Discurso - Assinatura de Convênio para desenvolvimento do curso "Jovens Empreendedores, Primeiros Passos" - 20122504

De Infogov São Paulo
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Transcrição do discurso da Assinatura de Convênio para desenvolvimento do curso "Jovens Empreendedores, Primeiros Passos"

Local: Capital - Data: 25/04/2012

GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN: Boa tarde a todas e a todos. Estimado Prof. Herman Voorwald, secretário do Estado da Educação; deputados: deputado Itamar Borges, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo; deputado Carlão Pignatari, ex-prefeito da nossa Votuporanga, prefeito empreendedor; Alencar Curti, quero agradecer o novo título que eu recebi de avô do programa. Mas aqui agradecer ao Alencar Curti, presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE, grande amigo; a diretoria executiva do SEBRAE, o Bruno Caetano, superintendente; Dr. Ricardo Tortorella, nosso Diretor Técnico; a Regina Bartolomei, diretora de Administração e Finanças; nosso secretário-adjunto de Emprego e Trabalho, Aparecido Bruzarosco; o Dr. Fábio Meireles, que nos alega muito aqui com a presença, Presidente da FAESP e do SENAR, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; um abraço também afetivo ao Dr. Tirso Meirelles; prefeito de Votuporanga, o Junior Marão; Rubinéia, o Aparecido; Palmeira D’Oeste, o Pezão; Tupi Paulista, o Ferracini; Guararapes, o Dedê; de Jaboticabal, o Hori; cumprimentar o Lobbe Neto, que preside o nosso CEPAM; Ana Maria Brasílio, gestora do Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos, pelo SEBRAE; o Antônio Mendonça, diretor do Banco do Povo; Natanael Miranda dos Anjos, secretário do Microempreendedor Individual, representando o nosso Prefeito Gilberto Kassab; diretores e gerentes do SEBRAE, dirigentes, supervisores de ensino; professores, amigas e amigos. É uma grande alegria. São Paulo tem tudo a ver com esse espírito empreendedor. Ontem foi a posse do novo comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Coronel Roberval França. E eu lembrava que em 1831 nasceu a Guarda Civil, que depois deu origem a Polícia Militar. E ela começou com 50 policiais, 35 a pé e 15 a cavalo. Porque a Cidade de São Paulo tinha dez mil habitantes. Hoje, a Cidade de São Paulo tem 11 milhões de habitantes. A Grande São Paulo é a terceira metrópole do mundo, atrás apenas da Grande Tóquio e de Nova Déli, na Índia. Na frente de Mumbai, na frente de Xangai, a grande Nova Iorque, Cidade do México. O Estado de São Paulo é maior que a Argentina, 42 milhões de brasileiros. O PIB da Argentina era igual o de São Paulo há 20 anos. Hoje, o PIB da Argentina é US$ 365 bilhões, São Paulo é quase US$ 700 bilhões. Nós somos duas Argentinas, praticamente. Então essa é uma terra de empreendedores, né, de pessoas que vem para cá pelo trabalho. É o trabalho que faz as pessoas se locomoverem, né? Uma vez nós fizemos um estudo sobre questão de renda no mundo, e os estudos mostravam um cenário onde um mundo mais rico, mas um mundo menos igual, um mundo mais desigual, quem é pobre melhora um pouquinho, quem é rico melhora um ‘poucão’. Então, o mundo fica mais rico e mais desigual. Qual a consequência disso? Migração. Então, as pessoas da África querem entrar na Europa e o Sarkozy põe o pé na porta, aqui não entra. Os mexicanos querem entrar nos Estados Unidos, os Estados Unidos erguem muro. A migração de continentes, migração dentro do seu país, regiões de novas fronteiras agrícolas, migração dentro do seu Estado, corrida para o litoral para... Santos vai ter oito mil empregos só no pré-Sal. As pessoas migram porque é o trabalho, a pessoa não pode ficar no local se não tem como se manter, se não tem subsistência. E São Paulo é a terra do trabalho. Eu fui sábado à Pompeia inaugurar uma Fatec, Fatec de número 53, Fatec Shunji Nishimura. Essa Fatec tem um curso que só tem em Oklahoma, nos Estados Unidos. E o nosso é melhor do que nos Estados Unidos. Eles vieram aqui para conhecer o curso. Chama “Tecnólogo