Discurso - Abertura do 60º Congresso Estadual de Municípios 20162903

De Infogov São Paulo
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Discurso - Abertura do 60º Congresso Estadual de Municípios

Local: [[]] - Data:Março 29/03/2016

[Aplausos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Boa noite! Boa noite a todas e a todos! Eu quero cumprimentar o vice-governador do nosso estado, o companheiro Márcio França, que é também secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, um municipalista, ex-prefeito de São Vicente, célula mater da nacionalidade brasileira, o primeiro município. Saudar o conselheiro Dimas Ramalho, presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, dizer que é um privilégio para o nosso estado ter alguém da estatura e o espírito público do Dimas Ramalho a presidir a nossa Corte de Contas. O nosso anfitrião, Marcos Monte, prefeito de São Manoel e presidente da APM. Dra. Andréia, presidente do Fundo Social de Solidariedade. Prefeito dessa bela cidade de Campos do Jordão, o Fred; sua esposa, a Juliana Sintra, presidente do Fundo Social de Solidariedade. Quero trazer um abraço da Lu a todas as presidentes de fundos aqui presentes, a todas as senhoras. Cumprimentar o vice-prefeito, Marcelo Padovam; vereador Felipe Sintra, sua esposa Juliana; o Gilmar Dominici, da Secretaria de Governo da Presidência da República, ex-prefeito da nossa querida Franca. Os secretários de Estado Duarte Nogueira, Floriano Pesaro, Aloísio de Toledo César e Lourival Gomes. Deputados estaduais, a Célia Leão, o Márcio Camargo e o Itamar Borges, ex-prefeito de Santa Fé do Sul. O secretário geral da APM, o Carlos Cruz, ex-vice-prefeito da nossa Campinas. A Dalva Cristofoletti, que quando a primeira vez que participou do congresso da APM era menor de idade, não é? Abraçar a Dalva. Eu sempre fico feliz de reencontrá-la. A boa parte da política é que a gente encontra amigos de longos tempos e conhece novos amigos. A política é uma atividade essencialmente humana. Muito feliz de reencontrar aqui a Dalva. Prefeitos, prefeitas, vice-prefeitos, vereadores, amigas, amigos, secretários, expositores, patrocinadores, é uma alegria, Marcos Monte, participar aqui desse congresso. Não há governo mais importante do que governo local, governo próximo das pessoas. Ninguém vai reclamar para o Presidente da República. Quantas pessoas vão a Brasília, ou mesmo ao governador do estado? Mas o prefeito, o vereador, o vice prefeito estão muito perto da população. É o governo que enxerga os problemas, convive com eles, prioriza melhor e mais rapidamente trabalha para enfrentá-los. Eu queria trazer uma palavra, primeiro, de parceria, contem conosco. Nós vamos, agora, até o dia 15 desse mês, raspar lá o fundo do tacho para poder fazer uma liberação maior de convênios, para dar tempo dos municípios ainda poderem desenvolvê-los.

