PANDEMIA - Coletiva - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência atualizam ações de combate ao coronavírus 20201405

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PANDEMIA - Coletiva - Secretaria da Saúde e Centro de Contingência atualizam ações de combate ao coronavírus

Local: Capital - Data: Maio 14/05/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Boa tarde. São 12h31, 12h32. Muito obrigado pela presença de vocês, nesta coletiva de hoje, técnica, relacionada ao Comitê de Contingência. Temos aqui Dr. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan e coordenador do Centro de Contingência. Ali está o Pau lo Menezes, Dr. Paulo, o coordenador da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria. Aqui ao meu lado, o secretário Vinholi, que é o secretário de Desenvolvimento Regional, e o Dr. Luiz Carlos, que é o coordenador, o diretor do Hospital Emílio Ribas. Eu vou iniciar hoje com os números de casos e óbitos. O Brasil atinge 188.974 casos e 13.149 óbitos, de ontem para hoje, cumulativamente. E São Paulo tem 54.286 casos, novos casos, 3.189, que equivale a 6% do número de casos, houve um aumento de 6% no número de casos. E óbitos, 4.315, novos óbitos, 197, 5% acima do índice de ontem. E atingimos praticamente 10 mil pacientes internados na rede, seja ele confirmado ou suspeito. Nossa taxa de ocupação em pacientes relacionados à UTI, dos leitos relacionados à UTI, no Est ado de São Paulo, 69%, e na cidade de São Paulo, 85%. Próximo, por favor. Vocês estão vendo aqui, o hospital de campanha do Ibirapuera, foi o terceiro hospital de campanha colocado, instalado. Próximo. Ele tem... Breve histórico: 224 pacientes recebidos, 87 já tiveram alta, 27 foram transferidos, 114 pacientes internados aí nesta unidade, 105 em enfermaria, nove em leitos de estabilização e/ou entubados. E isso dá aproximadamente aí 40% de ocupação nesta unidade. Os municípios que recebemos pacientes estão aí: Barueri, Cotia, Diadema, Embu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Itapecerica, Itaquaquecetuba, Jandira, Osasco, Rio Grande da Serra, Santana do Parnaíba, São Bernardo do Campo e São Paulo mesmo. E ali vocês estão vendo um leito simples de internação, na foto de cima, e na foto de baixo um lei to de paciente já ou em estabilização ou talvez entubado também. Então, estes são os números, ele abriu em 1 de maio. Seguinte. Este é o AME Barradas, Dr. Luís Roberto Barradas. E este AME fica na região de Heliópolis, ali do lado do Hospital Heliópolis. O Hospital Heliópolis é um hospital terciário, tem tratamentos tanto oncológicos quanto cardiológicos, e ele tem um ambulatório ao lado, que é este AME, que se chama Barradas, é o AME Barradas. Esse AME está em adaptação para se tornar um hospital, será o quarto hospital de campanha na cidade, ou na Grande São Paulo. Seguinte. Ele vai ter 200 leitos, 148 leitos de enfermaria, 28 de estabilização e 24 leitos de UTI. Esses leitos são completos, não há necessidade de aguardar nenhum novo recurso, eles já est&atilde ;o completos, e o investimento foi de R$ 915 mil de custeio e R$ 30 milhões, divididos em seis meses. Está praticamente pronto, com 94% já concluído, e deve entrar em funcionamento na próxima quarta-feira, no dia 20 de maio. Isso são fotos, não são maquetes, da unidade Heliópolis. Então, isso será então a quarta unidade de campanha. Seguinte. Ok. Eu gostaria, primeiramente aqui, de passar a palavra para o Dr. Paulo Menezes, porque nós... Passa o primeiro. As apresentações... Aquela que eu já apresentei, por favor. Nas apresentações que a gente tem feito, a gente tem colocado para vocês o número de mortes e o número de mortes cumulativamente ao longo dos dias. Não precisa, não, não tem importância. Então, no último, n ós tivemos 5% de aumento aqui, como vocês estão vendo, o número de óbitos chegou a 4.315. E eu queria um comentário a respeito, do Dr. Paulo, que é um médico da cadeira de Epidemiologia, a respeito dessa situação. Por favor, Dr. Paulo.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DE CONTROLE DE DOENÇAS: Muito obrigado, secretário. Boa tarde a todos. Eu gostaria de chamar a atenção para o seguinte: Nós temos discutido muito que realmente nós precisamos leitos, leitos de UTI com respirador, para poder salvar vidas. Agora, eu quero chamar a atenção pra isso, nós temos 4.315 óbitos pra 54.000 pessoas diagnosticadas, o que dá aproximadamente 8%. Oito por cento das pessoas que foram diagnosticadas vieram a óbito, e não foi por falta de leito de UTI, porque isso não está aco ntecendo no Estado de São Paulo. É porque, cada dia que passa, nós entendemos que a doença, ela é mais grave, o vírus é mais agressivo do que parecia no início da pandemia. A gente vai compreendendo mecanismos de como o vírus ataca os diferentes sistemas do indivíduo, e hoje está ficando claro que a infecção causa uma doença sistêmica e não só uma doença pulmonar. Então, a gente, se olha para países com muitos recursos, onde não houve aquelas cenas que nós vimos em Nova Iorque ou na Itália, ou mesmo na Espanha: Bélgica, Holanda, para dar alguns exemplos, de cada dez pessoas diagnosticadas, uma foi a óbito. Ou seja, a doença é mais grave do que as pessoas estão imaginando. Acho que a gente precisa então também entender que o isolamento social, ele não é s&o acute; em função de dar tempo da gente ter leitos com respiradores, mas é a única coisa que nós podemos fazer para evitar que as pessoas peguem o vírus, que causa em uma parte delas uma doença muito grave, e que pode vir a óbito ou causar lesões até irreversíveis, com sequelas, que depois que a pandemia passar vão continuar trazendo um impacto na vida das pessoas, e para a sociedade como um todo. Acho que era isso que eu gostaria de chamar a atenção de vocês, muito obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Isso reforça a nossa eterna campanha aqui, do fique em casa ou salve-se em casa, e use máscaras. A sua máscara me protege e a minha protege a você. E a taxa de isolamento, que tem que subir. Hoje, nós estamos com 48% de isolamento na Grande São Paulo e 47% em todo o estado, interior do estado. Então, isto reforça esta situação, que nós temos que trazer esses índices acima de 50%, não só, porque tem duas questões envolvidas niss o. Um é a questão de promoção e prevenção. Ou seja, pra você diminuir a transmissão, como o Dr. Dimas explicou ontem muito bem. Mas também pra você não ficar doente, pra você não ficar doente em função da gravidade desta patologia que atingiu o mundo inteiro com a rapidez que vocês todos conhecem. O secretário Vinholi vai dar um panorama pra vocês a respeito do desenvolvimento do número da pandemia ou da epidemia no Brasil. Depois o Dr. Dimas fala a respeito.