em mecânica de agricultura de precisão”. As máquinas agrícolas hoje tem muita computação embarcada. Segunda-feira vai abrir o Agrishow em Ribeirão Preto. É a maior feira de máquinas agrícolas do mundo, porque tem duas americanas maiores, mas elas não fazem negócios. O Agrishow vende máquina. Faturar perto de 1,5 bilhão. Você vai estar lá no Agrishow segunda-feira, véspera do primeiro de maio. Mas o Sr. Shunji Nishimura veio para o Brasil, conheceu a esposa no navio dos imigrantes. Com ela casou, tinha 22 anos de idade, pegou o trem e desceu na última estação para capinar café. E o trem parava em Pompéia, depois de Marília. Então ele desceu na última estação, ele era muito franzino, magrinho, pequenininho, então fez uma enxadinha mais leve e foi capinar café. Como muitos imigrantes vieram no século 19 em razão do café, para a mão de obra para o café, europeus... Ele no caso veio na imigração japonesa. E lá ele começou a fazer com latinha usada, caneca. Então punha uma asinha na latinha usada e começou a fazer caneca. Depois abriu lá uma portinha, “Conserta-se tudo”, panela... Ele era muito prendado, habilidoso, e tal. Aí montou uma oficininha e um alemão aqui em São Paulo resolveu vender a oficina, os tornos. E o pessoal, os fazendeiros de lá, financiaram para ele comprar a oficina do alemão, os tornos. Bom, para encurtar a história, é a grupo Jacto, eles exportam para 90 países do mundo. E criou a primeira máquina de colher café do mundo. Ela passa, chacoalha o pé de café, tem uma rede embaixo e vai colhendo o café. Um grupo Jacto. Ele morreu com 99 anos de idade. Como os japoneses contam a gestação, ele completou então 100 anos, que você conta os nove meses da gestação. Ele viveu 99,5, viveu 100 anos na conta japonesa. E nós fomos lá, os filhos, ele teve sete filhos, seis vivos. Os filhos estavam lá e um dos filhos do seu Shunji. Eu conheci muito o Sr. Shunji, uma pessoa de uma simplicidade, de uma simplicidade absoluta, absoluta, impressionante. Homem ficou trilhardário e eles diziam da disciplina, disciplina. Ele tinha um conceito de responsabilidade social muito forte. Então ele doou 30 alqueires de terra, construiu uma escola, uma escola agrícola para retribuir ao Brasil. Vinha gente do país inteiro estudar lá. Quando se formava, ele pagava, ficava seis meses ou no Japão ou nos Estados Unidos fazendo mais uma especialização. Tudo por conta da fundação lá do Grupo Jacto. Eu fui patrono um ano e eu fui lá numa formatura, ele ainda era vivo, estava com uns 95 anos mais ou menos, superbem. Aí o filho me falou você imagina um japonês duro, agora você multiplica por 1.000, era o Sr. Shunji, homem duro, disciplina. Se não tem limite, não educa, deseduca, deseduca. Essa liberalidade isso não leva a nada. Disciplina. O meu filho, a namorada dele foi estudar nos Estados Unidos, fazer faculdade, a PUC e foi fazer um ano nos Estados Unidos. Aí perguntei para ela quando ela voltou: você teve problema? Ela falou: Não. É bem tranquilo, nada. A escola brasileira é ótima, tive dificuldade nenhuma. O que é que tinha de diferente? Duas coisas. Primeiro aqui todo mundo trabalha e estuda. Lá não, só estuda, só estuda. Estudar é para valer, tempo integral. Quem não tem dinheiro como era o meu caso, eles arrumam um emprego na própria escola, trabalhava na biblioteca, mas é dentro da escola. Você trabalha no ambiente escolar. Escola não é bico, escola para valer, faculdade. E a outra disciplina, universidade. Para ir ao banheiro pede para o professor licença para sair e ir ao toalete. Disciplina. Então, eu acho que essa questão é uma questão relevante. E eu aproveitei essa oportunidade com tantos educadores, porque eu acho que nós temos que impor limites no que a gente verifica hoje, inclusive nas universidades, não só na rede da educação básica. E a outra destacar a questão empreendedorismo. Empreendedorismo não é ganância, não individualismo, não é patrimonialismo. Empreendedorismo está na área social, organizações não governamentais, ligadas ao meio ambiente, questão