[Aplausos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Um pouquinho. A crise, ela é para todos, ela só muda o número, o tamanho do número, não é? Aquele que é cidade menor, o déficit é menor; o maior, o déficit é maior. Ontem, tivemos uma reunião com o secretário da Fazenda e o secretário do Planejamento. Falou: “Olha, o buraco é de R$7 bilhões. Então, ou vai aumentar a arrecadação ou vai cortar despesa”. Então, ou você corta R$7 bilhões ou aumenta R$7 bilhões. Ou corta R$3,5 bilhões e R$3,5 bilhões tem que aumentar de arrecadação. Como é que vai aumentar a arrecadação numa crise dessas? O empresário, primeiro, paga os seus funcionários, depois, os seus fornecedores; se sobrar dinheiro, paga imposto. Ele se financia não pagando imposto, isso é óbvio. Então, quando a economia cresce, a arrecadação cresce mais, porque ele procura pôr em dia os tributos. Então, a economia cresceu quatro, a arrecadação cresce 7%. A economia caiu quatro, a arrecadação cai oito. Em janeiro e fevereiro, a arrecadação de ICMS... E nós só vivemos de ICMS. O Fundo de Participação dos Estados, que 40% é arrecadado no estado de São Paulo, nós recebemos 1%; 40% do dinheiro do Imposto de Renda e do IPI é arrecadado no estado de São Paulo, nós temos 23% da população brasileira e temos de participação no FPE 1%, um. Nós só vivemos do ICMS. O ICMS, em janeiro e fevereiro, ele cresceu 1,3% nominal. Como a inflação foi 9,5, então ele é 8,2 negativo. Ele não chega nem no... Não é que a inflação foi nove e cresceu oito. Não. A inflação foi 9,5 e cresceu um. Essa é a realidade. O que vai bem hoje é agronegócio. Agronegócio não paga impostos, o que paga imposto é indústria e serviços. Então, você tem uma crise fiscal gravíssima. O governo federal, o ano passado, tirando juros, tirando os juros, só déficit primário, gastou mais do que arrecadou, R$116 bilhões de déficit primário, e quase não investiu. Se o Brasil não voltar a crescer, não tem jeito, tem que voltar a crescer, porque o país crescendo, gerando emprego, investindo, você vai acertando a economia. Agora, com uma recessão de menos 4% do PIB, e podemos ir para o terceiro ano de recessão, a economia derretendo, é evidente que não vai ter a solução da questão fiscal. Mas eu quero até trazer uma palavra aqui de otimismo. Eu acho que vai melhorar no segundo semestre. A inflação tende a cair. A inflação o ano passado foi câmbio. Já foi a R$4, o dólar; hoje, baixou para R$3,60. Então, já incorporou isso, acabou, foi preço administrado. Energia elétrica, com a chuva, ela tende a cair. Então, a inflação vai cair. Não vai cair para 3%, mas ela vai cair. Caindo a inflação, cai os juros e a economia tende a recuperar. Por que o agronegócio vai muito bem, mas muito bem? Porque exporta, e o câmbio ajuda. Então, caiu o preço de commodities, mas a desvalorização do real compensou e sobrou. Então, quem exporta, com o dólar do jeito que está, está dando risada sozinho, super bem. A indústria demora um pouco mais, mas ela também vai se recuperar com o câmbio. Os país que crescem no mundo têm política fiscal duríssima, não pode aumentar impostos e não pode gastar dinheiro público. Essa é uma cultura que tem que mudar. É uma cultura. Nós criamos uma cultura que tudo é do governo, o governo tem que fazer tudo, é papai e mamãe de todos. Um dia desses foi lá uma moça me procurar: “Olha, eu quero fazer isso, quero fazer aquilo, cultura, show”. Eu falei: “Poxa, que maravilha”. Não, ela queria R$3 milhões. Mas o que eu tenho que ver com isso? Virou que o governo tem que bancar tudo, tudo. O governo tem que se meter em tudo e pagar tudo e bancar tudo. Ou nós mudamos esta cultura ou não tem jeito, só vai aumentar impostos. Política fiscal frouxa, quando o mundo que cresce tem política fiscal duríssima. Isso vale em todos os níveis, é custo Brasil. Eu fui vereador em Pindamonhangaba, uma cidade que hoje tem 160 mil habitantes. Vereador não ganhava nada e nem o presidente da Câmara, tudo de graça. Campanha era só papelzinho, de casa em casa. Era uma honra você trabalhar para o seu município, uma honra, tudo de graça, nada, não recebia