PANDEMIA - Coronavírus mata mais de 2 mil em SP e registra novo recorde de 224 óbitos em 24h 20202804

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PANDEMIA - Coronavírus mata mais de 2 mil em SP e registra novo recorde de 224 óbitos em 24h

Local: Capital - Data: Abril 28/04/2020

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JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Muito boa tarde. Muito obrigado pela presença de todos. Estamos aqui hoje iniciando uma nova modalidade de coletiva, que será realizada nas terças e também nas quintas-feiras, que será uma coletiva mais técnica, onde nós trazemos aqui o centro de conting&eci rc;ncia, que é o órgão orientador das ações que o governo toma com relação às questões relacionadas a epidemia, que é coordenado pelo professor David Uip. E apresenta vários outros elementos, membros de faculdades do interior e da capital, e que irão se revezar aqui conosco ao longo desses dias pra frente. É muito importante a presença deles, é um novo momento, nós estamos com uma quarentena que até o dia dez nós temos que tomar alguma decisão a respeito de como faremos, principalmente com relação a alguma flexibilização ou não, o que manda são os números e os dados que nós vamos apresentando e analisando a cada dia. Ao meu lado aqui tá o Dr. Carlos Fortaleza, que é infectologista do Hospital das Clínicas de Botucatu, né, ele tem uma larga experiência, e f az parte do centro de contingência. À minha esquerda tá o professor Geraldo Reple, ele é o secretário de saúde do município de São Bernardo do Campo, também se integrou ao centro de contingência, porque ele também representa os municípios, ele é o presidente do COSEMS, que é o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde. Eu vou pedir pro Dr. David Uip fazer uma fala inicial.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito bom dia, bom dia secretário, Dr. Geraldo, Dr. Fortaleza, eu vou falar rapidamente da dinâmica da reunião, e eu tenho a missão impossível de organização a semelhança do governador, missão impossível, tentarei fazer da melhor forma, anunciando que nós temos oito órgãos de imprensa aqui representados, alguns farão as perguntas presenciais, e outros à distância, e nós vamos manter a dinâmica de coletiva do Governo do Estado de São Paulo. O secretário já falou, então, nós vamos fazer o seguinte, no primeiro momento, o secretário apresenta os dados atuais da epidemia no Estado de São Paulo, na sequência, eu vou pedir pro Dr. Geraldo Reple se apresentar e, fundamentalmente, mostrar o que é ser um presidente do Conselho de Secretários Municipais do Estado de São Paulo, ele representa 645 secretários municipais, nesta relação existe o CONASS, que é o conselho de secretários estaduais, cuja relação é entre os secretários do Estado de São Paulo e os outros secretários com o Ministério da Saúde. Então, esses são os três órgãos do pacto federativo que integram o Sistema Único de Saúde. Então, no primeiro momento, eu peço ao secretário para apresentar os dados atuais da epid emia.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DA SAÚDE DO ESTADO SÃO PAULO: Ok. Então, muito rapidamente, o Brasil está com 66.500 casos, e 4.543 óbitos. São Paulo está com 24.041 casos, com 2.049 óbitos. Nós tivemos como casos novos, de ontem pra hoje, 2.300 casos e 224 óbitos, então, foi um acréscimo de 11% com relação ao número de casos, e um acréscimo de 12% com relação ao número de óbitos, né? Como nós não temos nenhuma fila, né, do ponto de vista de testagem, isso significa que são pacientes que, de fato, foram confirmados e foram a óbito nesses dias por agora, né? Nós estamos internados com 1.437 pacientes em UTI e 1.800 pacientes em regime de enfermaria. Eu tenho aqui os dados de ocupação, no estado as UTI's continuam com 60% de ocupação, 61.6%, e as enfermarias com 44.5%. Na grande São Paulo esse número elevou-se, muito provavelmente em função do dado apresentado, e temos, então, 81% de ocupação, e de enfermaria 70%, né? Esses são os dados de hoje, que eu queria apresentar a vocês.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, secretário, eu vou falar, pedir a palavra do Dr. Geraldo Reple, pra se apresentar, e dizer da sua função.

