, 8 mil, 7 mil, 6 mil, 5 mil, 4 mil, o ano passado, 3.962 pessoas assassinadas. Chegamos a 8,4, abaixo do que determina a Organização Mundial de Saúde. Então, a primeira causa externa hoje no estado de São Paulo de mortalidade, não é mais homicídio, é acidente rodoviário. Passou a ser a... A chance de morrer assassinado é metade de carro ou de moto. O carro e a moto são duas vezes mais perigosos do que o assassinato. E nós já tínhamos criado em 2004, um conselho e um trabalho importante de prevenção de acidente de trânsito. E agora, 2015, criamos, Dr. Angerami, Antônio Carlos, o Infosiga, junto com a Sociedade Civil. Então, como nós publicamos, todo dia 25, os indicadores de criminalidade, nós colocamos na internet todo dia 25. Agora, 25 de abril, vai sair o indicador de março, vítimas de homicídio, latrocínio, roubo, furto, roubo de veículo, furto de veículo, estupro, roubo a banco e roubo de carga, são esses os indicadores. Todo mês, dia 25, está tudo na internet. O Infosiga vai trazer agora todos os indicadores de acidente de trânsito, tudo, tudo, nos 645 municípios. Onde houve o óbito, onde foi, o horário, o dia, o local, todos os indicadores para gente poder ter um planejamento e reduzir, o mais rápido possível... Aliás, é a década da ONU, do acidente de trânsito, e a gente sabe que não é nas grandes autoestradas, mas é perto das cidades. É a ocupação urbana desordenada, não é? Aquele conjunto habitacional que falta passarela, atropelamento, enfim, então, um trabalho importante, nesse sentido. Por isso quero trazer aqui um grande abraço, desejar a vocês um ótimo trabalho. No mérito, é um serviço talvez dos mais relevantes hoje, sobre todos os aspectos, e da forma, eu sou um apaixonado pela federação. Fico triste quando a gente liga a televisão e lá: “Brasília, Brasília, Brasília, Brasília, Brasília”, isso não funciona. Isso funciona no Uruguai, país pequenininho. Num país continental, como é o Brasil, ele tem que ser federativo, e o Brasil só é federação no papel, República Federativa do Brasil, mas não é federativa. É uma herança colonial altamente centralizadora. Veja os modelos de federação, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, cada estado tem a independência, você tem um mínimo de regras, mas cada um tem a sua singularidade. E veja com grande importância essa associação, porque aproxima, interage, a gente erra menos quando interage, interage, interage, interage. E a outra, qual o grande problema do Brasil hoje? O Brasil ficou caro, caro antes de ficar rico. Depois que você fica rico, geralmente fica caro, você tem casa na praia, tem helicóptero, né? Mas o Brasil ficou rico, ficou caro antes de ficar rico, e perdeu competitividade. Nós moramos num dos países mais caros do mundo. Nós temos que ter como obsessão reduzir custo, reduzir custo, reduzir custo, simplificar, simplificar, desburocratizar. Nós temos uma herança cartorial, cartorial, é selo, carimbo, é um cartório, um grande cartório. Esse é um setor difícil, difícil. Veja lá atrás, exigiram primeiros-socorros, porque deu uma bolsinha de tesoura, ‘band-aid’, como se isso... Algumas empresas se encheram de ganhar dinheiro, o povo pagou a conta, um povo pobre, país pobre como o nosso, e depois aboliram tudo. O combate ao incêndio, o extintor. Países ricos da Europa, você só tem extintor em veículos coletivos, não tem em veículo individual. Nós, além de exigirmos, ainda queriam mudar o tipo dele, mais caro, mais sofisticado. Depois aboliu tudo. Cada hora é criado uma regra nova para o povo pagar. Legislação e exigências da Escandinávia, num país pobre, pobre, de carências, não tem esgoto, não tem emprego, com grandes dificuldades. Eu vejo que vocês têm uma tarefa que não é fácil: De um lado zelar pela segurança, zelar pela boa prestação do serviço público, e de outro a realidade nossa, a nossa realidade. E a necessidade de o país ter uma grande desburocratização, simplificação, redução de custos, né, que é importante. E educar, né, e se educa pelo exemplo. O [...] dizia: “Se quiser mudar os costume da sociedade, não é pela lei, é pelo exemplo”, é o exemplo que fica e que permanece. Quero trazer aqui um grande abraço, até como médico, dizer da alegria de participar aqui desse encontro. A certeza que nós vamos salvar muitas vidas com esse trabalho, direta e indiretamente. Nós aprovamos aqui em São Paulo há cinco anos uma lei do desmanche. Aqui se rouba uma motocicleta e ela é desmontada em 20 minutos, rouba carro por encomenda, "carro tal". 42% dos latrocínios é roubo de carro, 42%. É na hora de roubar o carro, você se assusta com o revólver, pisa no acelerador, faz um gesto inesperado, toma um tiro. Quase metade dos latrocínios é roubo a veículo. Lacramos, fizemos uma lei, demos seis meses, isso há cinco anos atrás, lei chamada lei do desmanche, hoje tem a lei do desmonte, e reduzimos 30% o número de latrocínios. Lacramos, emparedamos 900 desmanches. Ia lá a fiscalização, empareda, empareda, empareda. Foi fechando desmanche ilegal, só ficaram as recicladoras realmente, que atendem as exigências da lei, e o roubo de veículo mergulhou e, com isso, o latrocínio também caiu enormemente. É um belo desafio esse de vocês, né? É a busca incessante do interesse público, incessante do interesse público, dentro das circunstâncias brasileiras e da dificuldade que nós passamos. Venho aqui para desejar muito boas-vindas e um ótimo trabalho.

[Aplausos]. [[]]