um centavo, ninguém. Ninguém faltava, ninguém faltava. A assiduidade era 100%. A Câmara tinha três funcionários, três, três. Então, tudo vai... O prédio vai subindo. Nós criamos um estado que não tem jeito, ou a gente revê tudo isso ou não tem conserto, vai faltar dinheiro para varrer rua, vai faltar dinheiro para as coisas básicas. É uma mudança cultural, cultural. O estado tem que se limitar àquele seu papel necessário, estrito e fazê-lo bem feito. Hoje é muito imposto, muito gasto e todo mundo insatisfeito. Porque o governo acabou assumindo inúmeras tarefas. Mas acredito que vai melhorar dentro de alguns meses, a indústria tende a se recuperar. Márcio França foi comigo, acabamos de inaugurar uma grande fábrica de automóveis em Iracemápolis, região de Rio Claro, da Mercedes Benz, em plena produção, produz o carro sedan e utilitário nos próximos meses. Inúmeras empresas estão procurando o estado de São Paulo, a agência “Investe São Paulo” e a agência “Desenvolve São Paulo”, porque não estão enxergando num curto prazo, mas estão enxergando num médio prazo. Eu fico hoje aqui em Campos do Jordão, e amanhã tô indo direto pra Araraquara, sua terra, Dimas, inaugurar uma grande fábrica da Hyundai, ferrovias, fábrica de trens, novinha, já inaugurada, foi feita em 15 meses, uma segunda fábrica da Randon, dos gaúchos de Caxias também, nova empresa. Eu acho que a economia ela vai devagarinho, dentro de alguns meses, melhorar. Quero reiterar aqui a nossa parceria, agradecer aos prefeitos porque nós temos 250 mil presos, aliás, 237... Duzentos e trinta e dois mil presos, e assistência médica não era fácil, e nós fizemos convênios com as prefeituras, pagamos a prefeitura, contratamos as equipes, médicos, enfermeiras, e com isso resolvemos um grande problema. O Lourival tem um slogan, Dimas, o Lourival tem quantos anos de penitenciária, Lourival? Quarenta anos. Entrou como agente penitenciário, hoje é secretário de estado. Ele é muito conhecido nas penitenciárias, então ele passa e fala: “Estou contigo e não abro”.

[Aplausos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Mas, cumprimentá-lo porque não é um trabalho fácil. Agricultura, nós estamos acelerando ao máximo aí, Marco Monte, o Microbacias II que é programa de geração de renda, apoiar pequeno agricultor e agricultura do nosso interior; programa “Melhor Caminho”; pontes também vamos assinar agora nos próximos dias aí com 30 municípios. Agência “Desenvolve São Paulo”, tá aqui o Dr. Milton Melo, nós já emprestamos R$ 588 milhões para prefeituras, atendemos 150 municípios: asfalto, iluminação, energia, iluminação pública, equipamentos, enfim, as mais variadas áreas. O Centro Paula Souza, o Márcio França, nós temos o programa de classes descentralizadas além das Etecs e Fatecs. Na cultura, o projeto “Guri”. Na Defesa Civil, esse ano a chuva que é boa e necessária, mas às vezes cai demais num determinado lugar. Eu, quando fui prefeito, tinha um funcionário antigo da prefeitura, Nogueira, que dizia: “A pior oposição ao prefeito é a chuva, e o melhor engenheiro é o sol.”. E é uma realidade, né, o sol conserta as coisas. Então foi um período, precisava chover, mas nós tivemos problemas graves, localizados, e estamos aí, através da Defesa Civil, fazendo um esforço pra poder ajudar. Fico feliz na área da educação, amanhã vamos inaugurar duas creches escola, uma em Araraquara e a outra em Pindorama. Então, nós estamos chegando já a 130 entregas e 380 em obras. O estado nunca, Dimas, tinha investido no ensino infantil, nunca. Criança de 0 a 5 anos, e nós resolvemos ajudar os municípios. Entregamos o prédio pronto, equipado e mobiliado. E ele vai ao Fundeb e consegue financiar pra oferecer a creche e a Emei, a pré-escola. O Floriano veio com a gente, nós fizemos uma mudança... Quero agradecer aos deputados, a Célia Leão aqui representando a Assembleia, o Camargo e o Itamar, em seus nomes o presidente Fernando Capez. A Assembleia aprovou uma mudança super importante. Nós aumentamos um pouquinho a cerveja e o cigarro, e reduzimos 6% o remédio genérico, todos os genéricos, todos, todos, todos, todos.