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito bem. Acho que o Dr. José Henrique Germann e Dr. Paulo deixaram muito claro a necessidade do isolamento social e a necessidade da utilização de máscara, tendo em vista a alta taxa de letalidade daqueles que vão para a UTI, que vão como casos mais graves. Um a cada cinco pessoas que vai para a UTI acaba se tornando um óbito. Então, dentro disso, esse quadro mostra um pouco da efetividade do isolamento social no estado de São Paulo desde o início do processo n o dia 24 de março. Então, naquele momento, no Brasil, 68% dos casos eram de São Paulo, e depois disso caiu pra 27% no dia 13/5, dados de ontem, né? Nós temos uma evolução ao longo do tempo, no dia 15 de março representava 68%. No dia 1/4 representava 44%. Seguindo no dia 15/4 com 39%. No dia 1/5, 33%. E agora, hoje, representando 27% dos casos do Brasil. Em um momento que o Brasil ultrapassa a França, chega em uma aceleração muito contundente, a gente consegue demonstrar através desses dados que a política de isolamento social em São Paulo salvou vidas e é uma prática efetiva. Portanto, além de demonstrar esse gráfico - pode passar o slide, por favor - nós podemos demonstrar que a curva de São Paulo foi achatada e que a necessidade de seguir com o isolamento social em todo o estado de São Paulo é fundamental nesse momento. Então, a efetividade dessa política e a necessidade da gente continuar com o isolamento social ao longo desse período, prática essa que nós estamos aqui diariamente pedindo, mobilizando a população, mobilizando prefeitos, mobilizando a sociedade, o estado de São Paulo em torno disso. Bom, nesse gráfico a gente consegue verificar, mais uma vez, a participação de São Paulo, além do número de casos, em número de óbitos, né? Lá atrás nós iniciamos, começamos com 45% em 15/4 e caímos pra 31, dia 13/5, ou hoje, né? Nós começamos essa métrica a partir do dia 15/4 que foi quando começou a ter mais óbitos, né? Então representava 45%, no dia 1/5 representava 40%, e agora no dia 13/5, ontem, mesmo índice pra hoje, 31% do total de óbitos do país. Essas taxas t êm sido decrescentes, demonstrando mais uma vez a eficácia da política de isolamento social. Pode passar, por favor. Aí se torna um pouquinho dessa curva dos óbitos no país e no estado de São Paulo. Pode passar, por favor. E era isso. Então, registrando aqui de forma muito clara a efetividade da política de isolamento social e a necessidade nesse momento da mobilização para que a gente possa atingir os patamares indicados aqui pelo Comitê de Contingenciamento, indicados pela ciência, pela saúde, para que a gente possa manter o estado de São Paulo com um sistema de saúde que não colapse e também salvando vidas em todo o nosso território. Só saudar aqui o bispo Dom Valdir Mamede que nos visita hoje aqui também. Ontem o governador falava da mensagem do papa, né, pra salvar vidas, e isso tem sido uma constante aqui no Governo do e stado de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Vinholi. Dr. Dimas, por favor, seus comentários.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Obrigado, secretário. Eu acho que essa curva mostra a evolução, é interessante pra tentar aqui explicar um pouco da dinâmica da epidemia. Esses números, os números de hoje, eles refletem o que é que aconteceu há duas semanas, duas semanas e meia, três semanas atrás. Vocês se lembram que o índice, né, de isolamento social naquela época era maior do que o índice observado aí nos últimos 15 dias, 15, 20 dias. E, portanto, qual que é a importânci a disso? Qual que é a relevância disso? Quer dizer, o índice de isolamento ela é uma medida indireta da taxa de transmissão de vírus, a taxa de contágio. Quer dizer, quanto mais elevado, menor a taxa de contágio. Quanto menor, maior a taxa de contágio. Não é uma relação direta, mas tem um paralelismo. Então, veja, como caíram os números de isolamento, obviamente que a taxa de contágio nesse período aumentou, as pessoas circularam mais, transmitiu-se mais a infecção. E isso vai começar a se refletir, né, 15 dias depois. Quer dizer, ou seja, a partir desse momento pra próxima semana, na outra semana, nós vamos estar observando o efeito dessa redução na taxa de isolamento. E veja, isso não é cumulativo, quer dizer, você perde quando você diminui a taxa de isolamento todo o e sforço que você fez anteriormente. Quer dizer, se você fez um isolamento mais restrito, né, de 55%, 56%, como chegou aqui no estado de São Paulo, e depois você cai pra 48%, 47%, todo aquele esforço que você fez antes você perde rapidamente porque você coloca de novo o vírus em circulação, né? Então, o panorama dessa taxa de isolamento hoje ele aponta para uma piora desses indicadores, o número de casos, número de mortes, porque é uma consequência, né, do número total de casos e é o que nós estamos observando. Dia a dia, né, um progredir dessas duas curvas. Isso no estado de São Paulo que é o estado que foi mais eficiente até agora, nesse aspecto, e dos outros estados, não é, a situação agora começa a se tornar crítica. Quer dizer, em muitos municíp ios a situação já é crítica, né, e aí vem a questão da falta de UTI, da falta de leitos, né, da falta de assistência, enfim. Então, veja, essa dinâmica eu acho que é importante que as pessoas entendam, né, que existe uma relação indireta da redução da taxa de mobilidade ou do aumento da taxa de mobilidade com a transmissão do vírus. É disso que se trata. Se eu fico em casa eu diminuo a circulação do vírus e diminuo a taxa de infecção. Quer dizer, né, é um raciocínio muito simples, mas é isso o que acontece, né? Então eu acho que é importante que as pessoas se conscientizem porque nós estamos num momento muito crítico da evolução dessa pandemia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: O Dr. Luiz Carlos... Obrigado, Dimas. O Dr. Luiz Carlos Pereira Jr. é diretor do Hospital Emílio Ribas e ele, entre nós aqui ele trabalha aquilo que nós denominamos na ponta. Ele é que está junto da assistência, ele é que observa o dia a dia e a atenção, e toda essa estrutura que está montada no sentido de enfrentar a epidemia. Então, como diretor de um dos principais hospitais e a referência das moléstias infectocontagiosas eu pediria , por favor, o seu depoimento.