GERALDO REPLE, SECRETÁRIO DE SAÚDE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO: Bom dia a todos, em primeiro lugar agradecer o convite, falar em nome dos secretários municipais de saúde do Estado de São Paulo, agradecer, cumprimentar o secretário, o Dr. David, o Dr. Fortaleza, e a ideia de que a presença do COSEMS nesse grupo é que as informações, a gente consiga as decisões ter um caminho mais rápido, porque, na realidade, o problema acaba sendo lá na ponta, é no município que as coisas acontecem realmente, e o município, o Estado de São Paulo é um estado com 645 municípios, os mais heterogêneos possíveis, temos uma realidade na grande São Paulo, temos uma outra realidade no interior, e a ideia da nossa presença aqui é pra que a gente consiga disseminar a informação e tentar também ser uma mão de dupla via, do comitê pros municípios, e dos municípios pro comitê. Então, ficamos à disposição, colocamos o COSEMS à disposição. Dr. David falou também à nível nacional nós temos também o Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde, que é o CONASEMS, ele tem uma interlocução também direta, também comunicando diretamente aos municípios e as secretarias de estado. Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Muito obrigado, Dr. Geraldo. Eu vou passar a palavra pro Dr. Fortaleza, e a estratégia é o seguinte, que a imprensa e a sociedade tenham conhecimento como esse grupo de contingência funciona, então são diversos cientistas, pesquisadores experientes em pandemias, mas é importante que vocês entendam os critérios que nós estamos usando no dia a dia, cada um de nós vai falar sobre isso, e esses critérios subsidiam o secretário e o governador do estado pra tomar as decis&ot ilde;es. Então, hoje, o Dr. Fortaleza vai apresentar, mas até para fazer a introdução, professor, eu quero fazer um comentário que acaba de ser apresentado o número de óbitos, esse número de óbitos é um número de óbitos muito importante, e é o mais relevante, até hoje, no Estado de São Paulo, então, eu preciso da atenção de todos, na discussão, nas perguntas, nós vamos explicar o que isso significa, mas eu gostaria da atenção de todos pra este fato, que tem suma importância. Então, eu vou passar a palavra pro professor Fortaleza, que vai expor a sua forma de trabalho.