[Aplausos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: E a partir deste mês de março, entra em vigor, porque tem a noventena, foi aprovado no fim do ano, então a partir de março cai 2% a mais do ICMS para o Fundo de Combate à Pobreza. Então, 2% do aumento da alíquota do cigarro e da cerveja vai para o Fundo de Combate à Pobreza, que nós vamos investir nos municípios, nós não vamos nós executarmos, é através dos municípios. E deve também a partir de abril, dar uma melhoradinha no ICMS, porque entra em vigor as novas alíquotas. Esse mês de março, a perda já foi menor, não cresceu, mas ela já foi menor, eu acho que abril pode também ter uma melhora. Quero dizer, muita gente pergunta, sobre habitação. No dia 24 de maio, eu acabei anotando aqui, mas deve ser isso, 24 de maio, os 41 municípios que já têm o contrato da CDHU nós vamos dar ordem de serviço para 4.300, 4.300. Em junho, nós assinamos o convênio com 162 municípios, 19.600 unidades pra ir através do convênio e poder... O estado vai licitar a obra, então não tem problema do período eleitoral, porque nós assinamos o convênio em junho, e nós é que vamos licitar a obra. Como não tem eleição no estado, então não há nenhum problema de natureza jurídica. Tá aqui o Dr. Aloísio. O FID, nós temos o Fundo de Interesse Difuso, então, a medida que vai aprovando, a gente vai assinando convênio com os municípios. Entre o que nós já liberamos e o que vai liberar, deve dar uns R$ 170 milhões. Então, um milhão, um milhão e meio, até não é valor pequeno, mas uns R$ 2 milhões, todos esses municípios. E não é dinheiro do estado, é dinheiro de multa, de não cumprimento de decisão ambiental ou judicial, e esse fundo a gente aplica também nos municípios. Queria trazer uma palavra sobre turismo. Aqui foi citado Ilha Bela, Ilha Bela, aqui não tem petróleo em Campos de Jordão, né? Ainda não, né? Mas o fato é que o turismo é a maneira mais econômica de gerar emprego, emprego. Eu estava vendo agora a Cesp, as usinas da Cesp, as duas grandes usinas da Cesp foram adquiridas pelos chineses lá, “Three Gorges”. Coisa de... O valor que eles pagaram foi R$ 16,5 bilhões. Quantos empregos? Duzentos e trinta empregos, R$ 16,5 bilhões, 230 empregos. É capital intensivo, capital intensivo. O turismo é capital humano, humano intensivo. É emprego, emprego, emprego. Então, digo isso porque com o câmbio o turismo vai crescer. O mosquito tá atrapalhando um pouco, mas daqui a pouco vai passar essa arbovirose. O zika vírus no Nordeste, já quase está acabando, é rápido, você tem uma epidemia grande e depois cessa. Aqui em São Paulo nós ainda estamos enfrentando, pode crescer o zika vírus. Mas combatendo o mosquito, e agora vai entrar o outono, já entrou, e o inverno, tende a cair. E a vacina a gente vai poder ter. O turismo vai crescer muito, ficou muito caro você sair do Brasil, ir pra Miami, pro exterior, muito caro, e ficou barato vir pro Brasil, está baratíssimo, o pessoal de fora vai vir pra cá. Campos do Jordão não tá cheio? Lotado, lotado, direto, agora na Páscoa. Então o turismo vai crescer. Além das 70 