LUIZ CARLOS PEREIRA JR, DIRETOR DO HOSPITAL EMÍLIO RIBAS: Obrigado, secretário. Boa tarde a todos, a todas. Eu queria começar reforçando o recado que o Dr. Paulo passou que é traduzido pelo que nós sentimos no dia a dia nos hospitais da administração direta que é o fato de que nós temos uma taxa de mortalidade em UTI em torno de 20%. O que isso quer dizer? Quer dizer que de cada cinco pacientes que vão pra UTI, um paciente não volta pra casa. Então assim, o que é importante disso não é... não basta, obvia mente que a gente corre atrás, daqui a pouco eu passo alguns números sobre a velocidade com que novos serviços estão sendo abertos e equipamentos sendo implantados. Mas nós temos hoje uma taxa de ocupação de 85%, 87% nos hospitais de administração direta, essa taxa está aumentando, mas o diagnóstico de hoje é que não falta leitos de UTI pra receber essa demanda. A gente está correndo com compra de equipamentos, capacitação de recursos humanos, contratação de recursos humanos, instalação de novos serviços, como o secretário acabou de mostrar, mas independentemente desta corrida, quem já está internado nos leitos de terapia intensiva, um deles não volta pra casa, isso é bastante importante, pra gente não ter uma falsa sensação de que, ah, não, não vai faltar leito s de UTI, a questão não é essa, a gente luta pra não faltar mesmo, porque o suporte respiratório é o mais importante pra suporte à vida do paciente que tem esse quadro pulmonar, que é o principal. Além desse óbito, eu tenho uma porcentagem de pacientes que estão evoluindo com insuficiência renal, em geral, uma terapia intensiva, o paciente demanda uma terapia renal substitutiva, diálise, em torno de 15% dos pacientes, nós passamos dos 30%, ou seja, de cada dez pacientes, quatro estão evoluindo pra insuficiência renal. Desses pacientes que vão receber alta, alguns deles vão precisar continuar fazendo diálise, só pra... Alguns deles vão ter ainda sequelas pulmonares. Então, a questão não é só número absoluto de leito versus necessidade e indicação e número de pacientes pra ocupa-los, a questão é que a gente tá diante de uma doença nova, que surpreende a cada dia com novas manifestações clínicas, neurológicas, né, são manifestações cutâneas, manifestações vasculares, então, o que é importante é que as pessoas precisam entender que o que a gente quer não é só diminuir o número de casos, mas que a gente quer também é que a população colabore pra que a gente não tenha pacientes graves e pacientes com sequelas. E só tem uma maneira, hoje, da gente conseguir isso, que é contar com a colaboração das pessoas, a gente entende a dificuldade, a gente entende o impacto na vida das pessoas, desse distanciamento, mas hoje a gente não tem outra alternativa, é fundamental que todo mundo participe, se me permite, secretário, f alando aqui em nome da força tarefa que nós temos nos nossos hospitais, que vai desde o pessoal administrativo, fazendo com que a máquina se mantenha funcionando, abastecidos os hospitais, até o pessoal da ponta, fisioterapia, os enfermeiros, equipe de enfermagem toda, equipe médica, e todo mundo de apoio, desde a nutrição, essas pessoas estão dando o máximo que podem, e elas precisam mesmo é do apoio da população, pra que a gente consiga controlar um pouco mais essa demanda, né? Então, eu acho que é um apelo que a gente faz todas as vezes, mas as pessoas precisam parar e olhar para essa força toda de trabalho, se sensibilizar com essa dedicação, com essa entrega, e fazer a sua parte, é só isso que a gente tá pedindo. Obrigado, secretário.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: O Hospital Emílio Ribas também receberá um novo tomógrafo, e a cada semana nós estamos acrescendo dez leitos, né, desde o início, terminada a reforma, então, estamos adicionando leitos no Hospital Emílio Ribas constantemente, praticamente a cada semana, e agora também com o novo tomógrafo. Eu gostaria de enfatizar, dentro do que o Luiz Carlos, Dr. Luiz Carlos, que ontem vocês viram e nós estamos circulando um filme a respeito do nosso agrad ecimento aos profissionais de enfermagem, aproveitando ter havido agora o dia do enfermeiro. Mais uma vez, os nossos agradecimentos, né, são 12 horas e 55 minutos, então, podemos iniciar as perguntas. A primeira é presencial, do SBT, Fábio Diamante. Boa tarde, Fábio.