CARLOS FORTALEZA, INFECTOLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE BOTUCATU: Bom, bom dia a todos, boa tarde, aliás, meu nome é Carlos Fortaleza, eu sou professor da Unesp de Botucatu, e nós, da Unesp, que somos uma universidade distribuída em 23 cidades de São Paulo, desde o início, tomamos como uma função estudar o interior, nós percebemos que existe uma sensação no interior de que ele é protegido, como se algo que acontece aqui não fosse acontecer no interior, e isso, de fato, não é real, nós fizemos esse tr abalho, ele foi submetido a publicação, mas já está disponível numa dessas plataformas pré print, e vamos apresentar em mapas aqui, muito brevemente. Então, isso aqui é o mapa do Estado de São Paulo, com o que se chama de densidade de casos, então, é um mapa muito intuitivo, onde se está mais vermelho é onde os casos são mais densos, e aí vai ficando mais claro a medida que os casos são menos densos, e esses círculos representam o número de casos, tem o seu centro nos municípios, evidentemente, esse círculo grande é a capital, mas nós vemos que há rotas de disseminação ao redor da capital e pelas grandes rodovias do estado. Então, o que nós identificamos, através de uma modelagem que pode ser vista no nosso estudo, basicamente foram dois fatores, um fator que nós chamamos a&i acute; de população, mas ele não é exatamente só população, ele tem a ver com população, densidade demográfica, relevância regional, conectividade entre os municípios. Então os municípios que têm mais essas características, não importa se sejam distantes da capital eles têm um risco até cinco vezes maior em grupo, em relação aos demais municípios, e ao mesmo tempo há um fator distância, nós percebemos que o risco [ininteligível], estamos falando de um risco imediato, como é a situação de vigilância até o momento que foi 25% menor a cada cem quilômetros que se distancia da capital. Então a gente percebe aqui dois movimentos: um movimento em salto, que a doença vai para os grandes centros regionais, e um outro que é por vizinhança, por contiguidade. Quer dizer, a medida que se distancia o risco diminui. Aqui nós temos os eixos de difusão que foram identificados por alguns geógrafos da saúde da Unesp de Presidente Prudente. Bom, então nós temos de acordo com uma classificação do IBGE, quatro tipos de municípios no interior, são os polos regionais, aqueles que são extremamente conectados com os polos, os menos conectados e os rurais. Percebam que a distribuição não é muito clara, nós temos municípios rurais aqui no canto inferior direito que estão até relativamente próximos da área metropolitana, mas o risco é cinco vezes maior no centro regional em relação a esses demais municípios. E é claro que isso é uma análise que exclui a região metropolitana, só do interior do estado de São Paulo. Ent&a tilde;o, isso é preciso ser pensado porque é assim que se apresentam hoje. Aqui é só uma demonstração das diversas categorias de município, mas que estão em risco imediato diferente neste momento. Isso é o que a gente tinha pra apresentar e na realidade o que nós percebemos é que há uma necessidade grande de que os grandes centros regionais eles tenham uma maior, um maior rigor no controle da dispersão da Covid, e que esse rigor ele vai se... vai representar uma segurança para todos os municípios próximos conectados com estes. Vocês podem ver mais detalhes, né, nós temos nesse material o site onde está depositado o estudo.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado. Muito obrigado. É um comentário que eu acho importante e que há uma sensação do interior em alguns locais que a epidemia não chegou. Como o professor Fortaleza deixou claro há uma difusão evidente da pandemia para o interior. E ela está atrasada em relação ao município de São Paulo, a área metropolitana mais ou menos em duas semanas. Por quê? Por conta das medidas de confinamento e afastamento social que foram adotadas precocemente no es tado de São Paulo. Então, isto houve, fez com que houvesse uma contenção. Como nós trabalhamos além disto, há todo um inventário de número de leitos, de leitos de UTI, de respiradores, tanto das regiões... das regionais como de todos os municípios. Além disso, os mapas epidemiológicos, o ecossistema, a georreferência, isso tudo vai ser um conjunto de dados que vai subsidiar as decisões e aconselhamentos do Governo do Estado. Eu entendo que isso é uma explicação geral, subsequentemente nas próximas coletivas nós vamos estar mostrando a sociedade as outras formas de acompanhamento da epidemia. Então, secretário, se concordar eu vou abrir as perguntas. Como eu falei, nós temos oito veículos de comunicação presentes, a primeira pergunta presencial, TV Cultura, Maria Manso. Por favor.

MARIA MANSO, REPÓRTER: Boa tarde. Como vocês mostraram, como o Dr. David Uip falou o número de mortes está aumentando, a ocupação dos leitos de UTI aqui na grande São Paulo também está chegando quase já na saturação. Não é precipitado a gente estar pensando e planejando um relaxamento na quarentena já a partir do dia 11 de maio, quando esse pico ainda estiver na subida? E hoje também foi divulgada uma pesquisa que 90% dos médicos aqui do estado de São Paulo ainda foram submetidos ao teste da Covid-1 9. Sempre foi dito que esses testes eles eram pra quem tivesse sintomas graves e para as equipes de saúde. Por que é que os médicos não estão sendo testados?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Quer responder?

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Bom, primeiro nós vamos apresentar a ampliação do modelo de testagem numa próxima oportunidade, e essa resposta vai estar contemplada. Mas a ideia é que todos profissionais da saúde que tenham sintomas sejam testados. A semelhança do ponto de vista, é óbvio que isso tem que ser feito por conta de proteção dos profissionais. A equipe médica mantida, a equipe de saúde mantida e a prevenção, as formas de prevenção. Veja, o estado de S& atilde;o Paulo apresentou um plano que na minha opinião está muito adequado e apresentado no momento certo. Assim fez o mundo inteiro, o mundo inteiro tem planos. A implementação do plano dependerá de tudo isso que nós estamos falando. Foi oportuno a apresentação do plano, inclusive porque possibilitou que outras equipes fizessem sugestões. Pra dar um exemplo, eu e o Geraldo tivemos uma reunião no último sábado com matemáticos da Unicamp e imunologistas da USP, e trouxeram novos fatos, novas contribuições. Então da nossa área desse grupo, obviamente nós estamos ouvindo todos esses grupos que contribuem pra nós termos as melhores decisões. Não há uma decisão ainda de relaxamento ou não, há um plano muito bem elaborado que objetiva avaliar todas as áreas, a área econômica, a áre a de saúde, mas o governador reiteradamente tem dito que a decisão será subsidiada por esse grupo de contingência que se baseará em metodologia, ciência e pesquisa. Então isso tem que ficar muito claro, nós estamos trabalhando, trabalhando 24 horas por dia, todos os dias em busca das melhores soluções em cima de metodologia científica. Muito obrigado. Eu passo a segunda palavra agora on-line, TV Brasil, a Patrícia Kash (F). O Flávio fará a leitura. Por favor.