instâncias, o Márcio França, quando foi secretário de turismo, foi o primeiro secretário de turismo de São Paulo, ele elaborou uma coisa magistral. Quer dizer: "Olha, vamos manter as 70 instâncias, mas vamos dar espaço pra mais 140 municípios de interesse turístico". Então, tá na Assembleia Legislativa os nossos deputados. Eu sugiro, Marcos Monte, que o congresso da PM tire um documento pra todos os partidos políticos com assento na assembleia pra gente aprovar, porque tem o recurso e a gente vai ajudando esses 140 municípios que vão poder já entrar pra fortalecer o turismo de todas as ordens. A Lu, minha esposa, que tá se preparando, domingo, sábado faz um ano que faleceu o Thomaz, e no domingo ela sai a pé, vai até Aparecida, seis dias, 194km. Então, sai de Mogi, chama “Caminho da Luz”, “Rota da Luz”, sai de Mogi, dorme no primeiro dia em Guararema, 30km, no segundo dia dorme em Santa Branca, mais 30, no terceiro dorme em Paraibuna, no quarto dia dorme em Redenção da Serra, no quinto dia dorme em Taubaté, no sexto dia em Pindamonhangaba e no sétimo dia é a missa em Aparecida. Isso vai ser permanente, pode escrever. Daqui um ano, essa rota, que é longe da Dutra, longe da pista da Carvalho Pinto, que é perigoso você andar no acostamento. Agora na Páscoa, um peregrino, coitado, veio cumprir promessa em Pirapora do Bom Jesus, de carro, cansado, de madrugada voltando, atropelou cinco ciclistas, voltando. Então, zona rural, é tudo de terra, quase tudo de terra, só zona rural. Têm fazendas de café, fazendas de leite, represas, lugares belíssimos. Pode escrever, em um ano, a quantidade de restaurantes, de hotéis, de lanchonetes... É como Compostela, tudo aquilo vive do turismo religioso. Pra domingo, eu vou participar do início da caminhada, em Guararema não tem mais um lugar, em Guararema, tudo lotado: hotel, pousada, tudo, tudo. Então, turismo, um bom caminho pra gente dar um impulso. Uma segunda sugestão aqui pra ir encerrando, Marcos, aqui pro Congresso. Nós temos muitas necessidades, muitas, mas tem uma que é do Oiapoque ao Chuí, assim disparado. Qual é? Qual é a primeira prioridade do povo? Saúde, saúde. Mas pode pegar, você pega a pesquisa de Campinas, saúde; Pindamonhangaba, saúde; São Carlos, saúde. É tudo saúde, do Oiapoque ao Chuí. População mais velha, o Brasil que era jovem, hoje é um país maduro caminhando pra ser idoso, medicina mais cara, sofisticadíssima. O Floriano estava contando na viagem que ele teve um acidente fora do Brasil, e um país rico da Europa, a Itália, o irmão médico ligou pra lá e falou: “Olha, tomografia, precisa fazer, fratura grave, foi operado, tomografia.”. A médica falou: “O quê? É Raio-X.”. Na Europa, é Raio-X, não tem negócio de tomografia, é Raio-X. Mas aqui não. Ressonância magnética, tomografia computadorizada, isso não cura ninguém, é só pra diagnóstico, pro médico ter um pouquinho mais de segurança. Médicos muito mal formados, não tem residência pra 20% dos que se formam, tem medo de tomar processo, não assumem nada, é ‘empurroterapia’, “au, au, au, au, au, au”. É impressionante! Esse é o fato.