FÁBIO DIAMANTE, REPÓRTER: Boa tarde, secretário, boa tarde a todos. Minha pergunta é pro Dr. Dimas. Dr. Dimas, o prefeito de São Paulo começou, de fato, a discutir, falar, inclusive, sobre a possibilidade de um lockdown, como os números não melhoram, o rodízio não surtiu o efeito esperado, mas ele, inclusive, já levou essa questão pro Ministério Público, porque ele entende que lockdown, na cidade de São Paulo, ele não funciona se isso não atingir a região metropolitana, a grande São Paulo co mo um todo. Queria fazer uma pergunta pro senhor, do ponto de vista técnico, o senhor entende dessa forma também? É preciso que, se chegarmos ao ponto de uma medida restritiva, que isso atinja uma região e não apenas a capital de São Paulo? Obrigado.

DIMAS COVAS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Perfeito, Fábio. Você veja, aqui na região metropolitana, tem uma característica, nesse momento, da epidemia, que ela está se deslocando para as periferias. Nas periferias, nós temos a maior densidade populacional, maior adensamento de pessoas, maior número de pessoas por habitação, né, isso é um problema, sem dúvida nenhuma, porque ali você já tem as condições, né, muito propícias pra transmissão, quer dizer, mesmo que voc& ecirc; convença a pessoa a fazer o isolamento, ela vai ficar isolada numa casa que tem muitas pessoas, né, numa metragem quadrada reduzida. Então, esse é, realmente, um problema grave aqui na região metropolitana, né, e essas medidas de afastamento, quando a gente olha no global, elas não são homogêneas, né, então, isso até tem uma estratificação social, classe A, B e C tem mais adesão, né, do que as demais classes, que dependem de uma movimentação até pra sobrevivência. Quer dizer, nós estamos vendo isso todo dia nos jornais, na televisão. Então, é um desafio, sem dúvida nenhuma, só que as medidas, elas precisam ser tomadas rapidamente, nós não podemos esperar esgotar a nossa capacidade de atendimento, ou de ações específicas nessas regiões, que são , né, na minha visão, as regiões mais problemáticas, né, porque se nós não tomarmos essas medidas agora, se tomarmos daqui uma semana, daqui dez dias, será tarde, né, então, eu tenho uma visão que é preciso agir no sentido de implementar maior adesão a essas medidas de afastamento e ações educacionais e ações focadas nessas áreas, que são problemas, as comunidades principalmente.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Fábio. Obrigado, Dr. Dimas. Presencial de novo, TV Cultura, repórter Maria Manso.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde a todos. O ministro da saúde defendeu que pra gente não chegar até o ponto de lotar todas as UTI's, que as cidades e os estados deveriam internar os doentes antes deles chegarem a um estado grave, e a orientação que a gente tem recebido de vocês e passado pras pessoas, é que com sintomas leves, as pessoas continuem em casa, e só procurem os hospitais quando estiverem já num estado grave. Vocês pensam em mudar essa orientação aqui no Estado de São Paulo?