FLÁVIO: É uma pergunta regional também. A Prefeitura de Campinas elaborou um plano que prevê e retomada das atividades graduais e econômicas na cidade a partir da próxima segunda-feira. Na opinião das autoridades de saúde, e a partir dos dados da epidemia na região, esta data proposta é viável?

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Nós recebemos o plano ontem, estamos estudando, avaliando o plano e será submetido a todo o centro de contingência e este centro dará orientação ao secretário de saúde de Campinas, Dr. Cármino foi quem nos enviou o plano, e a melhor opção que ele possa ter com relação ao enfrentamento.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: O Cármino ex-secretário de Estado, secretário do Município há muitos anos, extremamente experiente, amigo, mas tem que ficar claríssimo a posição do Governo do estado de São Paulo. Não tem qualquer possibilidade de plano de qualquer lugar antes do dia 10 de maio. Então, entendemos e é muito importante a participação dos municípios especialmente no município de Campinas. E um plano que o Cármino também falou conosco, um plano que foi discutido com muita gente, muito bem elaborado, como o secretário afirmou, é uma contribuição, nós vamos estudar e agora isso fica muito fácil pela presença do Dr. Geraldo [ininteligível], mas não há discussão de implementação antes do dia 10. Isso serve para todo o estado de São Paulo. A próxima pergunta presencial, CNN, a Marcela que está aqui presente. Por favor.

MARCELA, REPÓRTER: Olá, boa tarde a todos. Bom, a Anvisa liberou hoje aplicação de testes rápidos da Covid-19 nas farmácias. Eu gostaria de saber como que o estado de São Paulo vai acompanhar, se vai acompanhar isso. Como que deve funcionar isso aqui no estado de São Paulo? Obrigada.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Seguinte, nós estamos elaborando o nosso plano de testagem e se considera obviamente a utilização de teste rápido. O fato da Anvisa ter liberado para utilização em farmácia, obviamente que capilariza e facilita este processo. Então isso será, sim, considerado no plano que estamos trabalhando. Veja que na saúde também nós temos os agentes de saúde que trabalham na... vou chamar assim, nas UBSs, junto as famílias que é a atenção primária que é onde dentro da ate nção primária tem esta obrigação, vamos dizer, com esta finalidade. Então a gente tem algumas alternativas, né? Obviamente que provavelmente vamos usar todas, né, já que a gente tem uma necessidade aí de aplicar rapidamente os testes.

DAVID UIP, COORDENADOR-GERAL DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Obrigado. A pergunta agora on-line do O Globo, onde a Patrícia Liel (F) fará pergunta ao Flávio.

FLÁVIO: Temos reparado que a taxa de letalidade do Coronavírus no estado de São Paulo tem crescido nos últimos dias, hoje inclusive essa taxa está em quase 2% acima da média mundial. Quais seriam as justificativas para essa letalidade maior? Elas também podem indicar uma subnotificação, já que o estado de São Paulo testa apenas os casos graves, e deixa de testar os assintomáticos?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou começar respondendo, depois vou pedir para o professor Fortaleza complementar. A letalidade não é um bom método de acompanhamento epidemiológico, porque nós trabalhamos com denominador e numerador. Então quando você testa muitas pessoas, você aumenta o denominador e diminui a letalidade. Quando você testa só pacientes internados graves, obviamente a letalidade aumenta. Então é um dado, mas precisa ser muito bem entendido, e ele não pode ser comparado dest a forma, entre o Brasil e todos os países. Por exemplo, a Coreia do Sul fez uma testagem muito grande, Alemanha uma testagem também muito grande, e agora os Estados Unidos. Então precisa ter cuidado em avaliar direito, esses denominadores. Seguramente, quando o estado de São Paulo tiver o seu plano ampliado de testagem, nós vamos ter uma relação diferente entre denominador e numerador. Queria que o professor Fortaleza completasse, por favor.