[Aplausos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Eu fico, eu fico impressionado com o seguinte: eu vou às cidades que o prefeito me mostra, não é uma ambulância, é uma frota, é uma frota, sete ambulâncias, seis ambulâncias, oito ambulâncias. Aí não tem... É micro-ônibus, o outro é ônibus... É tudo... Vai pra frente, vai pra frente. Não tem resolutividade o atendimento primário. Eu fui a São Miguel Paulista, Itaim Paulista há uns anos, e aí fui no hospital como o nosso querido Dimas foi hoje. A fila dava duas voltas no hospital. Aí chamei o diretor: "Mas como é que pode isso aqui?", “Dr. Geraldo, vamos lá na fila.”. Noventa por cento dos casos não deveriam estar no hospital. Hospital é pra quem vai ser operado ou caso grave. Mas como a rede primária não funciona, você tem uma tendência hospitalocentrica de todo mundo ir pro hospital. Então, é óbvio. A irmã Marcelina dizia pro Mário Covas: “Se o senhor fizer um hospital em Itaim vai desafogar o Santa Marcelina”. Ele fez. “Se o senhor fizer o de Taquaquecetuba, vai desafogar o Santa Marcelina na zona leste”. Ele fez. Aí falou pra mim: “Se o senhor fizer Guarulhos, esse regional, vai desafogar a zona leste”. Eu fiz. “Se o senhor fizer Vila Prudente, vai desafogar”. Eu fiz. “Se o senhor fizer Sapopemba, vai desafogar”. Eu fiz. “Se fizer o Sapopembinha, ai desafogar”. Eu fiz. Todos estão lotados, todos. Pode fazer mais dez. Por quê? Porque há uma tendência o hospital a ser... Custos, custos. Quer dizer, nós criamos um modelo que da vacina ao transplante é tudo de graça. Um dia desses uma prefeita me contou que um sujeito com uma caminhonete cabine dupla, Mitsubishi, parou na prefeitura e falou: “Quero remédio.”. Fui lá, não tem tal remédio. Reclamando, reclamou, reclamou, reclamou. Porque no Brasil é assim, a fila pra reclamar é um quilômetro, a fila pra fiscalizar é um quilômetro, a fila pra fazer só tem dois, ninguém mais faz nada. Reclamar e pegar em cima da população. Quem faz, quem faz é açoitado, açoitado 24 horas. Hoje um prefeito na cidade grande, em São Paulo, falou: “Dr. Geraldo, eu não sou mais candidato”, "Mas como não é candidato? O senhor não foi reeleito...", “Não, não, eu quero sair porque eu já tô respondendo 140 processos. Eu tenho patrimônio, vou perder tudo, tudo, tudo, tudo. Vou perder tudo. Já tô... A minha tese aqui é só conseguir como é que eu saio fora.”. Quer dizer, nós queremos um modelo que não está correto, não pode ser assim, não pode ser assim. Então, eu...

[Aplausos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: Há um princípio em medicina que diz: "Sublata causa tollitur effectus". “Suprima a causa que o efeito cessa.”. Por que é que o hospital de Campos do Jordão está ruim? Os médicos não gostam da gente? As enfermeiras não gostam das pessoas? Os governantes são todos incompetentes? Não. É que não tem dinheiro, não tem dinheiro, esse é o fato. Criamos um modelo na Constituição de 88 de seguridade social chamado “welfare state”, estado do bem-estar social, que diz: Previdência contributiva. Tem que pagar pra aposentar. Assistência social não é contributiva, mas só tem direito a renda mensal vitalícia, um salário mínimo, aquele que a lei determina: idoso ou pobre. A saúde não, é universal pra todos, ninguém paga um centavo. Ninguém paga nada, pra todo mundo da vacina até o transplante, quem paga? O governo. Mas qual o governo? Então, o municipal, estadual e federal. Quando começou o SUS, o Governo Federal era 63% do financiamento da saúde, aí ele passou todos os serviços, todos, não tem mais um hospital, é tudo do estado ou das prefeituras. Aí depois que passou tudo, sai do financiamento. É só não corrigir a tabele do SUS, há 12 anos não é corrigida. Aí as prefeituras começam a entrar no financiamento. Um dia desses eu vi na televisão de manhã, “Pau no