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor, Dr. Paulo.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DE CONTROLE DE DOENÇAS: Não, não exatamente, o que nós queremos é que as pessoas que podem, fiquem em isolamento domiciliar, mas é necessário um monitoramento da condição e da evolução da doença nas pessoas que estão em casa. Então, nós, inclusive, estamos investindo em tecnologia pra ajudar as pessoas nesse monitoramento, pra não demorarem demais pra ir procurar o serviço de saúde novamente, quando há uma piora na condição clínica. Mas a orien tação continua sendo essa, se houver gravidade suficiente, que indique a internação, paciente é internado, se houver necessidade de cuidados intensivos, ele vai pra UTI, e aqueles que estão em condição melhor, com quadro mais leve, eles permanecem em isolamento domiciliar, assim como os seus comunicantes, que residem no mesmo domicílio, essa continua sendo a orientação, mas é preciso, sem dúvida, deixar a população ciente de que, muitas vezes, há uma piora clínica num espaço de tempo muito curto. Então, quando há qualquer sinal de piora, é necessário procurar o serviço de saúde mais próximo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Maria Manso. Obrigado, Dr. Paulo. Próxima pergunta é online, do Estadão, repórter Paloma [ininteligível], e a Gabriela vai fazer a leitura, por favor.

GABRIELA: Boa tarde. A reportagem de hoje no Estadão mostra que na capital já existem hospitais municipais e estaduais operando com a capacidade máxima. O sistema de saúde está preparado para as próximas semanas?

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Acho que essa pergunta, este tema, este assunto já foi bastante discutido e a nossa posição é essa. Nós estamos sempre adicionando novos leitos. Esses novos leitos quando dependem de recursos adicionais, uma vez que eles estejam disponíveis a gente coloca. E como eu observei com vocês, a taxa de ocupação diminui. Então nós estamos sempre entre 85%, 89% de taxa de ocupação. Então a gente faz isso através de uma... de um aumento sucessivo de leitos na rede. Alguém quer fazer alguma observação?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu quero, Dr. Dimas. Só pra registrar, estamos vindo aqui diariamente também anunciando novos leitos. Ontem foram 350 na Baixada, hoje o Hospital de Heliópolis, e o sistema de saúde de São Paulo já teria colapsado se não fossem as ações diárias que o Governo do Estado tem feito adicionando novos leitos no sistema de saúde pública do estado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor, Luiz Carlos.

LUIZ CARLOS PEREIRA JR, DIRETOR DO HOSPITAL EMÍLIO RIBAS: Pra dar uma dimensão em números também, dos hospitais de administração direta, aqui no estado são 42, nós temos pelo menos 11 e aumentando a medida da necessidade. Então, só pra vocês saberem, mais 154 leitos de UTI vão ser disponibilizados até a metade de junho. Nós temos esse aumento praticamente diário. Lá no Instituto Emílio Ribas nós temos aumentado dez leitos a cada dez dias. Há um investimento também em equipamentos como. .. queria só dividir com vocês aqui o investimento da Secretaria do Estado direto de R$ 1.650.000,00 numa nova tomografia que começa a ser... a área foi preparada, ela começa a ser instalada hoje e provavelmente a gente tem uma previsão de que a partir do dia 22 a gente já comece a fazer. Então nós trabalharemos com dois tomógrafos. Dois tomógrafos por quê? Porque o exame de imagem por tomografia é um exame bastante importante pra reforçar o diagnóstico e avaliar a evolução, só que cada paciente que você coloca dentro de uma tomografia com caso suspeito você precisa fazer a desinfecção. Então a rotatividade dentro daquela sala não é tão grande, por isso que a gente teve que dobrar e contou com o apoio do Governo do Estado e da Secretaria. Não tenha dúvida, nossa previsão para as próximas duas semanas é que sim, à medida que a gente vai contando com os hospitais de campanha que é quem vai receber esses pacientes de maneira mais precoce, a gente vai conseguir absorver essa demanda. A preocupação é: até quando? Qual é a velocidade de abertura de leitos versus a quantidade de pessoas precisando desses leitos de UTI. Então essa, essa é a equação, então a gente está mesmo, de fato, numa corrida contra o tempo. E aí eu sempre gosto de aproveitar esse momento pra salientar. Pra quem é essa boa notícia de que nós temos cada vez mais leitos de UTI? Pra quem é? Pros amigos, pros parentes, pros filhos daqueles que precisam ser entubados e mantidos em ventilação mecânica. É para eles que essa notícia é boa. A melhor notícia mesmo pra todos nós seria não precisar d esses leitos de UTI. E a gente absolutamente, eu volto a falar, a gente precisa muito do apoio da população para que a gente possa um dia vir aqui dar essa notícia pra vocês todos de que nós temos leitos disponíveis, não precisamos abrir mais leitos que a quantidade de pacientes diminuiu e a quantidade de pacientes graves, consequentemente, também. É isso.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Obrigado, Dr. Luiz Carlos. Esse dia chegará, um dia isso tudo termina. Ainda presencial, Jovem Pan, Nicole Fusco, por favor. Boa tarde, Nicole.