CARLOS FORTALEZA, INFECTOLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE BOTUCATU: Há, na realidade, muito pouco a complementar, mas só lembrar que o grande fator em termos de impacto da epidemia é a mortalidade, é quantas mortes nós temos causadas pela COVID-19 em 100 mil habitantes, isso é que de fato, determina se um país está em um estado de grande calamidade em relação à doença ou não. E a letalidade, como o doutor David Uip já explicou, ela depende do número de diagnósticos que a gente faz no denominador, &agra ve; medida que a gente fizer mais diagnósticos, essa letalidade vai cair, e isso não representa nenhuma mudança de tendência na epidemia. Então a gente recomenda que vocês tenham bastante atenção à mortalidade, o número de óbitos, e ao número de óbitos ponderado por 100 mil habitantes.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Essa explicação não valida o dado e a preocupação desse número de mortos que aumentou, e foi a maior registrada no estado até hoje. São coisas diferentes, o entendimento do dado e preocupação com o dado. Eu agora vou passar à pergunta presencial da Jovem Pan, da Beatriz Manfredini.

BEATRIZ MANFREDINI, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Ainda falando um pouquinho sobre esse número de mortes, saiu um dado agora pouco de que os cartórios registraram aumento de 43% no número de mortes por causa indeterminada, desculpa, desde o dia 26 de fevereiro, quando foi notificado o primeiro caso aqui em São Paulo, até dia 17 de abril, 43% a mais de mortes indeterminadas. Então a gente tem alguma noção de quanto desses 43% pode ser casos de COVID-19? Obrigada.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Bom, eu vou começar a responder da seguinte forma, o aumento do número de morte é indiscutível, agora a causa é outra coisa. Quando é indeterminado você não teve a causa. Nós estamos vendo, por exemplo, um provavelmente aumento do número de mortes por doença cardiovascular, as pessoas pararam de procurar os hospitais à despeito de manifestação aguda. Então há uma preocupação. Também nesse bojo de informações, te m as infecções de trato respiratório alto grave, tem as pneumonias bacterianas. Então uma visão isolada desse número ela não é definidora do Coronavírus, do ponto de vista de somatória de aditivo. Nós temos uma outra situação que ela é interessante, com a atualização dos resultados dos exames, é menos provável que você tenha o número de indeterminados no Coronavírus. Claro que isso depende da ponta, que é o hospital, entendendo que o doente grave está internado, e em algum momento no ambiente de UTI esse dado deverá ser mais seguro em relação à causa da morte, entendendo o Coronavírus como uma doença que está sendo diagnosticada em dia no estado de São Paulo. Agora eu vou passar para uma pergunta online, da Folha de São Paulo, Helena Botalo. O Flávi o fará a leitura.

HELENA BOTALO, REPOTER: A pergunta é para o professor Carlos Fortaleza: "Os testes que a prefeitura e o Hospital das Clínicas vão realizar nos residentes de Botucatu, são realizados apenas no hospital, ou existe coleta domiciliar? Estendendo a pergunta para o secretário, existe a possibilidade de implementar os testes RTPCR para uma parcela da população que não está nos hospitais"?

CARLOS FORTALEZA, INFECTOLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE BOTUCATU: Em Botucatu a prefeitura municipal, através de uma Parceria Público Privada, ela conseguiu adquirir insumos para que a UNESP fizesse os testes moleculares em todos os munícipes de Botucatu que apresentem quadro gripal. Esses testes estão sendo coletados nas unidades básicas de saúde, não em domicílio ainda. Mas isso tem ampliado fortemente nossa capacidade de identificar casos, isolar casos e diminuir transmissão. Eu entendo que isso é uma meta do estado, e vou passar a palavr a então, para o restante da resposta ao doutor Germann.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Doutor David, por favor.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Há um desafio, hoje o centro de contingência discutiu muito o que é elaboração de exames laboratoriais do sistema privado nos dados do estado. Em conversa, domingo, com o Ministério da Saúde, isso ficou uma preocupação, que é uma preocupação de todo o Brasil. Tem muitos laboratórios privados fazendo exames, a estimativa aqui no estado de São Paulo é que são mais de 100 mil exames feitos por laboratórios privados, que estão sendo inc orporados no sistema, mas nós entendemos que essa incorporação tem que ser aprimorada, para que nós tenhamos no sistema público e privado o número adequado de exames realizados. Então isso são aprimoramentos que vem acontecendo, mas que são importantes, porque nós vamos ter o melhor número a partir do momento que nós consigamos fazer em termos de adição, os exames públicos e privados.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Carlos, por favor.