prefeito de Diadema”. Mais uma crítica, um negócio pessoal. É fila no corredor, é maca no corredor, crítica de todo o jeito. Tinha que erguer uma estátua, fazer uma homenagem pro prefeito de Diadema, que investe 34% na saúde, mais de um terço. Então, a imprensa bate, a imprensa bate em quem atende o povo, quem atende o povo, que é o prefeito e o Governo do Estado, e esquece não é deste Governo Federal, é de todos os governos federais que simplesmente estão saindo do financiamento e não vai ter correção mais esse ano. Inflação de 10%. Então a saúde não vai melhorar, ela vai piorar. Ou nós vamos rever o financiamento, ter coragem de dizer: "Esse modelo desse jeito não vai funcionar". Ou temos coragem de fazer isso, ou só pode piorar. O Floriano foi lá na Itália, foi operado, tudo de graça, simples, mas tudo de graça. Aí perguntaram: “O senhor tem um seguro saúde?”. Ele falo: “Tenho”. Um seguro saúde internacional. “Tudo bem, então, me dê o seu seguro, vai reembolsar.”. O que é que eu tenho insistido, Marcos, eu queria que você incluísse isso no... aqui no Congresso. Quem atende é que tem que pedir o ressarcimento. Hoje, 20% dos pacientes do Instituto do Câncer tem seguro saúde, ele paga e na hora de atender o governo atende de graça. Quem é que está ganhando? É o seguro saúde, são os bancos, as seguradoras. Quem é que tem que cobrar? O Governo Federal. Ele tá muito longe, ele não cobra, delega pra nós. A prefeitura atendeu no pronto-socorro, o cara tem um convênio, você pede o ressarcimento. Vai atender de graça, como é hoje, mas você vai pedir o ressarcimento para melhorar o SUS, para melhorar o SUS, a mesma coisa o estado. Em média, os nossos hospitais atendem de 15% a 20%, às vezes até mais, de pacientes que tem convenio, quando é casinho leve o seguro saúde atende, quando é grave empurra para o SUS, então é uma coisa que não custa nada para o governo federal e que a gente vai poder se, quem atende, se ressarcir. A outra é o cartão SUS, hoje é a "empurroterapia". O prefeito da cidade “X” melhora o seu serviço, investe um dinheirão, os vizinhos todos mandam o doente para lá e o dinheiro não vai para lá porque não tem o cartão SUS, se tivesse o cartão, aonde é atendido o dinheiro vai atrás como não tem o cartão quanto mais o sujeito investe, mais afunda porque... E ele vai ter uma sobrecarga e ele não tem recurso para aguentar. Então, eu deixo aqui uma sugestão de a gente pedir ao governo federal de quem atende pode ter, só pedir o ressarcimento, só pedir o ressarcimento isso vai dar uma boa ajuda para o financiamento. E, finalmente, amanhã vai votar na comissão de justiça da Câmara Federal, do Senado Federal, a PEC dos depósitos judiciais privados, privados, não tem um município aqui que não tenha disputa judicial. Esse dinheiro que está parado, não rende quase nada e nós gastamos uma fortuna com precatório, juros moratórios, juros compensatórios e correção monetária. Então, a dívida só sobe. Tem que pagar todo o precatório até 2020, então, o tribunal calcula está em 2016, falta quatro anos você paga 1,5% a receita corrente líquida, a conta não vai dar, aumente para 3% ou, como em Guarujá, aumentaram para 11%, como é que vai trabalhar? Se eu tenho que tirar 11% para pagar precatório. Fora os absurdos das decisões. Em Guarulhos, nós fizemos ao Ministério Público uma denúncia oficial, fizemos os cálculos das obras do Rodoanel, das desapropriações, em São Paulo aumentaram em torno de 30% do nosso cálculo, em Guarulhos de 300% a 360% e veio por escrito, tem que ter uma intervenção na vara da comarca, não é possível. Uma coisa é você variar 30%, mas 360%, como é que pode isso? Um disparate desse. Então, você tem cidades como Itapuí, perto de Bauru, que o valor de uma chacrinha é o valor do orçamento da cidade pelo tempo também que levou. Amanhã vota no Senado, se