NICOLE FUSCO, REPÓRTER: Olá, boa tarde a todos. Algumas cidades do interior decidiram manter o decreto do presidente Jair Bolsonaro e abrir as academias e salões de beleza. Eu gostaria de saber se o Governo pretende fazer alguma coisa a respeito. E também gostaria de perguntar a respeito dessa fala do Dr. Luiz Carlos que alguns pacientes apresentaram problemas renais. Já dá pra gente traçar um perfil desses pacientes? Essas doenças elas acabam surgindo em algum quadro específico? Se tem alguma coisa já a respeito. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Luiz Carlos primeiro, por favor.

LUIZ CARLOS PEREIRA JR, DIRETOR DO HOSPITAL EMÍLIO RIBAS: Sobre essas complicações, né, que a gente diz, tanto sequelas pulmonares, vasculares ou sequelas renais, a gente não tem ainda esse perfil. O que a gente sabe é que nós chamamos aí de reserva funcional que é a capacidade de um órgão continuar trabalhando 100% da sua capacidade. A população que já tem, de certa maneira, comprometida a função renal porque é um diabético crônico, hipertenso crônico, tem uma outra doença cr&oc irc;nica, essa população é que tende a não suportar muitos dias de internação porque ela já tem comprometida essa sua reserva funcional do órgão. Então esse é o perfil dessa população, mas a gente está avaliando isso praticamente diário pra que a gente tenha esses dados, daqui a pouco a gente consegue compilar esses dados.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor.

MARCO VINHOLI, SECRETÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, muito bem, acho que é importante dois aspectos. O primeiro sobre a questão do decreto das academias, e salões de beleza, e congêneres. O Governo do Estado deixa muito claro que aqui a tomada de decisões é em torno da saúde. A vigilância epidemiológica, o comitê de contingenciamento apresentaram o alto risco de flexibilização em um momento em que todas as regiões do estado têm aceleração aguda em número de casos. N ós vamos apresentar na próxima terça-feira um ranking demonstrando qual aceleração tem tido em cada região do estado, mas é importante adiantar que essa aceleração tem acontecido em todas as regiões do estado de São Paulo. Nós, hoje, editamos um decreto adicionando a questão dos salões de beleza, as academias já vinha expressa no decreto inicial e, portanto, a orientação do Governo do estado de São Paulo é para que nesse momento não haja qualquer tipo de flexibilização ao modelo de quarentena implementado. Então nós vamos dialogar, orientar, demonstrar para os prefeitos o alto risco nesse momento de flexibilização pra que a gente possa seguir salvando vidas e num modelo de isolamento tão necessário como nós demonstramos. A segunda questão fundamental é que esses mesmos prefeitos, através do conselho municipalista, ao longo dessa próxima semana vão construir os planos regionais baseados no Plano São Paulo de retomada gradual das atividades com restrições. Portanto, ao longo da próxima semana eles vão poder construir os modelos dialogados com toda... todos os 645 municípios do estado para que no momento certo em que a saúde identifique que não há um risco para a flexibilização a gente possa fazer isso com os municípios de São Paulo.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Nicole. Obrigado, Vinholi. Passo agora para a CNN, Marcela Rahal.

MARCELA RAHAL, REPÓRTER: Olá, boa tarde a todos. Bom, o presidente Jair Bolsonaro defendeu ontem o uso da hidroxocloroquina para casos mais leves. Queria saber o que é que vocês acham disso e qual que é o protocolo que está sendo adotado aqui no estado de São Paulo. E também eu queria saber sobre o uso do Remdesivir. Em que pé tá, se está em estudo, se já está sendo usado. Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Por favor, Dimas e Paulo.