CARLOS FORTALEZA, INFECTOLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE BOTUCATU: Eu só queria diferenciar, a fala do doutor David Uip é extremamente importante, assim, o que aconteceu em Botucatu foi diferente, nós conseguimos recursos de uma empresa privada para realizar os testes na universidade. E várias universidades tem feito isso, e em vários municípios eles têm conseguido recursos municipais para ampliar e descentralizar os testes. E acho que nesse momento é importante, porque são as universidades públicas do estado de São Paulo mostrando o cu idado com os municípios que assediam.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Secretário, tudo bem?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Vou passar para a próxima pergunta, agora é presencial, Uol, o Felipe Pereira.

FELIPE PEREIRA, REPÓRTER: Boa tarde, a todos. Eu queria saber dos senhores o seguinte, se é garantido que haverá flexibilização da quarentena? Porque falou-se que os hospitais ficariam com os leitos de UTI saturados na segunda quinzena de maio, que coincide com a data do dia 11 de maio. E também a gente teve um maior número de óbitos em um intervalo de 24 horas hoje. E outra coisa que eu queria também saber, abusando de vocês, por que a maioria das mortes ocorrem nas regiões da periferia de São Paulo? Se a gente for pegar quem tem mais de 5 0 óbitos, todos são na região da periferia da zona Leste ou da zona Norte. Obrigado.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO DE SAÚDE DO ESTADO DE SÃO PAULO: Bom, se eu entendi bem a sua pergunta, eu diria o seguinte, logicamente que tem dois fatores muito importantes aí, e o primeiro, e talvez, de fato, aquele que interfere nisto, é a aglomeração. Então são muitas pessoas que vivem no mesmo domicílio. Então na hora que nós colocamos o fique em casa, nós também criamos essa possibilidade de haver uma certa aglomeração dentro de casa. Precisa usar máscara, precisa, enfim, fazer todos os p rocedimentos que fazem a diferença no sentido de prevenir a transmissão do vírus de uma pessoa para a outra. A parte assistencial é aquilo que nos compete do ponto de vista de leitos, e da reposição de leitos conforme eles forem chegando em um teto de utilização.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou passar a palavra para o doutor Geraldo Reto.

GERALDO REPLE, SECRETÁRIO DE SAÚDE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO: Só para complementar um pouco a resposta. Como vocês viram no início, o secretário frisou muito bem, a taxa de ocupação nas nossas UTIs estão chegando a mais de 80%, isso passa a ser um dado de risco. Um dado de segurança de uma UTI, o ideal é que ele fique sempre abaixo desse número, e se vocês olharem internacionalmente, quando você atinge 80% você começa a ter um certo risco aumentado, e muito aumentado. Então isso até corrobora um pouco, que a não abertura neste momento, eventualmente, ou quando for feito, esses números é que vão nos dizer o caminho a ser seguido, principalmente taxa de ocupação hospitalar. E principalmente, ainda a taxa de ocupação dos leitos de UTI, esse é um dado muito significativo. A média de... Desculpa, a média de permanência do doente Covid positivo numa UTI é mais de 15 dias, quer dizer o quê? Em um leito de UTI, eu consigo colocar dois pacientes por mês. Então, se vocês olharem o número de leitos disponíveis hoje, e com essa taxa de ocupação, nós estamos chegando num limite altamente perigoso.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu quero acrescentar dizendo a grande preocupação de todos nós com as populações mais vulneráveis. Isso é uma preocupação diária, do ponto de vista de taxa de infecção, de morbidade, que é o perfil de doença, e de gravidade. A Prefeitura de São Paulo, ela tem essa preocupação diária. Em conversa com o secretário Edson Aparecido e com o prefeito Bruno Covas, a prefeitura vem inaugurando novos leitos de UTI praticamente todos os dias, e leitos gerais. Mudou inclusive o protocolo de internação nesses dois hospitais suporte, do Pacaembu e do Anhembi. Então, há uma preocupação sim com as populações vulneráveis, e isso se estende para todo o Brasil e para todo o mundo. São preocupações gerais, mas eu quero dizer uma coisa que eu acho muito importante: o protocolo de atendimento não é diferente. Nós vamos apresentar aqui na quinta-feira o protocolo de atendimento de doentes graves no Estado de São Paulo e nos municípios. Então, o protocolo, ele é o protocolo uniforme para todos os municípios e para o Estado de São Paulo. É claro que o Comitê de Contingência fez isso como sugestão, mas é um protocolo que obedece tudo que se faz de mais moderno no mundo. Eu vou à última pergunta presencial, da TV Globo, o William Cury.