aprovar quarta-feira, amanhã, já vai para o plenário na semana que vem. São Paulo tem R$ 50 bilhões de depósitos judiciais privados você pode tirar 40%, 40% de R$ 50 bilhões dá? Vinte bilhões, metade é do estado, R$ 10 bilhões, nós vamos fazer leilão, o estado deve R$ 18 bilhões, você pode ter desconto de 40%, eu digo: "Olha, eu tenho R$ 1 bilhão, quem me dá o desconto até 40% eu pago na frente", então eu com R$ 10 bilhões, eu pago R$ 14 bilhões, os outros R$ 10 bilhões são dos municípios, municípios, todos os municípios. Então, amanhã se puderem, Marcos, cada um aqui tem todos partidos políticos, todos, PT, PMDB, PSDB, PP, todo mundo. Liga para o seu líder lá em Brasília, diz: "Olha, peça para o senador lá", tem todos os partidos da comissão de justiça. O relator é o Anastasia, parecer favorável e ele vai estar amanhã lá. Aprovou amanhã, na outra semana vai para o plenário, aprovado no plenário não precisa nem de sanção, porque é emenda constitucional e já foi aprovado na Câmara. E nós vamos conseguir, de um lado, pagar o credor, pagar o credor, de outro lado, ficar livre de uma despesa caríssima e você cumprir o que diz o Supremo Tribunal Federal que determinou até 2020 o pagamento. Mas eu quero deixar um grande abraço, trazer uma palavra aqui de carinho para todos vocês. Nós fomos premiados, porque governar com dinheiro é moleza, moleza. Governar com dinheiro é: põe no piloto automático que vai. Agora, governar sem dinheiro, nós fomos premiados, é teste de liderança, né, teste de fogo e a gente não deve também... Tenho um amigo que fica lendo rede social e toma uma bordoada lá e fica doido, não dorme de noite, tal. Falei para ele: "Olha, Santo Agostinho dizia, prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me adulam porque me corrompem". Ninguém gosta de sofrer crítica eu, em Pinda, inventaram um jornal que o dono do jornal dizia aqui não tem publicidade, tem taxa de proteção, não pagou é pau. Prefeitura pobre, sem dinheiro, óbvio que não iria pagar, apanhei os seis anos de prefeitura, aí meu pai um dia viu que eu estava triste e falou: "Meu filho, guarde o seguinte: se a crítica for correta corrija rapidamente, tenha humildade, corrija pra ontem, corrige rápido. Se a crítica for demagógica, explique, porque a população precisa ter a informação correta e se for moral, processe", não há, não transige um milímetro, coragem moral. Então, mas por outro lado, de outro lado que eu tenho um amigo que fala assim: a crítica não é a pessoa física, a crítica não é ao prefeito Paulo, José, Maria, a crítica é a pessoa jurídica. Se você não fosse prefeito ninguém iria criticar, se você não fosse governador, deputado, ela não é a pessoa física, ela é a pessoa jurídica. O Prefeito Franco da Rocha deu uma enchente muito grande e ele, na enchente, tentando socorrer uma senhorinha, ele pega no colo e atravessa as águas com a senhora no colo, aí ela fala para ele: "Você é um anjo da guarda, Deus lhe pague, porque o prefeito não vale nada, viu?".

[Risos].

GERALDO ALCKMIN, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO: É pessoa física e pessoa jurídica. Mas ao abraçar todos vocês e deixar aqui para o Marcos Monte um grande abraço encerrar... Márcio França, me contou Gaudêncio Torquato que o vereador partiu para cia do prefeito, período de chuva, muita lama, muito barro, estrada ruim e ele foi em cima do prefeito. Falou: "Barbaridade as estradas rurais, intransitáveis, o carro atolou-se". Aí o outro vereador falou: "Não, não, o carro se atolou", e aí travou ali uma discussão, chamaram o presidente da Câmara, aí o presidente da Câmara, Cintra, falou: "Olha, é o seguinte, se o carro atolou com a roda da frente o carro se atolou, se ele atolou com a roda de trás, o carro atolou-se, agora se ele atolou com as quatro rodas o carro se atolou-se".

[Risos]. [[]]