DIMAS COVAS, PRESIDENTE DO INSTITUTO BUTANTAN: Bem, essa questão da cloroquina, da hidroxocloroquina cada dia fica mais claro, né? Quer dizer, se lá no início da pandemia havia alguma dúvida em termos de eficácia, eficiência, nesse momento nós temos vários estudos controlados, né, que saíram em vários países mostrando que essa contribuição ela é limitada. E além de ser limitada ela tem um grande problema que são os efeitos colaterais. E no nosso caso aqui do Brasil, o CFM já definiu as normas para a utilização da hidroxocloroquina. Então o médico ele tem, vamos dizer assim, o poder de indicar desde que haja concordância do paciente, desde que explique todas essas possibilidades, né? Quer dizer, o tamanho do benefício e o tamanho, né, dos efeitos adversos. Em relação aos outros medicamentos, o Redemsevir é um, mais um deles, é a mesma situação, nesse momento são estudos clínicos em andamento, existe mais de duas centenas de medicamentos sendo usados em várias partes do mundo, em vários estudos clínicos, inclusive aqui no Brasil. Nesse momento, a mensagem, nós não temos uma bala de prata, nós não temos um medicamento que seja efetivo para encurtar ou para abolir, né, a infecção pelo Coronavírus.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Ok. Quer falar? Ok. Muito obrigado, Marcela. Passo agora para Clésia Garcia da TV Record. Por favor.

CLÉSIA GARCIA, REPÓRTER: Boa tarde. Boa tarde a todos os colegas também. No sábado, o Ministério Público relembrou um problema crônico na cidade de São Paulo, que é a questão da Cracolândia, com alto fluxo nos últimos dias e nas últimas semanas, inclusive com a migração de casos para comunidades e favelas, exigindo das autoridades uma providência imediata e rápida. O Comitê de Saúde tem pensado muito sobre isso? E quais medidas devem ser tomadas nos próximos dias, uma vez que tem feito to da essa força-tarefa e a gente tem uma bomba-relógio explodindo a cada dia naquela região, levando essa contaminação também para os bairros adjacentes, no que a gente já chama de Cracolândia expandida? Obrigada.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: A Secretaria de Estado apoia todas as atividades da Prefeitura Municipal, de várias cidades, e não só aqui de São Paulo, relacionadas à Cracolândia, sendo elas responsáveis pelas atividades e ações. Então, a gente sempre apoia nesse sentido, e discutimos, pelo menos cada... Uma vez por mês, junto com as autoridades municipais, o que nós podemos fazer mais. Gostaria, por favor, Dr. Dimas, para responder a respeito do centro?

DIMAS COVAS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA COVID-19: Bem, o Centro de Contingência, ele inclui, além da comunidade científica, representações. Então, por exemplo, o secretário municipal de Saúde, o Edson Aparecido, ele é membro, o Geraldo Reple, que é o presidente do Cosems, que é do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde, é membro. E mais recentemente, foi criado o Conselho Municipalista, quer dizer, são 16 municípios, os 16 municípios polos do Estado de São Paulo, e se iniciou um diálogo muito produtivo com esses prefeitos e com os secretários de Saúde. Então, o Centro de Contingência tem uma representatividade, e ele olha para o conjunto do estado. Regiões que estão mais afetadas, regiões que estão menos afetadas, região metropolitana, que é um problema, mas esse diálogo é feito constantemente. Baixada Santista, que é um problema. E o que é importante, o que o Centro faz? O Centro traça cenários, quer dizer, quais são os cenários que são mais prováveis, no momento atual. São cenários, que são traçados dia a dia, que são avaliados dia a dia e são recomendadas as ações para os dirigentes públicos. Para o governador, é feita uma recomendação, o Edson Aparecido leva uma recomendação para o prefeito e assim por diante, com os outros municípios. Então, essa é a função do Centro de Contingência, estar alerta o tempo todo, olhando para a epidemia e tomando as ações que sejam efetivas para o seu controle.

MARCOS VINHOLI, SECRETÁRIO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO: Só adicionar, nessa prática municipalista do Governo do Estado, o Governo vai apoiar todas as iniciativas da Prefeitura Municipal de São Paulo referentes a esse tema, e também de outras prefeituras, que tenham uma população em vulnerabilidade, questões de drogadição. O Governo do Estado irá apoiar as iniciativas de saúde e também as iniciativas tomadas pelos municípios do Estado de São Paulo, nesse caso, a capital.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Obrigado, Vinholi, obrigado, Dr. Dimas, Obrigado, [ininteligível]. Passo agora para Marcelo [ininteligível], TV Gazeta.

REPÓRTER: Boa tarde a todos. A minha pergunta é em relação às declarações da OMS nessa semana. Eles falaram que há possibilidade do novo Corona Vírus se tornar um vírus endêmico, assim como é o HIV, embora as chances de haver uma vacina, claro, a longo prazo, ela exista. Eu queria saber de vocês, como que vocês enxergam essas declarações. Se há de fato a vacina, pensar em uma vacina para o novo Corona Vírus não é algo tão distante. E em relação a essa possibilidade d a doença se tornar endêmica, caso ela se torne endêmica de fato, o isolamento social, como que ele haveria esse isolamento social? Porque, a partir do momento que ela é endêmica, também o isolamento social, acredito eu, que vai ter um teto, assim como a quantidade de leitos de UTI também atinge um teto. Até pensando no lado econômico também, que o isolamento social não pode durar para sempre. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Muito obrigado, Marcelo, pela sua pergunta. Por favor, Dr. Dimas e Dr. Paulo respondem.