REPÓRTER: Boa tarde, tudo bem? Está baixo aqui. Eu tenho duas perguntas. Uma é sobre o elevado número de amostras que acabam sendo descartadas e não podem ser processadas para detectar se de fato uma pessoa tem ou não o novo Corona Vírus. Eu queria entender por que isso está acontecendo, onde está tendo a principal falha. E a outra é: foi discutido na reunião de hoje, pelo Centro do Corona Vírus, a testagem em massa da população, com os novos testes que estão chegando? Obrigado.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu vou começar a primeira, do teste em massa, e o secretário complementa. Não existe testagem em massa em lugar nenhum do mundo, isso é impossível. Imagine vocês o Estado de São Paulo testando quase 46 milhões de paulistas. E muitas vezes, caso negativo, você tem que retestar. Então, o que existe é um plano ampliado de testagem, que vai ser apresentado pelo governador e, na sequência, vai ser apresentado pro Centro de Contingência. Mas testagem em massa é um term o complexo, porque você tem a impressão de testar todos os paulistas ou todos os brasileiros. Isso não é possível, tanto por conta da falta de insumo como também a resposta dos laboratórios. Hoje, na rede paulista, nós temos 37 laboratórios fazendo exames e vamos chegar a 44. É uma rede ampliada, que tem suficiência dentro de projetos soroepidemiológicos.

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Veja bem, o exame que é realizado, o PCR, ele utiliza de material da orofaringe e nasal. Esse material é colhido e deve ser acondicionado de uma forma correta e vai ao laboratório. No laboratório, ele, ao ser desdobrado para exame, ele tem duas fases: uma de extração do material a ser dosado e a outra a própria dosagem. Tudo isso é muito delicado, vamos chamar assim, e que exige um protocolo de atendimento bastante minucioso. O que ocorre é que, na ponta, aí n& oacute;s temos em casa, nas UBSs, enfim, existe uma certa dificuldade para estes procedimentos saírem do jeito que devem sair. Aí, quando chega ao hospital da rede hoje de testagem, essa amostra tem que ser descartada, no Adolfo Lutz ou em qualquer outro da rede de diagnóstico hospitalar.

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Adicionando ao que o secretário falou, essa é uma coleta delicada, porque você colhe da nasofaringe, das duas narinas, e você colhe da úvula, da orofaringe. Então, a coleta, ela precisa ficar adequada, o encaminhamento e condicionamento também. Então, obviamente, tanto no sistema público-privado, você pode ter alguns problemas, do ponto de vista desde a coleta até a [ininteligível]. Agora, quem faz esses exames, tanto da rede pública e privada, é um pessoal muit o experimentado. O Adolfo Lutz tem tradição de anos fazendo isso e o Butantã é um instituto extremamente competente. A rede é muito competente, é um pessoal muito experiente, e eu tenho impressão que isto, com a sucessão de coletas, vai estar diminuindo. Eu vi que tem uma pergunta do SBT, presencial. Não estava na minha lista, mas por favor.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O Geraldo vai responder também.

ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só um minutinho. Até complementando a questão da perda das amostras, independente disto, as pessoas que foram notificadas, eles estão sendo monitorados, mesmo à distância, por telefone. Então, independente do resultado do exame, quando a pessoa é notificada, os municípios, a própria Secretaria de Saúde do estado, tem monitorado esses pacientes, ou esses suspeitos. E isso também, você acompanhando durante esse período da quarentena, você minimiza esses problemas, ok?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: A última pergunta, Fábio [ininteligível], do sistema SBT.