ambiental. A sustentabilidade, ligada à questão cultural em todas as áreas que envolvam atividade social. É criatividade. E o nosso mundo hoje, não é só um mundo de carteira assinada. Não tem emprego com carteira assinada para todo mundo. Muita gente vai ter renda. Monta a sua própria atividade, e até cresce na adversidade. Você acaba montando uma coisa que acaba dando certo. Se a gente for verificar os grandes negócios hoje do mundo, a maioria foram coisas que começaram quase que em fundo de quintal. E aí vem a necessidade do apoio do governo. Crédito. O Brasil é um país onde o dinheiro é caro. O sujeito se endividou, quebrou. O caminho mais rápido para ficar insolvente é contrair dívida. Porque os juros do Brasil é o maior do mundo. Não existe taxa de juros de dois dígitos praticamente no mundo. No mundo inteiro o juro é até negativo. Nos Estados Unidos é fácil crédito. Por isso que acabou de sair da crise já. Sai rápido da crise. Tem muito crédito e muito consumo. O Brasil o dinheiro é muito caro. Então o crédito é importante. Por isso que o Banco do Povo eras 1%, veio para 0,7%, nós baixamos para 0,5%, o microcrédito. E inadimplência... Já emprestamos R$ 800 milhões, nós vamos chegar em dois anos a R$ 1 bilhão. Inadimplência 1,8%. O Mário Covas dizia o seguinte: “Rico quando deve vai para Paris. Pobre quando deve não dorme de noite”. Inadimplência 1,8%. A outra, além do crédito, é imposto. Eu estou chegando da Franca ontem. Eu tinha reduzido o ICMS de 18% para 12% para indústria do sapato, indústria coureiro calçadista. Ontem reduzimos para 7%. Porque só em Franca 1,1 mil fábricas de sapato. Desde essas grandonas, dois mil empregados, até de fundo de quintal, quatro, cinco, seis pessoas, famílias, tal. 1,1 mil, tudo pequeno. Jaú, Franca, sapato masculino, Jaú sapato feminino. Diz que lá não tem crise, Carlão. Maldade, né? Birigui calçado infantil. E Santa Cruz do Rio Pardo calçado cowntry, botas e botinas. Impressionante, tudo pequena empresa. E as grandonas começaram também coisinha pequeninha, e acabaram crescendo. Muito emprego. Nós temos só no Estado de São Paulo quase três mil indústrias de sapato e coureiro calçadista, bolsa... O Brasil é o terceiro produtor do mundo de sapato. Primeiro China, tudo; segundo Índia; terceiro Brasil. Agora veja o que é escala. O Brasil é o terceiro, 800 milhões de pares de sapato por ano. A China é o segundo, 900 milhões de pares de sapato... A Índia. A Índia é o segundo. A China o primeiro, 11 bilhões de pares de sapato. O que é escala. Você fazer a coisa em série. Mas vejo que reduzir imposto, crédito barato e capacitação, e aí o trabalho do Sebrae junto as às pequenas, as microempresas, os empreendedores é extraordinário. Porque a gente também não pode correr o risco da pessoa pegar todas as suas reservas, colocar num pequeno negócio que nem sempre está bem redondo e perder aquele patrimônio que tinha. Então a preparação. E o espírito empreendedor. E isso vai ajudar os alunos para melhorar o seu aprendizado porque desperta essa criativa, não é, esta alegria, esse desafio do aprender, não é? São dois verbos que andam juntos, aprender e empreender, eles são meio que inseparáveis, não é, essa vontade de conhecer coisas novas, porque não tem idade. Meu pai tinha 85 anos de idade, uns meses antes de ele falecer eu fui à Pindamonhangaba e perguntei: “Papai, eu estou indo para São Paulo, o senhor precisa alguma coisa de São Paulo e tal?”, ele falou, “Meu filho, se puder traga para mim o último dicionário do Houaiss”. Queria um dicionário novo, 85 anos. Ou seja, essa coisa de querer aprender, não é, aprender, empreender, criar, desenvolver. E ficamos felizes, queremos agradecer ao Sebrae, queridíssimo Alencar Burt, porque nas 91 diretorias de ensino, 91, em todas elas nós vamos ter o curso para capacitar os nossos professores, 2.700 professor vão ter essa oportunidade para gente levar aos alunos do sexto ano até o nono ano esse trabalho importante de tornar uma escola atrativa para os nossos alunos.

Muito obrigado a todos.