DIMAS COVAS, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA COVID-19: Bem, com relação à possibilidade do vírus se tornar endêmico, quer dizer, primeiro que tudo que nós sabíamos das epidemias anteriores, ele foi desafiado por essa nova epidemia. Uma das questões do momento é exatamente isso, se a imunidade que o indivíduo desenvolve contra o vírus é permanente ou não. Os primeiros indícios mostram que não, e portanto, se não há essa proteção de longo prazo, isso significa que o vírus vai continuar circulando. Daí a necessidade de uma vacina. Nesse momento, existe mais de uma centena de vacinas em diferentes fases de desenvolvimento no mundo. E inclusive o Brasil tem algumas iniciativas e o Instituto Butantan está fazendo parcerias com quem já tem essas vacinas, para incorporar isso, tão logo seja possível. Uma vacina, normalmente, ela demora pra ser desenvolvida, em condições habituais, de três a cinco anos. Como essa crise é uma crise importante, e já existia uma experiência anterior, com outros Corona Vírus, esse tempo será abreviado, mas, sinceramente, eu pessoalmente não acredito que teremos uma vacina antes do segundo semestre do ano que vem. E eu não tenho dúvida também que esse Corona Vírus poderá voltar, em ondas, anualmente.

PAULO MENEZES, COORDENADOR DE CONTROLE DE DOENÇAS: Esse Corona Vírus, ele está mudando o mundo, mudando a forma como o mundo funciona. Eu acho que ele vai mudar de um jeito muito definitivo nossas vidas, nosso estilo de vida. Enquanto, como o Dr. Dimas falou: o dia que nós tivermos uma vacina e pudermos vacinar em massa a população mundial, aí nós vamos, talvez, poder pensar em voltar ou em evoluir para uma situação onde nós não tenhamos mais que nos preocupar com a transmissão dos vírus de uma pessoa pra outra. Mas nesse mom ento, nós vamos ter que conviver com a circulação do vírus, por muito tempo, pelo menos até que a gente tenha essa proteção em massa. Se fala muito na questão de atingir a imunidade de rebanho nas populações, 70% é o número que os modelos sugerem. Mas tem muitos pesquisadores que... E eu concordo com eles, que entendem duas coisas: primeiro, nós estamos longe de chegar perto desse número, longe. A gente sabe que, em algumas populações de profissionais de saúde, que estão extremamente expostos ao vírus, hoje a imunidade está em torno de 10%. Então, na população, alguns poucos estudos feitos recentemente estão sugerindo 1,5% ainda. Então, essa questão de que nós vamos atingir os 70%, ela não é uma perspectiva, nesse momento, e há inclusive uma crítica de que, talv ez, mesmo chegando a 70%, o vírus continue circulando. Então, acho que é fundamental que toda a sociedade entenda que é um vírus muito grave. O H1N1, que nós tivemos um problema muito sério, há cerca de 12 anos, ele matou um de cada mil pessoas diagnosticadas. Aqui, a gente está falando, no Brasil, hoje, um a cada 12 pessoas diagnosticadas. Então, a gente precisa transmitir essa mensagem para que... Não criar pânico, mas para que as pessoas saibam de fato o que nós estamos enfrentando nesse momento.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Ok. Muito obrigado, Marcelo, pela sua pergunta. O que nós temos visto então é que depois, após esse novo Corona Vírus, nós vamos viver um novo normal, não é? Completamente diferente, em várias situações, do que se faz agora. Mas nesta epidemia, neste momento, o que nós temos que enfatizar é o fique em casa, salve-se em casa, não fique doente. E o uso de máscaras. A minha, a sua máscara me salva e a minha salva voc&ecirc ;. Muito obrigado. São 13h21, estamos encerrando a entrevista de hoje e amanhã novamente 12h30 aqui, e teremos um... Faremos também a abordagem a respeito da política e a estratégia de testagens, muito obrigado.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dr. Germann, só fazer um alerta aqui importante aos prefeitos, à sociedade de modo geral, com a mensagem final que fica de hoje. Não se trata somente de construir e aumentar o número de leitos. A alta taxa de mortalidade, para quem vai para a UTI, uma a cada cinco pessoas morre, se torna óbito. Portanto, é fundamental seguir no modelo de isolamento social, para que a gente possa salvar vidas em São Paulo. Demonstramos a efetividade ao longo do período disso, e a necessidade da gente continuar e seguir com a política do isolament o social. Portanto, fiquem em casa.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE: Muito obrigado a todos e boa tarde.