REPÓRTER: Obrigado, Dr. David. Boa tarde a todos. Eu queria fazer uma pergunta especificamente em relação ao número de óbitos. Então a gente vê uma curva crescente, os senhores falaram muito nas outras coletivas da preocupação da gente atingir dois dígitos, no aumento a cada 24 horas, já está acontecendo isso. E a curva descendente, que é o isolamento social. Os senhores já fazem uma relação de que uma coisa está provocando a outra? Hipoteticamente, se estivéssemos num isolamento social maior, n&oac ute;s poderíamos ter um número de óbitos menor também?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Eu não tenho a menor dúvida a respeito disso. No começo, quando nós começamos a discutir o isolamento social, nós nos baseávamos em trabalhos e experiências de outros países. Agora, os nossos números são contundentes. Se você tem um isolamento social de 50% a mais, você tem um impacto na curva de infectados, de doentes e de óbitos. A menos, é muito difícil. E quanto mais, melhor. Esta equação, ela está feita. Mas eu quero reite rar a importância das pessoas continuarem em casa. É chato, não é bom, mas é absolutamente fundamental. É difícil as pessoas continuarem tendo limitações, mas é assim que funciona. Eu fiz, acabei de dar uma entrevista dizendo que não há plano B. Nós temos o plano A, que é este. Então, neste momento, eu reitero essa necessidade, e também a minha preocupação. Eu vejo o movimento maior, eu vejo as pessoas jogando futebol em quadras, em postos de gasolina, bebendo e conversando, como se nada houvesse. Nada mudou. Nós estamos num período de muita atenção e de envolvimento da população. Eu preciso fazer isso com cuidado, por conta que boa parte da população está acatando essas recomendações do estado. De outra forma, o estado, ele continuou funcionando, em áreas essenciais na s empresas, mais de 70%. Então, aqueles que estão ficando e precisam continuar, eles têm que notar a importância da colaboração. E nós estamos em vias de novas decisões. Um dos parâmetros que vai ser usado na decisão seguramente é exatamente a adesão da população àquilo que está sendo recomendado pelo estado. Muito obrigado, eu... O secretário...

JOSÉ HENRIQUE GERMANN, SECRETÁRIO ESTADUAL DE SAÚDE DE SÃO PAULO: Queria complementar, é o seguinte: Não há dúvida que contato social, isolamento social, distanciamento social menor são casos a mais, e casos a mais significam óbitos a mais. Nós estamos trabalhando em alerta amarelo. A taxa de ontem foi de 48%. Então, mais uma vez nós descemos abaixo de 50% e isso é muito perigoso, e nós temos que reverter esse quadro, seja através de alguma estratégia mais contundente, e isso depende, obviamente, do gover nador, e nós estamos dando todas as informações. Ele recebe isso e, junto com o Centro de Contingência, toma as decisões relacionadas à epidemia, baseadas nas questões de saúde, como vocês já viram várias vezes. Então, é, sim, uma... Eu queria enfatizar isso, enfatizar o 'fique em casa', entendeu? Porque é muito importante que a gente faça um distanciamento social muito rigoroso, para que a gente atinja uma meta de 60% acima, e com isso nós vamos ter uma diminuição do número de casos, ou pelo menos a velocidade diminui e diminui a velocidade do aumento de óbitos. Antes de encerrar, eu só queria dizer então que a coletiva de hoje foi neste formato, a gente vai sempre apresentar um tema, desses todos que a gente tem visto várias vezes por aqui, com maior profundidade, e depois os comentários, e a presença principalmente do Centro de Contingência aqui, para responder e para elucidar as questões relacionadas ao esclarecimento do que nós estamos fazendo, estamos pensando, analisando e dando subsídios para o governador. Nas segundas, quartas e sextas, volta o formato normal, com a presença do governador do Estado. David, você quer encerrar, por favor?

DAVID UIP, COORDENADOR DO CENTRO DE CONTINGÊNCIA DO COVID-19: Você encerra, eu só agradeço, em meu nome, em nome do professor Fortaleza, do professor Geraldo Reple, reiterando a grande aquisição do Centro, com a presença do Geraldo Reple, que inclusive é professor da Faculdade de Medicina do ABC. Muito obrigado, secretário, sua palavra.